Mostrando postagens com marcador Políticas públicas. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Políticas públicas. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Inclusão de cidades no Semiárido


MUNICÍPIOS DO CEARÁ

Ampliação do semiárido será avaliada pelo Governo Federal

04.01.2012



Clique para Ampliar
BRUNO GOMES
Técnicos da Funceme e da SDA apresentaram ao senador José Pimentel, na manhã de ontem, estudo que sugere aumentar o número de cidades cearenses no semiárido brasileiro
A inclusão de cidades no semiárido pode resultar em benefícios ligados ao crédito e a investimento à produção agrícola
Fortaleza. O Ministério da Integração, a Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) e a Secretaria de Desenvolvimento Agrário (SDA) poderão se reunir, ainda neste mês, para discutir novos critérios de delimitação do semiárido cearense. Após assistir, ontem, à apresentação do estudo da Funceme que amplia de 150 para 181 os Municípios que integram o semiárido do Estado, o senador José Pimentel, líder do governo no Congresso, afirmou que irá, na próxima semana, procurar a Pasta e agendar um encontro no qual a proposta seja apresentada ao Governo Federal, o qual poderá, através de decreto, instituir a alteração.

Conforme o senador, a ampliação da área tida como semiárida representa uma forma de "corrigir uma distorção e uma injustiça" às cidades que, conforme a Funceme, devem ser inseridas nesse tipo de ambiente. Para Pimentel, a maior consequência para as cidades que não integram o semiárido é a deficiência de investimentos, em comparação com outros Municípios, o que resulta em uma série de "prejuízos" aos agricultores.

"O primeiro (prejuízo) é no crédito agrícola. Eles (produtores) pagam uma taxa de juros maior, têm um bônus de adimplência, quando pagam suas obrigações, desvantajoso e, principalmente, (são prejudicados) na renegociação das dívidas agrícolas. Eles não têm o mesmo incentivo que têm os outros setores", salienta.

Outra vantagem para os produtores, complementa, seria uma maior atuação de programas voltados para o combate à seca, como o "Água para Todos". "Você tem um conjunto de incentivos que envolvem o perímetro irrigado, o sistema de abastecimento de água, a cisterna caseira", exemplifica.

O senador destacou ainda que os incentivos fiscais dados a indústrias que se instalam em áreas do semiárido são maiores, o que tende a levar empresas a preferir determinadas áreas, ao mesmo tempo em que outras cidades são prejudicadas.

Apesar de a ampliação da área tida como semiárida implicar em uma ampliação de programas sociais, Pimentel afirmou que, ao menos quanto ao crédito agrícola, a mudança não resultaria em mais gastos para a União, já que os recursos ligados ao crédito estão previstos no Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE), o que faz com que os recursos já estejam garantidos pela Constituição.

O parlamentar disse ainda que o fato de a alteração não precisar de aprovação do Congresso, podendo o Governo Federal institui-las através de decreto, "agiliza" a decisão, a qual pode ser tomada ainda no primeiro semestre desta ano.

Enquanto a administração estadual tenta se articular para garantir a alteração da delimitação do semiárido, os Municípios compartilham expectativas. Apesar de se encontrar em faixa litorânea, Jijoca de Jericoacoara enfrenta problemas em terras semiáridas. Por isso, a possível mudança foi bem recebida pela Prefeitura. O coordenador de Programas Ambientais do Município, José Agnaldo de Menezes, aposta em melhorias para cidade com a inclusão ao semiárido.

Mais recursos
Outro Município da Zona Norte que tem estudos para ingressar no semiárido é Morrinhos. A Prefeitura já trabalha com essa possibilidade para poder dar mais recursos aos mais de 20 mil moradores. Morrinhos está em 145º no Índice de Desenvolvimento Municipal (IDM) entre as 184 cidades cearenses. O prefeito Jerônimo Brandão espera que a informação de concretize para tentar desenvolver Morrinhos.

Dos Municípios da região jaguaribana, somente Fortim não está incluido hoje no semiárido. Dessa forma, aumentariam as possibilidades de mais recursos financeiros, visto existirem políticas públicas voltadas para esse tipo de ambiente.

Embora não tenha conhecido o estudo da Funceme, o geógrafo Jeovah Meireles, da UFC, acredita que possa haver relação com as medições de chuvas, com reduções nos últimos 20 anos. Ou seja, chove menos que há duas décadas. As médias pluviométricas têm diminuído não só no Ceará, mas em todo o Nordeste, conforme já tem preconizado a Conferência Internacional do Clima.

Acréscimo
31 cidades podem ser incluídas no semiárido cearense, de acordo com estudo realizado pela Funceme e pelo Banco do Nordeste (BNB)

