Mostrando postagens com marcador Infraestrutura. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Infraestrutura. Mostrar todas as postagens

domingo, 1 de agosto de 2010

História do Ceará passa pelo Sertão

Ferrovia completa centenário

1/8/2010 Clique para Ampliar
Estação de trem de Iguatu em 1910, ano de sua construção e, junto, trouxe o desenvolvimento econômico. Foto histórica mostra fardos de algodão para serem transportados 
FOTO: HONÓRIO BARBOSA

Clique para Ampliar
Ponte sobre o Rio Jaguaribe era necessária para facilitar o trajeto do trem. Obra demorou seis anos para ser concluída
Inaugurada em 5 de novembro de 1910, a ferrovia promoveu o desenvolvimento econômico de Iguatu

Iguatu - Neste ano, acontece o centenário da chegada do trem a esta cidade. A ferrovia trouxe o crescimento da antiga vila da Telha, impulsionando os negócios, favorecendo o transporte de passageiros e de produtos agropecuários. Deixava-se de transportar mercadorias em lombos de animais, em tropas de burro, para usar vagões puxados por uma máquina a vapor, a Maria Fumaça. Ganhava-se tempo e dinheiro.

A chegada da ferrovia é um acontecimento histórico que mudou significativamente o destino deste centro urbano, que passou a ser um dos cinco maiores do Interior do Ceará. Provocou profundas transformações no cenário urbano, nos hábitos de vida e aproximou mais esta cidade da Capital. As comunicações foram modernizadas.

De acordo com relato histórico do advogado Luiz Barros, publicado em 1982 na revista do Instituto Histórico do Ceará, em comemoração ao centenário do magistrado, a estrada de ferro ligando Iguatu a Fortaleza é inaugurada oficialmente em 5 de novembro de 1910.

A solenidade festiva de inauguração aconteceu em frente à casa do intendente municipal da época, Belizário Cícero Alexandrino. O presidente da Província do Ceará, comendador Antonio Pinto Nogueira Acioli, foi representado pelo juiz de Direito, Alerano de Barros. O ato contou com a participação do diretor da Estrada de Ferro, Zózimo Barroso e de centenas de moradores. "Houve muitos discursos, queima de fogos, balões foram soltos em comemoração ao acontecimento", disse o pesquisador e memorialista Wilson Lima Verde.

As transformações ocorridas foram visíveis a partir do funcionamento regular do trem ligando Iguatu a Fortaleza. A pesquisa histórica de Barros relaciona: muitas casas foram construídas, dois hotéis foram instalados e foi preciso implantar um novo cemitério porque o antigo ficava muito próximo à estação ferroviária. A rua do comércio chegou até a Praça da Estação. Abriu-se um cinema.

Um detalhe da vida social mundana não foi esquecido no relato histórico de Barros. As irmãs Batistas abriram um cabaré, que reunia homens e atraia clientes aos domingos. Costumava-se beber muito no lugar.

Festejos

A Secretaria de Cultura do Município se prepara para festejar a data. De acordo com a secretária, Diana Mendonça, em meados de agosto próximo, haverá uma reunião para definir o programa de comemoração do centenário da chegada da ferrovia a esta cidade.

"A programação deverá durar uma semana, com palestras, homenagens, exposições, lançamento de artigos e pesquisa histórica", adiantou. O pesquisador Wilson Lima Verde lembra que a primeira máquina a vapor era apelidada de ´Cafuringa´ e a primeira que chegou a esta cidade era a de número 10. "A chegada do trem era um acontecimento social. Dezenas de pessoas, bem vestidas, ocupavam a plataforma da estação", conta.

Os moradores iam receber parentes, amigos, simplesmente ver quem estava viajando, desembarcando, e comprar jornais e revistas que vinham da Capital. Três anos após a instalação da ferrovia, foi instalada a primeira fábrica local de beneficiamento de arroz e depois de algodão, numa iniciativa do coronel José Mendonça.

