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quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Romarias no Cariri

FESTA DA PADROEIRA

Despedida à Mãe das Dores

16/9/2010 Clique para Ampliar
Ao meio-dia de ontem, católicos participaram da solenidade na Basílica Menor de Nossa Senhora das Dores. O momento é um dos mais emocionantes da romaria 
FOTOS: ELIZÂNGELA SANTOS
O conselho do Padre Cícero para louvar a Mãe das Dores é renovado a cada ano durante a Festa da Padroeira de Juazeiro

Juazeiro do Norte - Uma grande multidão se despediu da padroeira de Juazeiro, ontem, durante o encerramento da Romaria de Nossa Senhora das Dores. A "Despedida dos Romeiros" é um dos momentos mais emocionantes da programação, antes da grande procissão no final da tarde. Um saldo positivo da romaria, segundo os organizadores, acontece com a melhoria da segurança na cidade, com diminuição de 40% das ocorrências registradas durante o período.

Este ano, a romaria trouxe como tema os 100 anos da cidade, "Juazeiro do Centenário: Terra de Oração e Trabalho". O esquema de segurança, que contou com a instalação de cinco câmeras na Basílica de Nossa Senhora das Dores e nas áreas do Socorro e do Santuário dos Franciscanos, auxiliou no trabalho, além do policiamento ter sido reforçado com mais de 500 homens. A segunda maior romaria do ano na cidade reuniu cerca de 400 mil pessoas em 15 dias. A despedida contou com a presença do bispo diocesano, dom Fernando Panico, e do arcebispo de Maceió (AL), dom Antônio Muniz.

Essa é uma das romarias mais festejadas. A visitação se torna mais intensa na Basílica Menor de Nossa Senhora das Dores e no Socorro. Este ano, a coordenação da Operação Romeiro seguiu o mesmo esquema de trabalho com os barraqueiros, que deverá continuar durante a Romaria de Finados, em novembro, a maior do ano. A presença de devotos vindos do Estado de Alagoas nesse período se destaca. Muitos fiéis de cidades devastadas pelas enchentes aproveitaram a romaria para agradecer por terem sobrevivido às catástrofes. Padre Paulo Lemos, administrador da Matriz, considera o saldo de todo o trabalho desenvolvido bem positivo.

Ele destaca que a movimentação na cidade começou cedo, já a partir do dia 7 de setembro, em virtude do feriado nacional. O padre ressalta a forma como foi conduzido todo o processo de segurança. Do lado externo da igreja, foram instaladas câmeras para monitorar a área do Horto, com capacidade de captação de imagens de até 700 metros de distância.

No final da celebração da despedida, cânticos e lágrimas dos romeiros marcam o momento. "Se temos alegria em chegar, fica a saudade, a gente sai mais feliz e ao mesmo tempo quer ficar por aqui", diz o romeiro Antônio Mendes da Silva, veterano com 67 viagens para a cidade. Ele é ex-presidente dos Romeiros de Alagoas, uma organização que atua com fiéis do Padre Cícero naquele Estado, hoje presidida por Quitéria Oliveira. Atua na orientação da viagem a Juazeiro. "Orientamos os motoristas a terem cuidado com os romeiros. Que distribuam crachás a todos, com identificação, para eles não se perderem na multidão", diz ele. Esse trabalho continua em Alagoas com os encontros dos romeiros do Padre Cícero.

As ruas de Juazeiro estiveram lotadas. Ônibus de vários Estados nordestinos preencheram os espaços dos postos de combustíveis, ruas e locais de maior visitação, a exemplo do Santuário do Sagrado Coração de Jesus, no bairro Salesiano. O estacionamento após o Centro de Apoio ao Romeiro também foi monitorado. As fotos como lembrança dos locais marcantes, santinhos, terços, quadros e até as mudas de juazeiro, distribuídas dentro do projeto Árvore do Centenário, foram erguidos para a bênção final, antes dos visitantes irem para casa. De oito Estados do Nordeste e Tocantins, que registraram a chegada na sala de informações da Igreja, estiveram 559 fretantes, com 25.066 romeiros. Os dois Estados com maior número são Pernambuco, com 11.048 fiéis, e Alagoas, com 11.478.

Enquete 
O que achou da romaria?

"Sonhei estar em Juazeiro do Norte e vim pela primeira vez. Sinto saudade e quero ainda ter a oportunidade de voltar de novo."

Maria de Lurdes Ferreira
64 anos
Dona-de-casa

"A gente sai daqui com mais alegria do que quando chegou, com o Espírito Santo, Mãe das Dores e Padre Cícero."