JOÃO MOURA/ LAURIBERTO BRAGA/ MELQUÍADES JÚNIORREPÓRTERES


http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=1089663

sábado, 19 de novembro de 2011

Para além de estatísticas e teorias, a voz das pessoas


A pesquisadora que foi ao cerne do Bolsa Família

Brasilianas.org entrevista Walquíria Domingues Leão, professora do Programa de pós-graduação em Sociologia da Unicamp sobre a pesquisa realizada por ela analisando os impactos do Bolsa Família na vida das mulheres.
O trabalho de Walquíria Domingues Leão não possui estatísticas complexas, não recorreu a pesquisas com questionários fechados. Durante cinco anos ela foi ouvir mulheres em regiões tradicionalmente não assistidas pelo Estado – como o Vale do Jequitinhonha e o sertão alagoano, entre outras. Sua intenção foi avaliar os impactos sobre as pessoas da renda em dinheiro – tanto do Bolsa Família quanto do aumento do salário mínimo. Quis saber os efeitos sobre a vida pessoal, a cidadania, a maneira como as pessoas passaram a se ver.
Em geral, os pobres são vistos como massa homogênea. Como tal, sujeitos a toda espécie de visão preconceituosa. Seriam pobres por serem preguiçosos; não poderia receber em dinheiro por não saberem fazer cálculo prudencial (calcular o dinheiro até o final do mês); gastariam em supérfluos e bebidas; as mulheres (que são as titulares do Bolsa Família) acabariam cedendo as senhas aos maridos. E assim por diante.
Com forte formação de esquerda, Walquíria se surpreendeu ao perceber a extraordinária função social do dinheiro – especialmente para quem sai da zona da extrema pobreza. O primeiro mito a cair foi o dos cálculos para manuseio do dinheiro. Nos depoimentos colhidos, mulheres confessavam que na primeira vez que receberam do Bolsa Família, gastaram o dinheiro na primeira semana. Na segunda vez, já sabiam calcular para o dinheiro durar até o final do mês.
Do mesmo modo, não encontrou mulheres que tenham cedido às pressões do marido para outras destinações aos recursos. Primeiro, porque tinham contrapartidas a apresentar: pesar as crianças no posto de saúde, apresentar atestados de frequência escolar dos filhos. Depois – como disse uma delas, em um relato que espalhou emoções no seminário: “Isso tudo não é mais para mim. São para meus filhos. Meu tempo já passou”.
Em uma das melhores entrevistas da pesquisa, com uma senhora de Demerval Lobão, interior do Piauí, foi-lhe descrito o sentimento que se apossou dela quando descobriu que tinha “crédito” no comércio. Isto é, os comerciantes acreditavam nela. “Antes eu não era nada. Ninguém me vendia nem uma caixa de fósforos”.
A renda monetária conferiu-lhes dignificação da vida, confiabilidade. A possibilidade de escolha – entre comer feijão ou macarrão, por exemplo – mudou sua percepção sobre a vida, a cidadania, os direitos, constatou Walquíria.

domingo, 22 de maio de 2011

sábado, 9 de abril de 2011

Ceará - Convivência com o Semiárido

encontro estadual

Política de convivência com o semiárido em construção

Publicado em 8 de abril de 2011
FOTO: DIVULGAÇÃO
O I Encontro Estadual do Pacto pela Convivência com o Semiárido aconteceu ontem, no Condomínio Espiritual Uirapuru. O evento contou com cerca de 300 participantes
FOTO: DIVULGAÇÃO
Vai ser iniciada a elaboração de propostas pelos participantes para melhor lidar com a realidade do semiárido


Fortaleza "Sem o Nordeste desenvolvido não há desenvolvimento do Brasil e é no Nordeste que se encontra o semiárido", afirmou o secretário-executivo do Conselho de Altos Estudos da Assembleia Legislativa do Ceará, Eudoro Santana, no I Encontro Estadual do Pacto pela Convivência com o Semiárido aconteceu ontem, no Condomínio Espiritual Uirapuru. O evento contou com a presença de cerca de 300 participantes de diversas instituições e Municípios. A proposta é elaborar as bases de uma política específica para o semiárido cearense.



Para Eudoro, "um arcabouço jurídico faz-se necessário porque, por exemplo, não se pode elaborar uma reforma agrária no País sem considerarem-se as diferenças entre as regiões como o Sul e áreas semiáridas".



Após a sensibilização e contribuição das instituições governamentais e da sociedade para a elaboração do Cenário Atual do Semiárido, lançado neste encontro, inicia-se a fase de elaboração das propostas pelos participantes para melhor lidar com a realidade. "O Ceará audaciosamente, como na política pelas águas, pretende propor política permanente de convivência com o semiárido cearense. Para que não se enfrente, por exemplo, secas graves no Estado, chegando a situações emergenciais, mas que se tornam ações paliativas e não-planejadas e integradas", disse Santana.



Essa proposta se justifica devido à extensão territorial do semiárido cearense que chega a 86% do Estado, bem como a população na região chega a 55,9% do total no Ceará, de acordo com o Instituto de Pesquisas do Ceará (Ipece). Os dados apresentados na publicação do Pacto pela Convivência com o semiárido apresentam que a taxa de exportação da região chega a 40%, mas a taxa de emprego no semiárido é de 19,5%, sendo apenas 6,17% predominantemente na área rural, na agropecuária.



Para o secretário de Desenvolvimento Rural de General Sampaio, José do Egito, muitos Municípios já trabalham práticas de convivência com o semiárido e o Pacto fortalece e transforma essas iniciativas desintegradas em política pública. E ressalta que uma das alternativas é intensificar os sistemas produtivos no semiárido e assim diversificar e aumentar a produção na região deste Município.



"É bom frisar que todas as propostas são válidas, mas se não houver um sistema de assistência técnica contínua junto às famílias pode se tornar em vão a proposta de fortalecimento", afirmou. Deste modo, para José, os governos Municipal, Estadual e Federal devem estar atentos a esse acompanhamento.



Fortalecimento



Para o presidente do Conselho de Altos Estudos, deputado Lula Morais, o Pacto apresenta-se como fortalecimento no papel da Assembleia na construção de políticas para o Estado. Enfatizou a necessidade de elaborarem-se ações para a preservação do meio ambiente, informando sobre a primeira lei que obriga o Estado a adotar ações de prevenção e combate à desertificação.



O presidente da Assembleia, Roberto Cláudio, ressaltou que o Pacto trata-se de um processo sério e que deve alcançar resultados. Citou o exemplo do Pacto das Águas que serviu de Norte para a Secretaria de Desenvolvimento Agrário (SDA), por exemplo, na distribuição das cisternas de placas.



