segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Infraestrutura no Semiárido

Risco de enchente no Interior



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Ilha santa Therezinha, em Limoeiro do Norte, foi um dos locais mais atingidos pela cheia em 2009. Mesmo assim, risco de alagamento é iminente, sem trabalho preventivo

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Em Boa Viagem, população torce para que nenhuma barragem seja rompida. Caso contrário, haverá mais enchente

11/1/2010


Municípios mais afetados com enchente em 2009 continuam despreparados para as enxurradas deste ano

Limoeiro do Norte. A situação pode não ser de alarme, mas é de preocupação para milhares de pessoas que moram nas áreas de risco no Interior do Ceará, onde as chuvas de pré-estação já se pronunciam com o céu frequentemente nublado e as primeiras precipitações. Passado menos de um ano do início da trágica enchente de 2009 no Estado, os municípios mais afetados continuam igualmente despreparados para as enxurradas. A estação chuvosa terá início com os rios já cheios. As áreas de risco continuam povoadas, e não houve novos serviços de drenagem para amenizar alagamentos nas principais vias.

O açude Castanhão deverá abrir suas comportas ainda este mês, e a Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh) avisa que algumas estivas e passagens molhadas poderão ficar submersas. Quase todos os dias o céu amanhece cinzento. É normal para este período, considerado de pré-estação chuvosa, oficialmente a estação começa pelo dia 15 de fevereiro.

Mas a dúvida como realmente se dará o "inverno" este ano dá lugar ao medo. É o caso dos moradores de Jaguaruana e Itaiçaba, na zona mais baixa e que recebe as águas dos principais rios da região. A calha do Rio Jaguaribe, que passa pela Ilha de Santa Therezinha, em Limoeiro do Norte, tem muito mais água este mês que em janeiro do ano passado.

"E é porque o inverno nem começou, imagine a agonia", conta a moradora Wilberlene Dias Leitão, de 24 anos, que teve toda a família desabrigada ano passado, quando subiram as águas do Jaguaribe e do Banabuiú, que cortam a comunidade. Sua mãe, Maria Helena, já não dorme direito. Acorda de madrugada, sem sono, lembrando que há poucos metros dali passa o rio, e da noite em que até a cama onde dorme esteve debaixo d´água. O esposo pintou uma faixa azul na parede da casa para dizer até onde chegou a água. Além do sono, perderam dois guarda-roupas, o resto foi salvo pela canoa.

Da comunidade de Ilha para o centro de Limoeiro do Norte, há uma ponte do tipo passagem molhada, praticamente sem serventia nos meses de chuva. Tudo fica alagado, e a única travessia se dá de barco. "Ô dinheiro mal empregado é nessas pontes baixas desse jeito", reclama o agricultor Alceu de Lima. Que o digam os moradores de São João do Jaguaribe, há dois anos sem a passagem molhada que custou mais de R$ 450 mil aos cofres públicos e não durou mais de um mês. Com a primeira chuva forte, o Rio Jaguaribe destruiu a ponte.

E as estivas e passagens molhadas que cortam as comunidades em diversos municípios já podem ficar comprometidas, independente de se a estação chuvosa será rigorosa ou não. De acordo com o presidente da Cogerh, Francisco Teixeira, um dos propósitos do açude Castanhão é ser um regulador de cheia, "e entendemos, juntamente com o Dnocs (Departamento Nacional de Obras Contra as Secas), que deve ser liberada água para que possa receber com maior tranquilidade das chuvas este ano", explica.

Com isso, as calhas dos rios que já estão cheios, sofrerão pequena elevação, mas que pode ser suficiente para comprometer as estivas. A estimativa é de que até o início de março sejam liberados 500 milhões de metros cúbicos do reservatório, o que representa 7,6% da capacidade total, de 6,7 bilhões de metros cúbicos.

"A liberação pode ocorrer depois do dia 20 de janeiro, com o novo prognóstico da Funceme, ou a partir de primeiro de fevereiro, mas se já chover muito na bacia do Salgado, na região do Cariri, a liberação de água será imediata", afirma Teixeira.

"Enquanto os municípios não tiverem seu plano-diretor, e não impedirem o assoreamento, a degradação e a construção de casas dentro do rio, o Castanhão não vai dar jeito mesmo", completa. O plano diretor é obrigatório para cidades com mais de 20 mil habitantes. Defesa Civil e Governo do Estado estão, durante o mês de janeiro, atuando no Plano de Contingência do Controle de Cheias.

Melquíades Júnior
Colaborador

SERTÃO CENTRAL

População apreensiva com chuvas

Quixadá. Embora as cidades do Sertão Central tenham sido as menos atingidas pelas enchentes no ano passado, quem mora em áreas sujeitas a alagamentos não esconde a preocupação com a possibilidade do drama se repetir novamente este ano. Pequenos ou grandes, os transtornos acontecem. Quem pode, se muda para lugar seguro. Quem fica, é porque não tem outra alternativa. A única solução é confiar a sorte aos administradores públicos.

Essa realidade é vivida pela família da dona-de-casa Lucidalva Pereira da Silva. Assim como ela, outros sete vizinhos estão apreensivos quanto à possibilidade da enxurrada voltar novamente este ano. Eles moram numa das áreas mais atingida de Quixadá. Numa madrugada do início maio de 2009, a água chegou a atingir pouco mais de um metro. Saíram às pressas. Foram mais de 100 mm de chuva. Não tinha para onde a água escoar. Agora, uma muralha diante da porta das casas pode tornar o desespero ainda maior, lamenta a moradora.

Na época, o secretário de Obras Edificações e Vias, Paulo Stênio Fernandes, ordenou a desobstrução de bueiros para escoamento da água. O problema foi resolvido, mas ele alertou: as moradias foram construídas nas proximidades de um riacho. Estavam sujeitas ao risco. A alternativa seria a drenagem, mas até agora nenhuma máquina passou por ali, reclamam as famílias afetadas. Certo, somente o cadastramento delas no Plano de Habitação Popular. Por enquanto, só promessa.

Outra área da cidade considerada crítica é a avenida José Caetano. Todo ano, o trecho próximo ao terminal rodoviário se transforma numa espécie de piscinão. Mais um ano os moradores ficarão indignados. A galeria destinada ao escoamento da água ainda não foi construída. Uma ação na Justiça paralisou a obra. Apareceu dono para o terreno onde o canal desemboca. "Esse problema se arrasta a mais de uma década", reclama a cabeleireira Claudiana Bezerra.

