domingo, 20 de setembro de 2009

REGIÃO NORTE DO CEARÁ - Antiga bodega vira ponto de encontro e cultura em Tianguá
O "Bardega do Didi" vem fazendo sucesso com seus quitutes tradicionais, bebidas e ambientação rústica
Amauri Didi transformou o comércio herdado da família numa bardega: mistura de bar, bodega e espaço cultural para reunir amigos e visitantes (Foto: Wilson Gomes)

Objetos antigos dão um toque especial à decoração do Bardega do Didi, que já serviu de inspiração para os boêmios e poetas que por ali passam


Tianguá - "Eu fui encontrar cultura/No canto de uma cidade/Vi arte e literatura/Transformada em amizade/E através de um colega/Eu encontrei o Bardega/Para minha felicidade/". É desta forma que o poeta Lucarocas descreve um dos "points" mais aconchegantes desta cidade, uma bodega que virou bar e que virou ponto de cultura popular e de pesquisa para aqueles que estão sempre atrás de conhecimento. O local, denominado hoje de Bardega, não poderia ser diferente, tinha que ser bastante exótico. Na parede, um painel onde se faz a mostragem de cordel. Nas mesas dentro do bar, um livro para autografar. As mesas que ficam na calçada são formadas por tampo de carretel recolhidos nos assentamentos da cidade.

O Bardega é administrado por Amauri Pinto de Carvalho, o Amauri Didi. O espaço cultural, como ele gosta que seja chamado, tem uma história bem interessante. Sua criação se deu na virada do século XXI, quando a família tinha uma tradição de bodega há pelos menos 60 anos, época da venda do pão, do milho, da farinha, do amendoim, que começou com Francisco Pinto de Carvalho, o "Seu Didi", patriarca que passou o comércio para os descendentes até chegar às mãos de Amauri Didi.

Medicinal

Como todo dono de bar, Amauri é bom de papo. Ainda mais se o cliente pedir o carro-chefe da casa, a famosa "Medicinal", um coquetel feito à base de cachaça serrana, mel de abelha e limão. A bebida é servida em copos de barro feitos por uma comunidade local. Já o mel é produzido pelo próprio dono, em seu sítio. Somos convidados a apreciar: dá uma mexidinha, suga pelo canudo de madeira e o sabor toma toda a boca. Para acompanhar, um feijão verde com queijo coalho bem gostoso, ou um dos pratos mais comentado, as tanajuras assadas, típico do povo serrano, herança dos índios Tabajara. Uma identificação que se constitui em tradição que os distingue entre os cearenses. Tanajuras como alimento, é altamente valorizada na região.

Amauri Didi conta que o hoje Bardega teve que ficar um período de portas fechadas, diante da necessidade do dono de continuar nos estudos. "A faculdade, que fazia em Sobral, roubou uma boa parte do meu tempo, que antes era dedicado a cuidar de uma tradição deixada pelo meu pai que foi a bodega, uma pequena mercearia. Tendo que ir e voltar todos os dias, fui perdendo parte dos clientes do comércio de mercadorias. Por causa disso ganhei outro tipo de clientela: os amantes da noite puxados com uma boêmia de um bom papo que vai de política à filosofia, que vinha sempre aqui no final do dia e pedia uma cervejinha, regada sempre com uma boa música da MPB regional", revela.

Grupo cultural

Daí encabeçado pelo seu sócio-proprietário e mais um grupo de amigos, que conta com profissionais liberais, professores e artistas, esses amantes da cultura e defensores da inclusão da educação e do social sempre se reunindo no Bardega criaram o Grupo de Estudos e Valorização da Cultura Tianguaense (Grecult). Com o grupo, surgiu grandes projetos iniciados ali mesmo: a Noitada Cultural de Artes Integradas, realizada duas vezes por ano; a criação do Bloco Cultural Tanajuras da Serra, além de um acervo de pesquisas e produção de exposições de fotografias históricas.

A bodega passou por uma transformação muito brusca, uma intervenção para chegar à forma em que se apresenta hoje. "Isso foi uma criação dentro de um processo, não foi uma criação rápida", destaca. Amauri usou como modelo para essa transformação as andanças movidas por uma cultura popular. "Eu pude perceber que poderia, mesmo com um espaço pequeno, proporcionar à população não só de Tianguá, mas pessoas que viriam visitar, um nicho diferenciado da cultura local".

Amilcar Holanda é um desses freqüentadores assíduos. Gosta do ambiente, principalmente quando aparecem caras novas. "Vi que vocês estavam aqui, então me interessei em saber o que estariam fazendo e o que estava acontecendo".

A decoração do Bardega é toda rústica. Objetos antigos ficam pelos cantos. É possível encontrar relíquias como vinis, máquina de escrever e cédulas velhas. Outra tradição é servir a seus freqüentadores tanajuras assadas. Também conhecidas como içá, era um dos pratos favoritos do escritor Monteiro Lobato. "Engraçado, porque mesmo depois de séculos, aqui ainda se conserva esse hábito herdado dos índios. Aqui tanajura é comida, é dança, é música, é cordel", explica Amauri. Se preferir, pode levar os ingredientes pra casa: garrafas de mel, cachaça e feijão verde.

PONTO DE CULTURA
Bardega do Didi inspira cordelista

Tianguá Pelo Bardega do Didid já passou muita gente. O poeta Luiz Carlos Rolim de Castro, mais conhecido como Lucarocas, foi um deles. Gostou tanto do ambiente que escreveu um cordel para homenagear o ponto de cultura e encontro. "Conhecer o Bardega é fazer um pouso na cultura com a suavidade da paz serrana, é aquecer-se com a ´Medicinal´ e embalar-se com a musicalidade do ambiente, que faz a alma crescer na simplicidade da poesia, do romance, num momento de encontro, onde a solidão não faz companhia e a alma se embriaga de amor. Uma noitada no Bardega do Didi é uma oração aos deuses notívagos da boêmia. É mágico", destaca o poeta.

Lucarocas é professor de literatura e cordelista. Ele esteve por diversas no Bardega do Didi. Na sua última visita, em julho do ano passado, resolveu escrever um cordel, que narra como é para ele o Bardega. Diz Lucarocas, em um dos trechos do seu cordel que o Bardega é na verdade um espaço cultural, uma coisa diferente.

"Lá o que se escuta são os discos de vinil colocados na vitrola". Lucarocas também faz menção à parede que foi pintada de branco e onde foi montado um painel de cordéis, homenageando aqueles que se foram e não voltam mais.

Para o escritor repentista, no Bardega tem espaço para a prosa e a poesia. É no entorno do balcão que se pode prosear à vontade, sentado em tamboretes feitos de madeira pura, bem próximo aos tonéis onde é armazenada a Medicinal. "O Amauri Didi é um desses homens de cultura que faz do sonho uma realidade, um cidadão de verdade", disse Lucarocas, acrescentando que é dessa forma que ele consegue atrair a clientela.

"Eu vi que nas prateleiras de teto existe uma porção de objetos antigos que algum dia tiveram utilidade. Dá para parar no tempo e voltar ao passado, além de pouca luz que faz o clima ficar mais animado", descreve Lucarocas, que chama a atenção para a existência de um par de chifres que fica praticamente abandonado. Sobre as iguarias, o poeta faz alusão ao queijo, à rapadura, ao caldo de feijão servido em cumbuquinhas de barro, à lingüiça na fritura, ao pirão, às frutas e verduras, sem esquecer a pinga com limão, a já muito comentada Medicinal. "Medicinal é receita que não se vende em bodega. É um coquetel totalmente natural. Ela é feita somente pra quem é muito colega, é como se fosse um pacto de amizade".

Amauri Didi trata a cultura como um verdadeiro vício. "Você se alimenta dela. Ela te puxa, ele te leva a rebuscá-la, por isso vejo como um vício, uma necessidade de se ter, sem esquecer que pode ser considerada uma profissão se vista do lado de uma política cultural".

FIQUE POR DENTRO
Içá é formiga que se come na zona norte do Estado

Içá ou tanajura é a formiga fêmea da saúva. No Ceará, também é chamada popularmente de formiga de asa ou formiga de roça. Em tupi-guarani, significa "formiga que se come". Ainda que a entomofagia (prática de alimentar-se com insetos) seja vista por muitos como um costume de gente primitiva, em diferentes partes do País esse alimento é considerado uma verdadeira iguaria. O consumo de içá tem origem em hábitos indígenas. O costume foi assimilado pelos colonizadores e hoje as formigas são consumidas em farofas ou ao natural. São torradas com água e sal, servindo de aperitivo, acompanhando bebidas fermentadas ou destiladas. Há, ainda, relatos de outros modos de preparar o alimento, como é o caso do prato composto por abdômens ovados de tanajuras com arroz e feijão, sendo aí a formiga utilizada como substituto da carne. A parte comestível é o abdômen da formiga, conhecida popularmente como a "bunda de tanajura". A preparação mais apreciada e relatada ensina que as formigas devem ser lavadas e fritas em sua própria gordura, manteiga, banha ou óleo, para ficarem crocantes, adicionando-se, então, pimenta do reino e sal. No Ceará, as tanajuras têm sido vendidas como afrodisíaco no comércio. Há, assim, uma relação da tanajura com o corpo idealizado da mulher: cintura fina e ancas largas.

WILSON GOMES
COLABORADOR

Mais informações
Bardega do Didi
Rua 12 de Agosto, cruzamento com Poeta Louro Menezes
De quarta a domingo, às 17h.

Fonte: Jornal Diário do Nordeste - Caderno Regional - Fortaleza, 20 de setembro de 2009. http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=672557

sábado, 19 de setembro de 2009

Filme The Age of Stupid tem estréia mundial dia 21 de setembro

Por Editor em 19/09/2009

Filme The Age of Stupid tem estréia mundial dia 21 de setembro: Apresentado como um documentário futurista, a obra trata dos efeitos das mudanças climáticas no ano de 2055. Créditos: Divulgação

Acontece durante a Semana do Clima (21 a 26/09), em grande estilo, o lançamento do filme The Age of Stupid, um drama elaborado no formato de documentário que retrata um futuro próximo e sombrio. Dirigido por Franny Armstrong, o filme é narrado pelo ator Pete Postlethwaite, que interpreta um arquivista, no ano de 2055. O personagem é o principal fio condutor da trama que retrata as condições de vida na Terra em um futuro no qual os avisos sobre as mudanças climáticas foram ignorados.