Indústrias

Em 1920, o empresário Trajano de Medeiros implantou a indústria Cidao, de beneficiamento de algodão e óleo. Na mesma década, seguiram-se outros empreendimentos: quatro fábricas de beneficiamento de algodão. A indústria São José, de Lafaiete Teixeira; Santa Margarida, de Virgílio Correia; uma de Otaviano Benevides e outra da viúva Romeiro. "O surgimento dessas empresas mostram a importância da ferrovia que impulsionou o desenvolvimento local", frisou Lima Verde.

A passagem da ferrovia por Iguatu relaciona-se com uma decisão de lideranças políticas da cidade de Icó, que no final do século XIX era o maior entreposto comercial do Estado.

OBRA INGLESA
Ponte marca engenharia

Iguatu - A ponte ferroviária metálica sobre o Rio Jaguaribe, nesta cidade, é considerada um marco de engenharia para a época. A obra era necessária após a chegada da ferrovia a Iguatu em 1910 para que o trem pudesse ultrapassar o obstáculo natural e os trilhos tivessem continuidade em direção à região do Cariri. Enquanto os operários abriam picadas e instalavam trilhos, aguardava-se a chegada das peças da Inglaterra e a montagem da ponte que demorou seis anos.

De acordo com pesquisa em documentos históricos da extinta Rede Ferroviária Federal, feita pelo engenheiro César Albuquerque Marques, a ponte metálica ferroviária sobre o rio Jaguaribe, nesta cidade, foi construída pela companhia inglesa "South American Railway Construction Company Limited", que assumiu em 1910, por meio de regime de arrendamento, as operações de prolongamento das ferrovias no Ceará. Na época, a Estrada de Ferro Baturité e a Estrada de Ferro Sobral.

Em 1909, aquelas duas ferrovias foram fundidas e surgiu uma nova empresa, denominada Rede Viação Cearense (RVC). Com o novo contrato, os ingleses criaram a "Brazil North Eastern Railway", com o objetivo de construir as estradas de ferro no Estado.

A nova empresa ferroviária encontrou construída ou em fase de conclusão o trecho Girau, na atual cidade de Piquet Carneiro e Afonso Pena, atualmente Acopiara.

A Estação de Iguatu foi inaugurada oficialmente em 5 de Novembro de 1910. Para a conclusão, a ferrovia ficou com as obras naquela cidade aguardando a construção da ponte sobre o Rio Jaguaribe.

Fique por Dentro 
História

A ponte metálica sobre o Rio Jaguaribe consta de dois vãos em arco com 80 metros cada, totalizando 160 metros de extensão. A obra foi inaugurada após a realização de vários testes no dia 23 de Janeiro de 1916, permitindo o tráfego ferroviário para o distrito de José de Alencar, cuja estação foi inaugurada em 30 de março de 1916, seis anos após a inauguração da ferrovia em Iguatu. "A mencionada obra, que na época foi um marco da engenharia, foi construída e projetada pela companhia inglesa e as estruturas metálicas fabricadas em Liverpool", recorda o historiador Albuquerque. A obra ferroviária seguiu um novo trajeto, beneficiando a cidade de Iguatu, que era uma vila pequena, provinciana, mas que passou a assistir um crescimento econômico e formidável e assumiu a liderança econômica da região Centro-Sul do Estado do Ceará. Há de se observar que Iguatu já fora distrito de Icó, antes de emancipar-se.

HONÓRIO BARBOSARepórter

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Ferrovia Transnordestina

PE: Novas obras na Ferrovia Transnordestina terão início

As obras da Ferrovia Transnordestina entram em 2010 a todo vapor

As obras da Ferrovia Transnordestina entram em 2010 a todo vapor. Foto: Divulgação

As obras da Ferrovia Transnordestina entram em 2010 a todo vapor. Foto: Divulgação

As obras da Ferrovia Transnordestina entram em 2010 a todo vapor. A partir da próxima segunda-feira (18/01), mais duas frentes de trabalho serão abertas dentro do território pernambucano. Os lotes 03 e 04 do trecho de 133 km que ligará Serra Talhada a Arcoverde “entraram nos trilhos” e serão entregues em dezembro de 2011.