Em Quixeramobim, o secretário municipal de Infraestrutura, Aluisio Cosmo, informou que são adotadas providências para minimizar o problema nas áreas consideradas críticas.

Uma destas está situada no bairro Monteiro de Moraes. Famílias são cadastradas no programa habitacional popular do Governo Federal. A ideia é convence-las a sair das áreas ribeirinhas. Alguns córregos são drenados, mas se houver muita chuva a água vai continuar invadindo as casas.

Choró

Afetado pelo rompimento de dezenas de barragens particulares, Choró ainda corre o risco de outras serem arrastadas pelas águas. Essa é a principal preocupação do secretário de Agricultura e membro do Conselho Municipal de Defesa Civil (Comdec) Wilson Pereira. Segundo ele, a Defesa Civil do Estado foi acionada para realizar inspeção nesses locais. A possibilidade do Cangati transbordar é outra preocupação. Embora tenham sido orientadas, algumas famílias ainda insistem em manter moradia na beira do rio.

Mais difícil é a situação dos moradores de Boa Viagem. Parte da cidade ficou dentro d´água quando a parede de outro açude rompeu. Rapidamente o nível do rio que corta a cidade subiu. Para quem mora na parte baixa restou apenas observar. Os moradores não sabem informar se alguma medida foi adotada para evitar as enchentes. A reportagem manteve contato com a Secretaria Municipal de Infra-Estrutura e Recursos Hídricos de Boa Viagem, mas até o encerramento desta edição, não obteve resposta.

Defesa Civil

Segundo o coordenador regional da Defesa Civil do Estado, major PM Bombeiro Maurício Naum, as coordenadorias municipais estão se articulando e criando estratégias de amparo caso o inverno seja rigoroso na região. Conferências estão sendo realizadas nas cidades do Sertão Central. A última delas foi em Ibaretama.

Mais Informações:
Defesa Civil - (88) 3441.13509
Prefeitura de Quixadá - (88) 3412.3864
Prefeitura de Quixeramobim
(88) 3441 1326

Alex Pimentel
Colaborador

Rio Granjeiro
Canal é ponto certo de alagamento

Crato. Com a chegada das chuvas, aumentam as preocupações nas áreas de riscos do Crato. A principal preocupação é o canal do Rio Granjeiro. Todos os anos, o problema se repete.O canal transborda e as ruas das proximidades são inundadas. Sem nenhuma providência, o canal que passa ao lado da Prefeitura, é destruído gradativamente. A cada enchente, desce um pedaço de concreto. Uma chuva acima de 50 milímetros é suficiente para provocar estragos, comoreclamam os moradores da Avenida José Alves de Figueiredo, advertindoque ocanal pode transbordar e inundar as casas, como aconteceu no anopassado.

Este ano, o risco é maior porque o canal apresenta erosões em vários pontos. O prefeito Samuel Araripe apresentacomo solução a construção de barragens no pé da serra do Araripe, de onde descem as águas. O projeto, que faz parte do Plano de Desenvolvimento Urbano da Cidade, segundo o prefeito, foi entregue ao Governo do Estado. Até o momento, não foram liberados os recursos suficientes para execução doprojeto.

O canal é também uma fonte de poluição. Parte dos dejetos da cidade é despejada dentro dele, provocando mau cheiro e doenças infecciosas. O mesmo problema se repete na Rua Tristão Gonçalves, conhecida porRuada“Vala”.Os estabelecimentos comerciais são inundados porque a vala não suporta o volume de água quem desce do sopéda serra.

Seminário

Outro ponto vulnerável é a encosta do morro do Seminário ocupado por casas em situação de risco de deslizamento.Oprojeto de saneamento e urbanização da encosta foi incluído no Programa de Desenvolvimento Urbano Regional, inserido no “Projeto Cidades do Ceará” e patrocinado pela Secretaria das Cidades e Banco Mundial.

Fonte: Jornal Diário do Nordeste. Caderno Regional. Fortaleza, 11 de janeiro de 2010.

http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=718020

ENCONTRO DE PROFETAS DA CHUVA

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Sob o olhar atento de fotógrafos, cinegrafistas e curiosos, os profetas apresentaram seus prognósticos

Fartura no campo com possíveis inundações

Profetas apresentam previsões de boas chuvas, com possibilidade de inundações no Estado

Quixadá Mais da metade dos 24 profetas reunidos no XIV Encontro dos Profetas da Chuva apontou período chuvoso regular a partir do início de março. O prognóstico, divulgado na manhã de sábado, no entorno do Açude do Cedro, em Quixadá, confirma o resultado das experiências de Chico Leiteiro, Paulo Costa e Antônio Lima, divulgadas na última sexta-feira, dia 8, no Diário do Nordeste.

Alguns falaram na possibilidade de inundações, pelo nível dos açudes do Estado. "Quando as chuvas chegarem de vez é melhor sair da beira dos rios. Estou assustado". Foi assim que Paulo Costa iniciou sua apresentação, alertando as autoridades. Afirmou, dessa forma, que não haverá necessidade de carros-pipa este ano no Interior.

Apenas três apresentaram previsões pessimistas: Renato de Sousa, Severino Silveira e Chico Leite estimam poucas chuvas no período. Antonio Menezes disse que o quadro meteorológico vai atrapalhar a lavoura. Luiz Gonzaga, de Camocim, também prevê um inverno fraco, mas acrescenta a possibilidade de alterações nos seus resultados. Só após 21 de fevereiro confirmará o início da quadra chuvosa.

Do grupo, esse oficial aposentado da Marinha Mercante é o único a se basear em equipamentos e estudos científicos para definir a chegada das chuvas. A partir deste ano, ele será o substituto natural do geógrafo Caio Lóssio Botelho, que, por anos, apresentou estudos paralelos aos da Funceme e não pode mais participar do Encontro por estar muito debilitado.

O superintendente da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Ceará (Ematerce), José Maria Pimenta, confirmou o início da distribuição de sementes para a segunda quinzena de janeiro.



ALEX PIMENTEL
CORRESPONDENTE

Fonte: Jornal Diário do Nordeste. Caderno Cidades. Fortaleza, 11 de janeiro de 2010.

http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=718157

INCENTIVO RURAL


Bolsa Bode garante renda em Tejuçuoca



11/1/2010


Programa é pioneiro na região e os jovens beneficiados, serão multiplicadores do empreendedorismo rural

Fortaleza. A Prefeitura Municipal de Tejuçuoca lançou, na manhã de ontem, um programa que visa a melhoria do rebanho de caprinos e ovinos na região, é o Bolsa Bode. São 20 jovens do município que foram selecionados por meio de uma série de fatores, entre eles fazer parte do mundo rural e ter capacidade e desejo de crescer na atividade. Durante o período de um ano, eles receberão uma bolsa de R$100, dez caprinos ou ovinos, além de um reprodutor, e ainda o primeiro ano de assistência técnica direta. Dessa forma, os jovens serão avaliados e terão chance de começar um grande negócio.