Produzido com £ 450.000 (cerca de US$ 750 mil) levantadas por "multidão-financiamento" - venda de ações de indivíduos e grupos, The Age of Stupid, é uma obra completamente independente.

A première do filme sobre aquecimento global acontecerá em Nova Iorque, no dia 21 de setembro e terá exibição em diversos países ao mesmo tempo, seguido por transmissão ao vivo de um debate com Kofi Annan, ex-secretário-geral da ONU, com a participação da atriz Gillian Anderson (Arquivo X) e de cientistas e políticos. Após o debate, acontece o encerramento com o show do líder da banda Radiohead, Thom Yorke. A data marca a véspera da sessão da Assembléia Geral da ONU sobre o Clima, que acontece também em Nova Iorque.

No Brasil, o lançamento acontece dia 22 de setembro, com a exibição do filme em 13 salas de cinema (veja lista e horários abaixo). No total, o filme será exibido simultaneamente em mais de 500 salas de cinema em todo mundo.

ONDE ASSISTIR

Lançamento do filme The Age of Stupid nos cinemas brasileiros:

Belo Horizonte/MG
Espaço Unibanco Ponteio
Ponteio Lar Shopping - BR - 356, 2500
22/set – 19h00

Curitiba/PR
Unibanco Arteplex
Shopp. Crystal
Rua Comendador Araújo, 731
22/set – 19h00

Fortaleza/CE
Espaço Unibanco Dragão Do Mar
Rua Dragão do Mar, 41
22/set – 19h00

Juiz de Fora/MG
Espaço Alameda de Cinema
Alameda Shopping Rua Morais e Castro, 300
22/set – 19h00

Porto Alegre/RS
Unibanco Arteplex
Shopp. Bourbon - Rua Túlio de Rose, 80, 2.º piso - salão 301/B
22/set – 19h00

Rio de Janeiro

Unibanco Arteplex
Praia de Botafogo, 316
22/set – 19h00

Espaço Rio Design
Shopp. Rio Design Barra
Av. das Américas 7.777 - lojas 315 a 317
22/set – 19h00

Salvador/BA
Espaço Unibanco de Cinema Glauber Rocha
Praça Castro Alves s/n
22/set – 19h00

Santos/SP
Espaço Unibanco Miramar
Miramar Shopping - Av. Mal. Floriano Peixoto, 44
22/set – 19h00

São Paulo/SP

Cine Bombril
Av. Paulista, 2073 - Conjunto Nacional
22/set – 19h00

Unibanco Arteplex
Shopp. Frei Caneca
Rua Frei Caneca, 569, 3.º piso
22/set – 19h00

Espaço Unibanco de Cinema Pompéia
Bourbon Shopping
Rua Turiassu, 2100, piso Perdizes
22/set – 19h00

Cine TAM
MorumbiShopping
Av. Roque Petroni Jr, 1089
22/set – 19h00

O filme integra a rede de parceiros e iniciativas pela Campanha TicTacTicTac.


Saiba mais no site oficial http://www.ageofstupid.net/.




Andrea de Lima - Jornalista e Cilene Marcondes


Links referenciados:


Campanha TicTacTicTac: http://www.tictactictac.org.br/



The Age of Stupid: www.ageofstupid.net

Gillian Anderson: pt.wikipedia.org/wiki/Gillian_Anderson

Kofi Annan: pt.wikipedia.org/wiki/Kofi_Annan

Thom Yorke: pt.wikipedia.org/wiki/Thom_Yorke


Fonte: AGROSOFT Brasil

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

SÍTIO CALDEIRÃO - Romaria destacará temática ambientalista

Em sua décima edição, a Romaria do Caldeirão acontece no domingo, destacando temas de defesa ambiental

Confessionário da Capela de Santo Inácio de Loyola, no Sítio Caldeirão, é marco na memória do povoado (Foto: ANTÔNIO VICELMO)

Crato - A Diocese do Crato promove, no domingo, a 10ª Romaria do Caldeirão, destinada a preservar a memória da experiência comunitária do Sítio Caldeirão, liderada pelo beato José Lourenço, destruída por forças policiais em 1937. O evento tem na coordenação o Fórum Araripense de Combate à Desertificação, uma entidade formada por ambientalistas, associações comunitárias e representantes de prefeituras, que tem como objetivo promover o desenvolvimento sustentável.

O Caldeirão da Santa Cruz do Deserto, de acordo com o agente da Cáritas Diocesana, Alex Josberto Andrade Sampaio, "é um espaço ideal para os gritos e clamores das nossas comunidades de base, expressos na carta política, a ecoar no palco da resistência da comunidade liderada pelo beato José Lourenço".

A romaria será a caixa de ressonância dos assuntos debatidos, esta semana, no Fórum Araripense, quando foram analisados o empobrecimento da terra, a perda da biodiversidade e da identidade cultural, a situação da agricultura familiar, o processo de desertificação, convivência com o semi-árido e a questão indígena e quilombola da região do Cariri, além de oficinas temáticas de educação contextualizada, gênero, agroecologia e economia solidária.

Alex explica que, ao longo de seus 10 anos de caminhada, o Fórum Araripense, que se reúne na primeira terça-feira de cada mês, vem sendo reconhecido e respeitado pelos setores públicos e sociedade civil como espaço democrático e legítimo de debates e compromissos para a convivência com o semi-árido, apresentando soluções técnicas e políticas, reforçando consensos para reatar os laços de fraternidade social.

Outro ponto discutido pelo Fórum Araripense que será levado para reflexão durante a romaria é o mapeamento das comunidades de quilombolas no Cariri, promovido pelo Grupo de Valorização Negra do Cariri (Grunec). A iniciativa surgiu para acabar com o mito de que não existem negros nem indígenas na região. O Grunec já identificou cinco quilombos nos municípios de Porteiras, Jardim, Jati, Salitre e Várzea Alegre. Há informações do Ministério do Desenvolvimento Social (MDS) sobre a presença destas comunidades nos municípios de Crato, Brejo Santo e Aurora. Fontes informais apontam ainda a existência desses povos nos municípios de Assaré, Missão Velha, Mauriti e Potengi.

Segundo destaca o agente da Cáritas, ao visitar as regiões mais empobrecidas do Cariri, na zona rural e também nas periferias urbanas, é marcante a presença negra. Ele lamenta constatar que os índices de analfabetismo são maiores entre os negros e as oportunidades e salários são menores dependendo da cor da pele. "É a discriminação presente, ainda que, muitas vezes, esteja travestida".

O projeto, a partir do mapeamento, objetiva dar mais poder a essas comunidades, para que consigam, a partir do auto-reconhecimento, buscar meios de desenvolvimento com sustentabilidade, mitigando as desigualdades históricas

Sobre a romaria, Alex volta a destacar o objetivo do evento:lembrar a luta, a resistência e a caminhada de um povo que, de maneira ordeira, buscava a santificação por meio do trabalho agrícola, da oração e da penitência. Para o Caldeirão convergiam levas de romeiros vindos do Ceará, Piauí, Rio Grande do Norte, Pernambuco e Bahia, em busca de um pedaço de terra para plantar e viver. A comunidade rural auto-suficiente chegou a abrigar três mil pessoas, que não mais queriam trabalhar para os fazendeiros da região.

Celeiro agrícola

Os remanescentes lembram que ali funcionava engenho de rapadura, casa de farinha, tecelagem, carpintaria e oficina de ferreiro. Ao mesmo tempo em que crescia a fama do Caldeirão, transformado em celeiro agrícola do Cariri e santuário de oração do Nordeste, cresciam também as atenções das autoridades que viram no grupo social uma ameaça à ordem.

A invasão do Caldeirão ocorreu em 1936. Os seguidores do beato foram obrigados a abandonar a comunidade. Casas e plantações foram queimadas e saqueadas. Na oportunidade, não morreu ninguém. No ano seguinte, em cima da serra, a cerca de 20 quilômetros do Caldeirão, aconteceu o massacre, resultando na morte de mais de 800 seguidores do beato.

O remanescente da comunidade, Antônio Inácio da Silva, lembra que as tropas atacaram a população, destruindo casas e plantações. Os sertanejos resistiram ao ataque mas perderam no confronto. O beato José Lourenço conseguiu escapar e refugiou-se em Pernambuco, onde morreu em 1946.

REIVINDICAÇÕES

"A Romaria será a caixa de ressonância das reivindicações populares feitas no Fórum Araripense"
Alex Josberto Andrade
Agente da Cáritas Diocesana


FIQUE POR DENTRO

Beato foi um dos principais devotos de Padre Cícero

O beato José Lourenço foi um dos mais importantes seguidores de Padre Cícero. Em uma terra doada pelo religioso caririense quando ainda vivo, José Lourenço, movido por suas crenças religiosas, fundou a Comunidade do Caldeirão. Organizada em moldes socialistas, o povoamento logo atraiu contra si o ódio de todas as forças conservadoras do Nordeste. Era considerada perigosa pelos grandes proprietários de terra e pelo clero do Cariri. Deixava os fazendeiros sem a mão-de-obra barata e podia significar, na grotesca visão dos poderosos, um embrião do comunismo. No cotidiano das famílias seguidoras do beato imperava a solidariedade, uma vez que todos trabalhavam em proveito da coletividade. Plantavam e se lamentavam com os frutos da colheita.

Mais informações
Cáritas Diocesana
Rua Teófilo Siqueira, 631
Crato, (88) 3521. 8046

ANTÔNIO VICELMO
REPÓRTER

Fonte: Jornal Diário do Nordeste - Caderno Regional - Fortaleza, 18 de setembro de 2009.
http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=671907

22 de setembro - dia mundial sem carro

Olá amigos!