MAIS INFORMAÇÕES
Assembleia Legislativa do Ceará - Av. Desembargador Moreira, 2807 - Bairro: Dionísio Torres - CEP: 60170.900 - Telefone: (85) 3277.2500

quinta-feira, 24 de março de 2011

Novo portal para promover a discussão sobre inclusão social

BRASÍLIA, TER, 22-03-2011
Novo site em português permitirá acesso a estudos e avaliações de programas sociais de mais de 70 países em desenvolvimento e pesquisas comparativas sobre o Programa Bolsa Família
O Centro Internacional de Políticas para o Crescimento Inclusivo (IPC-IG), órgão das Nações Unidas que tem apoio institucional da Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE), lançou hoje novo portal para promover a discussão e o aprendizado sobre iniciativas bem sucedidas de inclusão social ao redor do mundo.
Entre os recursos disponíveis no novo site, destaca-se a biblioteca virtual que traz ao público brasileiro mais de 130 pesquisas em português sobre políticas e programas de proteção social e transferência de renda; estratégias de desenvolvimento rural e sustentável; inovações para a geração de emprego; políticas macroeconômicas para a redução da desigualdade; e estratégias de provisão de água, saneamento e eletricidade.
Os estudos do IPC-IG são publicados em diferentes formatos, facilitando o acesso a diferentes públicos.  Nesse sentido, a biblioteca traz desde os populares one pagers, que abordam um tema ou uma política de maneira simples e direta, até os working papers, anunciando os resultados de programas de pesquisa, e os policy research briefs, que promovem recomendações práticas para políticas públicas.
Há, ainda, no site, 280 pesquisas em inglês e espanhol, abordando outros tópicos relacionados a estratégias para o crescimento inclusivo, tais como: impacto da situação económica mundial para o bem-estar humano e o impacto de políticas macroeconômicas para a epidemia de HIV/AIDS.
Além do rico acerco bibliográfico, o IPC-IG apresenta uma Sala de Notícias em português, que destaca as novidades sobre iniciativas de crescimento inclusivo nos países em desenvolvimento.  Programas de sucesso, novos relatórios das Nações Unidas, artigos de jornais e revistas e discussões em blogs e outras mídias sociais são anunciados diariamente pelo IPC-IG.
O acesso ao portal também permite ao leitor saber quais são os principais centros de pesquisa que trabalham com a temática social em 106 países e como pesquisar sobre crescimento inclusivo em mais de 70 portais especializados na internet.
Acesse o novo site aqui.

domingo, 10 de outubro de 2010

Artigo de Suely Chacon para o Caderno Especial do Jornal O Povo durante o ICID+18

POLÍTICAS PÚBLICAS E SUSTENTABILIDADE NO SEMIÁRIDO (*)

Suely Salgueiro Chacon[1]

A história do Semiárido poderia ser contada a partir da forma como o meio ambiente foi visto, tratado e usado pelos que detinham o poder político na região. A seca foi um mote recorrente para definir ações que se modificavam ao longo do tempo, conforme a visão política se adequava às tendências. O exame da sustentabilidade do Semiárido em todas as suas dimensões revela a intricada teia de relações traçada entre o uso político do meio ambiente e suas conseqüências sociais e econômicas. Considerando essa premissa, a discussão sobre os impactos das mudanças climáticas para o Semiárido e a sustentabilidade dessa região passa pelo entendimento de como as políticas públicas tem tratado esse fenômeno na região.
Para situar o leitor, começamos com algumas informações sobre esse espaço que estamos analisando. O Bioma da Caatinga, que abriga o Semiárido, é considerado uma das 37 regiões naturais do planeta. Isto é, a Caatinga ainda abriga pelo menos 70% de sua cobertura vegetal original, e por isso é estratégica no contexto das mudanças globais, pois pode ajudar na preservação da biodiversidade do planeta. Recentemente, em junho de 2010, reconhecendo a importância desse Bioma, o governo brasileiro o declarou Patrimônio Natural do país.
O Semiárido brasileiro ocupa 12% do território nacional, possuindo mais de 1.133 municípios e uma população em torno de 22,5 milhões de habitantes, tornando-o a área mais povoada dentre as zonas áridas e semiáridas do planeta, provocando uma alta densidade demográfica e gerando uma maior vulnerabilidade para este espaço. A relação entre os efeitos das mudanças climáticas e o aumento da fome e da pobreza é fortemente ressaltada nesse contexto.
Esse cenário deixa clara a importância de iniciativas públicas para minimizar os impactos já perceptíveis das mudanças climáticas, bem como impedir que se agravem e se perpetuem ações que ameaçam esse espaço, como os desmatamentos e as tradicionais queimadas na região.
No entanto, apesar da fragilidade do Semiárido diante das mudanças climáticas, se buscarmos compreender como Estado tem lidado com essa questão, percebemos que pouca ênfase tem sido dada a esse pedaço do Brasil. A grande visibilidade mundial da Amazônia fez com que durante muito tempo as políticas públicas ambientais tenham concentrado recursos e interesses nessa região, em detrimento de um cuidado adequado com as demais regiões do país, em especial com o Semiárido.
Embora algumas ações pontuais tenham sido desenvolvidas, só recentemente observamos uma mobilização mais efetiva do Estado em prol da organização institucional para a criação de políticas ambientais voltadas para o Semiárido. Nesse sentido vale fazer alguns destaques. O Sistema Embrapa tem gerado relevante contribuição aos estudos das mudanças climáticas no Brasil e, em especial, do Semiárido. O Banco do Nordeste do Brasil passou a exigir cuidados ambientais para liberar recursos e tem incentivado diversas pesquisas relacionadas com a temática no Semiárido.  Duas importantes iniciativas geram efeitos diretos para o Semiárido: a criação do Instituto Nacional do Semi-Árido (INSA) e a elaboração do Programa de Ação Nacional de combate à desertificação e mitigação dos efeitos da seca – PAN Brasil, em 2004. E uma ação importante para tratar dos impactos das mudanças climáticas no Semiárido ocorreu mais recentemente, em 2010, com a criação do Fundo Caatinga. Em termos de ações públicas voltadas para a problemática das Mudanças Climáticas como um todo, destacam-se a criação do Painel Brasileiro sobre Mudanças do Clima, da Rede Clima, em 2007. E em dezembro de 2009 o Congresso Nacional aprovou a lei que instituiu o Fundo para Mudanças Climáticas.
Mesmo com um relativo aumento do arcabouço legal e da consciência em torno das conseqüências das mudanças climáticas no Brasil, ainda caminhamos a passos lentos. E o fato é que o Semiárido é uma das áreas mais afetadas do território brasileiro, com perspectivas de agravamento dos problemas gerados pelas mudanças climáticas na região. Mesmo assim ainda não dispõe de recursos suficientes para tratar adequadamente desse problema.
Nesse contexto, é importante ressaltar a necessidade de inserir essa discussão nos programas e propostas que visem o desenvolvimento do Semiárido, envolvendo também de forma decisiva a população. Para a promoção da sustentabilidade do Semiárido, precisamos de políticas que incentivem pesquisas para melhor conhecer o meio ambiente na região, quais os reais impactos das mudanças climáticas, quais os movimentos já existentes de adaptação às novas condições e quais as melhores práticas e ações de mitigação. E para tanto as políticas públicas são fundamentais, pois garantem os recursos e as condições necessárias para efetivar ações nesse sentido.


