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segunda-feira, 16 de maio de 2011

Pobreza e População rural

Estudos do IICA alertam que a população rural e a pobreza no Brasil podem ser ainda maiores do que a estimada pelo Governo Federal
Brasília-DF, 13/5/2011

Metodologias diferentes e conflitos relacionados aos conceitos do que é rural e urbano podem ser causas de distorções quanto ao real número de pessoas que vivem no campo e do número total de pobres no Brasil

Jornais de todo o País e do mundo veicularam, no último dia 03 de maio, diversas notícias destacando o número de pessoas que se encontram em situação de extrema pobreza no Brasil. Com a definição do Governo sobre a linha de pobreza extrema e os dados preliminares do Censo 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), veio à tona números que quantificam o tamanho da miséria extrema brasileira: são 16,2 milhões de pessoas, 8,5% da população, vivendo em situações precárias, destes, 46,7% estão localizados em áreas rurais. Tais números apresentados, no entanto, podem ser ainda maiores. Estudos desenvolvidos pelo IICA como parte do projeto A Nova Cara da Pobreza Rural no Brasil: transformações, perfil e desafios para as políticas públicas, em parceria com outras instituições, mostram que, no Brasil, existem versões diferentes sobre o tamanho da população no meio rural.

Autor do artigo As diferentes formas de definir o rural brasileiro e algumas tendências recentes, o professor da Universidade do ABC, Arilson Favareto, explica que os números apresentados pelo Governo foram obtidos a partir do critério: famílias nas quais a renda per capita é inferior a 70 reais, o que, segundo Favareto, apresenta dois problemas.

O primeiro problema, de acordo com o professor, é que toda a experiência internacional recente e os principais trabalhos sobre pobreza, como o do economista indiano Amartya Sen, ganhador do prêmio Nobel de Economia, convergem em destacar que é um erro definir a pobreza somente a partir de um critério, no caso, a renda monetária. “Pobreza é uma condição de privação de capacidades. E ter renda é apenas uma das capacidades fundamentais para poder participar da vida econômica e social. Ser instruído e ter capacidade de interpretar o mundo é outra. Escapar da morbidez precoce também. Logo, pobreza, e pobreza extrema, é algo que se deveria definir a partir de critérios multidimensionais”, explica o professor.

O segundo problema, aponta Favareto, é que, mesmo tomando apenas um critério como a renda, não se pode definir uma linha única para todo o Brasil. “ Uma coisa é viver com R$70,00 nas áreas remotas da Amazônia, outra é viver com o mesmo dinheiro na região metropolitana de São Paulo. Isto é, seria preciso definir linhas de corte diferentes de acordo com determinadas situações regionais”, complementa.

Favareto explica que o número de pessoas em situação de pobreza seria maior ao considerar que são pobres não só os que têm renda de R$70,00, mas também os que são analfabetos e vivem sem acesso a água e esgoto, ou fossa séptica. Assim como se considerar que são rurais as pessoas que vivem em regiões com baixas densidades populacionais e distantes dos grandes e médios centros urbanos, o número de pobres aumentaria ainda mais.

“Tudo isso é importante para que se pense adequadamente as estratégias de enfrentamento da pobreza. Ela não tem só uma cara. Tem várias e reconhecê-las é uma condição para que as políticas sejam eficientes”, comenta.

TAMANHO DA POPULAÇÃO RURAL SUBESTIMADA – De acordo com Favareto, a maneira de definir o rural brasileiro já tem quase 100 anos e precisa ser atualizada. “No Brasil, se define rural como aquilo que está fora do perímetro urbano dos municípios”. Tal fato limita a definição como residual, na qual o rural é o que sobra do urbano, e intramunicipal, quando agricultores moram nas sedes dos pequenos municípios e fazem deslocamentos diários para o trabalho nos sítios e vice-versa.

“Se usarmos critérios mais amplamente aceitos na comunidade internacional, a população rural brasileira seria de 30% aproximadamente. E não estaria em declínio como aponta o IBGE, e sim estável. Logo, é de se imaginar que o número de pobres rurais seja maior”, complementa.

http://www.iica.int/Esp/regiones/sur/brasil/Lists/Noticias/DispForm.aspx?ID=189

domingo, 8 de maio de 2011

Plano nacional de combate à miséria

    Brasil tem 16,2 milhões de pessoas em extrema pobreza, o equivalente à população do Rio