A notícia foi dada pelo governador Eduardo Campos após a primeira reunião de monitoramento dos trabalhos da Transnordestina realizada ontem (14/01), em Brasília e comandada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Além de Eduardo, representantes da CFN, Odebrecht, além do governador do Piauí, Wellington Dias, e dos ministros Alfredo Nascimento (Transportes) e Dilma Rousseff (casa Civil) participaram do encontro no Centro Cultural Banco do Brasil.

“A ideia é que tenhamos, até junho, todos os trechos da Transnordestina a plena carga, desde Eliseu Martins até Suape. Assim, serão cerca de sete mil pessoas trabalhando pelo interior do Estado”, explicou Eduardo, que deve visitar as obras após o Carnaval. Por volta do dia 20 de março, será a vez de o presidente Lula percorrer os canteiros de obras em Pernambuco e no Piauí e, no mês seguinte, ir ao Ceará.

Já no próximo dia 30 serão iniciados os trabalhos em mais três frentes pernambucanas. Os lotes 06 e 07 que, juntos, somam 97 km entre os municípios de Pesqueira e Belém de Maria e o lote 02, que vai de São José do Belmonte a Serra Talhada, com 54 km de percurso. Todos eles com previsão de término para dezembro de 2011.

Além dos novos trechos da Transnordestina, a malha ferroviária ganhará, em abril, a Linha Tronco Sul. Com 550 km, a ferrovia vai do Cabo de Santo Agostinho até a cidade de Porto Real do Colégio (AL) e irá consolidar a interligação de Pernambuco com a Transnordestina através do Porto de Suape. O ramal, destruído pelas enchentes em 2001 e desativado desde então, também irá religar a malha ferroviária do Nordeste com a do Sudeste.

A ferrovia sofreu intervenções em vários pontos e corta 10 cidades pernambucanas do Litoral e da Mata Sul, totalizando 166 km. As obras, iniciadas em outubro de 2007, foram tocadas pela Companhia Ferroviária do Nordeste, com recursos de R$ 35 milhões provenientes do Finor (Fundo de Investimentos do Nordeste).

PIAUÍ – Outros quatro trechos piauienses também serão abertos no próximo dia 30 e concluídos em dezembro de 2011. O lote 01, com 59 km de extensão, ligando as cidades de Eliseu Martins e Itaueiras, o lote 03, que vai de Ribeira do Piauí a Paes Landim (54 km), além dos lotes 04 (Paes Landim – Simplício Mendes) e Simplício Mendes – Conceição do Canindé que juntos somam 113 km de trilhos. Uma nova reunião de monitoramento será realizada no dia 23 de fevereiro.

Informações do Governo

Fonte: Tendências e Mercado.

http://www.tendenciasemercado.com.br/negocios/pe-novas-obras-na-ferrovia-transnordestina-terao-inicio/


Piauí inicia segundo trecho da Transnordestina

Serão 422 quilômetros de Eliseu Martins até a divisa com Pernambuco, empregando 1,8 mil pessoas

Obras foram iniciadas no município de Paulistana. Foto: FranciscoGilásio/CcomPI

Obras foram iniciadas no município de Paulistana. Foto: FranciscoGilásio/CcomPI

Começou nesta segunda-feira (14), no município de Paulistana, a 480 quilômetros de Teresina, mais uma etapa das obras da Ferrovia Transnordestina no Piauí. É o segundo trecho de um total de sete blocos que serão abertos no estado. De Paulistana, a estrada de ferro segue em direção ao município piauiense Eliseu Martins e também a Salgueiro, no estado de Pernambuco.

O trecho terá 422 quilômetros de extensão, da divisa com Pernambuco, em Araripina, até Eliseu Martins. O investimento se aproxima de R$ 1,6 bilhão. Já de Paulistana para Salgueiro, o trecho terá 260 quilômetros. Toda a ferrovia terá 1.728 quilômetros, ligando os estados de Pernambuco, Piauí e Ceará.