Segue um convite enviado por nosso amigo Arthur Petrola, para aderirmos ao movimento do dia 22 de setembro.

O dia mundial sem carro não é só "aposentar" o carro por um dia e ir de ônibus pra qualquer lugar, mas antes de mais nada uma reflexão sobre sustentabilidade. Sobre a cena caótica do cenário urbano mundial e aqui em Fortaleza, nesse trânsito doido que faz com que a gente chegue em casa mais cansado, mais estressado e sem saco pra nada...

Ficou Curioso? Quer saber O que é o Dia Mundial Sem Carro? http://mountainbikebh.com.br/22setembro/

Então, quem puder pegar carona, pegue, quem puder dar carona, dê... Só não vale ficar parado, trancado e sozinho dentro de um carro! =D

Quem não tem carro, quem já anda de ônibus e etc, ajuda informando a quem tem carro e ainda não sabe sobre isso...

Se a gente espalha boato sobre mega-sena, sobre computadores de graça, sobre crianças desaparecidas, o que custa espalhar algo que pode ser viável?! Né?! E se custar espalhar, pelo menos pense, durante 5 minutos, em como é que vai ser daqui pra frente se a gente não "desacelerar"...

Sites que discutem este assunto:
- www.envolverde.ig.com.br
- www.silcon.com.br
- www.cidades.gov.br
- www.ruaviva.org.br
- www.nossasaopaulo.org.br
- http://lerha.blogspot.com

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

SESC LER - Projeto conquista premiação nacional

Sertão de Quixeramobim - CE. Foto: Suely Chacon


Quixeramobim - CE. A equipe do Centro Educacional Sesc Ler Quixeramobim participa, hoje, em Belém do Pará, da mais importante conquista para a instituição, dedicada à educação de jovens e adultos. Eles recebem a Medalha Paulo Freire, outorgada pelo Ministério da Educação (MEC) a educadores brasileiros que desenvolvem projetos inovadores. A solenidade ocorre no XI Encontro Nacional de Educação de Jovens e Adultos. Os educadores de Quixeramobim serão os primeiros do Ceará agraciados com o título. Os outros Estados são: Amazonas, Minas Gerais e Rio de Janeiro.

A orientadora pedagógica do Sesc Ler Quixeramobim, Leni Oliveira, compartilha entusiasmada o prêmio. O projeto apresentado por eles concorreu com mais de 200 propostas, de todas as partes do Brasil. Ganhou projeção através do processo diferenciado de exibição de películas cinematográficas. Eles resolveram inovar as sessões do Cine Sesc, estimulando o público a interagir com os enredos. Ficou mais fácil, por exemplo, entender como se mede a área quadrada de um lugar.

Se os idealizadores do projeto estão empolgados com os resultados e o reconhecimento nacional da iniciativa, os espectadores e familiares dos educandos que participam do projeto não cabem em si de contentamento. A dona-de-casa Maria Lúcia Sampaio resolveu acompanhar o filho Bruno. Não confia no comportamento do caçula quando vai aos passeios. Acabou assistindo ao filme "Narradores de Javé" todinho. Ficou muito interessada. Estava ali diante de uma história parecida com a da sua comunidade, a localidade de Encantado. Depois da sessão, aprendeu a solucionar as diferenças com os vizinhos. O projeto mostra que, com empenho, um bom diálogo e filme de qualidade, é possível muito mais do que contar uma boa história.

O projeto Cine Sesc foi implantado em 2001. O programa tem como foco a linguagem audiovisual, interligando o cinema aos conteúdos curriculares vistos em sala de aula, sendo seu público alvo estudantes da Educação de Jovens e Adultos (EJA), da alfabetização ao 1° e 2° segmentos de ensino. A proposta se estende às escolas, públicas e particulares, como também à comunidade em geral.

Para participar, basta agendar ou comparecer ao centro de ensino de Quixeramobim. As sessões de cinema acontecem toda semana. Ontem, alunos da Escola Luíza Távora tiveram essa oportunidade. Mais uma vez o salão lotou, de admiração e sabedoria com que as sombras móveis podem transmitir.

Fonte: Jornal Diário do Nordeste - Caderno Regional - Fortaleza, 17 de setembro de 2009
http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=671631

Chagas de São Francisco são comemoradas hoje

Ao ver Cristo como anjo, São Francisco recebe as chagas nas mãos e nos pés. A partir daí, inicia a sua missão de evangelização


Frei Marconi Lins, ministro provincial, destaca a participação dos devotos - Encenação da Pastoral da Juventude exibirá cenas do momento em que São Francisco recebe as chagas no corpo

Canindé-CE - A Paróquia de São Francisco de Canindé comemora, hoje, as chagas de São Francisco. A Igreja Católica relembra a data porque nesse mesmo dia, em 1224, aconteceu o fenômeno religioso em que São Francisco recebeu suas chagas nas mãos e nos pés. Ele estava rezando no Monte Alverne, na Itália, quando teve a visão do Cristo Crucificado, em forma de um "Serafim Alado" (um anjo com asas). No encontro místico, ouviu de Cristo as palavras: "Francisco, vai e reconstrói a minha casa que está em ruínas". Desde aquele momento, o jovem dedicou-se a cumprir sua missão, renunciando riquezas.

Um depoimento do ministro provincial, frei Marconi Lins, chama a atenção dos devotos. "Muitas pessoas, às vezes, perguntam se São Francisco de Canindé é o mesmo de Assis, na Itália, e também o porquê do nome Chagas. Na verdade, São Francisco de Assis e das Chagas de Canindé é um só: de Assis, porque era sua terra natal, das Chagas por causa dos estigmas de Jesus Cristo que o santo recebeu por meio da transfiguração; e de Canindé, devido ao culto, à fé que os devotos retratam no Santuário´´.

Comemoração

Este ano, a Paróquia de Canindé comemora 192 anos de fundação, além de 352 anos da Comunidade da Província Franciscana no Brasil, 251 anos das origens da devoção a São Francisco e 800 anos da Ordem Franciscana no Mundo. Para frei João Amilton dos Santos, "mais que desvendar o caráter histórico das chagas de São Francisco, é importante refletir sobre a experiência de vida que se esconde sobre esse fato".

De acordo com o coordenador de Liturgia, Silvânio Bezerra, as festividades de hoje começam às 18h com encenação das chagas de São Francisco pela Pastoral da Juventude, na Praça da Gruta de Nossa Senhora de Lourdes. Logo em seguida, o ministro provincial, frei Marconi Lins, celebra a santa missa por meio da rádio "Paz e Bem´´, que irá fornecer informações diárias do santuário.

Na opinião de frei Jean de Sousa, as chagas de São Francisco é uma visão do Cristo Crucifixado em forma de "Serafim alado". São sinais visíveis de sua semelhança à humanidade de Cristo, nos seus três modos: na vida, paixão e na ressurreição.

Desde ontem, a cidade concentra um grande número de fiéis vindos de Tocantins, Maranhão, Piauí, Sergipe e Alagoas, que aproveitam esse período para reverenciarem o santo dos milagres. A estimativa da Igreja é que 50 mil pessoas participem da festa de hoje.

Abrigos

Os abrigos estão com seus espaços ocupados. Os romeiros chegam em grande escala. O comércio já sente o aquecimento das vendas. "Estar em Canindé é estar em paz com a própria alma. Aqui a religiosidade transforma a nossa vida cristã´´, ressalta o romeiro Franciné Moreira da Silva de Tocantins.

Festejos

A Festa de São Francisco das Chagas começa na madrugada do próximo dia 24 de setembro e termina no dia 4 de outubro. Para a Igreja Católica, a data representa um momento de reflexão entre os povos. "Hoje, Canindé está de braços abertos para receber o povo de Deus. Os filhos de Francisco dão, a cada ano, demonstrações de fé e espiritualidade", observa o pároco.

O secretário de Desenvolvimento Econômico e Turismo, Plínio Gomes, em parceria com a Paróquia, irá disponibilizar os servidores para o trabalho de orientação nas ruas e entradas da cidade. "O romeiro que chegar em Canindé precisa ser bem tratado. Ele é devoto de São Francisco desde o momento em que deixa a sua residência para vir ao santuário. Por isso, estamos prontos para atendê-lo´´, disse Plínio Gomes.

Mais informações
Paróquia de São Francisco
(85) 3343. 0774 / 3343.-0017
(85) 3343. 0047
http://www.paroquiadecaninde.com.br/


Fonte: Jornal Diário do Nordeste - Caderno Regional - Fortaleza, 17 de setembro de 2009
http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=671629

Seminário Mudanças Climáticas e Desertificação no Ceará

Comissão de Mudanças Climáticas do Congresso fará seminário no Ceará




A Comissão Mista de Mudanças Climáticas do Congresso aprovou requerimento de autoria do deputado José Guimarães (PT-CE) para realização do seminário “Mudanças Climáticas e Desertificação no Ceará”. O objetivo da proposta, de acordo com o parlamentar, é debater práticas sustentáveis de plantio, cultivo e agropecuária da terra para evitar a deteriorização do solo nordestino. O evento está previsto para o dia 24 de setembro, na Assembléia Legislativa do Estado do Ceará.

“A questão da desertificação é algo grave, que interfere na sustentabilidade ambiental do País. A comissão não pode olhar somente para os problemas da região amazônica. Temos que debater os gargalos da preservação ambiental do Brasil como um todo”, justificou Guimarães.

Deverão participar do evento a senadora Ideli Salvatti, presidente da Comissão, e especialistas convidados para expor sobre a questão. O seminário será dividido em dois painéis. O primeiro, com o tema "desertificação – diagnóstico e perspectivas frente às mudanças climáticas", terá como expositores o secretário de Extrativismo e Desenvolvimento Rural Sustentável do Ministério do Meio Ambiente, Egon Krakhecke, e a professora da Universidade Federal do Ceará, Marta Celina.