(*) Caderno Especial do Jornal O Povo durante o ICID+18. Fortaleza, 16 de agosto de 2010.
[1] Doutora em Desenvolvimento Sustentável. Professora da Universidade Federal do Ceará – Campus do Cariri. Coordenadora do Laboratório de Estudos Avançados em Desenvolvimento Regional do Semiárido (LEADERS). Pesquisadora da Rede Clima/Universidade de Brasília. Diretora Executiva da Sociedade Brasileira de Economia Ecológica. E-mail: suelychacon@ufc.br

sábado, 26 de junho de 2010

Prêmio de Artigos Científicos sobre Informação de Custos e Qualidade do Gasto no Setor Público


Abertas inscrições para prêmio de artigos científicos
24 de Junho de 2010 15:45
Estão abertas, até 19 de julho, as inscrições para o Prêmio de Artigos Científicos sobre Informação de Custos e Qualidade do Gasto no Setor Público. Iniciativa da Secretária Executiva do Ministério da Fazenda com apoio da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e realização da Escola de Administração Fazendária (ESAF), o prêmio tem como finalidade estimular e fortalecer a pesquisa sobre o tema e difundi-lo na comunidade acadêmica brasileira e na sociedade.
O concurso premiará os melhores trabalhos sobre o assunto nas categorias Estudantes de Graduação e Profissionais. A premiação será de R$ 3 mil, R$ 2 mil e R$ 1,5 mil para 1º, 2º e 3º lugar, respectivamente, para categoria Estudantes de Graduação. Já na categoria Profissionais, os prêmios são R$ 6 mil (1º lugar), R$ 4 mil (2º lugar) e R$ 3 mil (3º lugar).
Temas
O concurso está dividido em três áreas temáticas. São elas: 1- Geração e utilização da informação de custos como indutora da qualidade do gasto público; 2- Desafios na integração dos sistemas governamentais para a geração da informação de custos e aperfeiçoamento do ciclo orçamentário-financeiro dos órgãos da administração pública federal; e 3 - A implantação e a utilização de informação de custos nos poderes legislativo e judiciário, bem como em estados e municípios.

O regulamento está disponível na página www.esaf.fazenda.gov.br. Mais informações pelo telefone (61) 3412-6018 e pelo e-mail premio-custos.df.esaf@fazenda.gov.br .
http://www.capes.gov.br/servicos/sala-de-imprensa/36-noticias/3918-abertas-inscricoes-para-premio-de-artigos-cientificos

Outros Editais de Prêmios para trabalhos científicos: (http://www.esaf.fazenda.gov.br/)



 

5º Concurso de Monografias da CGU (edição 2010)
Inscrição até 26 de julho
  

I Prêmio CARF de Monografias em Direito Tributário - 2010
Inscrição até 23 de agosto
  

III Prêmio SOF de Monografias
Período de inscrição: 30 de março até 13 de setembro
  

V Prêmio SEAE 2010
Prêmio de Monografias
em Defesa da Concorrência e Regulação Econômica
Inscrição até 13 de setembro
  
  

XV Prêmio Tesouro Nacional 2010:
Homenagem a Joaquim Nabuco
Inscrições até 4 de outubro de 2010

domingo, 23 de maio de 2010

Ceará - Desconcentração do desenvolvimento



CONCENTRAÇÃO

Industrialização no Interior ainda é desafio a vencer

23/5/2010 Clique para Ampliar
Clique para Ampliar
Produção de flores em escala industrial é exemplo de iniciativas que deram certo fora da RMF 
SILVANA TARELHO (14/01/2009)
Apesar dos avanços do setor no Ceará, iniciativas não chegam a todas as regiões, onde está maior parte da população


Fortaleza Apesar de ser a terceira economia do Nordeste, o modelo industrial no Ceará é concentrador, o que agrava as desigualdades econômicas entre a Região Metropolitana de Fortaleza e o restante do Estado. De acordo com dados do Instituto de Desenvolvimento Industrial do Ceará (Indi), referentes a 2006 (veja mapa), mais da metade dos estabelecimentos no setor industrial (56,75%) estão na Capital. Outra boa parte das empresas é abocanhada pelos municípios da Região Metropolitana. Do Interior, apenas os polos de Sobral e Juazeiro do Norte se destacam, com 2,33% e 6,03%, respectivamente. Os demais municípios contam com apenas 22,32% das indústrias.


Apesar do crescimento verificado no setor industrial nos últimos anos, as iniciativas e o desenvolvimento não chegaram igualmente para todas as demais regiões, onde está a maior parte da população. Segundo Jair do Amaral Filho, professor titular em Desenvolvimento Econômico da Universidade Federal do Ceará (UFC), a desconcentração industrial ainda é frágil no Ceará e se resume a casos pontuais.

"Fora da Região Metropolitana, a região que tem um processo histórico importante de industrialização é o Cariri, especialmente Juazeiro do Norte, onde formou-se uma importante indústria de calçados sintéticos por micro e pequenas empresas. Fora isso, há casos esparsos e difusos de arranjos produtivos locais, como de confecções em Frecheirinha, metal-mecânico em Tabuleiro do Norte, calçados em Sobral (com a Grendene), móveis em Marco, este com uma forte concentração de empresas neste ramo industrial".