Inicialmente, segundo técnicos da construtora responsável pela obra, serão oferecidos cerca de 1,8 mil empregos diretos, para trabalhadores qualificados e não qualificados. O número, entretanto, poderá chegar a quatro mil em maio ou junho de 2010, quando os primeiros trilhos serão colocados. De acordo com o governo do Piauí, a ferrovia é a maior obra em execução no estado.

O presidente da Transnordestina, Tufi Daher, destacou a qualidade do empreendimento. “A Transnordestina nada ficará a dever a nenhuma das melhores ferrovias do Brasil ou do mundo. Será uma ferrovia de padrão internacional”, disse Daher, por meio da assessoria do governo piauiense.

Já o governador do estado, Wellington Dias, ressaltou o valor dos investimentos feitos para a construção da ferrovia, resultado de uma Parceria Público Privada (PPP), que vai custar R$ 5,5 bilhões. “È uma obra grandiosa, que vai mudar o perfil da região e de todo o Piauí. Para se ter ideia, basta citar que em alguns trechos teremos pontes de um quilômetro de extensão”, apontou Dias, que prevê para o final de 2011 a conclusão das obras.

Confira no mapa (em vermelho) por onde passará a Transnordestina, quando estiver concluída:

Transnordestina ligará os estados do Piauí, Ceará e Pernambuco. Foto: DNIT

Transnordestina ligará os estados do Piauí, Ceará e Pernambuco. Imagem: DNIT

Com informações do governo do Piauí

Fonte: Tendências e Mercado

http://www.tendenciasemercado.com.br/negocios/piaui-inicia-segundo-trecho-da-transnordestina/

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Infraestrutura no Semiárido

Risco de enchente no Interior



Clique para Ampliar

Clique para Ampliar

Ilha santa Therezinha, em Limoeiro do Norte, foi um dos locais mais atingidos pela cheia em 2009. Mesmo assim, risco de alagamento é iminente, sem trabalho preventivo

Clique para Ampliar

Clique para Ampliar

Em Boa Viagem, população torce para que nenhuma barragem seja rompida. Caso contrário, haverá mais enchente

11/1/2010


Municípios mais afetados com enchente em 2009 continuam despreparados para as enxurradas deste ano

Limoeiro do Norte. A situação pode não ser de alarme, mas é de preocupação para milhares de pessoas que moram nas áreas de risco no Interior do Ceará, onde as chuvas de pré-estação já se pronunciam com o céu frequentemente nublado e as primeiras precipitações. Passado menos de um ano do início da trágica enchente de 2009 no Estado, os municípios mais afetados continuam igualmente despreparados para as enxurradas. A estação chuvosa terá início com os rios já cheios. As áreas de risco continuam povoadas, e não houve novos serviços de drenagem para amenizar alagamentos nas principais vias.

O açude Castanhão deverá abrir suas comportas ainda este mês, e a Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh) avisa que algumas estivas e passagens molhadas poderão ficar submersas. Quase todos os dias o céu amanhece cinzento. É normal para este período, considerado de pré-estação chuvosa, oficialmente a estação começa pelo dia 15 de fevereiro.

Mas a dúvida como realmente se dará o "inverno" este ano dá lugar ao medo. É o caso dos moradores de Jaguaruana e Itaiçaba, na zona mais baixa e que recebe as águas dos principais rios da região. A calha do Rio Jaguaribe, que passa pela Ilha de Santa Therezinha, em Limoeiro do Norte, tem muito mais água este mês que em janeiro do ano passado.

"E é porque o inverno nem começou, imagine a agonia", conta a moradora Wilberlene Dias Leitão, de 24 anos, que teve toda a família desabrigada ano passado, quando subiram as águas do Jaguaribe e do Banabuiú, que cortam a comunidade. Sua mãe, Maria Helena, já não dorme direito. Acorda de madrugada, sem sono, lembrando que há poucos metros dali passa o rio, e da noite em que até a cama onde dorme esteve debaixo d´água. O esposo pintou uma faixa azul na parede da casa para dizer até onde chegou a água. Além do sono, perderam dois guarda-roupas, o resto foi salvo pela canoa.