    Maurício Savarese Do UOL Notícias Em Brasília
    03/05/2011
  • Nos preparativos para o plano nacional de combate à miséria, o governo detectou pelo menos 16,2 milhões de pessoas vivendo hoje em condições extremas de pobreza, o equivalente à população do Estado do Rio de Janeiro, o terceiro mais populoso do Brasil. A informação foi dada nesta terça-feira (3), quando o Ministério do Desenvolvimento Social estabeleceu o valor de R$ 70 per capita ao mês como referência para definir quem são os brasileiros mais carentes.
    Por essa medida, a região Nordeste é a que conta com mais pessoas em extrema pobreza. São 18,1% da população, em comparação com os 8,5% nacionais. Em seguida aparecem o Norte (16,8), Centro-Oeste (4), Sudeste (3,4) e Sul (2,6).
    Os números, baseados em dados do Censo 2010, ajudarão a formular o plano Brasil Sem Miséria, uma das principais bandeiras eleitorais da presidente Dilma Rousseff. Eles indicaram que 8,5% da população nacional contam com renda mensal até R$ 70 – quantia próxima a indicadores internacionais para aferir pobreza extrema, de acordo com a ministra Tereza Campello. Ela afirmou que essa população tem difícil acesso a serviços públicos apesar de ser foco de ações governamentais.
    “Essa é a população mais vulnerável e, mesmo assim, os serviços públicos não estão chegando. Queremos que os serviços que já existem sirvam a essa população”, disse Campello, ao lado dos presidentes do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), Márcio Pochmann, e do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), Eduardo Nunes. “Pretendemos ir a essa população, não fazer um chamamento e dizer que os equipamentos do Estado estão lá.”

    • 16,2

      milhões de brasileiros
      equivale à população do Estado
      do Rio de Janeiro, o terceiro
      mais populoso do Brasil
      Conforme a linha de extrema pobreza anunciada nesta terça-feira, entre cada dez brasileiros um vive nas piores condições, incluindo aí beneficiários do programa Bolsa Família. O presidente do IPEA afirmou que essa informação ajudará a separar níveis de falta de recurso e focar melhor as políticas. “Não tínhamos na área social uma linha que estabelecesse parâmetros nem tínhamos metas para a área social. Essa linha de R$ 70 define”, disse.
      Os dados obtidos pelo Censo, feito em meados do ano passado, são preliminares e podem ser ajustados mais adiante. A ministra do Desenvolvimento Social disse ainda que o valor de R$ 70 deve revisto no futuro de acordo com um índice ainda a ser definido.

      Meta para 2016


      O Ipea já divulgou estudos com previsão de fim da pobreza extrema no Brasil até 2016. Em seu discurso de posse, Dilma afirmou que acabar com a miséria será o foco de sua gestão, até 2014. O principal plano da área social do governo, a ser anunciado nos próximos dias, visará universalizar o acesso a programas de transferência de renda, ampliar e melhorar serviços públicos e capacitar mão-de-obra, com investimentos em saúde e educação.
      De acordo com a PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio), que nos próximos anos ajudará a ajustar os números da linha de pobreza extrema, com renda de até meio salário mínimo por mês, quase 25 milhões de brasileiros deixaram as condições mais carentes entre 1995 e 2008. 

    • Fonte: http://noticias.uol.com.br/politica/2011/05/03/brasil-tem-162-milhoes-de-pessoas-em-situacao-de-extrema-pobreza.jhtm
    • OUTRAS NOTICIAS:

    sábado, 29 de janeiro de 2011

    Contradições das políticas internacionais de desenvolvimento




    Brasília, 28/01/2011
    Países de economia média concentram 75% da pobreza mundial
    Número de nações pobres caiu de 60 para 39 desde 1990; economias médias passaram a reunir 75% da população em condição de miséria


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    Indicador avalia nova dimensão da pobreza
    BRUNO MEIRELLES
    da PrimaPagina

    Com a diminuição do número de países pobres de 60 para 39 desde 1990, e a consequente ascensão desses territórios à categoria de economias de renda média, cerca de 75% das pessoas que vivem com menos de US$ 1,25 por dia estão hoje em nações cujo PIB per capita está acima da linha que define se um Estado é pobre ou não, avaliada em US$ 995.

    É o que revela o estudo “E se Três Quartos dos Pobres do Mundo Viverem em Países de Renda Média?”, conduzido por Andy Sumner, do Instituto de Estudos sobre Desenvolvimento do CIP-CI (Centro Internacional de Políticas para o Crescimento Inclusivo), órgão do PNUD em parceria com o governo brasileiro.