Incentivos


Segundo a pesquisa Munic 2009, divulgada semana passada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), dos 103 municípios cearenses que oferecem incentivos fiscais, 49 municípios (ou 47,57% do total) privilegiam a indústria. "Mas os municípios, em geral, têm um poder reduzido na oferta de incentivos fiscais, pois os principais impostos pagos pelas empresas industriais são dirigidos aos governos Federal e Estadual. No Ceará, o principal agente ofertante de incentivos é o Governo do Estado", afirma.

Para Eloísa Bezerra, economista do Ipece, "atualmente, é muito difícil se pensar em atração de empresas sem algum tipo de incentivo, sobretudo as direcionadas ao Interior, que possui uma menor infraestrutura. Mas a implementação de uma indústria numa economia incipiente faz seu Produto Interno Bruto (PIB) aumentar, isto é muito claro. A migração após o término dos incentivos pode até acontecer, mas isso vai depender da forma como tais benefícios forem aplicados", frisa.


Sustentabilidade


Dotada de melhor infraestrutura, logística e proximidade do mercado consumidor, a RMF é a principal escolha dos investidores, a despeito da política estadual de dar maiores incentivos para quem se instala longe de Fortaleza. "E com o anúncio e a efetivação dos grandes projetos industriais no Complexo do Pecém, reforçará a tendência de maior concentração da indústria nesta região", avalia.

Eloísa Bezerra pondera, no entanto, que a implementação de indústrias depende das potencialidades naturais, da formação de cadeias produtivas e o aporte de infraestrutura em cada município ou região.

"Ou seja, não é somente atrair iniciativas por atrair, tendo em vista que estes fatores constituem elementos que darão sustentabilidade aos empreendimentos. Há uma queixa, por parte de algumas empresas, sobre a aquisição de insumos, que são adquiridos fora do Estado, o que encarece os custos. Isto realmente é um limitante à sustentabilidade".

Outra característica observada no tipo de iniciativa industrial que se instala no Interior cearense é a produção de itens básicos. Na avaliação de Jair do Amaral, somente os incentivos não são suficientes para atrair setores de produção mais sofisticada. "Quando se trata de setores industriais intensivos em tecnologia, os investidores procuram, além dos incentivos, uma força de trabalho qualificada, bom sistema educacional e uma infraestrutura sofisticada em termos de acessos às redes de comunicação", pontua Jair do Amaral Filho.

Sobre esta questão, a economista do Ipece lembra que estão sendo feitos investimentos para melhorar a qualificação dos trabalhadores em diversos níveis. "A implementação dos Centros de Ensino Tecnológico (Centecs), aliados à ampliação de universidades federais, estaduais e, mais recentemente, as instituições particulares de ensino superior têm contribuído para uma melhor qualificação da mão-de-obra no Interior".

Dados do Indi, referentes a outubro de 2009, dão conta que 95% das iniciativas no setor industrial são de micros e pequenas empresas, fazendo com que este setor mereça maior atenção. "As micro e pequenas empresas constituem-se num potencial para atuarem mais fortemente na economia, sobretudo nas exportações que ainda estão em menor quantidade. Para isso, já existem linhas de financiamentos e qualificação direcionados às micro e pequenas empresas".


MAIS INFORMAÇÕES



Ipece


Av. General Afonso Albuquerque Lima, S/N, Cambeba - Fortaleza-CE
(85) 3101.3496


INSERÇÃO
Ceará pronto para investimentos



Fortaleza Enquanto o contraste entre a concentração das indústrias na Região Metropolitana de Fortaleza e as iniciativas esparsas no restante do Ceará permanece, o Governo do Estado diz buscar prover o Interior de políticas e infraestrutura necessárias para atrair investidores para as demais regiões. A meta é buscar desenvolver por igual todo o Estado e mostrar aos investidores que é possível encontrar condições de instalação não apenas nas áreas próximas à Capital.


"O Governo do Estado tem como prioridade na sua política de desenvolvimento econômico a desconcentração dos investimentos neste setor, porque entende que o crescimento econômico deve contemplar todas as regiões do Ceará", afirma Eduardo Diogo, diretor de desenvolvimento industrial da Agência de Desenvolvimento do Estado do Ceará (Adece).

Na área de políticas de incentivo fiscal, ele destaca o Fundo de Desenvolvimento Industrial (FDI), criado em 1979 com o objetivo de incentivar, por meio de um pacote de benefícios fiscais, as empresas que tenham interesse em se instalar no Ceará. O Fundo privilegia as empresas que optam por se instalar no Interior cearense.

"Dentre os parâmetros para conceder benefícios, o FDI determina que quanto mais longe a empresa se instalar da Capital maior será a redução do Imposto de Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), que pode variar até 75% do total do imposto a ser pago. Também há o critério de avaliação do Produto Interno Bruto (PIB) do município, isto é, quanto menor PIB municipal, maior será a isenção", explica Eduardo Diogo.


Descobrir potencial


Questionado sobre a postura ainda conservadora dos investidores de outros Estados, que mesmo com incentivos reduzidos preferem se instalar em Fortaleza e Região Metropolitana, onde já existe uma boa infraestrutura instalada e maior proximidade com os pontos de escoamento da produção, o diretor de desenvolvimento industrial da Adece aponta que as empresas já instaladas fora dessa zona preferencial mostram que cada região possui o seu potencial específico, nas mais variadas frentes produtivas.

"O Governo do Estado tem buscado desenvolver as vocações regionais através do incentivo à instalação de indústrias em regiões onde haja a identificação com a atividade da empresa e a oferta de mão-de-obra. Creio que o investidor está descobrindo o potencial do Interior cearense. Atualmente, polos industriais importantes estão consolidados, como o polo calçadista do Cariri e da Região Norte, o polo de produção de flores da Ibiapaba, os polos fruticultores do Vale do Jaguaribe, São Gonçalo do Amarante, além do polo moveleiro de Marco".