Antônio Mendes da Silva
61 anos
Pedreiro

MAIS INFORMAÇÕES 

Secretaria da Paróquia
Rua Padre Cícero, 147,Centro
Juazeiro do Norte
(88) 3511.2202

Elizângela Santos
Repórter

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

SÍTIO CALDEIRÃO - Romaria destacará temática ambientalista

Em sua décima edição, a Romaria do Caldeirão acontece no domingo, destacando temas de defesa ambiental

Confessionário da Capela de Santo Inácio de Loyola, no Sítio Caldeirão, é marco na memória do povoado (Foto: ANTÔNIO VICELMO)

Crato - A Diocese do Crato promove, no domingo, a 10ª Romaria do Caldeirão, destinada a preservar a memória da experiência comunitária do Sítio Caldeirão, liderada pelo beato José Lourenço, destruída por forças policiais em 1937. O evento tem na coordenação o Fórum Araripense de Combate à Desertificação, uma entidade formada por ambientalistas, associações comunitárias e representantes de prefeituras, que tem como objetivo promover o desenvolvimento sustentável.

O Caldeirão da Santa Cruz do Deserto, de acordo com o agente da Cáritas Diocesana, Alex Josberto Andrade Sampaio, "é um espaço ideal para os gritos e clamores das nossas comunidades de base, expressos na carta política, a ecoar no palco da resistência da comunidade liderada pelo beato José Lourenço".

A romaria será a caixa de ressonância dos assuntos debatidos, esta semana, no Fórum Araripense, quando foram analisados o empobrecimento da terra, a perda da biodiversidade e da identidade cultural, a situação da agricultura familiar, o processo de desertificação, convivência com o semi-árido e a questão indígena e quilombola da região do Cariri, além de oficinas temáticas de educação contextualizada, gênero, agroecologia e economia solidária.

Alex explica que, ao longo de seus 10 anos de caminhada, o Fórum Araripense, que se reúne na primeira terça-feira de cada mês, vem sendo reconhecido e respeitado pelos setores públicos e sociedade civil como espaço democrático e legítimo de debates e compromissos para a convivência com o semi-árido, apresentando soluções técnicas e políticas, reforçando consensos para reatar os laços de fraternidade social.

Outro ponto discutido pelo Fórum Araripense que será levado para reflexão durante a romaria é o mapeamento das comunidades de quilombolas no Cariri, promovido pelo Grupo de Valorização Negra do Cariri (Grunec). A iniciativa surgiu para acabar com o mito de que não existem negros nem indígenas na região. O Grunec já identificou cinco quilombos nos municípios de Porteiras, Jardim, Jati, Salitre e Várzea Alegre. Há informações do Ministério do Desenvolvimento Social (MDS) sobre a presença destas comunidades nos municípios de Crato, Brejo Santo e Aurora. Fontes informais apontam ainda a existência desses povos nos municípios de Assaré, Missão Velha, Mauriti e Potengi.

Segundo destaca o agente da Cáritas, ao visitar as regiões mais empobrecidas do Cariri, na zona rural e também nas periferias urbanas, é marcante a presença negra. Ele lamenta constatar que os índices de analfabetismo são maiores entre os negros e as oportunidades e salários são menores dependendo da cor da pele. "É a discriminação presente, ainda que, muitas vezes, esteja travestida".

O projeto, a partir do mapeamento, objetiva dar mais poder a essas comunidades, para que consigam, a partir do auto-reconhecimento, buscar meios de desenvolvimento com sustentabilidade, mitigando as desigualdades históricas

Sobre a romaria, Alex volta a destacar o objetivo do evento:lembrar a luta, a resistência e a caminhada de um povo que, de maneira ordeira, buscava a santificação por meio do trabalho agrícola, da oração e da penitência. Para o Caldeirão convergiam levas de romeiros vindos do Ceará, Piauí, Rio Grande do Norte, Pernambuco e Bahia, em busca de um pedaço de terra para plantar e viver. A comunidade rural auto-suficiente chegou a abrigar três mil pessoas, que não mais queriam trabalhar para os fazendeiros da região.

Celeiro agrícola

Os remanescentes lembram que ali funcionava engenho de rapadura, casa de farinha, tecelagem, carpintaria e oficina de ferreiro. Ao mesmo tempo em que crescia a fama do Caldeirão, transformado em celeiro agrícola do Cariri e santuário de oração do Nordeste, cresciam também as atenções das autoridades que viram no grupo social uma ameaça à ordem.

A invasão do Caldeirão ocorreu em 1936. Os seguidores do beato foram obrigados a abandonar a comunidade. Casas e plantações foram queimadas e saqueadas. Na oportunidade, não morreu ninguém. No ano seguinte, em cima da serra, a cerca de 20 quilômetros do Caldeirão, aconteceu o massacre, resultando na morte de mais de 800 seguidores do beato.

O remanescente da comunidade, Antônio Inácio da Silva, lembra que as tropas atacaram a população, destruindo casas e plantações. Os sertanejos resistiram ao ataque mas perderam no confronto. O beato José Lourenço conseguiu escapar e refugiou-se em Pernambuco, onde morreu em 1946.