    “Estimamos que em 1990 cerca de 93% das pessoas em situação de miséria viviam em economias frágeis. Em contrapartida, entre 2007 e 2008, três quartos dos cerca de 1,3 bilhão de pobres do mundo viviam em nações de rendimento médio”, analisa o artigo.

    A constatação levanta questionamentos sobre a classificação das nações de acordo com o PIB per capita, adotada desde o início dos anos 1970 pelo Banco Mundial. A renda de uma série de países ultrapassou a barreira dos US$ 995 nos últimos 20 anos, mas apenas uma pequena parcela de sua população efetivamente vive com mais de US$ 1,25 por dia.

    Para o BIRD, uma economia de renda média tem PIB per capita situado entre US$ 996 e US$ 12.196.


    “Crescimento sem transformação social, econômica ou política são um ponto de partida para explicar a persistência de altos níveis de pobreza absoluta nos países de renda média. Quando se faz uma análise desse grupo, mudanças no emprego agrícola são evidentes, mas, surpreendentemente, há poucas alterações na desigualdade e nas receitas fiscais”, acrescenta o estudo.


    O documento do CIP-CI revela ainda que apenas 23% das pessoas em situação de miséria vivem em Estados frágeis e afetados por conflitos, dez pontos percentuais a menos do que o estimado há duas décadas.


    “É uma mudança surpreendente em um curto período. Isso significa que, mesmo que o ODM número 1 fosse plenamente atingido por todos os Estados com economia frágil ou que enfrentam alguma guerra, ainda teríamos 900 milhões de pessoas pobres vivendo nos países estáveis e com rendimento médio.”


    Novos desafios

    Para reverter a situação, o documento pede uma revisão de metas de desenvolvimento humano baseadas na redução da pobreza pelo incentivo ao crescimento econômico. A nova agenda, acrescenta, não deveria visar como única medida à redução da miséria, mas, sim, adotar uma carteira de objetivos que promovam mudanças de longo prazo e permanentes através de investimentos e transferências de renda.


    “Uma forma de leitura dos dados é a de que a pobreza está deixando de ser internacional e se tornando um problema de distribuição nacional. Além disso, a tributação e as políticas de redistribuição interna dos governos estão se tornando mais importantes do que a ajuda oficial ao desenvolvimento."

    http://www.pnud.org.br/pobreza_desigualdade/reportagens/index.php?id01=3661&lay=pde

    domingo, 17 de outubro de 2010

    Dia Internacional de Combate à Pobreza - 17 de outubro

    Reproduzo abaixo um trecho sobre o pobres do excelente livro "Império" de Michel Hardt e Antonio Negri, recomendado pelo querido Prof. Roberto Bartholo, da UFRJ.


    OS POBRES 

    Em todos e em cada um dos períodos históricos, um sujeito social que está sempre presente em toda parte é identificado, em geral negativamente, mas apesar disso urgentemente, em torno de uma forma de vida comum. Esta forma não é a dos poderosos e dos ricos: eles são apenas figuras parciais e localizadas, quantitate signatae. O úniconome comumnão localizável de pura diferença em todas as áreas é o dos pobres. O pobre é indigente, excluído, reprimido, explorado – e ainda assim está vivo! É denominador comum da vida, o fundamento da multidão. É estranho, mas esclarecedor, que autores pós-modernistas raramente adotem essa figura em suas teorias. É estranho porque pobre é, em certo sentido, uma eterna figura pós-moderna: a figura de um sujeito transversal, onipresente, diferente e móvel; um atestado do irreprimível caráter aleatório da existência.

    Esse nome comum, o pobre, é também fundamento de toda possibilidade da humanidade. Como mostrou Nicolau Maquiavel, na “volta às origens”, que caracteriza a fase revolucionária das religiões e ideologias da modernidade, o pobre é quase sempre visto como dono de uma capacidade profética: o pobre não apenas está no mundo como ele é, em si mesmo, a própria possibilidade do mundo. o pobre vive radicalmente o ser efetivo e presente, na indigência e no sofrimento, e por isso ele tem a habilidade de renovar o ser. A divindade da multidão de pobres não aponta para nenhuma transcendência. Ao contrário, aqui, e aqui neste mundo, na existência do pobre, o campo da imanência é apresentado, confirmado, consolidado e aberto. O pobre é deus na terra.