"Temos muito mercado, mas não temos os produtos", afirmou o prefeito Edilardo Eufrásio da Cruz, que responderá pela compra da carne e do leite. De acordo com a minuta que deu origem ao programa, só podem participar do Bolsa Bode estudantes matriculado entre o 8º ano do Ensino Fundamental ao 3º ano do Ensino Médio ou com idade entre 18 e 27 anos, comprovadamente residentes no município. Além disso, a família deve ser proprietária das terras nas quais os animais serão criados e os pais deverão assinar uma declaração apoiando o projeto. Devem ter, no mínimo, sete hectares de terra, mais espaço de um hectare da capineira, abrigo dos animais com água e luz.

O bolsista deverá manter os animais em condições ideais com o manejo, alimentação e sanidade, com autorização para venda ou troca somente com a anuência da equipe de monitoramento. E, a cada ano, disponibilizar um animal para a inclusão de outros jovens.

Mais Informações:
Prefeitura Municipal de Tejuçuoca
Rua Mamede Rodrigues Teixeira, 489
(85) 3323.1146 / 3323.1112

Marcelo Cabral
Especial para o Regional

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* Caprinos e ovinos serão destinados a jovens de Tejuçuoca, como forma de incentivar o empreendedorismo na região.

Fonte: Jornal Diário do Nordeste. Caderno Regional. Fortaleza, 11 de janeiro de 2010.

http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=718041

domingo, 10 de janeiro de 2010

Gestão e disponibilidade da água é tema de coletânea de livros

Açude do Cedro - Quixadá-CE

07/01/2010 - 15:47:05


Resenha de Sylvia Miguel, do Jornal da USP

Água, um desafio à paz mundial - Um novo fenômeno entrou para a lista de preocupações prioritárias das forças militares internacionais. As mudanças climáticas têm tudo a ver com os complexos e novos desafios à paz mundial. Foi o que declarou o secretário da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), Anders Fogh Rasmussen. No cerne de todos os problemas climáticos, a água. Sua escassez irá agravar os problemas de falta de comida nos países pobres do Hemisfério Sul. Já o derretimento das calotas polares desenhará novos caminhos marítimos e acesso mais fácil a energia e recursos no Hemisfério Norte. Em suma, a água estará no cerne das disputas globais, em breve. A água em todas as suas dimensões é justamente o foco de uma coleção de livros recém-lançada pela Annablume Editora. Nada mais oportuno num momento de debates aquecidos e busca de acordos na maior cúpula sobre o clima, em Copenhague.

Trata-se de quatro títulos organizados pelos professores Pedro Jacobi, da Faculdade de Educação, e Paulo Sinisgalli, da Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH), ambas da USP. Reúnem estudos do Projeto GovÁgua, financiado pela União Europeia e sediado no Programa de Pós-Graduação em Ciência Ambiental (Procam) da USP.

A rede de dez instituições universitárias e de pesquisa que compõem o projeto investiga as dinâmicas de bacias hidrográficas periurbanas em áreas metropolitanas. O resultado é uma compilação de textos sobre as dimensões socioeconômicas, ambientais, territoriais e institucionais da governança da água na América Latina e Europa.

O volume 1, Governança da água e políticas públicas na América Latina e Europa, abrange aspectos da gestão do recurso na Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Inglaterra, França e Holanda. A semelhança com alguns dos problemas de países sul-americanos, e também com o modelo institucional francês, relatada nos artigos, leva o leitor a compreender melhor a própria dinâmica brasileira de governança da água. Esse volume discute questões como demanda e disponibilidade do recurso, sistemas de distribuição, legislação e arranjos institucionais, entre outros.

Nesse primeiro volume, Jacobi e Sinisgalli, organizadores da coletânea, juntam-se a outros dois autores, Yvonilde Medeiros e Ademar Ribeiro Romeiro, para assinar o artigo “Governança da água no Brasil: dinâmica da política nacional e desafios para o futuro”. Ao analisar a dinâmica nacional de gestão do recurso, trazem um estudo panorâmico com dados tão abrangentes que vão desde indicadores sociais e econômicos até questões específicas de balanço hídrico e distribuição de água nos Estados brasileiros. Discorrem sobre temas como o histórico institucional do setor, as mudanças na legislação, qualidade da água, balanço hídrico e a Lei das Águas de 1997. Avaliam as tendências do modelo de gestão de regiões hidrográficas, os avanços e contradições do novo arranjo organizacional.

Dimensões político-institucionais da governança da água na América Latina e Europa é o título do volume 2. O texto de apresentação mostra que, no século 20, a utilização de água cresceu seis vezes, uma taxa de crescimento duas vezes superior à do crescimento populacional. Tal demanda requer ferramentas de gestão que façam frente à diversidade cultural e institucional dos países. Governabilidade, correlação de forças, poder e tecnologias de consenso na temática da água são alguns dos temas tratados nesse volume.

O artigo de abertura, “Conflitos, poder e tecnologias de consenso”, de Carlos Crespo Flores, mostra teoricamente as relações de poder e construções de consensos, descrevendo visões que vão desde Michel Foucault e Friedrich Nietzsche até as mais novas abordagens da economia ambiental, do ecofeminismo e do ecologismo dos pobres.

A importância da participação dos diferentes atores na discussão sobre a governança da água é debatida no volume 3 da série, Governança da água na América Latina e Europa: atores sociais, conflitos e territorialidade. O texto de abertura discute um assunto bastante debatido, mas nem por isso esgotado: “A disposição a pagar pelo uso da água na bacia do rio Paraíba do Sul - trecho São Paulo, Brasil”. Assinado pelo professor Sinisgalli e outros quatro autores, o texto analisa a importância de valorar monetariamente os recursos ambientais e as questões decorrentes desse debate.

A pesquisa utilizou o método de valoração contingente (MVC) para avaliar a disposição de determinada população em pagar pelo uso da água. Os municípios selecionados para a pesquisa foram São José dos Campos, Guaratinguetá, Taubaté, Santa Branca, Cachoeira Paulista, São Luís do Paraitinga e Paraibuna. Chegou-se a um valor muito baixo, de R$ 0,067 (US$ 0,026) por residência por mês, o que, para os autores, pode estar associado à baixa renda familiar e ao descrédito associado aos governos locais, além da dificuldade intrínseca do método de valoração associado ao recurso avaliado.