REIVINDICAÇÕES

"A Romaria será a caixa de ressonância das reivindicações populares feitas no Fórum Araripense"
Alex Josberto Andrade
Agente da Cáritas Diocesana


FIQUE POR DENTRO

Beato foi um dos principais devotos de Padre Cícero

O beato José Lourenço foi um dos mais importantes seguidores de Padre Cícero. Em uma terra doada pelo religioso caririense quando ainda vivo, José Lourenço, movido por suas crenças religiosas, fundou a Comunidade do Caldeirão. Organizada em moldes socialistas, o povoamento logo atraiu contra si o ódio de todas as forças conservadoras do Nordeste. Era considerada perigosa pelos grandes proprietários de terra e pelo clero do Cariri. Deixava os fazendeiros sem a mão-de-obra barata e podia significar, na grotesca visão dos poderosos, um embrião do comunismo. No cotidiano das famílias seguidoras do beato imperava a solidariedade, uma vez que todos trabalhavam em proveito da coletividade. Plantavam e se lamentavam com os frutos da colheita.

Mais informações
Cáritas Diocesana
Rua Teófilo Siqueira, 631
Crato, (88) 3521. 8046

ANTÔNIO VICELMO
REPÓRTER

Fonte: Jornal Diário do Nordeste - Caderno Regional - Fortaleza, 18 de setembro de 2009.
http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=671907

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

JUAZEIRO DO NORTE - Emoção na despedida à Mãe das Dores

NA BASÍLICA, um dos pontos altos da festa em homenagem à Nossa Senhora das Dores: a despedida dos romeiros (Foto: Alex Costa)


Município se prepara, agora, para a próxima romaria, que acontece de 29 de outubro a 2 de novembro

Juazeiro do Norte. Mais de cem mil fiéis, devotos da Mãe das Dores, acompanharam o encerramento - procissão seguida de celebração eucarística - da festa em homenagem à padroeira do município, no fim da noite de ontem, na Praça dos Romeiros. A estimativa é da própria Igreja. Foram 17 dias de programação. Mas, mesmo com a perspectiva de ter recebido em Juazeiro, até ontem, pelo menos 400 mil romeiros, o número esteve abaixo da expectativa.

Durante a tradicional despedida do romeiro, ao meio-dia, o bispo dom Fernando Panico divulgou, na Basílica os números referentes aos romeiros. Só eles correspondem a cerca de 10% do computo geral dos fiéis. Participaram da romaria, pelo menos, 240 mil romeiros. O Estado de Alagoas com o maior número de participantes, seguido de Pernambuco e, depois, de outras cidades do Ceará.

Padre Paulo Lemos associa o menor número de romeiros à Influenza A (H1N1), citando, inclusive, recomendações feitas aos fiéis de Alagoas pela Igreja, para evitarem o abraço da paz. "Isso acaba amedrontando um pouco as pessoas". Outro ponto é por não se tratar de ano político. Ano passado, no dia 15, o Santuário de Nossa Senhora das Dores passou a ser Basílica.

O ponto alto da festa é a procissão e a despedida dos romeiros. A emoção da partida leva uma multidão às lágrimas. A Igreja fica lotada ao meio-dia. Os fiéis disputam um lugar dentro e erguem seus bens no momento da bênção. São imagens, flores, terços e até roupas. Com a fé de retornar a Juazeiro com a irmã, o momento da despedida é sempre cheio de emoção para a aposentada Quitéria Santos de Melo, de Alagoas. Ela afirma que todos os anos faz questão de estar presente na romaria e no próximo, não vai ser diferente.

A romaria de Nossa Senhora das Dores abre o calendário do semestre. A próxima acontece no mês de novembro, começando no dia 29 de outubro. É a maior romaria, com mais de 500 mil romeiros, a maioria de Pernambuco. A expectativa é que, este ano, haja uma participação ainda maior, por conta da comemoração dos 40 anos da estátua do Padre Cícero, que faz aniversário no Dia dos Romeiros, 1º de novembro.

Ocorrências

Este ano, foram registradas duas mortes durante a romaria, mas por causa natural, segundo o secretário de Turismo e Romaria, José Carlos dos Santos. Um homem, de 76 anos, e uma adolescente, de 12 anos, que chegou a Juazeiro já doente.

Na próxima semana, haverá uma avaliação da romaria com todos os segmentos envolvidos do poder público. Uma das reclamações dos romeiros, este ano, foram os preços dos ranchos e pousadas. Nesse ponto, conforme José Carlos, é necessário se trabalhar mais.

ENQUETE
Como você se sente neste último momento?

Maria José dos Santos - 62 ANOS - Aposentada

"A vinda a Juazeiro do Norte é sempre um motivo de alegria para mim. A despedida já deixa muita saudade"

Quitéria Santos Melo - 62 ANOS - Dona-de-casa

"É uma bênção estar aqui com a minha família. Continuo fazendo o caminho que a minha avó fez, seguindo uma tradição"

ELISÂNGELA SANTOS
REPÓRTER

Fonte: Jornal Diário do Nordeste - Caderno Cidades - Fortaleza, 16 de setembro de 2009.
http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=671482