Infraestrutura


Com relação à presença mais intensiva de infraestrutura na área próxima à Capital, o diretor da Adece pondera que o Governo do Estado tem investido, nos últimos anos, na recuperação e construção de novas rodovias, apoia a construção de parques eólicos para a elevação da oferta de energia elétrica para fortalecer a infraestrutura do Interior cearense. "Além do mais, temos contado com a parceria das prefeituras municipais, que também tem investido na infraestrutura dos seus municípios. Atualmente, pode-se dizer que todas as regiões do Ceará estão preparadas para receber novos investimentos".

Ele defende ainda que a presença industrial é bem-vinda diante do impacto econômico desses empreendimentos. "Para se ter uma ideia do impacto econômico de uma empresa no Interior do Estado, na Zona Norte, em Sobral, a Grendene gera atualmente 23 mil empregos diretos, aquecendo as pequenas indústrias o comércio e os serviços de toda aquela região". 

Karoline Viana
Repórter
Fonte: jornal Diário do Nordeste - Caderno Regional - http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=789274



REGIÃO NORTE

Indústria muda vidas no sertão cearense

23/5/2010 Clique para Ampliar
O casal Júlio César e Carmirene, com o filho de um ano, na porta da casa que estão construindo com o trabalho na fábrica de calçados, na localidade de Salgado dos Machado
WILSON GOMES
Clique para Ampliar
Empresas como Doces Delícia, instalada no mini-distrito, abastece 70 cidades do Ceará e outras 20 no Piauí
SILVÂNIA CLAUDINO
Moradores trocam o trabalho no campo pelas linhas de montagem das fábricas, onde encontram novas perspectivasKaroline Viana/Wilson GomesRepórter/Colaborador

Fortaleza Mesmo com a concentração de indústrias nas regiões próximas à Capital, a presença de unidades fabris em cidades do Interior provocam um impacto relevante na economia local. Diante da pouca rentabilidade de outras atividades tradicionais nas cidades interioranas, como a agricultura, comércio e serviços, muitos trabalhadores tornam-se operários, trocando a enxada pela máquina.

Dentre as motivações para migrar para o setor industrial, estão a expectativa de ter uma atividade com carteira assinada e salário certo no fim do mês. Muitos sequer deixam seus locais de origem, exercendo seu ofício em cidades vizinhas. Aos poucos, vão adquirindo bens materiais até então impensáveis na realidade simples dessas comunidades, como eletrodomésticos, moto ou mesmo a tão sonhada casa própria.

Índices

De acordo com dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), referente aos meses de janeiro a abril de 2010, as atividades que mais geraram empregos formais no Interior foram construção civil (com 8.138 vagas) e indústria de transformação (4.871 vagas). Enquanto isso, setores como comércio e serviços respondem, respectivamente, por 1.724 e 7.049 vagas.

Por sua vez, o Instituto do Desenvolvimento Industrial do Ceará (Indi), ligado à Federação das Indústrias do Ceará (Fiec), aponta que, entre 1985 a 2008, o Produto Interno Bruto (PIB) industrial cearense cresceu 153,6%, enquanto os setores de serviços e agropecuária apresentaram variações mais modestas, de 107,2% e 22,7%, respectivamente.

Moradora da localidade de Salgado dos Machado, entre os municípios de Sobral e Groairas, na Região Norte, Maria Carmirene da Silva Aires, de 28 anos, trabalha há 7 na fábrica de calçados Grendene como auxiliar de produção - o chamado "peão", no dizer dos trabalhadores da unidade.

Com formação no Ensino Médio, ela trabalhava como professora substituta da escola da localidade. Porém, não havia a segurança de um contrato fixo. Vinda de uma família de agricultores, ela sabia que havia poucas perspectivas de trabalho.

"Comecei a ver um monte de gente daqui ir trabalhar na fábrica, melhorar de vida, então resolvi tentar. Lá o dinheiro era certo, a gente recebe todo mês cesta básica e eles (os chefes) costumam manter o bom funcionário, que se dedica". O trabalho começa às 23h20 e termina às 6 horas do dia seguinte, de domingo a sexta, no setor de pintura dos calçados. Foi lá onde Carmirene conheceu o marido, Júlio César Aires Lopes, que hoje é analista do setor de serigrafia. "Ele começou trabalhando como peão, como eu, juntando lixo. Mas foram dando oportunidades, ele conseguiu crescer e melhorar de cargo. Tudo o que nós temos hoje é graças aos nossos empregos", ressalta.

Com o trabalho na fábrica, eles conseguiram comprar uma moto e estão iniciando a construção de uma casa na própria localidade. Preferem permanecer no sertão, onde possuem vínculos familiares e onde a vida ainda é mais tranquila. Apesar das conquistas, ela afirma que, no seu caso, é difícil conciliar o trabalho, em que troca o dia pela noite, com os cuidados da casa e do filho de 1 ano.

"Trabalhar de madrugada é o melhor horário, porque eu consigo de dia cuidar da casa, ficar com o meu filho, levá-lo ao médico. Mas às vezes é tanta coisa que tem dias que eu só consigo dormir umas três horas". A rotina é repetitiva e, por vezes, cansativa, mas ela acredita que cada trabalho tem a sua exigência. "Hoje Sobral é a cidade que é por causa da Grendene, vem gente não só dos distritos, mas até de outros municípios para trabalhar aqui. A gente percebe que o comércio cresceu, a renda da gente melhorou, eu consigo comprar mais coisas para a casa e para o meu filho".

Mudança de vida

A história de Carmirene não é única. O tema se repete praticamente entre os milhares de funcionários dessa empresa de calçados. Outro caso é o do casal Rosângela Teixeira Aguiar e Joaquim Venâncio, que também se conheceram no portão da fábrica, há cerca de oito anos. Casaram, tiveram filhos e construíram sua própria morada, um sonho de toda família.

Rosângela não trabalha mais lá, teve que pedir demissão para comprar o terreno onde hoje construíram o lar. O marido mudou de setor e de função. Antes era trocador de tinta, hoje ocupa a função de mecânico nível 2. "Não costumo revelar quanto ganhamos, mas com a função que meu marido passou a ocupar ele passou a ganhar um pouco mais de R$ 1 mil", disse Rosângela, que atualmente trabalha como auxiliar de serviços gerais em uma outra empresa.