Da comunidade de Ilha para o centro de Limoeiro do Norte, há uma ponte do tipo passagem molhada, praticamente sem serventia nos meses de chuva. Tudo fica alagado, e a única travessia se dá de barco. "Ô dinheiro mal empregado é nessas pontes baixas desse jeito", reclama o agricultor Alceu de Lima. Que o digam os moradores de São João do Jaguaribe, há dois anos sem a passagem molhada que custou mais de R$ 450 mil aos cofres públicos e não durou mais de um mês. Com a primeira chuva forte, o Rio Jaguaribe destruiu a ponte.

E as estivas e passagens molhadas que cortam as comunidades em diversos municípios já podem ficar comprometidas, independente de se a estação chuvosa será rigorosa ou não. De acordo com o presidente da Cogerh, Francisco Teixeira, um dos propósitos do açude Castanhão é ser um regulador de cheia, "e entendemos, juntamente com o Dnocs (Departamento Nacional de Obras Contra as Secas), que deve ser liberada água para que possa receber com maior tranquilidade das chuvas este ano", explica.

Com isso, as calhas dos rios que já estão cheios, sofrerão pequena elevação, mas que pode ser suficiente para comprometer as estivas. A estimativa é de que até o início de março sejam liberados 500 milhões de metros cúbicos do reservatório, o que representa 7,6% da capacidade total, de 6,7 bilhões de metros cúbicos.

"A liberação pode ocorrer depois do dia 20 de janeiro, com o novo prognóstico da Funceme, ou a partir de primeiro de fevereiro, mas se já chover muito na bacia do Salgado, na região do Cariri, a liberação de água será imediata", afirma Teixeira.

"Enquanto os municípios não tiverem seu plano-diretor, e não impedirem o assoreamento, a degradação e a construção de casas dentro do rio, o Castanhão não vai dar jeito mesmo", completa. O plano diretor é obrigatório para cidades com mais de 20 mil habitantes. Defesa Civil e Governo do Estado estão, durante o mês de janeiro, atuando no Plano de Contingência do Controle de Cheias.

Melquíades Júnior
Colaborador

SERTÃO CENTRAL

População apreensiva com chuvas

Quixadá. Embora as cidades do Sertão Central tenham sido as menos atingidas pelas enchentes no ano passado, quem mora em áreas sujeitas a alagamentos não esconde a preocupação com a possibilidade do drama se repetir novamente este ano. Pequenos ou grandes, os transtornos acontecem. Quem pode, se muda para lugar seguro. Quem fica, é porque não tem outra alternativa. A única solução é confiar a sorte aos administradores públicos.

Essa realidade é vivida pela família da dona-de-casa Lucidalva Pereira da Silva. Assim como ela, outros sete vizinhos estão apreensivos quanto à possibilidade da enxurrada voltar novamente este ano. Eles moram numa das áreas mais atingida de Quixadá. Numa madrugada do início maio de 2009, a água chegou a atingir pouco mais de um metro. Saíram às pressas. Foram mais de 100 mm de chuva. Não tinha para onde a água escoar. Agora, uma muralha diante da porta das casas pode tornar o desespero ainda maior, lamenta a moradora.

Na época, o secretário de Obras Edificações e Vias, Paulo Stênio Fernandes, ordenou a desobstrução de bueiros para escoamento da água. O problema foi resolvido, mas ele alertou: as moradias foram construídas nas proximidades de um riacho. Estavam sujeitas ao risco. A alternativa seria a drenagem, mas até agora nenhuma máquina passou por ali, reclamam as famílias afetadas. Certo, somente o cadastramento delas no Plano de Habitação Popular. Por enquanto, só promessa.

Outra área da cidade considerada crítica é a avenida José Caetano. Todo ano, o trecho próximo ao terminal rodoviário se transforma numa espécie de piscinão. Mais um ano os moradores ficarão indignados. A galeria destinada ao escoamento da água ainda não foi construída. Uma ação na Justiça paralisou a obra. Apareceu dono para o terreno onde o canal desemboca. "Esse problema se arrasta a mais de uma década", reclama a cabeleireira Claudiana Bezerra.

