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terça-feira, 5 de abril de 2011

Quando a política interfere nas ações de desenvolvimento e inclusão

Leiam também artigo de minha autoria que fala sobre a experiência de Muhammad Yunus "Desenvolvimento, Liberdade e Paz", publicado em livro e reproduzido no Blog do Semiárido - http://nossosemiarido.blogspot.com/2009/10/cultura-de-paz.html



Vencedor do Nobel, Yunus não poderá voltar a banco que criou

Fundador do Grameen Bank perde apelação para dirigir maior banco de microcrédito do mundo, que chega ao Brasil em momento crítico

Olívia Alonso, iG São Paulo | 05/04/2011 11:50
O ganhador do prêmio Nobel Muhammad Yunus perdeu nesta terça-feira sua apelação final no Supremo Tribunal de Bangladesh para tentar reverter sua demissão do banco de microfinanças que criou, o Grameen Bank. Segundo a BBC, o tribunal confirmou a decisão do Banco Central daquele país de tirá-lo do cargo, já que ele estava ocupando a diretoria da instituição ilegalmente desde quando completou 60 anos. Yunus, no entanto, defende que a tentativa de removê-lo do banco teria motivações políticas.
A tentativa foi a última opção legal de Yunus para tentar manter seu cargo de diretor do Grameen Bank. Em março, a alta corte do tribunal de Bangladesh decidiu que a demissão foi legal. 
Foto: Getty ImagesAmpliar
Afastamento de Muhammad Yunus pode fazer Grameen perder admiradores
O Grameen Bank, mais famoso banco de crédito para baixa renda do mundo, finalmente chegou ao Brasil, mas escolheu este momento delicado. Há meses, a instituição vem sendo bombardeada por críticas no exterior. A principal polêmica no momento é justamente o afastamento de seu fundador, Muhammed Yunus, no início de março.
Yunus é uma figura carismática e inspiradora. Há 30 anos, ele fundou o Grameen. Em 1996, levou o Prêmio Nobel da Paz por sua iniciativa e seu trabalho no comando da instituição. “Sem ele, fatalmente o Grameen vai perder um pouco da graça, deixa de ser tão inspirador”, diz Marcelo Azevedo Teixeira, gerente de Ambiente do Banco do Nordeste, maior instituição de crédito produtivo para baixa renda do Brasil.
A justificativa do governo de Bangladesh - que detém 25% do banco e determinou a destituição do banqueiro - foi a idade. Yunus tem 70 anos e, segundo os governantes, estava ocupando a diretoria da instituição ilegalmente desde quando completou 60 anos.
Analistas de microfinanças afirmam o afastamento de Yunus está relacionado à antipatia que o primeiro-ministro de Bangladesh, Sheikh Hasina, nutre em relação ao banqueiro. “É uma questão política,” diz Lauro Gonzalez, professor da FGV e Coordenador do Centro de Estudos de Microfinanças da instituição, que comenta informações divulgadas no exterior. Segundo a mídia indiana, Hasina ficou incomodado quando, em 2007, Yunus teve uma passagem pela política e anunciou que lutaria contra a corrupção. Na ocasião, o Nobel da Paz tentou criar um partido político, que não deu certo.
Descontente com o afastamento, Yunus recorreu da decisão no Supremo Tribunal Federal de Bangladesh, que já realizou uma primeira audiência em 15 de março e outra nesta terça-feira, 29 de março. A apelação final ocorreu hoje.
Em entrevista ao jornal Wall Street Journal antes de perder a apelação, Yunus afirmava que gostaria de permanecer no banco como presidente do conselho, “para garantir uma transição suave da liderança ao seu sucessor na direção da instituição e proteger os mais de 8 milhões de clientes.”Nesse meio tempo, organismos internacionais pressionaram Bangladesh. Na última semana, Robert Blake, secretário adjunto de Estado dos Estados Unidos, disse a jornalistas que os EUA cortariam seus laços com o país caso não houvesse um “comprometimento” por parte do governo com Yunus.