    Hoje não existe sequer a ilusão de um Deus transcendente. O pobre dissolveu essa imagem e recuperou seu poder. Há muito tempo a modernidade foi inaugurada com o riso de Rabelais, com a supremacia realista da barriga do pobre, com uma poética que expressa tudo que existe na humanidade indigente “da cintura para baixo”. Mais tarde, por processos de acumulação primitiva, o proletariado surgiu como um sujeito coletivo que poderia expressar-se na materialidade e na imanência, uma multidão de pobres que não profetizou, mas produziu, e que com isso abriu possibilidades não virtuais, mas concretas. Finalmente hoje, nos regimes bipolíticos de produção e nos processos de pós-modernização, o pobre é uma figura subjugada e explorada, mas apesar disso uma figura de produção. É que está a novidade. Em toda parte, na base do conceito e do nome comum do pobre, existe uma relação de produção. Por que os pós-modernistas são incapazes de ler essas passagem? Eles nos dizem que um regime de relações lingüísticas transversais de produção entrou no universo unificado e abstrato de valor. Mas quem é o sujeito que produz “transversalmente”, queum significado criativo à linguagemquem senão os pobres, que são subjugados e ávidos, empobrecidos e poderosos, sempre mais poderosos? Aqui, deste reino de produção global, o pobre não se distingue apenas por sua capacidade profética mas também por sua presença indispensável na produção da riqueza comum, sempre mais explorado e sempre estreitamente indexado aos salários do mando. O pobre é, em si mesmo, o poder. Existe uma Pobreza Mundial, mas existe acima de tudo uma Possibilidade Mundial, e o pobre é capaz disso.

    Vogelfrei, “livre como um pássaro”. É o termo que Marx usava para descrever o proletariado, que no começo da modernidade, nos processos de acumulação primitiva foi libertado duas vezes (...)

    (...) mais uma vez na pós-modernidade surge à luz ofuscante do dia a multidão, o nome comum do pobre. Ela surge plenamente ao ar livre porque na pós-modernidade o subjugado absorveu o explorado. Em outras palavras, o pobre, cada pessoa pobre, a multidão de pessoas pobres, comeu e digeriu a multidão de proletários. por esse fato os pobres se tornaram produtivos. Mesmo o corpo prostituído, a pessoa indigente, a fome da multidão – todas as formas do pobre se tornaram produtivas. E os pobres tornaram-se, portanto, cada vez mais importantes: a vida do pobre cobre o planeta e o envolve com seu desejo de criatividade e liberdade. O pobre é a condição de toda a produção.

    Hardt, Michael e Negri, Antonio. Império. Trad. Berilo Vargas. 2ª. Ed. Rio de janeiro: Record, 2001. pp. 174-176.

    sábado, 10 de julho de 2010

    ARTIGO - Análise do relatório do ONU-Habitat (Programa de Assentamentos Humanos, da ONU)

    09/07/2010 - 11:57:01 

    O progresso da economia não está em aumentar a riqueza, mas sim em diminuir a pobreza

    Marcus Eduardo de Oliveira*
    Nos dias de hoje, uma questão se coloca como crucial na vida do homem moderno: se há o interesse em continuar evoluindo, desfrutando de um ambiente mais saudável e fraterno para se viver, tal premissa somente terá sentido quando as gritantes desigualdades sociais e econômicas foram diminuídas substancialmente.