Para o segundo painel, com o tema "produzir sem degradar – desafios para o semi-árido: experiências exitosas", serão convidados o secretário de Desenvolvimento Agrário do Estado do Ceará, Camilo Santana, o superintendente do ETENE/BNB, José Sydrião de Alencar Júnior, e a Coordenadora do Grupo ASA (Ações para o Semi-Árido), Cristina Nascimento. Após os dois painéis, haverá outras duas mesas de debates para discutir o Plano estratégico para os recursos hídricos do Estado do Ceará. Serão convidados o presidente da Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh), Francisco José Coelho Teixeira, e o presidente do Conselho de Altos Estudos e Assuntos Estratégicos da Assembleia Legislativa do Ceará, Eudoro Santana.

A segunda mesa de debates discutirá os mecanismos de incentivo à sustentabilidade. Para o tema serão convidados a presidente do Conselho de Políticas e Gestão do Meio Ambiente (Conpam), Maria Tereza Bezerra Sales, e a presidente da Associação dos Municípios e Prefeitos do Estado do Ceará (Aprece), Eliene Leite Araújo Brasileiro.

Fonte: Assessoria de Comunicação Social - Dep. Guimarães - PT Ceará

Indicações Geográficas e Marcas Coletivas são temas de Seminário na Paraíba


Será realizado, nos próximos dias 02 e 03 de outubro, em João Pessoa (PB), o I Seminário sobre Indicações Geográficas e Marcas Coletivas, com o tema “Instrumentos para o desenvolvimento de cadeias produtivas da Paraíba”. O evento é uma realização do Instituto Nacional do Semiárido (INSA/MCT), em parceria com o Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento, Superintendência Federal de Agricultura Pecuária e Abastecimento Estado da Paraíba (SFA/PB) e Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE).

O Seminário é destinado a produtores rurais, representantes dos governos federal, estadual e municipal, lideranças, técnicos, associações e cooperativas, pesquisadores, estudantes de graduação e pós-graduação, professores, e demais atores das cadeias produtivas. Na ocasião será
estabelecido um plano de ação para a criação de um fórum institucional e pluridisciplinar, visando à construção de bases para o desenvolvimento de cadeias produtivas da Paraíba, com foco em indicações geográficas (IGs) e marcas coletivas.

O coordenador do evento, o pesquisador do INSA, Gustavo Henrique Teixeira, explica que com a globalização dos mercados, a padronização de produtos e serviços vem ocorrendo em praticamente todo mundo e muitos consumidores têm tido preferência por bens e serviços que valorizam a cultura, a tradição e sua forma de produção.

“A finalidade dessa ação é justamente explorar o potencial do Estado, para o reconhecimento de produtos como o arroz vermelho do Vale do Piancó e o algodão colorido do Seridó, dentre outros. No âmbito dos produtores, esta diferenciação, a partir de sua valorização pelo mercado, demanda uma proteção adicional, evitando-se que suas características sejam copiadas de forma ilegal, seja no contexto do comércio nacional ou internacional” – especifica Gustavo.

O I Seminário sobre Indicações Geográficas e Marcas Coletivas também tem apoio do Banco do Nordeste (BNB), Universidade Federal da Paraíba (UFPB), Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA) Algodão, Fundação Parque Tecnológico da Paraíba (PaqTcPB), Secretaria de Agricultura do Estado da Paraíba (SEDAP/G.E.P.A), Instituto Nacional de Propriedade Intelectual (INPI), Federação da Agricultura e Pecuária da Paraíba (FAEPA) e Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR).

O evento acontecerá na sala 06 do Espaço Cultural, dentro da Feira do Empreendedor do SEBRAE.

Mais informações podem ser obtidas por meio dos telefones: (83) 2101-6400 ou 2101-6413, ou na página www.feiradoempreendedorpb.com.br


Informações repassadas por:

Aline Guedes
Assessoria de Comunicação
Instituto Nacional do Semiárido (INSA/MCT)
Edifício da Associação Comercial e Empresarial
Av. Floriano Peixoto, 715 – 2º andar Centro
CEP: 58.400-165 Campina Grande/PB
Telefone:(55 83) 2101-6409
Fax:(55 83) 2101-6403
Celular: (55 83) 8738-6208
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E-mail: aline@insa.gov.br

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

ECO-ECONOMIA - Princípio Preservador-Pagador no Baixo Sul da Bahia

Eduardo Athayde
16/09/2009 - 11:24:07

O Estado do Mundo 2009, relatório do Worldwatch Institute (WWI), mostra que ao inverter a curva de crescimento de emissões de gases de efeito estufa até 2020, a economia criará mercados globais da ordem de US$ 2,5 trilhões por ano em produtos e serviços de baixo carbono, informação estratégica para projetos de valoração de ativos ambientais onde a preservação, uma imperiosa necessidade, é usada como base para construção do PIBS (Produto Interno Bruto Sustentável).

Os novos fundamentos eco-econômicos mudam os lugares onde a riqueza é criada afetando formas de trabalho e investimentos. Pagar para preservar é uma nova tendência que influencia empresas e governos. A visão de Corredores Ecológicos, assim batizados pela noção ultrapassada da possibilidade da preservação pela intocabilidade, migra para o paradigma de “Corredores Eco-Econômicos”, reinterpretada pelo principio integrador do preservador-pagador, gerador riquezas, onde a preservação é entendida também como lastro para os econegócios. Quanto pode valer, por exemplo, os princípios ativos da Mata Atlântica num mundo onde o mercado de plantas medicinais movimenta uma economia de 45 bilhões de dólares (igual ao PIB da Bahia) e cresce 20% ao ano?

Sintonizados na visão da eco-economia projetos são monitorados pela ONU ao redor do mundo. Na Bahia, a Associação Guardiã da Área de Proteção Ambiental do Pratigi (AGIR), no Baixo Sul, desenvolve projeto piloto acompanhado pela Divisão das Nações Unidas para o Desenvolvimento e Questões Sociais (UNDESA), tendo como linha mestra o princípio do preservador-pagador. Dados atualizados, sistematizados em anuário estatístico da AGIR, produzido em parceria com a Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), orientam planos de ação onde a educação coletiva é pilar para ajudar a população local migrar da ignorância passiva para a inteligência da sustentabilidade, promovendo o lucro social, econômico e ecológico de forma integrada. Exemplo a ser seguido pelas unidades de conservação no Brasil.

Eduardo Athayde é diretor do WWI-Worldwatch Institute. Email: Eduardo@uma.org.br

Fonte: Mercado Ético
http://mercadoetico.terra.com.br/arquivo/preservador-pagador-no-baixo-sul-da-bahia/?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=mercado-etico-hoje

JUAZEIRO DO NORTE - Emoção na despedida à Mãe das Dores

NA BASÍLICA, um dos pontos altos da festa em homenagem à Nossa Senhora das Dores: a despedida dos romeiros (Foto: Alex Costa)


Município se prepara, agora, para a próxima romaria, que acontece de 29 de outubro a 2 de novembro

Juazeiro do Norte. Mais de cem mil fiéis, devotos da Mãe das Dores, acompanharam o encerramento - procissão seguida de celebração eucarística - da festa em homenagem à padroeira do município, no fim da noite de ontem, na Praça dos Romeiros. A estimativa é da própria Igreja. Foram 17 dias de programação. Mas, mesmo com a perspectiva de ter recebido em Juazeiro, até ontem, pelo menos 400 mil romeiros, o número esteve abaixo da expectativa.

Durante a tradicional despedida do romeiro, ao meio-dia, o bispo dom Fernando Panico divulgou, na Basílica os números referentes aos romeiros. Só eles correspondem a cerca de 10% do computo geral dos fiéis. Participaram da romaria, pelo menos, 240 mil romeiros. O Estado de Alagoas com o maior número de participantes, seguido de Pernambuco e, depois, de outras cidades do Ceará.

Padre Paulo Lemos associa o menor número de romeiros à Influenza A (H1N1), citando, inclusive, recomendações feitas aos fiéis de Alagoas pela Igreja, para evitarem o abraço da paz. "Isso acaba amedrontando um pouco as pessoas". Outro ponto é por não se tratar de ano político. Ano passado, no dia 15, o Santuário de Nossa Senhora das Dores passou a ser Basílica.

O ponto alto da festa é a procissão e a despedida dos romeiros. A emoção da partida leva uma multidão às lágrimas. A Igreja fica lotada ao meio-dia. Os fiéis disputam um lugar dentro e erguem seus bens no momento da bênção. São imagens, flores, terços e até roupas. Com a fé de retornar a Juazeiro com a irmã, o momento da despedida é sempre cheio de emoção para a aposentada Quitéria Santos de Melo, de Alagoas. Ela afirma que todos os anos faz questão de estar presente na romaria e no próximo, não vai ser diferente.

A romaria de Nossa Senhora das Dores abre o calendário do semestre. A próxima acontece no mês de novembro, começando no dia 29 de outubro. É a maior romaria, com mais de 500 mil romeiros, a maioria de Pernambuco. A expectativa é que, este ano, haja uma participação ainda maior, por conta da comemoração dos 40 anos da estátua do Padre Cícero, que faz aniversário no Dia dos Romeiros, 1º de novembro.

Ocorrências

Este ano, foram registradas duas mortes durante a romaria, mas por causa natural, segundo o secretário de Turismo e Romaria, José Carlos dos Santos. Um homem, de 76 anos, e uma adolescente, de 12 anos, que chegou a Juazeiro já doente.

Na próxima semana, haverá uma avaliação da romaria com todos os segmentos envolvidos do poder público. Uma das reclamações dos romeiros, este ano, foram os preços dos ranchos e pousadas. Nesse ponto, conforme José Carlos, é necessário se trabalhar mais.

ENQUETE
Como você se sente neste último momento?