A implicância de Hasina com Yunus também foi evidente em pelo menos outros dois momentos. No fim do ano passado, o primeiro-ministro acusou os bancos de crédito para baixa renda de “exploradores dos pobres”. Meses antes, ele havia afirmado, em Bangladesh, que Yunus e o Grameen Bank seriam investigados por desvio de dinheiro. Na ocasião, um documentário de uma rede de televisão internacional sugeriu que o banqueiro teria camuflado uma doação do governo da Noruega para evitar ter de pagar impostos.
Suicídios
Além da questão política envolvendo Yunus, os bancos de crédito para baixa renda também estiveram sob os holofotes no ano passado na Índia, após suicídios de devedores. Diversos estudiosos e críticos de todo o mundo passaram a condenar o método das instituições, incluindo o Grameen Bank.
Na maioria dos bancos de microcrédito – como são chamadas as instituições que emprestam dinheiro para a população de baixa renda – a cobrança não é necessária, já que o desejo de serem bem vistos pela sociedade leva os devedores a pagar suas dívidas. Este modelo funciona bem, segundo os banqueiros, pois ninguém quer ser visto como caloteiro. As taxas de pagamento são altas, em média, superiores a 97%.
Foto: Greg Salibian/iGAmpliar
Para Lauro Gonzalez, da FGV, casos de suicídio não afetam imagem do Grameen Bank
No entanto, no início deste ano, a organização indiana Sociedade para Eliminação da Pobreza Rural reportou que cerca de 70 clientes de instituições indianas teriam se matado pois não conseguiram honrar seus compromissos. Os critíticos diziam que o modelo do Grameen Bank, que foi replicado em diversas outras instituições, era falho, pois acabava gerando uma insuportável pressão social.
No entanto, investigações mostraram que as histórias de suicídio aconteceram com clientes de instituições que não seguiam o modelo do Grameen. Segundo Gonzalez, da FGV, esses bancos cobravam juros altos. Além disso, cobravam os clientes. “São bancos que não conseguiram o equilíbrio necessário entre o objetivo econômico, de gerar resultado para pagar o custo do capital, e o social, de atender à comunidade. Na busca por escala e rentabilidade talvez tenha havido um desequilíbrio nessas instituições.”
Os bancos cujos clientes suicidaram cobravam juros bem mais altos do que a média do segmento – no Grameen, por exemplo, as taxas variam de zero a 20% ao ano, dependendo da categoria do empréstimo. Em geral, as instituições recebem capital de instituições ligadas aos governos ou doadoras a juros baixíssimos e cobram pouco dos tomadores. O Banco Palmas, que é um exemplo de sucesso no Brasil, cobra, em média, 1,5% ao mês de juros sobre o capital emprestado para produção. Segundo Joaquim Melo, fundador do banco, uma parte dos recursos vem do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que cobra um juro de, em média, 0,8% ao mês.
Imagem
O Grameen, que anunciou o início de suas operações no Brasil em 15 de fevereiro, fez pouca divulgação no País e, por enquanto, não comenta suas atividades. Procurada pelo iG, a advogada Marina Procknor, do escritório Mattos Filho, que representa a instituição, disse que prefere aguardar um pouco para dar detalhes do da atuação em solo brasileiro.
Para Gonzalez, as confusões em torno da instituição no exterior não devem afetar a imagem do banco do Brasil. “A questão que envolve o afastamento do Yunus é política, e os casos de suicídios não têm relação alguma com o Grameen.”
Aldeia
Criado em 1976 por Muhammed Yunus como um projeto de crédito para população rural de Bangladesh, o Grameen (que significa "aldeia" ou “rural” na língua bangla), foi transformado em banco em 1983. Em 1996, Yunus ganhou o Nobel da Paz pelo projeto. Atualmente, a instituição tem cerca de 2.600 agências, mais de 8,3 milhões de clientes – sendo 97% mulheres - e depósitos totais de US$ 1,5 bilhão (R$ 2,5 bilhões).