    Conquanto, é a esse homem dos dias atuais que cabe a principal tarefa do momento, caso queira, de fato, tornar válida a condição necessária de se habitar um lugar melhor para a continuidade da vida. Essa tarefa consiste em buscar alternativas para pôr fim a maior de todas as perversidades: a fome. Essa chaga atinge 1 bilhão de pessoas e ceifa 40 mil vidas todos os anos, em pontos diferentes da Terra. E por que cabe aos Homens essa tarefa de pôr fim a essa ignomínia? Simplesmente, porque são os Homens (no sentido amplo que esse termo carrega) os únicos responsáveis pela construção das sociedades que não param de apresentar mudanças. “Nós devemos ser a mudança que queremos ver no mundo”, afirmou Gandhi.
    E a Economia - enquanto ciência social que também estudo o comportamento do homem moderno - pode ser o começo dessa mudança. Em especial no que toca ao uso do cabedal teórico da economia, uma situação específica precisa ser definida, uma vez que um falso argumento, desde as obras que marcam o início dessa disciplina, insiste em permanecer e se afirmar como válida: não é aumentando a riqueza daqueles que já auferem elevados ganhos que se conseguirá diminuir a pobreza, a miséria e a fome daqueles que tanto carecem de ajuda.
    Em outras palavras, essa premissa ressalta que não se pode pensar de forma antecipada nos caminhos que conduzem ao aumento da riqueza, se antes persistirem os modos de se fazer política pública que continue ignorando as possibilidades de se buscar a redução dos índices vexatórios de pobreza em escala mundial. A pobreza está muito próxima de todos nós. Os pobres e a pobreza (relativa e absoluta) estão em todos os cantos. Vejamos essa questão especificamente em termos de América Latina.
    Onde estão e quantos são os pobres na América Latina
    De acordo com relatório divulgado pelo ONU-Habitat (Programa de Assentamentos Humanos, da ONU) o Brasil é o país mais desigual da América Latina, onde os 10% mais ricos concentram 50,6% da renda. Na outra ponta, os 10% mais pobres ficam com apenas 0,8% da riqueza brasileira. O problema da má distribuição de renda afeta a América Latina como um todo, conclui o relatório. Ainda de acordo com esse documento, os 20% latino-americanos mais ricos concentram 56,9% da riqueza da região. Os 20% mais pobres, por sua vez, recebem apenas 3,5% da renda, o que faz da América Latina a região mais desigual do mundo. “O país com menor desigualdade de renda na América Latina é mais desigual do que qualquer país da OCDE [Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico] e inclusive do que qualquer país do Leste Europeu” atesta o relatório.
    O México é o segundo país mais desigual da América Latina, já que os 10% mais ricos da população recebem 42,2% da renda, enquanto os 10% mais pobres ficam com apenas 1,3%. Na Argentina, situada em terceiro lugar, 41,7% da renda está concentrada nas mãos dos 10% mais ricos, enquanto os 10% mais pobres têm apenas 1,1%. A Venezuela é o quarto país mais desigual da região, já que os 10% mais ricos têm 36,8% da renda e os 30% mais ricos controlam 65,1% dos recursos, enquanto os 10% mais pobres sobrevivem com apenas 0,9% da riqueza.
    No caso da Colômbia, 49,1% da renda do país vai parar no bolso dos 10% mais ricos, contra 0,9% que fica do lado dos mais pobres. No Chile, 42,5% da renda local está concentrada nas mãos dos 10% mais ricos, enquanto 1,5% dos recursos vai para os mais pobres. Os países menos desiguais da região são Nicarágua, Panamá e Paraguai. Mesmo assim, nos três, a disparidade entre ricos e pobres continua abissal, já que os 10% mais ricos consomem mais de 40% dos recursos. Também consta no referido relatório que a urbanização não contribuiu para diminuir a pobreza na América Latina, já que o número de pessoas na miséria aumentou muito nas últimas décadas, basicamente a partir de 1970. Justamente em 1970, havia 41 milhões de pobres nas cidades da região da América Latina - 25% da população de 40 anos passados. Em 2007, a pobreza aumentou em 4%, considerando os dados de 1970: os pobres em áreas urbanas eram 127 milhões, portanto, 29% da população urbana.
    No entanto, a “ONU-Habitat” alertou no relatório que “é nas cidades menores e, certamente, nas áreas rurais da América Latina, onde a população é mais pobre”. Assim, a pobreza rural no Brasil alcança 50,1% da população; na Colômbia, 50,5%; no México, 40,1%; e, no Peru, 69,3%. A grande exceção é o Chile, com um índice de pobreza rural de 12,3% - número inferior inclusive ao das zonas urbanas.
    Mais números dessa desigualdade: em 2004, cerca de 980 milhões de pessoas viviam com menos de um dólar por dia nos países em desenvolvimento. Dados do PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento) mostram que as taxas de mortalidade de bebês e crianças até cinco anos caíram em todo o mundo, mas o progresso foi muito desigual. Quase 11 milhões de crianças ao redor do mundo ainda morrem todos os anos antes de completar cinco anos. A maioria dessas mortes decorre por doenças evitáveis ou tratáveis: doenças respiratórias, diarréia, sarampo e malária.
    O fato mais triste é que todos os dias 6,8 mil pessoas são infectadas pelo vírus HIV e 5,7 mil morrem em conseqüência da AIDS - a maioria por falta de prevenção e tratamento. De um tratamento, por sinal, que não é muito custoso. No entanto, os países pobres (os que mais sofrem as chagas da desigualdade) continuam pagando a cada dia o equivalente a US$ 100 milhões em serviço da dívida para os países ricos.