Em Quixeramobim, o secretário municipal de Infraestrutura, Aluisio Cosmo, informou que são adotadas providências para minimizar o problema nas áreas consideradas críticas.

Uma destas está situada no bairro Monteiro de Moraes. Famílias são cadastradas no programa habitacional popular do Governo Federal. A ideia é convence-las a sair das áreas ribeirinhas. Alguns córregos são drenados, mas se houver muita chuva a água vai continuar invadindo as casas.

Choró

Afetado pelo rompimento de dezenas de barragens particulares, Choró ainda corre o risco de outras serem arrastadas pelas águas. Essa é a principal preocupação do secretário de Agricultura e membro do Conselho Municipal de Defesa Civil (Comdec) Wilson Pereira. Segundo ele, a Defesa Civil do Estado foi acionada para realizar inspeção nesses locais. A possibilidade do Cangati transbordar é outra preocupação. Embora tenham sido orientadas, algumas famílias ainda insistem em manter moradia na beira do rio.

Mais difícil é a situação dos moradores de Boa Viagem. Parte da cidade ficou dentro d´água quando a parede de outro açude rompeu. Rapidamente o nível do rio que corta a cidade subiu. Para quem mora na parte baixa restou apenas observar. Os moradores não sabem informar se alguma medida foi adotada para evitar as enchentes. A reportagem manteve contato com a Secretaria Municipal de Infra-Estrutura e Recursos Hídricos de Boa Viagem, mas até o encerramento desta edição, não obteve resposta.

Defesa Civil

Segundo o coordenador regional da Defesa Civil do Estado, major PM Bombeiro Maurício Naum, as coordenadorias municipais estão se articulando e criando estratégias de amparo caso o inverno seja rigoroso na região. Conferências estão sendo realizadas nas cidades do Sertão Central. A última delas foi em Ibaretama.

Mais Informações:
Defesa Civil - (88) 3441.13509
Prefeitura de Quixadá - (88) 3412.3864
Prefeitura de Quixeramobim
(88) 3441 1326

Alex Pimentel
Colaborador

Rio Granjeiro
Canal é ponto certo de alagamento

Crato. Com a chegada das chuvas, aumentam as preocupações nas áreas de riscos do Crato. A principal preocupação é o canal do Rio Granjeiro. Todos os anos, o problema se repete.O canal transborda e as ruas das proximidades são inundadas. Sem nenhuma providência, o canal que passa ao lado da Prefeitura, é destruído gradativamente. A cada enchente, desce um pedaço de concreto. Uma chuva acima de 50 milímetros é suficiente para provocar estragos, comoreclamam os moradores da Avenida José Alves de Figueiredo, advertindoque ocanal pode transbordar e inundar as casas, como aconteceu no anopassado.

Este ano, o risco é maior porque o canal apresenta erosões em vários pontos. O prefeito Samuel Araripe apresentacomo solução a construção de barragens no pé da serra do Araripe, de onde descem as águas. O projeto, que faz parte do Plano de Desenvolvimento Urbano da Cidade, segundo o prefeito, foi entregue ao Governo do Estado. Até o momento, não foram liberados os recursos suficientes para execução doprojeto.

O canal é também uma fonte de poluição. Parte dos dejetos da cidade é despejada dentro dele, provocando mau cheiro e doenças infecciosas. O mesmo problema se repete na Rua Tristão Gonçalves, conhecida porRuada“Vala”.Os estabelecimentos comerciais são inundados porque a vala não suporta o volume de água quem desce do sopéda serra.

Seminário

Outro ponto vulnerável é a encosta do morro do Seminário ocupado por casas em situação de risco de deslizamento.Oprojeto de saneamento e urbanização da encosta foi incluído no Programa de Desenvolvimento Urbano Regional, inserido no “Projeto Cidades do Ceará” e patrocinado pela Secretaria das Cidades e Banco Mundial.

Fonte: Jornal Diário do Nordeste. Caderno Regional. Fortaleza, 11 de janeiro de 2010.

http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=718020