quinta-feira, 24 de março de 2011

Novo portal para promover a discussão sobre inclusão social

BRASÍLIA, TER, 22-03-2011
Novo site em português permitirá acesso a estudos e avaliações de programas sociais de mais de 70 países em desenvolvimento e pesquisas comparativas sobre o Programa Bolsa Família
O Centro Internacional de Políticas para o Crescimento Inclusivo (IPC-IG), órgão das Nações Unidas que tem apoio institucional da Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE), lançou hoje novo portal para promover a discussão e o aprendizado sobre iniciativas bem sucedidas de inclusão social ao redor do mundo.
Entre os recursos disponíveis no novo site, destaca-se a biblioteca virtual que traz ao público brasileiro mais de 130 pesquisas em português sobre políticas e programas de proteção social e transferência de renda; estratégias de desenvolvimento rural e sustentável; inovações para a geração de emprego; políticas macroeconômicas para a redução da desigualdade; e estratégias de provisão de água, saneamento e eletricidade.
Os estudos do IPC-IG são publicados em diferentes formatos, facilitando o acesso a diferentes públicos.  Nesse sentido, a biblioteca traz desde os populares one pagers, que abordam um tema ou uma política de maneira simples e direta, até os working papers, anunciando os resultados de programas de pesquisa, e os policy research briefs, que promovem recomendações práticas para políticas públicas.
Há, ainda, no site, 280 pesquisas em inglês e espanhol, abordando outros tópicos relacionados a estratégias para o crescimento inclusivo, tais como: impacto da situação económica mundial para o bem-estar humano e o impacto de políticas macroeconômicas para a epidemia de HIV/AIDS.
Além do rico acerco bibliográfico, o IPC-IG apresenta uma Sala de Notícias em português, que destaca as novidades sobre iniciativas de crescimento inclusivo nos países em desenvolvimento.  Programas de sucesso, novos relatórios das Nações Unidas, artigos de jornais e revistas e discussões em blogs e outras mídias sociais são anunciados diariamente pelo IPC-IG.
O acesso ao portal também permite ao leitor saber quais são os principais centros de pesquisa que trabalham com a temática social em 106 países e como pesquisar sobre crescimento inclusivo em mais de 70 portais especializados na internet.
Acesse o novo site aqui.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Educação, Ciência e Tecnologia para a Inclusão

Conexão bem-vinda
Com articulação entre tecnologia e necessidades comunitárias, projeto de escola de Vila Pavão (ES) amplia envolvimento de alunos com atividades e auxilia aprendizagem e agricultura familiar
Edinaldo Andrade
Ao unir tecnologia e agricultura familiar, escola rural aumentou participação dos alunos e dos pais

O bom uso da informática e da internet, utilizadas como ferramentas a serviço da educação, está ajudando a promover transformações econômicas e, principalmente, sociais na vida das famílias dos estudantes do Centro Estadual Integrado de Educação Rural (Ceier), em Vila Pavão, noroeste do Espírito Santo. Com 78% dos 9 mil habitantes do município residindo na zona rural e praticamente sem acesso à internet, a iniciativa - simples, porém audaciosa - das professoras Andréa Cristiane Rodrigues e Edilene Cristina Rodrigues está contribuindo para o crescimento da agricultura familiar (base da economia local) e para um melhor desempenho escolar dos alunos. 


O projeto Campo Sustentável teve início em março de 2009, a partir da observação das professoras de que era possível criar uma rede de troca de conhecimento sobre a agricultura de subsistência, em que os estudantes transmitissem as informações aos pais - em sua maioria agricultores. As ferramentas para isso seriam a informática e a web. "Queríamos envolver os pais no uso de novas tecnologias que pudessem auxiliar no desenvolvimento da agricultura familiar, a partir da internet. Mas percebemos, no entanto, que eles tinham um certo receio em valer-se dessas ferramentas, por achar que não saberiam utilizar o computador", conta Andréa. 



Para quebrar esse tabu, a estratégia das professoras foi envolver os alunos não apenas para que eles transmitissem o conhecimento aos pais, mas também como forma de aproximar a família das novas tecnologias e da escola. Os resultados foram muito positivos: depois que passaram por oficinas multimídia e de Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs), na primeira etapa do projeto, cerca de 104 estudantes dos ensinos fundamental (8ª série) e médio passaram a atuar como "professores", oferecendo cursos de formação em informática aos pais.



Juntos, pais e filhos passaram a buscar e acompanhar as ferramentas disponíveis na rede que poderiam melhorar a vida no campo. "Como eram os alunos que ensinavam, os pais ficavam orgulhosos e aceitavam melhor essa aproximação, permitindo que o projeto atingisse seus objetivos", conta a professora Edilene. "Em nossa comunidade, poucos possuem computador e, em casa, nenhum possui internet, a não ser um ou dois alunos que moram na cidade", completa Andréa.