Alto Tietê - Atores e processos na governança da água no Estado de São Paulo é título do outro livro recém-lançado, que é independente dos três volumes da série, mas vai ao encontro do mesmo tema. Enfoca questões mais específicas das águas do Estado de São Paulo, com resultados de pesquisas realizadas na Bacia Hidrográfica do Alto Tietê, no reservatório Billings e na porção metropolitana da bacia do rio Pirajuçara. Os artigos, em geral, tratam de conflitos na gestão compartilhada da água, a participação popular e a relação com comitês de bacias hidrográficas, os processos decisórios, as práticas de controle social e o enfrentamento dos problemas socioambientais.

O artigo de abertura, “Estruturação e implantação da gestão compartilhada das águas: o comitê de bacia hidrográfica do Alto Tietê”, é resultado da tese de doutorado de Valéria Nagy de Oliveira Campos. Traz um estudo detalhado das etapas de estruturação do sistema de gestão naquela bacia e aponta limites e obstáculos ao funcionamento do comitê.

No segundo artigo, o professor Jacobi mostra que o desempenho institucional está intimamente ligado à influência exercida pelo capital social, isto é, a interação, reciprocidade, cooperação e confiança estabelecidas numa determinada associação ou organização.

Dada a sua importância estratégica, os estudos sobre as bacias dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ) aparecem em toda a coletânea e nesse título sobre a problemática estadual não seria diferente. O artigo de Maria Castellano e Fabiana Barbi fecha essa compilação, destacando as disputas e os desafios da governança da água nessa região hidrográfica. O trabalho aborda, entre outros pontos, a descentralização da gestão no Sistema Cantareira e a implementação da cobrança pelo uso da água no sistema PCJ.

(EcoDebate)

Fonte: Mercado Ético.

http://mercadoetico.terra.com.br/arquivo/gestao-e-disponibilidade-da-agua-e-tema-de-coletanea-de-livros/?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=mercado-etico-hoje

Desenvolvimento Regional

BNB já é do tamanho do BID

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Na opinião do seu presidente, Roberto Smith, o BNB precisa crescer. Para isso, já está sendo capitalizado

10/1/2010


Há quase sete anos na presidência do Banco do Nordeste, o economista Roberto Smith recolhe os bons resultados de uma gestão marcada pelo incremento das aplicações, que fecharam 2009 com crescimento de 50%. "O BNB já é do tamanho do BID", diz Smith. Ele acha que, no cara ou coroa da eleição presidencial, "ganhará a democracia"

Para o senhor, é melhor ser professor de economia ou banqueiro?

São estágios que a gente tem na vida. Acho que minha experiência - e hoje posso dizer que já tenho alguma, entre aspas, como "banqueiro" - é muito importante, pois é outra dimensão. Quando a gente é professor e vive no ambiente acadêmico, a gente está dentro de uma realidade que não toca de perto as coisas como elas são, nem aqueles problemas que são realmente preocupantes e que conformam nossa maneira de enxergar a realidade. Quando a gente está dentro da ação de um banco de desenvolvimento, como o Banco do Nordeste, a gente tem de fazer as coisas acontecerem. Nós temos aqui um exército de cerca de 12 mil pessoas, todas voltadas para o trabalho. As coisas acontecem efetivamente, e isso nos dá uma satisfação muito grande. Nós temos limitações, mas é uma experiência que vou carregar com uma gratidão de ter sido posto numa p osição como essa, na qual recolhi essa experiência de vida, que me deu uma maturidade e uma sensação de que é possível fazer as coisas acontecerem. E tudo isso acontece em uma quadra - eu diria uma oitava - histórica, que é o Governo do presidente Lula, no qual muita coisa de novo aconteceu com o reconhecimento nacional e internacional.

Há muita diferença entre a teoria acadêmica, que o senhor ministrava, e a prática de emprestar dinheiro?

Acho que sim. O trabalho na Universidade, no campo teórico da pesquisa, é muitas vezes solitário. Quando você está na sala de aula, há uma certa ruptura dessa solidão. Aqui, no BNB, estamos atuando sobre um conjunto muito mais amplo. Na Universidade, quem são avaliados são os alunos, e isso é até um erro, pois os professores deveriam ser melhor avaliados. Aqui no banco, temos uma avaliação externa, inclusive da imprensa, que surge a todo momento. Temos um alto nível de visibilidade que conduz a essa exposição e que leva a uma avaliação permanente. Uma vez, um repórter perguntou-me: essas coisas que vocês estão fazendo aí não são só para angariar votos? E eu falei: tudo o que fazemos tem o direcionamento do interesse público; agora, se a gente faz bem feito, os eleitores tenderão a avaliar nosso trabalho positivamente, dando o seu voto. Mas isso é uma faca de dois gumes: se não é bem feito, será mal avaliado e não terá o voto. Não há motivo para se ter uma visão negativa da política, porque ela tem a virtude de condensar os bons resultados e de punir os maus resultados.

No BNB, os pobres do Crediamigo têm inadimplência quase zero; mas os ricos do FNE atrasam o pagamento do que lhes foi emprestado? Qual dos dois é o melhor cliente?

Felizmente, no BNB, os níveis de inadimplência estão bastante rebaixados. Antigamente não era assim, mas hoje há uma mudança de visão. O empresariado amadureceu e reconhece a importância do crédito e, principalmente, a manutenção do crédito por meio da adimplência. Temos, realmente, uma camada de pequenos, que estão no Crediamigo, com taxa de inadimplência próxima de zero, algo em torno de 1%. Mas temos, também, pequenos com taxa de inadimplência elevada. Como exemplo, cito o pessoal do Pronaf-B, com renda familiar anual de até R$ 3 mil e com taxa de inadimplência de até 17%. No Crediamigo, a grande virtude é o sistema de concessão do crédito, que, até chegar à excelente condição de hoje, passou por 10 anos de aprendizado, de experiência. Mudamos o Pronaf-B, já rebatizado com o nome de Agroamigo, e mudamos a sua forma de concessão do crédito. Resultado: sua inadimplência já caiu de 17% para 2,2%. O que aconteceu? Passamos a conceder o crédito com assessoria de técnicos agrícolas que orientam a melhor forma de concedê-lo e de utiliza-lo.

Na sua gestão, prevalece ainda a cultura da renegociação de dívidas?