    Conquanto, uma vez especificado onde estão e quantos são os pobres de nossa região, cabe retomar ao ponto em que anteriormente focalizamos a ciência econômica como parâmetro de análise um tanto quanto inconsistente no ato de atenuar os focos dessa desigualdade. Há um conceito dominante nas ciências econômicas de que riqueza e pobreza devam ser medidas pelo mesmo padrão, ou seja: o produto interno bruto (PIB) e sua conseqüente renda per capita.
    É fundamental, contudo, que se tenha a lucidez conceitual para verificar que crescimento econômico (elevação do PIB) não significa queda da pobreza, até mesmo porque o PIB, visto como forma de medir riqueza trata-se, na essência, de um ledo engano.
    Uma vez mais queremos contextualizar aqui a idéia que dá conta que crescimento da economia (elevação do produto) não representa (nunca representou) melhora na qualidade de vida das pessoas. É certo que não se acaba com a pobreza crônica gerando apenas empregos e fazendo com que o produto interno se expanda. Pobreza, entendida nos termos da depreciação de vidas humanas, se acaba, por exemplo, a partir da melhoria substancial nos sistemas de saúde pública. Acaba-se com a pobreza crônica quando a educação é tratada com qualidade, para, assim, poder-se oferecer educação com qualidade. Índices de pobreza (tanto crônica quanto relativa) reduzem-se melhorando, substancialmente, as condições de higiene e alimentando melhor os mais pobres; portanto, atenuar os índices de pobreza passa, indiscutivelmente, ao proporcionar aos mais necessitados as necessárias condições básicas que conduz, na prática, ao bem-estar social.
    Dito isso, faz-se producente afirmar que o padrão de crescimento econômico das sociedades modernas não pode ser praticado nos termos que ora temos presenciado, ou seja, sob uma plataforma socialmente perversa. O espetacular crescimento econômico das economias modernas a partir de 1945 tem se dado, por exemplo, sobre o conflito com o meio ambiente e num total desrespeito às condições de vida. O progresso técnico-econômico verificado desde o início do forte crescimento das economias não foi acompanhado de crescimento social. É preciso, todavia, lançar-se um novo olhar para além desse crescimento. Essa atitude, de fazer crescer a economia sem a contrapartida de avançar a questão social, apenas contribui, sobremaneira, para o total desrespeito ao indivíduo, que se vê privado de obter condições dignas de trabalho e, por conseqüência, se vê cada vez mais longe do acesso às possibilidades de melhoria do seu padrão de vida. Toda vez que esse indivíduo é colocado à margem dos benefícios, mais distante fica do acesso aos bens necessários. Assim, a economia contribui apenas para obstaculizar uma melhora na vida daqueles que tanto carecem, ao passo que esse sistema econômico continua, a bel-prazer de alguns poucos ganhadores, privilegiando somente esses que se encontram nos patamares mais elevados da escala social. O crescimento da riqueza, portanto, não faz gerar a diminuição da pobreza.
    As palavras do economista indiano Amartya Sen são exemplares a esse respeito: “Não se deve olhar o progresso de uma economia verificando o aumento da riqueza dos que já são ricos, mas na diminuição da pobreza daqueles que são muito pobres”.
    A saída pode estar na prática da economia solidária
    Conquanto, se realmente desejamos ver edificada uma sociedade melhor do ponto de vista social, inequivocamente outro modelo econômico precisa ser posto à serviço das comunidades mais carentes. Esse outro modelo econômico pode ser a economia solidária.
    O modelo de economia solidária que queremos ver ganhar dimensão respeita, antes de tudo, a geração presente, priorizando, valorizando e enaltecendo o ser humano, em lugar de centralizar esforços para a acumulação de capital. Esse novo modelo econômico, solidário e participativo, mais ético e menos mercantil, precisa emergir para assim criar todas as condições necessárias a fim de diminuir a abissal lacuna existente entre o modo de viver dos mais ricos em relação aos mais pobres.
    Lembremos, nesse pormenor, que habitamos um mundo em que vinte por cento da Humanidade não hesita em gastar três dólares por dia num simples cappuccino; enquanto, no outro extremo da vida, quase 40% da população mundial “tenta” (sobre) viver com menos de dois dólares por dia. Habitamos um mundo em que para manter uma vaca em pé na Europa central são gastos quatro dólares por animal a cada dia.
    No entanto, por não receber nem mesmo dois dólares (menos da metade que uma vaca “recebe” em forma de subsídio) por dia, 3 milhões de pessoas - pobres, famintas e enfermas - morrem por causa de malária todos os anos na África subsaariana.
    Não é por outra razão então que a cada semana, a pobreza e suas “conseqüências” matam, somente no continente africano, o mesmo número de pessoas que foram dizimadas pelo tsunami que atingiu o sudeste asiático alguns anos atrás.
    Ou mudamos radicalmente essa história perversa ou continuaremos a andar na contramão das condições que estabelecem as relações que moldam a vida. A vida não nos foi dada para que tratássemo-la com menoscabo. A vida nos foi oferecida para promovermos o bem-viver e o viver bem. Cabe a nós - a todos nós - que escapamos da pobreza e da fome, juntarmos forças para a construção da paz duradoura num mundo em que, pelo menos, não haja a sandice da fome, uma vez que os alimentos são produzidos em excesso e, em muitos lugares, chegam até mesmo a estragar e apodrecer em silos. Ao final, desejamos aqui reiterar as palavras de Frei Betto: “Ter escapado da pobreza não é prêmio, é responsabilidade para com aqueles que não tiveram igual sorte”.
    * Marcus Eduardo de Oliveira é economista, especialista em Política Internacional. Articulista do site “O Economista”, do Portal EcoDebate e da Agência Zwela de Notícias (Angola).
    (Adital)