"No início, fiquei meio assustada, já que era uma coisa na qual eu nunca havia tocado. Mas isso foi superado com a surpresa e o orgulho de ver a minha filha me dando aula. Os pais que fazem parte deste projeto descobriram um mundo novo", diz Lucimar Campana Buthe, que trabalha na lavoura do café. Ela conta que além das pesquisas que faz para melhorar a produção no campo, como dicas de poda, adubação e irrigação, também utiliza a rede mundial de computadores para pesquisar receitas culinárias. 



"Tem sido uma experiência muito importante, os pais têm muita vontade de aprender e, quando o ensino é de filho para pai, a liberdade de perguntar é bem maior, sem medo de errar", revela Delitália da Silva Felício, aluna do curso técnico de Agropecuária do Ceier. Para ela, o projeto também está incentivando os mais jovens a viver no campo, sem a necessidade de buscar a sorte nas grandes cidades. 



As aulas do projeto Campo Sustentável são semanais, com cerca de duas horas de duração, e são realizadas em uma sala da escola equipada com 15 computadores (com conexão via satélite). Pais e alunos aprendem sobre uso e manejo do solo, da água, economia doméstica, zootecnia e agrofloresta - preservação de nascentes e mananciais. "As oficinas também abordam o uso dos recursos disponíveis na internet, como previsão climática, cotação de preços, modo de produção, plantio correto e até participação em programas de incentivo do governo, que auxiliam na produtividade e melhoria do trabalho na terra", destaca Andréa. 



Durante o projeto, por meio de um programa interdisciplinar, também foram abordados temas relacionados à produção animal, vegetal, saúde, segurança do trabalho, geografia, ciências, sociologia, biologia e até artes.



Os resultados do projeto não demoraram a aparecer. Segundo as professoras, 32 famílias tiveram aumento na renda familiar e aumentaram sua participação no programa de aquisição de alimentos do governo estadual. Além disso, o logotipo das embalagens de biscoitos caseiros produzidos por um grupo de senhoras do município foi desenhado pelos alunos do projeto. 



Fases
Com o apoio das secretarias Estaduais de Educação (Sedu) e de Agricultura (Seag), que doou os computadores, o projeto Campo Sustentável foi desenvolvido em cinco fases: oficinas de multimídia para os alunos; criação do site (www.ceiervp.com.br) e blog (jovemceier.blogspot.com); parceria com a prefeitura para a produção de conteúdo para um programa de rádio semanal em uma emissora comunitária (na qual os alunos falam ao vivo, das 6h20 às 7 horas da manhã, sobre notícias do campo, como mercado leiteiro, cafeeiro, adubação orgânica, entre outros temas); ensino de informática e de como realizar pesquisas na internet para os pais e, por último, a utilização dos recursos tecnológicos pe­los familiares dos alunos para melhorar a produ­ção agrícola.



Segundo as professoras, somando-se todas as ações de mobilização envolvendo os cursos com os pais na escola, o blog, o site e o programa de rádio, cerca de nove mil pessoas são hoje impactadas pelo projeto, sendo duas mil na área urbana e sete mil no campo. 



Com tanta repercussão, o Campo Sustentável tomou dimensões inesperadas até mesmo para as idealizadoras do projeto. Este ano, após concorrer com mais de mil escolas, a iniciativa foi reconhecida pelo Prêmio Microsoft Educadores Inovadores, que premia os melhores projetos educacionais do país que fazem uso de tecnologia, desenvolvidos por educadores de escolas públicas ou pelas secretarias de Educação. 



Com o primeiro lugar da etapa nacional da categoria Inovação em Comunidade e segundo lugar no Terceiro Fórum Latino-americano de Educadores Inovadores da Microsoft, o projeto se tornou motivo de orgulho para todo o município e representará o Brasil na etapa mundial do Prêmio, que será realizada na Cidade do Cabo, na África do Sul. "Nossa maior recompensa foi ver uma grande interação entre pais e filhos. Todos estão muito mais próximos da escola. Percebemos que os alunos também adquiriram maior responsabilidade. Eles assumiram o nosso papel e passaram a ser os sujeitos do projeto", diz Edilene. 



Estrutura
O Centro Estadual Integrado de Educação Rural (Ceier) adota a agroecologia - abordagem que incorpora cuidados especiais relacionados ao meio ambiente - com o objetivo de construir um projeto de agricultura e de relação com a terra. Os estudantes permanecem na escola entre 7h e 16h40, realizando diversas atividades. A unidade de ensino possui laboratório de informática, refeitório, quadra de esportes, biblioteca, auditório, pátio para lazer e as chamadas áreas técnicas (zootecnia, horticultura, fruticultura e econo­mia doméstica).