Na verdade, existe hoje no Governo Federal uma diretriz com a qual concordamos integralmente, segundo a qual não se pode acostumar mal os que contraem o crédito sempre esperando que haverá uma renegociação. O que temos observado é que as sucessivas leis que estruturam as renegociações se tornam mais restritivas e mais drásticas, de forma que aqueles que esperam por algo melhor à frente estão se enganando. Tanto é assim que, na última lei de renegociação, está determinado que quem não pagar terá inscrito seu débito na Dívida Ativa da União, de modo que o devedor não terá mais como bater às portas do Banco do Nordeste ou do Banco do Brasil ou de outros bancos. Tudo isso aumenta a distância da renegociação. De forma que aí vai também um apelo: aproveitemos os elementos favoráveis para a renegociação, porque se vierem outros eles serão muito piores.

O presidente Lula ou o ministro Mantega já chegou a ligar para o senhor pedindo por algum pleito de financiamento de alguma empresa da região?

Não, nunca recebi. Agora, eu gostaria de dizer o seguinte: quando eu entrei no banco, logo me aconselharam: olhe, o presidente do Banco do Nordeste não deve aceitar pedido de político. Eu afirmei: pelo contrário. Tenho uma visão muito positiva da política, ao contrario de muita gente que fica colocando a política como uma coisa ruim. Nós devemos, sim, atender à solicitação do político, porque se trata de alguém eleito, detentor de uma representação da sociedade. Agora, aqui no banco a análise que se faz do pedido leva em conta rígidos critérios técnicos e preceitos bancários. Não há nenhum preconceito em receber qualquer tipo de pedido, desde que ele encontre guarida nas normas do banco e não estabeleça formas desiguais de atendimento. Trata-se de algo que encaramos como normal. Eu até brinco, ao dizer que acho que os políticos da oposição têm maior clareza nas suas solicitações, mas nós atendemos aos políticos, independentemente de sua filiação partidária.

Para onde o senhor e seus diretores estão levando o Banco do Nordeste?

Esta é uma questão que nos traz preocupações. Estamos passando - e isto ficou claro durante a última crise - por uma fase de concentração bancária. A visão que nós temos a é de que o Banco do Nordeste necessita de crescer. Hoje, os custos de governança corporativa - todos aqueles elementos que compõem os organismos de controles externos, como o TCU, a CGU, o Banco Central, o Ministério da Fazenda - são custos muito elevados e que acabam se tornando exorbitantes para os bancos pequenos e mesmo para os bancos de médio porte. Então, é necessário crescer para fazer face a isso, para fazer face aos novos requisitos e aos padrões de contabilidade, e a saída é para o alto. Dou um exemplo, pois tenho esses dados junto a mim: o Banco do Nordeste, em um ranking dos maiores bancos brasileiros, levando em conta o saldo líquido de suas operações de crédito - ou seja, sem o volume dos provisionamentos - encontra-se hoje em oitavo lugar no Brasil. O primeiro é o Banco do Brasil, o segundo é o Itaú, o terceiro é o Bradesco, o quarto é o BNDES, o quinto é a Caixa Econômica Federal, o sexto é o Santander, o sétimo é o Votorantim, que em parte pertence ao Banco do Brasil, e o oitavo é o Banco do Nordeste, se forem incluídos os recursos do FNE que o BNB administra.

Qual é o número?

O banco do Nordeste tem, hoje, em sua carteira de aplicações um saldo da ordem de R$ 35 bilhões, o que nos coloca no oitavo lugar no ranking dos maiores bancos brasileiros.

Que posição nesse ranking deseja o BNB?

Veja, nós já somos maiores do que o HSBC, que é um banco de grande porte. Hoje, nosso saldo de aplicações corresponde a 23% em relação ao BNDES, ou seja, somos um pouco mais do que um quinto do BNDES. O tamanho do Banco do Nordeste hoje equivale, por exemplo, ao do Banco Interamericano de Desenvolvimento, o BID. Nós somos o maior banco presente no Nordeste em volume de saldo de operações de crédito, sobretudo de longo prazo.

Foi difícil chegar até aqui?

Todo o sistema bancário brasileiro passou e vem passando por um processo de alterações, fusões e tudo mais, o que exige de nós uma aptidão para a modernização, para buscar novos mercados, sobretudo dentro da região, e para atender melhor nosso cliente. Nós estamos expandindo, de forma gradual, nossa rede de agências e nosso volume tem crescido muito. Temos uma expectativa de que fechamos o exercício de 2009 com crescimento de quase 50% nas nossas aplicações, o que representará mais de R$ 20 bilhões.

O senhor pretende capitalizar o BNB em 2010?

Sim. A capitalização do banco está se dando por meio de um instrumento híbrido de capital e dívida. São mais R$ 1 bilhão tomados ao Tesouro Nacional em forma de empréstimo, já aprovado na Câmara dos Deputados e agora está no Senado Federal, onde já foi lido, devendo ser aprovado logo no começo dos trabalhos legislativos deste ano.

Este ano é de eleição presidencial. Vai dar cara ou coroa?

É claro que, neste caso, temos a nossa preferência. Sou um dos que ajudaram a fundar o Partido dos Trabalhadores, tenho uma enorme vinculação com toda a política econômica e social do Governo do presidente Lula. Mas a resposta encerra uma grande verdade interior, que é esta: vai dar a democracia. E a democracia brasileira está consolidada.

Fonte: Jornal Diário do Nordeste. Caderno Negócios. Fortaleza, 10 de janeiro de 2010.

http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=717681

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Manual de avaliação ambiental de agrotóxicos é lançado pelo Ibama

A Coordenação Geral de Avaliação e Controle de Substâncias Químicas (CGASQ) da Diretoria de Qualidade Ambiental do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), publicou oManual para requerimento de avaliação ambiental - agrotóxicos e afins - disponível na internet -, com o objetivo de auxiliar os interessados em solicitar esse serviço ao Ibama.


Desde 1990, com a regulamentação da Lei 7.802/89 – Lei dos Agrotóxicos, o Ibama passou a realizar a avaliação ambiental prévia ao registro e o controle dos agrotóxicos, seus componentes e afins registrados. A diretora de Qualidade Ambiental, Sandra Klosovski, destacou que o atual arcabouço legal que regulamenta o uso de agrotóxicos no país é considerado de vanguarda e compatível com o existente em países desenvolvidos, porém, complexo para ser interpretado e atendido corretamente. Daí, a importância do Manual.