Maria José dos Santos - 62 ANOS - Aposentada

"A vinda a Juazeiro do Norte é sempre um motivo de alegria para mim. A despedida já deixa muita saudade"

Quitéria Santos Melo - 62 ANOS - Dona-de-casa

"É uma bênção estar aqui com a minha família. Continuo fazendo o caminho que a minha avó fez, seguindo uma tradição"

ELISÂNGELA SANTOS
REPÓRTER

Fonte: Jornal Diário do Nordeste - Caderno Cidades - Fortaleza, 16 de setembro de 2009.
http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=671482

Piauí pede carros-pipa para o governo federal contra seca em mais de um terço dos municípios

Yala Sena
Especial para o UOL Notícias
16/09/2009 - 14h24
Em Teresina - Sem chuvas há quatro meses e com perdas agrícolas que chegam a 50%, a Defesa Civil do Piauí solicitou ao Ministério da Integração Nacional o envio imediato de carros-pipa para abastecer 76 cidades piauienses que enfrentam a seca - pouco mais de um terço dos municípios do Estado.




Famílias sem água no Piauí

O Piauí, que tem 224 municípios, teve uma das piores enchentes até maio - com mais 70mil atingidos. Agora, o governo corre contra o tempo para socorrer as famílias que estão sem água até para o consumo.

O secretário Estadual de Defesa Civil, Fernando Monteiro, afirmou que a medida é para antecipar o socorro às vítimas. Segundo ele, o Exército já autorizou operação de ajuda em 58 municípios dos 76 solicitados e começará a distribuir água a partir da próxima semana. Oficialmente, apenas 20 prefeitos decretaram situação de emergência.

"Pedimos que o prefeito decrete situação de emergência o mais rápido possível para não ser prejudicado no atendimento", recomendou o secretário. De acordo com o órgão, mais de 600 famílias sofrem com a escassez de água no Estado.

O coordenador de carros-pipas da Defesa Civil, Abílio Sousa Vieira, informou que as regiões mais afetadas são as do semi-árido que estão há quatro meses sem chuvas.

"Inicialmente encaminhamos a Brasília [pedido de ajuda para] 58 municípios que precisam de carros-pipas e ontem enviamos mais 18 [pedidos de ajuda para] cidades que estão com os reservatórios secos, sem água até nas cisternas e precisando urgentemente de abastecimento de água", disse Abílio Vieira, informando que a operação carros-pipas no Piauí será coordenada pelo Exército.

A Fetag (Federação dos Trabalhadores da Agricultura) discorda do número da Defesa Civil sobre os municípios em situação de emergência. Para a entidade, 110 cidades estão enfrentando a seca.

Segundo o secretário de Política Agrícola da Fetag, Manoel Simão Reinaldo Gomes, existem famílias que estão racionando água no interior do Estado. "Moradores estão caminhando de 3 km a 4 km para conseguir água para beber e racionando o consumo", disse Gomes.

Ele revela que os trabalhadores estão sendo obrigados a pagar de R$ 50 até R$ 100,00 por 9.000 litros de água para ratear na comunidade.

Para o meteorologista Mainar Medeiros, da Gerência de Hidrometeorologia da Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Semar), a previsão é que somente a partir do dia 15 de outubro haverá chuva nas regiões de São Raimundo Nonato, São João, Uruçui, Bom Jesus e Corrente. Devido a um problema técnico, a Semar não estava divulgando os índices pluviométricos.

Água suja

A trabalhadora rural, Ozenália Teresa da Silva, da cidade de Queimada Nova, extremo sul do Estado, informou que 100% da população consome água de barreiros e açudes. "A situação ficará mais crítica a partir de agora porque as águas baixam com a falta de chuvas. É ruim porque a água fica barrenta, com mal gosto e salobra", disse a trabalhadora. Na cidade, mais de 1.500 pessoas moram na zona urbana.

Em Queimada Nova, o tonel de água com 200 litros custa em média de R$ 1,50 a R$ 2,00 e abastece um dia na casa de uma família.

Em Acauã (463 km de Teresina), os moradores estão consumindo água das cisternas. O presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Acauã, Pedro Cristino Paixão, disse que o armazenamento de água das chuvas é "uma benção" para as famílias. "Se não fosse às cisternas não sei o que seria de muitas famílias", disse Pedro Paixão.

Fonte: UOL Notícias
http://noticias.uol.com.br/cotidiano/2009/09/16/ult5772u5377.jhtm

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Ministro de Ciência e Tecnologia abre fórum sobre o semiárido, em Moreno (PE)

Crédito: Maria Lúcia Muniz
14/09/2009 - 12:50

O ministro da Ciência e Tecnologia, Sergio Rezende, abriu, na manhã de hoje (14), em Moreno (PE), na Região Metropolitana do Recife, o 3º Fórum do Programa Comunidades Semiárido. Por quatro dias, cerca de 250 representantes de comunidades do Nordeste debatem sobre organização comunitária, educação e cidadania, geração de trabalho e renda e convivência no semiárido. O encontro é promovido pelo Rede Nacional de Mobilização Social (Coep).

Rezende ressaltou a dimensão que o Programa tem alcançado no Nordeste. “Ele conseguiu incorporar as universidades e, no momento em que isso ocorreu, foi possível ter a ciência e tecnologia chegando mais próxima do desenvolvimento social”, afirmou.

Ele sugeriu que as atuais comunidades engajadas no programa indiquem outras comunidades para integrar suas ações, de maneira a ampliá-lo ainda mais. Também indicou o Instituto Nacional do Semiárido (Insa), ligado ao Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), como parceiro importante para o Coep. “O Insa olha o Nordeste como um todo, une as diversas entidades da região para que atuem de forma articulada e pode cada vez mais dar suporte ao programa”, observou.

Participam do fórum comunidades do Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas e Sergipe. Em comunidades desses estados, a rede Coep desenvolve ações nas áreas de caprinocultura, algodão, mamona e de implantação de telecentros, cisternas, barragens, viveiros e bibliotecas comunitárias.

“Temos estratégias bem definidas que vão desde a geração do trabalho e renda até a organização comunitária e estratégias de convivência como o semiárido”, disse o presidente do Coep, André Spitz. “Queremos ser um projeto de referência em relação aos objetivos do milênio”.

Segundo ele, o fórum objetiva fortalecer as capacidades das comunidades, estabelecer um canal de troca de saberes e experiências entre elas e aumentar a capacidade das comunidades de conexão e diálogo com o poder público.

Experiências sobre a atuação do Coep foram relatadas pelos participantes do fórum. Ana Maria Marques da Silva, da Comunidade do Uruçu, no município de Gurinhém (PB), contou que o Coep começou a atuar na comunidade em 2006. “Formamos um comitê mobilizador com a presença de jovens, agricultores, mulheres, e demos um salto para o desenvolvimento, participando de cursos, oficinas e tudo isso foi ainda mais impulsionado com a instalação de um telecentro”.

As atividades na comunidade, destacou Ana Maria, evoluíram e passaram a abranger outras ações como a recuperação das nascentes da região e o turismo rural. Também foram criados núcleos de artesanato, para geração de trabalho e renda.

O Projeto Comunidades do Semiárido, do Coep, nasceu em 1999, com a criação de um grupo de trabalho para estudar modos de enfrentamento da seca na região do semiárido, no Nordeste. As primeiras ações foram desenvolvidas no Assentamento Margarida Maria Alves, na Paraíba. Hoje, são 46 comunidades em 43 municípios de sete estados.

O Coep foi criado em 1993, no âmbito da mobilização social contra a fome e a miséria liderada pelo sociólogo Herbert de Souza – Betinho. A iniciativa resultou em uma Rede de Mobilização Social de Organizações do Brasil. A Rede de Comunidades Coep envolve, hoje, diretamente, mais de 100 comunidades em todos os estados. Indiretamente, por meio de suas associadas, o Coep atua em mais de mil comunidades.

Participaram da abertura do fórum o presidente do Insa, Roberto Germano, e representantes da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep/MCT), Prefeitura de Moreno, Centrais Elétricas do São Francisco (Chesf), Eletrobrás, Bando do Nordeste, do Projeto Universidades Cidadãs, e a deputada federal Ana Arraes (PE).

Mais informações sobre o Coep estão no site www.coepbrasil.org.br

sábado, 12 de setembro de 2009

Blog do Semiárido fica entre os Top 3 na categoria Sustentabilidade do Prêmio TOP BLOG Brasil


Olá amigos!

Depois da indicação para o Prêmio Top Blog Brasil na categoria Sustentabilidade, e de ficarmos entre os Top 100, o nosso Blog do Semiárido ficou classificado entre os Top 3 da categoria!

Logramos a posição no Júri Popular na Categoria Sustentabilidade - Blogs Pessoais, em uma votação que ocorreu entre mais de 200 Blogs de todo o Brasil. Este resultado é extremamente recompensador, pois a premiação significa um passo a mais para alcançar nosso objetivo: promover a discussão sobre o território do Semiárido brasileiro.

Hoje, dia 12 de setembro, ocorrerá a cerimônia de premiação em São Paulo. Infelizmente não estaremos presentes, mas o feito já está registrado. A premiação do Top Blog será transmitida ao vivo pelo Twitter: http://twitter.com/premiotopblog. Por este canal vocês poderão acompanhar o prêmio em tempo real e conferir todos os acontecimentos do evento.

Aproveito para agradecer a todos que votaram e aos leitores e colaboradores desse espaço de reflexão! Continuemos nossos diálogos e nossa luta para valorizar nosso Semiárido!

Abração a todos!

Suely

domingo, 6 de setembro de 2009

De volta da Argentina

Amigos,

Depois de algum tempo fora do ar, estamos de volta.

Eu e um grupo de alunos do Curso de Administração da UFC Cariri estivemos na Argentina participando do XXVII Encontro da ALAS (Associação Latino Americana de Sociologia). Fiquei muito orgulhosa e até emocionada de ver “meus meninos e meninas” estreando no mundo dos Congressos Internacionais.