Implantação do projeto
DesafiosSolução
ETAPA 1 
Participação dos alunos nas oficinas multimídias
Implantar a oficina, com 10 computadores, para salas de 30 alunos.Com a parceria da Secretaria Estadual de Agricultura, a escola ganhou mais 5 computadores, amenizando o problema. Outro diferencial são as 15 horas de Integração Curricular, que podem ser utilizadas pelos professores para desenvolver projetos e oferecer assistência pedagógica.
ETAPA 2 
Criação do site e blog
O custo financeiro do domínio e hospedagem do site e a falta de acesso dos alunos e familiares às tecnologias.Articulação da comunidade para adquirir recursos financeiros para o site e participar da criação do site e blog.
ETAPA 3 
Produção do conteúdo para o programa de rádio
Levar o programa ao ar com audiência dos pequenos proprietários da região.Com uma parceria da prefeitura, o programa foi ao ar em uma rádio comunitária. A aceitação foi boa e o tempo passou de 20 para 40 minutos. Além dos convidados recebidos, os ouvintes podem participar do programa ao vivo.
ETAPA 4
Informática e pesquisas na internet ensinadas pelos alunos
Aceitação e demanda dos familiares pelas aulas do projeto.Com a coordenação dos professores e os alunos ensinando a utilização das TICs aos pais e demais interessados, a demanda superou as expectativas.
ETAPA 5
Utilização de recursos tecnológicos para comunidade melhorar a produção agrícola
Fazer com que os pais aceitassem a tecnologia a serviço da melhoria da produtividade e da qualidade de vida.Com as oficinas, houve um compartilhamento das experiências a partir dos conhecimentos adquiridos.

Nível de aprendizagem dos alunos
ConhecimentoAntes do projetoDepois do projeto
Geografia45%80%
Segurança do Trabalho45%82%
Uso e Manejo do Solo45%81%
Ciências45%79%
Zootecnia39%79%
Produção Animal50%90%
Produção Vegetal42%82%
Sociologia50%79%
Biologia50%79%
Economia Doméstica39%80%
Artes39%76%
Fonte:Professoras idealizadoras do projeto

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Exemplo de inclusão - Energia alternativa

Lâmpada do Aladim moderno

Lâmapada a energia solar N200, da Nokero, foto: divulgação
Um quarto da humanidade queima combustíveis fósseis para iluminar suas casas, e a OMS (Organização Mundial de Saúde) relata que metade usa carvão, madeira, excremento de animais e restos das colheitas para cozinhar e se aquecer. A prática contribui para um dos piores, tristes e insuspeitos problemas de saúde do mundo. Anualmente, 1,6 milhão de pessoas morrem em decorrência da fumaça gerada dentro de seus próprios lares. As vítimas habitam pequenos casebres espalhados pelas regiões mais pobres do mundo, especialmente a África Subsaariana.
O surgimento de pequenas luminárias autossuficientes e alimentadas por energia solar é um grande passo para minorar o problema. A Nokero, uma empresa sediada em Hong Kong, oferece um modelo desse tipo, a N200, equipamento resistente e a prova d’água, que pode ser pendurado em qualquer lugar (veja foto acima e imediatamente abaixo).
Modelo N200 desmontado e exibido em funcionamento, fotos: divulgação
A iluminação é feita através de LEDs alimentados por uma pilha AA recarregável. Durante o dia, ela é abastecida pela luz do sol através de uma célula fotovoltaica acoplada à parte traseira do equipamento, que pesa completo só 85 gramas.  Totalmente carregado, ilumina por 4 horas. Como isso leva mais de um dia, sua carga, em geral, é suficiente para 2 ou 3 horas de uso. A intensidade também não é ideal, mas substitui fácil um lampião a querosene — veja um vídeo sobre o produto.
Aliás, o nome da empresa, Nokero, é uma alusão a No Kerosene (Sem querosene). Segundo o fabricante, viver perto de um lampião equivale a fumar 40 cigarros por dia. E o consumo mundial do querosene para iluminação equivale — em produção de carbono — a poluição de 30 milhões de carros. A N200 custa 20 dólares e a N100, sua irmã um pouco mais fraca, custa 15, com a possibilidade de se obter bons descontos para compras em grande quantidade.
Enquanto a Nokero fez o produto mais robusto, simples e barato possível. Outra empresa, a D.light, arriscou-se com desenhos mais elaborados. Oferece a D.LIGHT S250, uma lanterna de mão que também serve para carregar o celular. Outra variante é uma lanterna com formato parecido ao de um lampião, mas que, segundo a empresa, é três vezes mais luminosa e dura 8 horas a partir de uma carga completa. Por fim, também oferece um abajur para leitura com capacidade para 15 horas e seis vezes o brilho de um lampião (fotos abaixo). Esses modelos custam entre 10 e 45 dólares.
A partir da esquerda, os modelos D.LIGHTS250, D.LIGHTS10 e Solata S380 da D.light, fotos: divulgação
Pequenos confortos como fazer consertos, ler livros de lazer e estudo ou simplesmente conviver sem precisar se intoxicar são algumas das inúmeras possibilidades que esses pequenos inventos possibilitarão a cerca de 2 bilhões de pessoas.
Leia mais sobre o problema da poluição doméstica no site da OMS. Dicas: blog Catalisando, de Carlos Alberto Teixeira, e site da BBC.