O Manual apresenta passo a passo como elaborar um requerimento de avaliação ambiental de agrotóxico junto ao Ibama, composto de duas etapas – inscrição eletrônica e apresentação de documentos - e como contatar a CGASQ e acompanhar a tramitação do pedido até sua conclusão.

Para a analista ambiental Adriana Maximiano, a publicação vem atender a uma demanda reprimida há mais de dois anos das empresas da área de agrotóxicos e afins. "Essa demanda não pôde ser priorizada à época em que surgiu, mas se demonstrou meritória e confirmou sua importância à medida da elaboração do manual, durante a revisão dos diversos procedimentos adotados pelos requerentes e das dificuldades administrativas da CGASQ para analisá-los", informa.

Os serviços de avaliação ambiental e registro de agrotóxicos do Ibamavem se ampliando, modernizando e melhorando continuamente, a fim de atender a crescente demanda nacional pelo uso desses insumos agrícolas. Segundo a coordenadora de Avaliação Ambiental de Produtos Perigosos, Kênia Godoy, "essas iniciativas alcançarão o êxito esperado se as empresas, indústrias e consultorias de agrotóxicos continuarem a aprimorar a organização e fundamentação de seus requerimentos".

A CGASQ distribuirá gratuitamente o manual impresso por meio de solicitação à cgasq.sede@ibama.gov.br






Clique aqui para baixar a versão eletrônica do manual (10,4 Mb - Arquivo PDF).

FONTE

Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis

Links referenciados

Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis
www.ibama.gov.br

Clique aqui
www.ibama.gov.br/qualidade-ambiental/man
ual-de-procedimento-para-registro-de-agr
otoxicos

Ibama
www.ibama.gov.br

Fonte: Jornal Agrosoft
http://www.agrosoft.org.br/agropag/212950.htm

O Sertanejo e o Caminho das Águas: políticas públicas, modernidade e sustentabilidade no semi-árido.

Olá pessoal!
Para quem pediu para conhecer meu livro, aí vai a indicação da página do BNB. Lá vocês podem fazer o download do livro completo.

Título: O Sertanejo e o Caminho das Águas: políticas públicas, modernidade e sustentabilidade no semi-árido.
Coleção: Série BNB Teses e Dissertações Vol. 08.
Autora: Suely Salgueiro Chacon
Ano: 2007.


Capa do Livro
A NOTÍCIA ABAIXO, DA ÉPOCA DO LANÇAMENTO, TRAZ UM PEQUENO RESUMO DO LIVRO:
12 de julho de 2007. Fortaleza, Ceará
Suely Chacon
O BANCO DO NORDESTE LANÇA LIVRO DE SUELY CHACON, QUE FALA SOBRE POLÍTICAS PÚBLICAS E GESTÃO DE ÁGUAS NO SERTÃO DO CEARÁ

Nessa quinta-feira, 19/07, às 11:15hs, no Banco do Nordeste – Passaré, será lançado o livro O Sertanejo e o Caminho das Águas, da Profa. Suely Chacon.

O lançamento do livro faz parte das comemorações do aniversário de 55 anos do Banco do Nordeste, e acontecerá durante o Fórum BNB de Desenvolvimento e o XII Encontro Regional de Economia da ANPEC.

O livro é o 8º volume da Série BNB de Teses e Dissertações, e traz a íntegra da tese de Doutorado da autora, defendida no Centro de Desenvolvimento Sustentável da Universidade de Brasília. O livro conta ainda com o Prefácio escrito pelo Prof. Dr. Marcel Bursztyn, da UnB, que atualmente é Pesquisador Sênior da Universidade de Harvard, em Massachusetts - Estados Unidos.

O Sertanejo e o Caminho das Águas aborda uma temática atual, a gestão pública das águas, e alerta para a desmobilização crescente do Semi-árido. O conflito em relação ao acesso à água se sobressai, porém foi constatado que este é a representação de um conflito maior e mais complexo, que fica oculto e se refere à própria identidade do sertanejo. Ser ou não sertanejo é um conflito que se desenvolve historicamente e que, ao mesmo tempo, é influenciado e influencia as políticas públicas traçadas para o Sertão. Na medida em que estas políticas não respeitam o lugar e as pessoas, também não conseguem se traduzir em melhorias para vida neste lugar. E ainda contribuem para a desmobilização desta sociedade. O cenário apresentado pelo livro indica uma tendência de esvaziamento do Sertão. Com base nesse diagnóstico a autora aponta possíveis saídas que partem da valorização das riquezas locais.A Profa. Suely Chacon, que trabalha com os temas relativos às políticas públicas e à gestão ambiental há mais de 15 anos, é Economista, Mestre em Economia e Doutora em Desenvolvimento Sustentável e Gestão Ambiental.

Bahia negocia vinda da primeira indústria de turbinas eólicas da América Latina


Em paralelo às discussões mundiais sobre o futuro climático do Planeta, em Copenhagen, o Governo da Bahia assinou, durante o evento, um protocolo de intenções com a multinacionalAlstom, em prol da energia limpa. O acordo, firmado no Convento do Carmo Hotel, prevê a instalação da primeira unidade industrial de turbinas eólicas na América Latina.


"Escolhemos a Bahia por duas razões principais. A primeira delas é o potencial eólico do Nordeste e a segunda é, justamente, a melhor estrutura apresentada pelo estado dentro desta região", explicou o presidente da filial brasileira, Philippe Delleur, ressaltando o compromisso da empresa francesa em participar do desenvolvimento responsável do Estado.

A nova fábrica, a ser instalada no Pólo Industrial de Camaçari, terá suas atividades voltadas à construção de turbinas para geração de energia elétrica a partir do vento (eólica). A capacidade prevista é de 300 megawatts anuais. O suficiente para alimentar uma cidade de médio porte com energia renovável, enfatizando o compromisso estadual com as políticas ambientais.

Estima-se o investimento inicial de R$ 50 milhões, com a possibilidade de faturamento anual de até R$ 1 bilhão e a implantação de 150 empregos diretos. Em contrapartida, o governo concederá incentivos fiscais, além de infraestrutura necessária para instalação do empreendimento e apoio destinado à obtenção de financiamentos.

"O acordo é resultado de um processo iniciado em março de 20o9, quando viajamos à França para iniciar as discussões. Com a vinda desta empresa mundial, ganhamos competitividade, energia limpa e uma cadeia produtiva em torno do que será montado", afirmou o governador Jaques Wagner, enfatizando os atuais saldos positivos em conseqüência da atração de investimentos para o estado, a exemplo dos R$ 2,4 bilhões anunciados pela Ford, em novembro.