    quarta-feira, 23 de junho de 2010

    ONU - situação da infância e adolescência na América Latina



    Estudio afirma que 63% de la niñez sufre de algún tipo de pobreza


    23 de junio, 2010 


    Casi 63% de los niños, niñas y adolescentes de América Latina y el Caribe sufre algún tipo de pobreza, según un estudio realizado por la CEPAL y UNICEF.
    La pesquisa tomó en cuenta las privaciones que afectan el ejercicio de sus derechos y el nivel de ingresos de sus familias, afirma un artículo publicado en el Boletín Desafíos de la CEPAL.


    El estudio tuvo en cuenta factores como la nutrición, acceso a agua potable, servicios de saneamiento y electricidad, así como el número de personas por habitación.


    Igualmente consideró la asistencia a la escuela, años de escolaridad, y la tenencia de radio, televisión o teléfono.


    Los autores sugieren acciones afirmativas para remediar la desigualdad que sufren los niños y adolescentes pobres que pertenecen a grupos sociales marginados, como los de origen indígena o los que viven en zonas rurales.


    http://www.un.org/spanish/News/fullstorynews.asp?newsID=18629&criteria1=CEPAL%20y%20UNICEF&criteria2=Niñez%20en%20América%20Latina

    terça-feira, 11 de maio de 2010

    Incentivo à Agricultura Familiar como meio de combater a Fome

    11/05/2010 - 15:14:38 

    Metade da população mundial que passa fome é de pequenos agricultores

    Danilo Macedo, da Agência Brasil
    Metade da população mundial que passa fome é formada por pequenos agricultores que não conseguem produzir para alimentar a própria família, disse ontem (10) a diretora executiva do Programa Mundial de Alimentação da Organização das Nações Unidas (PMA/ONU), Josette Sheeran, ao destacar os programas brasileiros de incentivo à agricultura familiar como modelo a ser reproduzido em outros países.
    “Os programas que prestam atenção aos pequenos agricultores são muito importantes e o Brasil tem programas nos moldes que pretendemos implementar no resto do mundo”, afirmou Josette Sheeran, que está no país participando do Diálogo Brasil-África sobre Segurança Alimentar, Combate à Fome e Desenvolvimento Rural.
    Ela entregou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva o prêmio Campeão do Mundo na Batalha Contra a Fome, concedido pelo PMA. Segundo Josette Sheeran, muitos governantes têm vergonha de falar sobre a fome no mundo e, o Brasil, além de levar o tema aos principais fóruns de discussão do mundo, tem conseguido colocar em prática o que defende.
    “O que me impressionou é que não é só um discurso, mas o Brasil está fazendo o que prega. É o país que mais tem evoluído no combate à fome, trazendo à tona bons programas”, afirmou. Segundo a diretora da ONU, em muitos países a fome não é um problema de escassez de alimentos, mas de falta de habilidade para dar à população acesso a eles.
    Ainda em relação à agricultura familiar, a diretora do PMA destacou a participação do Brasil em outros países, principalmente por meio da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), que tem trabalhado, tanto no Haiti como na África, para desenvolver sementes adaptadas ao clima dessas regiões.
    “Não é apenas levar alimentos ao Haiti, mas pensar na produção de alimentos. A Embrapa tem um papel gigantesco e o reconhecimento importante em todo o mundo no combate à fome, e é outra área que o mundo tem muito que aprender com o Brasil”, disse.
    O chefe da Coordenação-Geral de Ações Internacionais de Combate à Fome do Ministério de Relações Exteriores, ministro Milton Rondó, disse que uma das principais “tecnologias” de combate à fome desenvolvidas pelo Brasil foi a “tecnologia de participação social”, já que os programas de destaque internacional foram construídos com a presença de representantes de vários setores da sociedade.
    Em quanto falava com os jornalistas, Josette Sheeran mostrou uma xícara que simboliza a campanha de combate à fome no mundo a fim de dimensionar o problema da falta de alimentos para as populações mais pobres do planeta. “Hoje, uma em cada seis pessoas não consegue encher essa xícara de comida todos os dias”, disse. O PMA é a maior agência humanitária do mundo que fornece alimentos a cerca de 90 milhões de pessoas por ano, a maioria crianças, em 80 países.
    (Agência Brasil)
    Fonte: Mercado Ético