"Temos outros objetivos como melhorar a qualidade da educação dos nossos quatro filhos. Já temos uma motocicleta, que compramos recentemente e está nos servindo muito", reforça Rosângela.

SERTÃO DOS INHAMUNS
Galpões ocupados por novas iniciativas

Silvânia Claudino
Especial para o Regional

Crateús Depois que o sonho de desenvolvimento com a instalação de uma "empresa de fora" não vingou, iniciativas locais acabaram ocupando a estrutura abandonada neste município. Situadas nos galpões do Governo do Estado, que foram construídos no início da década para a instalação de indústrias que vinham de outros Estados para o Ceará com incentivos fiscais, estão funcionando há cinco anos as indústrias locais Temperos Tina e Doces Delícia.

Toda a estrutura foi construída para a instalação do mini-distrito industrial na cidade, mas apenas a Jacareí Confecções, de São Paulo, funcionou no local durante três anos. Depois foi embora e a estrutura ficou praticamente abandonada. O empresário Osvaldo Melo, da Temperos Tina, cuja fábrica funcionava em sua residência, solicitou a ocupação de parte dos prédios ao Governo do Estado.

Desde 2004, a Temperos Tina ocupou parte dos prédios. E vem crescendo ano a ano, aumentando o leque de produtos e a produção. Ao todo, 20 empregos diretos são gerados pela indústria de temperos e condimentos. A empresa oferece uma linha de 27 produtos, que são distribuídos em 26 municípios da região, além dos mercados de Fortaleza e Teresina, no Piauí. O carro-chefe da produção de 35 toneladas mensais é o colorau, seguido pelo extrato de alho e molhos de pimenta. Canjica, fubá e gliz de milho compõem também o catálogo de produtos da indústria.

O negócio evoluiu e chamou a atenção de outros empresários para a instalação no local, que é amplo e próprio para a indústria. Outro chamativo é o fato de não terem custo com aluguel. "Pagamos apenas uma taxa acessível ao Governo do Estado", cita o empresário Roberto Gomes, da indústria de Doces Delícia, há 15 anos no mercado e cinco no mini-distrito. Mil litros de leite são adquiridos junto aos produtores locais diariamente pelo empresário, que processa e comercializa 40 toneladas de doce de leite todos os meses. Abastece 70 municípios do Estado e outras 20 no Piauí, com doces de leite pastoso, em tablete e misturados ao coco, goiaba e ameixa.

Para o operário de máquinas Ralison Bezerra, de 31 anos, o seu maior pagamento "é chegar ao supermercado e ver os produtos expostos, e pensar que fui eu que fiz". Ele trabalha há oito meses na máquina que limpa o milho, matéria-prima principal da Temperos Tina. Acredita no crescimento da indústria, da cidade e na instalação de novas iniciativas para expandir o mercado de trabalho e a geração de emprego para os jovens: "a cidade está crescendo", diz.

Aos 21 anos, Geison de Miranda está no seu primeiro emprego, após servir o Exército, e sonha em crescer na indústria Doces Delícia. Trabalha há dois anos como embalador e espera ser promovido para gerente de produção. "Já faço algumas atividades que tem a ver com a função que almejo e acredito que a minha experiência contará muito", declara. Queixa-se, porém, das poucas oportunidades de trabalho na região.

Os empresários salientam a importância do projeto "Incubadoras de Empresas", do qual participaram por três anos junto ao Centec, e a participação em feiras e eventos como impulsionadores do crescimento dos negócios. Inclusive estão em fase de preparação, junto com mais nove empresários da região, para participar da Feira Internacional da Indústria de Alimentos (Fispal), que acontece em junho em São Paulo.

Atualmente, outras três indústrias se afixaram no local: Iveste, que fabrica malhas e confecções, Provimel e Vidraçaria Senhor do Bonfim. Em julho, mais quatro estarão com suas atividades de transformação no mini-distrito, nas áreas de sorvete, vidraçaria e metalurgia.
Fonte: jornal Diário do Nordeste - Caderno Regional - http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=789282
CENTRO-SUL

Maquinário substitui enxada

23/5/2010 Clique para Ampliar
De agricultor a gerente: Geraldo Silva deixou a roça para trabalhar na Tubform, onde conseguiu crescer
HONÓRIO BARBOSA
Clique para Ampliar
Diassis Barbosa trabalha há 25 anos como metalúrgico, num tempo em que não havia tantas exigências
ELIZÂNGELA SANTOS
O esforço e o pouco retorno da atividade agrícola fez com que dois agricultores tentassem a sorte na fábrica

Honório Barbosa
Repórter

Iguatu A implantação de unidades fabris vem mudando a paisagem local e praticamente criou uma massa operária, que até então era inexistente ou muito reduzida nesta região. Essas empresas passaram a absorver mão-de-obra urbana e rural. Alguns agricultores migraram para os centros urbanos, mas outros permanecem morando no campo. Mas uma coisa é certa: trocaram a enxada pelas ferramentas modernas.

Dois exemplos de jovens trabalhadores rurais que saíram do campo e encontraram ocupação em indústrias nesta cidade: o gerente de produção Geraldo José da Silva e o operário Márcio Alves de Barros. Ambos trabalham na indústria de móveis tubulares Tubform, a maior unidade do Nordeste e uma das maiores do Brasil.

Superação

São histórias de sonho, esforço e busca de uma melhor qualidade de vida. Geraldo da Silva trabalhava com o pai, José Antonio da Silva, no plantio e colheita de algodão, no Sítio Santa Maria, em Antonina do Norte. Começou cedo, aos 9 anos de idade. "Na agricultura, a gente faz de tudo, limpa, planta, colhe e debulha milho e feijão, mas o forte era o algodão. É um trabalho pesado".

O que se ganha é suficiente somente para sobreviver. Sem terra própria, o agricultor arrendava terras e tentava conseguir o sustento da família. A crise do algodão tirou de vez a esperança da família. O jeito foi vir para Iguatu, uma cidade maior. Aqui, os Silva tentaram de novo sobreviver do serviço agrícola, mas as dificuldades continuaram.