"Fechamos o mês de novembro com o saldo positivo de 13.240 empregos, o melhor novembro do país desde que a série Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) é pesquisada", informou Wagner.


Links referenciados

www.ba.gov.br

Alstom
www.alstom.com.br

Fonte: Jornal Agrosoft
http://www.agrosoft.org.br/agropag/212958.htm

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Mudanças climáticas devem aumentar desigualdade

06/01/2010 - 12:36:28


Estudo afirma que um aquecimento global de apenas 1°C já poderia levar a uma queda de até 5,7% nas exportações dos países mais pobres, afetando uma grande variedade de produtos, especialmente alimentos e manufaturas leves.

Fabiano Ávila, CarbonoBrasil

Os países mais pobres do planeta já são considerados os mais vulneráveis às mudanças climáticas, pois possuem menos recursos para se adaptar e se preparar para fenômenos metrológicos extremos cada vez mais freqüentes e intensos. Agora, um estudo afirma que além disso esses países terão grandes problemas com as suas exportações, o que acarretará em um aumento das disparidades entre ricos e pobres.

Essa conclusão foi apresentada no paper “Climate Shocks and Exports” divulgado nesta semana em uma reunião anual na Associação Econômica Americana. Nele, os pesquisadores Ben Olken, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), e Ben Jones, da Universidade Northwestern, apresentam uma avaliação do impacto do aumento da temperatura nas exportações dos países.

Os cientistas avaliaram que em nações pobres, um acréscimo de apenas 1°C já poderia reduzir o crescimento econômico em até 2% devido a uma diminuição de 5,7% nas exportações.

Uma das razões apontadas para isso seria a maior dependência dos países pobres em relação ao setor agrícola. Outro fator seria a falta de infraestrutura e tecnologia para a adaptação. Porém, Olken afirma que ainda faltam mais estudos para se dar um resposta definitiva para esse problema.

O impacto na agricultura já era esperado, pois se trata do setor mais dependente das condições climáticas. Já as chamadas manufaturas leves, como plásticos, materiais de escritório, produtos elétricos, calçados etc, sofreriam uma queda devido à falta de recursos para essas fábricas minimizarem os efeitos das alterações climáticas na sua cadeia de produção e nos próprios trabalhadores.

Já as nações mais ricas apresentariam principalmente diminuição nas suas importações, o que deve aumentar os preços de maneira geral. Porém os reais impactos disso para a economia mundial ainda precisam ser avaliados.

Os autores destacam que os dados encontrados reafirmam resultados de estudos passados que associaram o aquecimento global à queda do Produto Interno Bruto dos países pobres, e que este novo trabalho contribui para solidificar esta tese. Eles também concluem que todos esses estudos devem servir de alerta para a comunidade internacional.

(CarbonoBrasil)

Fonte: Mercado Ético

http://mercadoetico.terra.com.br/arquivo/mudancas-climaticas-devem-aumentar-desigualdade/?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=mercado-etico-hoje

IV Encontro Nacional de Pesquisadores em Gestão Social – ENAPEGS


Está aberto até 28 de fevereiro de 2010 o prazo para submissão de trabalhos para o IV Encontro Nacional de Pesquisadores em Gestão Social – ENAPEGS, que ocorrerá entre 27 e 29 de maio de 2010, na cidade de Lavras – MG. Nesta edição, serão aceitos artigos, artigos de iniciação científica/trabalho de conclusão de curso, relatos e propostas de oficinas.

Mais informações podem ser obtidas em:
http://rgs.cariri.ufc.br/enapegs2010/.
Para entrar em contato, mande e-mail para:
enapegs@rgs.wiki.brEste endereço de e-mail está protegido contra SpamBots. Você precisa ter o JavaScript habilitado para vê-lo. .

Site agrupa textos sobre desenvolvimento humano

da PrimaPagina
05/01/2010 - 15:03:27


A Escola Virtual para América Latina e Caribe, que oferece cursos sobre desenvolvimento humano a funcionários públicos, universidades, líderes sociais e pessoas ligadas à elaboração de políticas públicas, está ampliando seu acervo online através da Biblioteca Virtual.

Versão melhorada do antigo Catálogo Online de Aceso Público da escola, a biblioteca disponibiliza na internet uma série de textos sobre assuntos como desenvolvimento humano, gênero, meio ambiente e pobreza.

Dentre os textos disponíveis e que podem ser baixados da internet é possível encontrar títulos do PNUD como “Definição e Medição do Desenvolvimento Humano” e “Desenvolvimento Humano Sustentável: Conceitos e Prioridades”, e do Banco Mundial, como “Medição da Pobreza”.

O site também dá acesso a textos não ligados a organizações internacionais. Alguns exemplos são “El Derecho de los Pueblos Indígenas a la Tierra y al Territorio en América Latina: Antecedentes Históricos y Tendencias Actuales”, de José Aylwin e “Desigualdad en América Latina y el Caribe: ¿ruptura con la historia? - Resumen Ejecutivo” de David de Ferranti, Guillermo Perry, Francisco Ferreira e Michael Walton.

Além dos textos, a biblioteca permite o acesso a periódicos como Journal of Democracy, Foreign Affairs e Journal of Politics, e a bases de dados como a da CEPAL (Comissão Econômica para América Latina e Caribe) e o Directory of Open Access Journals, que reúne hoje 4521 jornais.

Para ter mais informações sobre a Biblioteca Virtual é possível acessar blogou acompanhá-la no Twitter.

(PNUD Brasil)

Fonte: Mercado Ético
http://mercadoetico.terra.com.br/arquivo/site-agrupa-textos-sobre-desenvolvimento-humano/?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=mercado-etico-hoje

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Artesanato Nordestino na Artnor 2010

Feira oferecerá aos visitantes um pouco da riqueza de uma das expressões mais fortes da cultura popular

As peças em barro dão charme e beleza aos ambientes e prometem encantar aos visitantes da 15ª Artnor. Foto: Sebrae

As peças em barro dão charme e beleza aos ambientes e prometem encantar aos visitantes da 15ª Artnor. Foto: Sebrae

Realizada em Maceió pelo Sebrae em Alagoas, a 15ª Feira de Artesanato do Norte e Nordeste (Artnor), que começa no próximo dia 15 e prossegue até o dia 24 de janeiro, terá em um de seus espaços - o Salão Arraial - participantes do Programa Sebrae de Artesanato. O local também receberá associações, cooperativas e empresas nordestinas vencedoras do Prêmio Top 100 de Artesanato. O evento acontecerá no Centro Cultural e de Exposições Ruth Cardoso.