O Encontro da ALAS é um dos eventos mais tradicionais da área na América Latina, e reuniu em Buenos Aires mais de 4.000 pesquisadores de todos os países da América do Sul, América Central e ainda alguns pesquisadores do Canadá e E.U.A.

Foi um período de muita aprendizagem e bons contatos, além de belos passeios, claro!

Abaixo listo o nome dos trabalhos apresentados pela UFC-Cariri e algumas fotos da viagem.

Abraço!
Suely

XXVII Congreso ALAS – Buenos Aires, 31 de agosto a 4 de setembro de 2009 – Facultad de Ciencias Sociales – Universidad de Buenos Aires – UBA.

Temática: LATINO AMÉRICA INTERROGADA:
- Depredación de recursos naturales y conflicto ecológico
- Ciudadanía y democracia participativa
- Nuevos escenarios productivos en América Latina
- Construcción de conocimiento

Ponencias apresentadas:

Suely Salgueiro Chacon (suelychacon@ufc.br) e Francisco Correia de Oliveira (oliveira@ufc.br) - USO DE NOVAS TECNOLOGIAS PARA A PROMOÇÃO DO DESENVOLVIMENTO REGIONAL SUSTENTÁVEL: EXPERIÊNCIAS BEM SUCEDIDAS NA GESTÃO DE RECURSOS HÍDRICOS NO NORDESTE DO BRASIL

Ives Romero Tavares do Nascimento (ivestavares@gmail.com) e Suely Salgueiro Chacon - POLÍTICAS PÚBLICAS DE DESENVOLVIMENTO COMO FERRAMENTAS DE PROMOÇÃO DA CIDADANIA: O CASO DO CARIRI CEARENSE

Francisco Arrais Nascimento (juniorarrais@yahoo.com.br) e Suely Salgueiro Chacon - O SEGUNDO ARMÁRIO: ANÁLISE DA VIOLÊNCIA DOMÉSTICA ENTRE CASAIS HOMOSSEXUAIS

Mateus Ferreira (Mateus5588ferreira@hotmail.com) e Jorgilania Lopes Brito (jorgilania@hotmail.com) - IMPACTOS E PERSPECTIVAS DA CRISE FINANCEIRA MUNDIAL NO TERCEIRO SETOR NO BRASIL

Linara Ferreira Porto (linaraporto@yahoo.com.br) - O IMPACTO AMBIENTAL DOS RESÍDUOS GERADOS PELA PRODUÇÃO DE CALÇADOS: UM ESTUDO DE CASO NO APL COURO-CALÇADISTA DO CARIRI CEARENSE.

Sarah Maria da Silva Gonçalves (sarahmgoncalves@gmail.com) – PLURALISMO JURÍDICO VERSUS MONISMO JURÍDICO: AS ORGANIZAÇÕES DA SOCIEDADE CIVIL ENQUANTO UNIDADES GERADORAS DE DIREITO.


Jardim Botânico de Buenos Aires


Puerto Madero - Muito Frio!!

St. Isidro - viagem de trem

Chegada no Aeroporto de Buenos Aires

Turma reunida no café da manhã no Hotel

Eu minha turminha! (Falta o Mateus) - Lobby do Hotel

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Brasil ganha novo Parque Eólico no Ceará




No ultimo dia 20 de agosto, o Brasil ganhou um novo Parque Eólico, localizado no Ceará. O empreendimento é fruto da aliança entre dois grandes líderes no setor energético na América Latina: Cemig e IMPSA. Com 325 hectares e 19 aerogeradores, o Parque Eólico de Praias de Parajuru é o primeiro de três usinas a serem construídas no estado. Ainda serão instaladas as centrais: Praia do Morgado e Volta do Rio, no município de Acaraú. Juntas, terão capacidade para gerar 99,6 MW. A intenção é que nos próximos 20 anos esta energia gerada seja comercializada para a Eletrobrás.

Limpa e renovável. Assim é a fonte eólica, considerada a mais natural do planeta. Essa alternativa é gerada em parques que concentram vários aerogeradores – turbinas em forma de cata-vento ou moinho instaladas em regiões de ventos fortes. É utilizada para substituir combustíveis naturais (não renováveis e sujeitos a escassez), como o carvão, petróleo e gás natural, auxiliando na redução do efeito estufa e, consequentemente, no combate ao aquecimento global.

Pioneira na operação de usina eólica no País, ao construir a Usina Morro do Camelinho, em 1994, a Cemig tem mais de 90% de fontes limpas. O presidente da Companhia, Djalma Bastos de Morais, destaca que a participação nos parques eólicos está em conformidade com a estratégia da empresa e do Governo de Minas que é de “crescer de forma sustentável, econômica, social e ambiental.”

Líder latino-americana em energias renováveis, a IMPSA considera o Brasil um mercado chave. A empresa argentina está trabalhando na implantação de mais outros 10 parques eólicos no País, na região de Santa Catarina. “Pretendemos desenvolver uma matriz energética mais equilibrada e limpa no País”, diz o representante da IMPSA no Brasil, Luis Pescarmona.

Os parques eólicos fazem parte do Programa de Incentivo a Fontes Alternativas de Energia Elétrica (Proinfa), desenvolvido pelo Governo Federal, sob coordenação do Ministério de Minas e Energia (MME). A iniciativa visa fomentar o desenvolvimento das fontes renováveis como as eólicas, biomassas, solares, e de Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCH’s).

Links relacionados:





Post enviado por Thamires Andrade (thamires@webcitizen.com.br), da WebCitizen.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Águas transfronteiriças exigem cooperação



Por Thalif Deen, da IPS
25/08/2009 - 16:52:26

“O uísque é para beber, a água é para lutar por ela”, disse o famoso escritor norte-americano Mark Twain (1835-1910). Os ecos de sua frase reverberaram no recinto onde até sábado aconteceram as conferências da Semana Mundial da Água, na capital sueca. Como quase metade das águas superficiais disponíveis em todo o mundo se encontra em 263 bacias de rios internacionais, os países que compartilham fronteiras têm duas opções: ou colaboram ou vão à guerra. Por isso um dos temas principais dos debates em Estocolmo ter sido o manejo das águas transfronteiriças.

As fontes de potencial colaboração ou conflitos incluem as águas compartilhadas do mar Báltico; dos rios Jordão, Mekong, Ganges e Indo, e o vale do rio Nilo, entre muitos outros. A ministra de Cooperação para o Desenvolvimento Internacional da Suécia, Gunilla, Carlsson, disse que cerca de 60% da população mundial vivem em bacias compartilhadas por dois ou mais países. “Isto é algo que não podemos ignorar. Temos uma dessas águas em nossa própria cidade, Estocolmo: o mar Báltico. Sua história está cheia de guerras e conflitos, bem como de paz e cooperação”, afirmou. Carlsson também disse que as questões relativas às águas transfronteiriças não envolvem apenas rios e suas bacias, o que exige soluções políticas e técnicas entre nações limítrofes, mas também entre áreas costeiras e oceanos.

Segundo a Organização das Nações Unidas, mais de 880 milhões de pessoas em todo o mundo ainda carecem de acesso à água potável. Mas alguns especialistas se mostram pessimistas prevendo futuros conflitos militares em torno dos escassos recursos hídricos. O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, admitiu que apesar da preocupação quanto à possibilidade de “disputas violentas” por esses recursos compartilhados, a cooperação é a resposta mais comum dos povos que competem pela água. Ban reforçou seu argumento dizendo que há pelo menos 300 pactos hídricos internacionais, comumente entre partes que de outro modo estariam se enfrentando. “Estes acordos demonstram o potencial dos recursos hídricos compartilhados para impulsionar a confiança e promover a paz”‘, afirmou o secretário-geral.

Somente na Ásia austral, três bacias de rios transfronteiriços abastecem cerca de metade dos 1,5 bilhão de habitantes da região, entre eles os mais pobres do mundo. Essas três bacias, que cobrem oito países, são: a dos rios Ganges-Brahmaputra-Meghna (que corta Bangladesh, Butao, China, Índia e Nepal); do rio Indo (Afeganistão, China, Índia, Nepal e Paquistão), e a do Helmand (Afeganistão, Irã e Paquistão). O presidente da Amigos da Terra-Oriente Médio, Munqeth Mehyar, disse à imprensa que dos 1,3 bilhões de metros cúbicos que seriam necessários para devolver ao mar Morto seu caudal original, todo o que restam são 100 milhões de metros cúbicos.

Noventa e cinco por cento das águas do mar Morto foram desviados. Os governos de Israel, Palestina e Jordânia assinaram acordos para restaurá-lo. Porém, estas intenções ainda não se transformaram em ações concretas, acrescentou Mehyar. Este especialista disse que os palestinos devem conseguir um acesso direto ao mar Morto e que a Palestina merece uma parte da água, na qualidade de país ribeirinho com iguais direitos. Manter conflitos e apoiar guerras implica um orçamento muito elevado. Mas as atividades para restabelecer a paz requerem uma porcentagem muito pequena do mesmo, ressaltou.

Por outro lado, em um estudo apresentado na capital sueca, o Instituto Internacional da Água de Estocolmo (SIWI) disse que a resposta da comunidade hídrica internacional diante dos crescentes desafios e pressões sobre as águas compartilhadas até agora é “inconsistente e inadequada”. Em geral, a comunidade hídrica internacional está dividida em três setores, tendo por base como os rios transfronteiriços se relacionam aos meios de sustento, ao desenvolvimento e à segurança humana, dos Estados e das regiões. Alguns enfatizam as relações causais entre a escassez hídrica (ou as inundações) e os conflitos violentos ou a pobreza. Outros afirma que a evidência de cooperação que existe no mundo sugere uma tendência reconfortante para a estabilidade e a riqueza.