Em 1994, aos 15 anos, Geraldo Silva bateu à porta da Tubform, que estava iniciando suas atividades. "Pedi uma oportunidade porque queria trabalhar", lembra. O proprietário Edvane Matias ficou em dúvida, mas a esposa influenciou na decisão e um novo operário foi contratado. "No mesmo dia comecei", contou. "Fui em casa, troquei de roupa e voltei para trabalhar". Geraldo Silva começou na função de serviços gerais e logo passou a ser ajudante na linha de produção. Foi despachante. Ganhou aos poucos a confiança do então gerente da fábrica, Liberalino Lopes. Em 2002, passou ao cargo de gerente de produção. No início, a fábrica produzia 120 peças por mês e tinha 10 operários. Hoje, produz 70 mil unidades mensais e tem 250 operários, trabalhando em três turnos.

Ao chegar a Iguatu, Geraldo lembra que seu sonho era comprar uma bicicleta. Hoje, ele tem casa própria, um carro e ajudou os pais a comprar um lar. "Tive a confiança e o apoio de Edvane Matias. Jamais imaginei alcançar o que conquistei". Entre a vida no campo e na área urbana, compara: "A diferença é a qualidade de vida, que é melhor na cidade".

Márcio Alves de Barros nasceu no Sítio Barra, nas proximidades do Rio Trussu, zona rural de Iguatu. Na roça, desde os 10 anos começou ajudando o pai, limpando as áreas de cultivo, plantando e colhendo milho, feijão e arroz. Estudava pela manhã na Escola de Ensino Fundamental Antônia Maria das Neves, onde cursou até a 8º série.

O primeiro trabalho foi com o irmão, no cultivo de arroz irrigado. "É um trabalho duro, que exige muito esforço. O pior é que os custos de produção são elevados e o preço do produto mal cobre as despesas". Permaneceu na zona rural até os 21 anos de idade, mas seguindo o caminho de outros jovens, Márcio Barros procurou alternativa de ocupação e renda na cidade.

Na roça, os jovens não encontram perspectiva. A maioria das famílias não dispõe de propriedade rural ou são pequenas áreas, de herança, dividida com outros parentes. Não permitem ampliar a produção.

Em 2006, Márcio Barros conseguiu o primeiro emprego, aos 21 anos. Em face da indicação de um tio, começou como lixador, na linha de produção de móveis tubulares. São quatro anos de trabalho seguido como operário de fábrica. Cumpre uma jornada das 14 às 22 horas. Hoje, exerce a função de encarregado da produção de cromo.

"Estou satisfeito com o trabalho", disse Barros. "Aqui a gente tem um salário certo". O sonho dele é continuar na fábrica e alcançar nova função com melhor remuneração. "Quero crescer na indústria, que é uma empresa sólida e em expansão. O meu desejo é sempre aprender e fazer cada vez melhor", ressalta o operário.

Márcio não considera pesado o serviço como operário. "Na roça, o trabalho é muito mais difícil", disse. Casado há três anos, tem um filho e já conseguiu comprar uma casa no Sítio Barra, próximo onde morava com os pais, quando era agricultor. "Escolhi morar no campo porque é mais calmo e mais seguro". Diariamente, ele percorre oito quilômetros entre a localidade onde mora e a fábrica, mas faz o trajeto de moto.

CARIRI
Setor demanda maior capacitação


Diferente de outros tempos, entrar numa indústria do Cariri hoje exige formação. Calçados é setor de destaque

Elizângela Santos
Repórter

Juazeiro do Norte Aos 18 anos, Francisco Diassis Barbosa da Silva, hoje com 46, era agricultor quando saiu do Interior da Paraíba. Decidiu vir para Juazeiro do Norte, onde já morava um irmão. Ele decidiu investir no ofício de metalúrgico, após passar por vendedor no Centro da cidade. Há cerca de 25 anos, quando chegou ao município juazeirense, imaginava uma cidade maior e mais desenvolvida do que sua terra, Manaíra.

Praticamente sem escolaridade, Diassis afirma que antes era bem mais fácil conseguir emprego em uma empresa. Na verdade, chegou a contar com a camaradagem dos amigos. Um momento de mudanças. A instabilidade climática tinha a ver com a sua insatisfação de viver no roçado. Era um dinheiro incerto e pouco, já que precisa de chuva para plantar. Ano de seca é bem mais difícil.

Juazeiro do Norte atualmente conta com grandes indústrias. O setor de calçados é o de maior destaque. A Singer do Brasil, fabricante de máquinas de costura, se instalou há cerca de uma década na cidade. No Cariri, outra grande indústria é a Grendene, no Crato. São empresas que se destacam pela grande quantidade de absorção de mão-de-obra jovem.

Para Diassis, esse é outro momento que requer das pessoas um maior preparo para essa nova realidade de desenvolvimento. Juazeiro do Norte é uma cidade mais voltada para comercial, tem obtido ao longo dos anos uma amplitude maior para o setor industrial.

Com três filhos, todos escolarizados, as oportunidades estão mais facilitadas. "A cidade me abriu as portas e pude ter mais segurança para dar uma melhor condição de vida para os meus filhos e aqui pretendo continuar até me aposentar". A tranquilidade do campo ainda é almejada, mas a nova escola de vida, que é a fábrica onde trabalha, o empolga mais. "Ainda tenho vontade de voltar para a roça. Não achava ruim aquela vida. Era bom, mas pena que não me dava uma segurança financeira para eu me planejar", lembra.

As oportunidades, em duas décadas, mudaram muito na cidade. Está tudo diferente e mais moderno. Ele percebe que pessoas sem um nível melhor de escolaridade ficam sobrando no mercado. Atualmente, para o metalúrgico paraibano, a roça seria praticamente o seu único destino, caso não tivesse a escola da cidade, que foi a fábrica que o recebeu para trabalhar como operário.
Fonte: jornal Diário do Nordeste - Caderno Regional - http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=789289