O Salão Arraial contará com 22 estandes. O espaço também funcionará como uma espécie de galeria. Nele será montada uma mostra de arte com os mais autênticos produtos da criatividade nordestina.

Além do Salão Arraial – dedicado aos artesãos nordestinos – o evento terá outros cinco ambientes temáticos, que homenageiam os patrimônios culturais e naturais de Alagoas. “Na segunda edição do prêmio, Alagoas teve cinco unidades produtivas premiadas no Top 100. Acreditamos estar no caminho certo. Queremos levar o artesanato alagoano à posição de destaque que ele merece”, afirma Vanessa Rocha, gerente da Unidade de Turismo, Artesanato e Cultura do Sebrae/AL.

Uma das premiadas com o Top 100 que irá expor no Salão Arraial da Artnor 2010 é a empresa Karandash Arte Contemporânea. Ela teve seu trabalho reconhecido a partir da confecção de Luminária Pendente, feita em argila com técnica de cerâmica esmaltada. “Levaremos para a Artnor utilitários em cerâmica, peças que unem a arte contemporânea à produção do artesanato popular, numa mistura de cerâmica com aço, pedras, plásticos e outros materiais”, revela Maria Amélia Vieira, artista visual da Karandash.

Informações:
Artnor 2010
De 15 a 24 de janeiro de 2010
Local: Centro Cultural e de Exposições Ruth Cardoso, em Jaraguá, Maceió (AL).
Horário: Das 16 às 22 horas
Ingresso: R$ 2,00 (inteira) e R$ 1,00 (estudante e melhor idade)
Ponto de Venda: no local do evento
Informações: 0800 570 0800

Informações da Agência Sebrae de Notícias

Fonte: http://www.tendenciasemercado.com.br/negocios/artesanato-nordestino-na-artnor-2010/

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Brasil vai sediar conferência ambiental 20 anos depois da Eco-92

04/01/2010 - 10:46:35

Luana Lourenço, da Agência Brasil

O Brasil vai sediar em 2012 a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, já batizada de Rio+20, em referência a Eco-92, realizada no Rio de Janeiro, cidade que deve receber novamente o evento.

A conferência foi aprovada em dezembro pela Assembléia Geral das Nações Unidas. O encontro havia sido proposto em 2007 pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A ideia é avaliar e renovar os compromissos com o desenvolvimento sustentável assumidos pelos líderes mundiais na Eco-92. A Rio+20 tembém discutirá a contribuição da economia verde para o desenvolvimento sustentável e a eliminação da pobreza.

Outra tema na pauta da conferência será o debate sobre a estrutura de governança internacional na área do desenvolvimento sustentável. O modelo de consenso, que só permite decisões com a aprovação de todos os países, foi colocado em xeque na 15ª Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas, em Copenhague, que terminou sem acordo por divergências entre os países ricos e em desenvolvimento sobre as ações necessárias para enfrentar o aquecimento global.

(Agência Brasil)

Fonte: Mercado Ético
http://mercadoetico.terra.com.br/arquivo/brasil-vai-sediar-conferencia-ambiental-20-anos-depois-da-eco-92/?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=mercado-etico-hoje

domingo, 3 de janeiro de 2010

ENCERRANDO CICLOS.....


Fernando Pessoa


Sempre é preciso saber quando uma etapa chega ao final...
Se insistirmos em permanecer nela mais do que o tempo necessário, perdemos a alegria e o sentido das outras etapas que precisamos viver.

Encerrando ciclos, fechando portas, terminando capítulos. Não importa o nome que damos, o que importa é deixar no passado os momentos da vida que já se acabaram.
Foi despedida do trabalho? Terminou uma relação? Deixou a casa dos pais? Partiu para viver em outro país? A amizade tão longamente cultivada desapareceu sem explicações?

Você pode passar muito tempo se perguntando por que isso aconteceu....
Pode dizer para si mesmo que não dará mais um passo enquanto não entender as razões que levaram certas coisas, que eram tão importantes e sólidas em sua vida, serem subitamente transformadas em pó. Mas tal atitude será um desgaste imenso para todos: seus pais, seus amigos, seus filhos, seus irmãos, todos estarão encerrando capítulos, virando a folha, seguindo adiante, e todos sofrerão ao ver que você está parado.

Ninguém pode estar ao mesmo tempo no presente e no passado, nem mesmo quando tentamos entender as coisas que acontecem conosco.
O que passou não voltará: não podemos ser eternamente meninos, adolescentes tardios, filhos que se sentem culpados ou rancorosos com os pais, amantes que revivem noite e dia uma ligação com quem já foi embora e não tem a menor intenção de voltar.

As coisas passam, e o melhor que fazemos é deixar que elas realmente possam ir embora...
Por isso é tão importante (por mais doloroso que seja!) destruir recordações, mudar de casa, dar muitas coisas para orfanatos, vender ou doar os livros que tem.

Tudo neste mundo visível é uma manifestação do mundo invisível, do que está acontecendo em nosso coração... e o desfazer-se de certas lembranças significa também abrir espaço para que outras tomem o seu lugar.
Deixar ir embora. Soltar. Desprender-se.

Ninguém está jogando nesta vida com cartas marcadas, portanto às vezes ganhamos, e às vezes perdemos.
Não espere que devolvam algo, não espere que reconheçam seu esforço, que descubram seu gênio, que entendam seu amor. Pare de ligar sua televisão emocional e assistir sempre ao mesmo programa, que mostra como você sofreu com determinada perda: isso o estará apenas envenenando, e nada mais.

Não há nada mais perigoso que rompimentos amorosos que não são aceitos, promessas de emprego que não têm data marcada para começar, decisões que sempre são adiadas em nome do "momento ideal".
Antes de começar um capítulo novo, é preciso terminar o antigo: diga a si mesmo que o que passou, jamais voltará!

Lembre-se de que houve uma época em que podia viver sem aquilo, sem aquela pessoa - nada é insubstituível, um hábito não é uma necessidade.
Pode parecer óbvio, pode mesmo ser difícil, mas é muito importante.

Encerrando ciclos. Não por causa do orgulho, por incapacidade, ou por soberba, mas porque simplesmente aquilo já não se encaixa mais na sua vida.
Feche a porta, mude o disco, limpe a casa, sacuda a poeira. Deixe de ser quem era, e se transforme em quem é. Torna-te uma pessoa melhor e assegura-te de que sabes bem quem és tu próprio, antes de conheceres alguém e de esperares que ele veja quem tu és..

E lembra-te:
Tudo o que chega, chega sempre por alguma razão