terça-feira, 12 de maio de 2009

Não há nada mais democrático no Brasil, em termos de análise territorial, do que a exclusão

Sempre há uma cerca...
Cariri-CE - novembro de 2008

Por Suely Chacon

As desigualdades regionais se apresentam como parte da própria história do Brasil. E a exclusão gerada por esse fato não se restringe às regiões conhecidas como as mais pobres do país, como é o caso do Semiárido. Pelo contrário, se espalha por todo o território nacional.

Esse fenômeno demonstra uma cruel realidade: não há nada mais democrático no Brasil, em termos de análise territorial, do que a exclusão. Fatores como o processo desordenado de ocupação territorial, a urbanização acelerada e a total incapacidade do Estado de capitanear o planejamento regional, têm resultado não apenas na perpetuação de um quadro de exclusão de regiões mais carentes.

Baixos índices de desenvolvimento e alta concentração de renda são também características encontradas nas regiões mais ricas do nosso país. Contudo, isso é reflexo de um processo desordenado de desenvolvimento regional. As dificuldades das regiões mais pobres "transbordam" para as mais ricas. Ao mesmo tempo em que não se resolvem os problemas estruturais das regiões tidas como mais pobres, são gerados a cada dia mais problemas em todo o território. Por isso, discutir o desenvolvimento sustentável e a inclusão hoje não é apenas uma necessidade restrita a uma parcela da população brasileira, mas a todos nós. Um processo sustentável de desenvolvimento regional significa o fortalecimento do país como um todo.

Nesse contexto, analisar o processo de desenvolvimento sustentável envolve compreender suas dimensões que não podem ser dissociadas (social, ambiental, econômica e política-institucional). Contudo, a dimensão política-institucional se reverte de maior relevância no alcance da sustentabilidade em regiões que ainda apresentam grandes problemas estruturais, e onde a própria história traz peculiaridades que dificultam a inclusão de boa parte da sociedade no processo de desenvolvimento. Este é o caso da região Semiárida do Brasil.

Desse modo, a implementação das políticas públicas assumem o papel preponderante na promoção de condições de inclusão, assim como a atuação das instituições de cunho público, como os órgãos de desenvolvimento do governo, as ONG’s, as Instituições de Ensino e Pesquisa, dentre outros.

Em uma análise da atual conjuntura, percebe-se a disposição do Estado de mudar sua atuação em áreas como do semiárido. A interiorização de investimentos federais, especialmente na área da educação, parece quebrar um movimento histórico que colocava a população dessas regiões “na mão” dos intermediários políticos, nem sempre interessados no desenvolvimento includente.
Contudo, a realidade mostra que há ainda um longo caminho a percorrer para que se possa considerar adequada a atuação do Estado no Semiárido brasileiro. As últimas enchentes mostram o despreparo do poder público para antecipar tragédias e criar as condições mínimas para que os cidadãos do semiárido possam se incluídos de fato no processo de desenvolvimento do país.

Cariri-CE
Quixeramobim-CE

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Autoria de todas as fotos: Suely Chacon