O terceiro setor fica entre os dois anteriores, mas enfatiza a existência de numerosos conflitos pela água que se desenvolvem sem violência, diz o estudo realizado e editado por Anders Jagerskog, diretor de programa do SIWI, Mark Zeitoun, conferencista na University of East Anglia (Grã-Bretanha), e Anders Berntell, diretor-executivo do SIWI. “Parece óbvio. As águas transfronteiriças são altamente políticas. E a política está regida pelo poder”, afirmam. Além disso, as formas tanto novas quanto tradicionais de interação nos rios Mekong, Jordão, Ganges, Nilo e tantos outros cursos de água transfronteiriços revelam que a comunidade internacional faz vista grossa aos jogos de poder em torno da água.

Ao mesmo tempo, muitos aderiram silenciosamente à noção de que não é possível uma cooperação eqüitativa, sustentável e eficiente em relação às águas transfronteiriças, diz o estudo intitulado “Getting Transboundary Water Right: theory and practice for effective cooperation” (Acertando com as águas transfronteiriças: teoria e prática para uma cooperação efetiva). Em muitos contextos de águas transfronteiriças o poder está distribuído de modo desigual. Frequentemente, o Estado ribeirinho mais poderoso pode determinar o resultado das interações, para o bem unilateral ou coletivo.

Considera-se que a ajuda financeira da China ao Camboja em setores não relacionados com o Mekong garantiu o consentimento cambojano par à construção de represas potencialmente devastadoras. Esse uso de incentivos para induzir à cooperação é muito mais bem-vindo do que o uso de ameaças, diz o estudo. Mas, no contexto deste paradigma unilateral, os Estados podem coagir seus vizinhos para que concordem com um acordo cujos termos podem se voltar contra eles.

(IPS/Envolverde)


Fonte: Mercado Ético

ARTE DO CARIRI MOSTRADA NO EXTERIOR - Bonequeiras

Bonecas da infância inspiraram a psicodramatista Elisete Garcia a utilizá-las em terapias de grupo. Elas são fabricadas por mulheres do Crato, embaixo de uma mangueira (Foto: Antônio Vicelmo)


Bonecas são expostas na Itália

Crato. A arte das mulheres bonequeiras estará presente no 17º Congresso Internacional de Psicoterapia de Grupo, que foi aberto ontem, em Roma, Itália, com a participação de 1.300 profissionais da área da saúde vindos de várias partes do mundo. A informação é da psicodramatista cratense Elisete Leite Garcia, que participa do encontro com uma coleção de bonecas de pano que foram fabricadas debaixo de um pé de manga, pelas bonequeiras do município do Crato.

Elisete vai apresentar um tatadrama ancorado no pensamento do filósofo Platão, segundo o qual, "você pode descobrir mais sobre uma pessoa em uma hora de brincadeira do que em um ano de conversa".

O tatadrama, de acordo com a psicodramatista Elisete, é um processo sócio-educacional que cria um espaço para vivência, reflexões e buscas de ações transformadoras do ser por meio do personagem representado pelas bonecas de pano.

Educação

A utilização das bonecas como instrumento educacional nasceu de um sonho de criança. Elisete saiu da cidade do Crato com menos de seis anos de idade. Em São Paulo, depois de formada, lembrou-se das bonecas de pano que embalaram seus castelos de areia e suas mais ternas memórias da meninice no Interior. A partir disso, a psicodramatista descobriu que estas bonecas poderiam ser utilizadas numa atividade lúdica, que resgatasse e despertasse a criatividade, a imaginação, a espontaneidade, a integração e a identidade nas pessoas.

Elisete, então, voltou ao Crato, onde reuniu um grupo de mulheres para a fabricação de bonecas. A atividade tornou-se uma terapia de grupo.

Debaixo de uma mangueira, no quintal da casa de uma das artesãs, as mulheres conversam, trocam idéias, se atualizam sobre o que acontece no mundo e na vida de cada uma, enquanto fabricam bonecas, que são vendidas na região e que também são levadas para a capital paulista.

Nos braços e nos sonhos de Elisete, as bonecas participaram de exposições no Ceará e no exterior. Agora estão na Itália, participando de um dos maiores encontros dessa linha de trabalhos terapêuticos e educacionais. "As bonecas fazem emergir o inconsciente, revelam aptidões, desejos, aspirações e necessidades", diz Elisete.

Mais informações
Bonequeiras do Crato
Avenida Perimetral, 235c, bairro São Miguel
(88) 9911.6617

Fonte: jornal Diário do nordeste. Caderno Regional. Fortaleza, 25 de agosto de 2009.
http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=664840

domingo, 23 de agosto de 2009

Minas Gerais altera Lei Ambiental

Estado aprova lei pioneira no pais, restringindo para 5% o uso de matéria-prima de florestas originais para empresas em sua produção anual

Na primeira semana de agosto Minas Gerais foi sede de um dos mais importantes eventos do calendário ambiental no mundo, o 2020 Climate Leadership Campaign, que estabeleceu metas para a redução em 30 anos do tempo para que se atinja o controle do aquecimento global. Alinhada com a proposta no evento, a Assembleia Legislativa do Estado de Minas Gerais (ALMG) anunciou na terça-feira (11), alterações na Lei Florestal. As mudanças visam principalmente o controle e redução do uso de florestas por empresas e indústrias mineiras.

As alterações preveem que até 2018 apenas 5% das florestas nativas sejam utilizadas como matéria-prima. O antigo texto afirmava que a vegetação original poderia ser utilizada em sua totalidade, desde que as empresas consumidoras replantassem duas árvores para cada uma derrubada. Sua implementação será gradual, com o percentual de utilização diminuindo em períodos de anos, até que chegue aos 5% de 2018. Entre 2009 e 2013 as indústrias poderão utilizar 15% de mata nativa em seu consumo anual total. Entre 2014 e 2017 esse percentual cairá para 10%, sendo finalmente reduzido a 5% após este segundo período.

Para incentivar a redução imediata no consumo, no entanto, o Governo mineiro promoveu também alterações na parte da lei que trata da reposição de árvores. As empresas que optarem por manter o consumo de matéria-prima florestal nativa, até o limite de 15%, terão de observar novos critérios de reposição. A utilização de 12 a 15% de consumo total proveniente de mata nativa exige a reposição do triplo do consumido, ou seja, plantar três árvores para cada utilizada. Para a faixa entre 5 e 12%, a reposição será mantida com o dobro do consumido. Para o consumo de até 5%, a reposição será simples, de um para um.

Ainda sobre a reposição de árvores, os consumidores tem novas opções para o replantio: podem optar pela participação em projetos sócio-ambientais com foco na proteção e recuperação da biodiversidade, em projetos de pesquisa científica, para recuperação de ambientes naturais junto a instituições nacionais e internacionais, ou em programas de recomposição florestal ou plantio de espécies nativas, implantação de unidades de conservação e no aperfeiçoamento técnicos os órgãos ambientais.

Outra importante modificação da lei é o sistema eletrônico de rastreamento do transporte de produtos e subprodutos florestais no Estado, permitindo um melhor controle dos pontos de carga e descarga em Minas Gerais. As empresas transportadoras que atuam no estado deverão instalar dispositivos eletrônicos em todos os caminhões e estes serão monitorados por satélite. O aparelho que será instalado nos veículos permitirá o acompanhamento da trajetória da carga identificando todos os pontos de parada desde a origem até o destino da carga.

As alterações lei fazem parte do Projeto Estruturador Conservação do Cerrado e Recuperação da Mata Atlântica, que visa diminuir a incidência de devastação nas duas localidades por meio de ações sociais e governamentais voltadas ao meio ambiente. Só em 2008 mais de R$ 10 milhões foram investidos pelo Governo de Minas Gerais na recuperação de áreas ambientais devastadas. Com as adequações feitas na lei Minas pode se tornar em breve um estado modelo no Brasil. Atualmente Minas Gerais é o único estado brasileiro no qual este tipo de lei ambiental está regulamentada.

Confira abaixo as oito principais alterações promovidas na lei ambiental de Minas Gerais:

1 – Fixação de cotas decrescentes (15% a 5%) até 2018 para consumo de matérias-primas originadas de floresta nativa.

2 – estabelecimento de regras mais rigorosas em relação ao não cumprimento dos cronogramas de suprimento estabelecidos, inclusive com a possibilidade de redução obrigatória da capacidade de produção para as empresas que não se enquadrarem nas novas regras estabelecidas, incluindo a paralisação de suas atividades;

3- eliminação do dispositivo que permitia às indústrias de ferro gusa consumirem até 100% da sua demanda, com carvão vegetal de florestas nativas, mediante ressarcimento em dobro da reposição florestal;

4 – implantação de um sistema eletrônico de rastreamento do transporte de produtos e subprodutos florestais no estado, permitindo o controle eficiente dos pontos de carga e descarga destes produtos, aliando-se desta forma o controle da produção e consumo destes insumos;

5 – estímulo de mecanismos alternativos à formação de plantações florestais, através de comercialização de créditos de carbono tanto pelo aumento de estoques florestais, quanto pela adoção de alternativas de substituição energética.

6 – Novo sistema de cadastramento de produtores e consumidores de produtos e subprodutos florestais incluirá transportadores de madeira.

7 - Uma inovação é apresentada pela emenda nº 9, que define, pela primeira vez na legislação, a destinação dos recursos obtidos com a arrecadação de multas ambientais. A emenda estabelece que 50% dos recursos serão aplicados no programa Bolsa Verde, que consiste em pagamentos de serviços ambientais prestados por produtores rurais.

8 - A emenda nº 4 amplia de oito anos, como previsto anteriormente, para o máximo de nove anos, o prazo para que os consumidores de produto ou subproduto da flora (madeira, estéreos ou carvão) promovam o suprimento de suas demandas com florestas de produção na proporção de 95% do consumo total de matéria-prima florestal. Dessa forma, a adequação deverá ser feita até o ano agrícola 2019-2020.

Notícia enviada por Leonardo da WebCitizen (www.webcitizen.com.br)

sábado, 22 de agosto de 2009

22 de agosto - Dia do Folclore

Entre os seres sobrenaturais do folclore, o mais popular é o Saci

Dia do Folclore homenageia a cultura popular brasileira

Da Página 3 Pedagogia & Comunicação

Em 1965, o Congresso brasileiro oficializou o dia 22 de agosto como o Dia do Folclore, numa justa homenagem à cultura popular brasileira. A palavra folclore tem origem no inglês antigo, sendo que "folk" significa povo e "lore" quer dizer conhecimento, cultura.