    sexta-feira, 30 de abril de 2010

    Fontes renováveis de energia podem ajudar no combate à pobreza

    29/04/2010 - 16:50:12 

    Organização das Nações Unidas defende revolução energética contra a pobreza

    Secretário-Geral Ban Ki-moon afirma que a busca por fontes limpas de energia deve ser vista como uma ferramenta útil para reduzir as emissões e também como uma forma de alavancar o desenvolvimento econômico mundial
    Fabiano Ávila, da CarbonoBrasil/Agências Internacionais
    Aumentar o acesso a fontes limpas de energia e aprimorar sua eficiência são maneiras de combater as mudanças climáticas e ainda diminuir a pobreza mundial, constatou um relatório divulgado pelo Grupo Consultivo sobre Energia e Mudanças Climáticas das Nações Unidas.
    O documento revela que 1,6 bilhão de pessoas não tem acesso a eletricidade e que entre dois a quatro bilhões continuam dependendo de fontes energéticas como a lenha. A ONU defende o acesso universal a serviços básicos e modernos de energia até 2030 e diz que isto pode ser feito sem aumentar de forma significativa as emissões que contribuem para alterações climáticas.
    Além de ser uma forma de melhorar a condição de vida de milhões de pessoas, o relatório afirma que essa revolução energética traria benefícios econômicos para países pobres e em desenvolvimento, ajudando no combate à desigualdade entre as nações.
    “Nós precisamos de uma revolução energética, tanto nos países em desenvolvimento, onde a demanda por eletricidade está crescendo rapidamente, quanto nos ricos, que precisam cortar suas emissões”, afirmou Ban Ki-moon.
    O Grupo Consultivo sobre Energia e Mudanças Climáticas das Nações Unidas, formado por 20 empresários, acadêmicos, diplomatas e membros da sociedade civil, enfatizou que todos os países têm um papel importante nessa revolução. Os ricos devem providenciar mais financiamentos para projetos de baixo carbono, enquanto as nações mais pobres devem buscar dar transparência às suas instituições e políticas para que possam receber mais investimentos.
    Outro alerta que o estudo faz é para a necessidade de cortar em 2,5% a “intensidade de energia” global anualmente. A intensidade de energia é a quantidade de eletricidade gasta para cada unidade do Produto Interno Bruto.
    “As decisões que nós tomamos hoje terão no futuro um impacto profundo no clima global, no desenvolvimento sustentável, no crescimento econômico e na segurança mundial”, resumiu Ban Ki-moon.
    Estados Unidos
    Em mais um sinal de que os países já perceberam que a geração elétrica através de fontes limpas é mesmo um objetivo a ser buscado, o governo norte-americano liberou nesta quarta-feira (28) a construção de sua primeira fazenda eólica em alto mar.
    O projeto Cap Wind reunirá 130 turbinas no nordeste dos Estados Unidos e irá gerar 75% da eletricidade consumida em Cap Cod e demais ilhas da região. Mas é realmente considerado importante por ser visto como o primeiro passo para a expansão do setor eólico nos EUA, que atualmente gera apenas 2% do total da energia do país.
    O sinal verde para o projeto veio depois de mais de dez anos de brigas políticas e ambientais. Os opositores afirmavam que as torres seriam construídas muito próximas à costa, o que afetaria a vida de baleias, pássaros e poderia ter impactos na pesca na região. Mas segundo estudos de 17 agências federais essas preocupações eram infundadas.
    “Este será o primeiro de muitos projetos no Atlântico que iremos construir para garantir nossa segurança energética. Cap Wind está abrindo um novo capítulo da nossa história, os EUA irão novamente ocupar a liderança mundial em tecnologia”, declarou o Secretário do Interior, Ken Salazar.
    O momento do anúncio coincide com um dos maiores desastres naturais da indústria dos combustíveis fósseis nos Estados Unidos, com o vazamento de milhões de litros de petróleo após a explosão de uma plataforma da companhia britânica BP no Golfo do México.
    (CarbonoBrasil)