O folclore brasileiro, portanto, é a cultura de nosso povo e não há nada mais nacional do que ele. Afinal, ele é precisamente o conjunto das tradições culturais dos conhecimentos, crenças, costumes, danças, canções e lendas dos brasileiros de norte a sul. Formada pela mistura de elementos indígenas, portugueses e africanos, a cultura popular brasileira é riquíssima.

Na área musical, por exemplo, são inúmeros e muito variados os ritmos e melodias desenvolvidos em nosso país. É o caso do frevo, do baião, do samba, do pagode, da música sertaneja... Há ainda as danças típicas das festas populares, como o bumba-meu-boi, o forró, a congada, a quadrilha e - é claro - o próprio carnaval, um verdadeiro símbolo de nosso país.

Um dos aspectos mais interessantes do folclore brasileiro, porém, são os seres sobrenaturais que povoam as lendas e as superstições da gente mais simples. O mais popular é o Saci, um negrinho de uma perna só, que usa um barreta vermelho, fuma cachimbo e adora travessuras, como apagar lampiões e fogueiras ou dar nó nas crinas dos cavalos.

Mas há vários outros seres fantásticos em nosso folclore: o Curupira, um anão de cabelos vermelhos, que tem os pés ao contrário; a Mula-sem-cabeça, que solta fogo pelas narinas; a Boiúna, cobra gigantesca cujos olhos brilham como tochas; e o Lobisomem, o sétimo filho homem de um casal, que vira lobo nas sextas-feiras de luas cheias, entre outros.


Sugestão de leitura:
Caso queira conhecer as histórias dessas fantásticas criaturas, você pode procurar as obras do folclorista Luís da Câmara Cascudo ou dois livros sensacionais de Monteiro Lobato: "Saci, o Moleque Sapeca " e "Cuca, a Bruxa do Capoeirão".

Fonte: http://educacao.uol.com.br/datas-comemorativas/ult1688u12.jhtm

domingo, 16 de agosto de 2009

Rezadeiras - a cura na natureza

A casa da rezadeira é solo sagrado onde as plantas ganham dimensão especial (Foto: Elizângela Santos)





TRADIÇÃO MITOLÓGICA (24/2/2008)
Benzedeiras como deusas-mães

Tão remoto quanto a origem do homem, os rituais sagrados pagãos dão conta de uma tradição mitológica

Crato. O ritual se reveste de mistérios. Símbolos sagrados, rezas, rosários, sal, água benta, cordão e nomes de santos envolvem o solo sagrado da casa das rezadeiras. Nos remete às divindades protetoras de origem africana, indígena e européia. Imagens de santos espalhadas pelas paredes mostram o sincretismo religioso.

Mãos ágeis sustentam ramos verdes e pequenos. Traçam no ar cruzes sobre a cabeça do doente. Tecem um fio invisível, poderoso, unindo as dores dos homens, mazelas sem fim à magia do benzimento. Ramos murcham, absorvem o espírito da doença. As orações invocam a santíssima trindade, não permitem cruzar pés e mãos para não invalidar a oração.

O elo mítico poderoso funde-se a voz sussurrada da rezadeira. A cadeia simbólica e imagética presente no verbo invade o ambiente. O poder da cura configura-se. As sessões sagradas das benzedeiras ao raiar do sol ou ao crepúsculo, oferecem um quê de lealdade ao deus Tupã, para aplacar, quem sabe, as forças invisíveis da natureza aos moldes de Ossaim, o orixá que detém o poder purgativo das plantas.

Tão remoto quanto a origem do homem, os rituais sagrados pagãos, objetos de estudo, teses e pesquisas ao longo da era racionalista dão conta de uma tradição mitológica praticada nas tribos primitivas.

A despeito de serem as deusas fadas-mães guardiãs dos elementos femininos das manifestações do mundo sensível, da essência espiritual, retirando o humano dos limites factuais, a figura das rezadeiras funciona como um código conectivo que agrega toda a riqueza espiritual presente na vida de uma gente despida de bens materiais, mas que expressam em suas diversas manifestações religiosas procissões de símbolos sagrados para conter a fúria implacável dos males terrenos.

Teatralização do pensamento

De sorte que a palavra como um fio condutor impulsiona a produção histórica cultural e, como afirma Roland Barthes, a teatralização do pensamento.

Dona Helena, 73 anos, é a quarta filha de Maria de Rita, 103 anos. Fazia suas rezas só em crianças, mas de tanto os grandes insistir, quando percebeu já estava tomada pelas orações: “Pelo ramo verde será afastado sete maus, sete dores e sete mau olhado do corpo de fulano de tal”. A mãe de seu pai era índia.

Foi caçada a dente de cachorro nos idos da febre da borracha, no Rio Acre, por seu avô, homem destemido, outrora caçador na Chapada do Araripe. Já curou muito torcicolo. “Eu amarro um pano branco no tornozelo e outro no joelho. Vou costurando o pano com linha também branca. A agulha emenda por fora o que dentro está desemendado”. Na oração pra vento caído: “Dor abrando a tua ira e quebro as tuas forças. Assim como Judas vendeu Cristo que é Nosso Senhor Jesus, por esse mundo andou, olhado e vento caído Jesus curou”, diz, na reza.

Moradora numa vila de casas simples, entre o Rio Constantino e o Rio Miranda, este totalmente morto, no Crato, que dantes abrigavam em suas margens o povo Kariri, ela nos conta o caso de um anjo que passou por suas mãos curandeiras. “Não viveu porque aquele que é de Deus logo é chamado de volta pra Deus. Nasceu assim, menino e menina ao mesmo tempo”, recorda.

“Esse anjo lindo de cabelos pretos veio ao mundo há trinta anos e ainda hoje não me sai do pensamento, me recordo de seu olhar divino”. Dona Helena enfatiza: “O coração diz se a reza cura ou não”.

Sua avó materna, mãe de Maria de Rita, foi escrava de Quintino Macedo, dono de terras a perder de vista no Crato oitocentista. Por vezes sente um desejo sem igual de andar pelas matas. Vai para a casa da irmã Preta, também rezadeira, moradora da Mata Escura, um lugar impar com muitos pés de pau, no dizer de dona Helena. “Me faz lembrar que possuo sangue escravo e índio”.

O poder de cura já possuía e não sabia. Aos 20 anos casou, tendo seu primeiro filho. Um dia a criança amanheceu doente, era mau olhado. Botou a reza para curar, foi quando dona Maria de Ana, rezadeira, sogra da irmã Preta, viu e ensinou as rezas de cura, e até hoje com o ramo na mão para soltar o mau no vento continua a curar e a benzer quem na sua casa entrar necessitando. “Deus é pai de Jesus / Jesus é pai do divino Espírito Santo/ com o poder de Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito/ afasta todos os males desse corpo/ Amém”.

ANA ROSA BORGES
Especial para o Regional
É historiadora, especialista em Literatura Infanto-Juvenil, com estudos na vertente na oralidade

ANA CECÍLIA SOARES - Reza é ajuda divina
Especialista em Teorias da Comunicação e da Imagem pela UFC
cecismonografia@yahoo.com.br

O processo de adaptação do homem na Terra ocorreu de forma lenta e sofrida. Cada minuto vivenciado pela humanidade simbolizava a sua vitória perante o meio magmatizado e camuflado de perigos. Na batalha pela sobrevivência, o homem separou e diferenciou tudo aquilo que fosse importante à sua própria vida em meio aos complexos traços do mundo. Em busca de um auxílio, o ser humano encontrou na esfera religiosa apoio ao que lhe desorientava e afligia. Cada impressão e desejo, cada perigo que o ameaçava, era outorgado um valor sacro. Tudo era vivido num plano duplo em que se desenrolava a existência humana e, ao mesmo tempo, a vida trans-humana, que é a do Cosmo, a dos Deuses.

No caso de doenças, o homem buscava proteção com amuletos, orações e consultas a feiticeiros. Esse misto de crendices e superstições foram transmitidos de geração a geração. Hoje, em plena sociedade contemporânea, caracterizada pelos grandes avanços, convivemos com alguns desses aspectos.

No Nordeste brasileiro, sobretudo, no Ceará, são bastante comuns. Em meio à placidez luminosa do sertão, adornada pela fúria da Caatinga, há mulheres portadoras da chamada sabedoria popular, cujos reflexos se fazem presentes nas rugas dos rostos e na calma fulgente. Elas entoam rezas ancestrais que, para os sertanejos, curaram os malefícios físicos e espirituais.

Conhecida pela designação de “Rezadeiras”, elas realizam seu ritual a todo o momento e para quem precisar, inclusive, para pessoas de alto poder aquisitivo. Como que munidas de uma força numinosa, promovem ato de solenidade de mais alto valor, no qual, numa simbiose, a natureza terrestre se associa à celestial. Logo, perpassam em preces o alento necessário que sanará o doente. Com galho de peão-roxo ou de vassourinha, expurgam as enfermidades do corpo humano.

Segundo o escritor Eduardo Campos, a procura dessa prática pelos sertanejos e pessoas de classe baixa de Fortaleza acontece, em geral, pela negligência e a falta de recursos da saúde pública. Diante da dor e das dificuldades para receber tratamento, só resta recorrer à ajuda divina. Apesar da problemática em questão, as orações e as “meizinhas” das rezadeiras obtêm resultados satisfatórios junto aos seus seguidores. O trabalho delas é tão importante que até os profissionais mais letrados reconhecem seu ofício, utilizando-o nos postos de saúde. O poder de cura delas vai além do que é tido como racional. Simples frases proferidas com fé e esperança, atenuam os sofrimentos, aliviam as almas e reconstroem os ânimos.

Fonte: Jornal Diário do Nordeste - Caderno Regional.