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sábado, 28 de abril de 2012
segunda-feira, 19 de dezembro de 2011
PROTEÇÃO DA CAATINGA
Preservação da caatinga começa com o agricultor
18.12.2011
A caatinga é vegetação presente no semiárido brasileiro, com chuvas no primeiro semestre e estiagem no restante do ano
Crateús. O desmatamento e as queimadas são uma das principais causas da destruição da caatinga nordestina. No sertão brasileiro, as queimadas são usadas amplamente pelos agricultores para limpar a o terreno e preparar o solo para o plantio. E isso acontece justamente no período antes da chuva, quando a vegetação seca, o sol forte e os ventos favorecem o alastramento do fogo, podendo causar incêndios florestais. Dezembro é o mês em que mais ocorrem queimadas no Ceará.
Por isso uma das ações do projeto "No Clima da Caatinga", realizado pela Associação Caatinga e patrocinado pela Petrobras, através do Programa Petrobras Ambiental, está capacitando 300 agricultores e agricultoras de 20 comunidades do entorno da Reserva Natural Serra das Almas, neste Município. A ideia é ensinar aos agricultores técnicas de queimadas controladas e manejo correto do solo, reduzindo os impactos ambientais e evitando que a área entre em processo de desertificação.
Segundo a coordenadora de Tecnologias Sustentáveis do projeto, Railda Machado, a capacitação possibilita melhoria na qualidade de vida dos beneficiados, bem como maior sustentabilidade para uma dos biomas mais frágeis e degradados do País. "O projeto tende a melhorar a qualidade de vida das comunidades, de modo que possam desenvolver suas atividades na agricultura de maneira mais sustentável", reflete. A capacitação, transferência e apoio às comunidades na apropriação de tecnologias sustentáveis de conservação e uso sustentável da caatinga contribuirão para a redução da pressão degradadora sobre as matas.
Antes dos cursos, técnicos do projeto realizam reuniões nas comunidades para a apresentação do conteúdo aos agricultores. Após as reuniões, os agricultores que se interessam pela iniciativa já fazem suas inscrições. Seis novas capacitações acontecerão ainda este ano, a fim de ampliar o empoderamento dessas novas técnicas.
A Associação Caatinga, organização executora do projeto, é uma entidade sem fins lucrativos, reconhecida como Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip) e cadastrada no Cadastro Nacional de Entidades Ambientalistas (CNEA).
Criada em Fortaleza em 1998 para conservar a biodiversidade de caatinga, mantém a Reserva Natural Serra das Almas em Crateús, uma área reconhecida como Posto Avançado da Reserva da Biosfera da Caatinga pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), devido à conservação da natureza e de desenvolvimento sustentável desenvolvidos na região.
Com o projeto "No Clima da Caatinga", a Associação espera contribuir para a mitigação de efeitos potencializadores do aquecimento global através da conservação da caatinga e evitar consequente emissão de gases poluentes associados ao desmatamento. Promove de forma preventiva a conservação direta e o apoio à conservação de florestas em áreas susceptíveis ao desmatamento e às queimadas (incêndios florestais) e também apoia a restauração de áreas prioritárias para a conservação da biodiversidade e dos recursos hídricos.
Ceará é campeão
A caatinga (do tupi, mata branca) é a região semiárida mais rica em biodiversidade do mundo e também uma das mais populosas. De acordo com o Relatório de Monitoramento do Desmatamento na Caatinga de 2010, 45,4% da área total do bioma está alterada, fato que o coloca entre os biomas brasileiros mais modificados pelo homem. Este também é o bioma mais desprotegido, pois somente 1% dele é protegido legalmente por unidades de conservação de proteção integral.
Segundo a Associação Caatinga, entre 2002 e 2008, o Ceará atingiu uma triste marca: ficou entre os estados que mais desmataram a caatinga e que já teve quase 40% da sua reserva destruída. Sete dos 20 municípios campeões de desmatamento na caatinga estão no Ceará. Em apenas sete anos, o Estado ampliou em quase 3% a área total desmatada, o que corresponde a uma área de mais de 400 mil hectares.
Desmatamento20 Municípios no País são campeões em desmatamentos em zonas de caatinga. Deste total, sete cidades estão no Estado do Ceará, com manejos incorretos que degradam o ambiente
MAIS INFORMAÇÕES
Associação Caatinga
Rua Instituto Santa Inês, 658
Telefone: (88) 3691.8671, Crateús-CE Site: www.acaatinga.org.brINHAMUNS
Pacto Ambiental celebra avançosQuatro dos municípios signatários do Pacto conquistaram o Selo Verde, mostrando o resultado de suas ações
Independência. O Pacto Ambiental dos Sertões de Crateús e Região dos Inhamuns (Parisc) comemora a premiação de Crateús, Novo Oriente, Piquet Carneiro e Tauá no Selo Verde. O prefeito em exercício de Independência e presidente do Pacto, Bezaliel Pedrosa, comemora o desempenho dos signatários do Pacto, premiados com a mais importante certificação pública ambiental do Ceará, que reconhece o trabalho e os avanços em políticas ambientais.
"É para nós motivo de orgulho saber que estes municípios lograram êxito com seus projetos e programas. Esse consórcio ambiental regional agrega valores. A nossa meta será comemorar a obtenção do Selo Verde por todos os que compõem o Pacto Ambiental", declara.
Defensor do meio ambiente e especialmente do bioma caatinga, componente predominante da vegetação dos sertões de Crateús e Inhamuns, o Pacto Ambiental nasceu no âmbito do Programa Selo Município Verde. Foi criado por ocasião do I Seminário Regional do Programa Selo Verde, em maio de 2006, em Tauá. O objetivo é combater a degradação da caatinga através da adoção de políticas públicas e ações que detenham a degradação dos recursos naturais, priorizando a recuperação de áreas alteradas.
Por meio do Pacto, as cidades se comprometem em orientar a sociedade sobre a importância da preservação do patrimônio natural e sobre a Lei de Crimes Ambientais; sensibilizar os agricultores sobre queimadas e outras práticas agrícolas que agridam o meio ambiente; promover parcerias entre os municípios participantes; fortalecer seus Conselhos Municipais de Defesa do Meio Ambiente (Comdemas) e garantir a continuidade dos encontros de trabalho do Pacto Ambiental da Região dos Inhamuns, realizados a cada dois meses.
De acordo com o coordenador executivo, Jorge de Moura, em cinco anos de atuação o Pacto fortalece a ação voltada para a sustentabilidade ambiental. "Com a participação no Pacto, os municípios se fortalecem e gradativamente norteiam suas gestões com forte inspiração ambiental, passam a governar levando em conta a sustentabilidade", explica. O potencial ecoturístico também é desenvolvida. Segundo Jorge Moura, "muitos municípios estão vislumbrando estes potenciais, como os sítios arqueológicos de Independência".
MAIS INFORMAÇÕES:
Pacto Ambiental dos Sertões de Crateús e Inhamuns (Parisc)
Telefone: (88) 9427.6837
Região dos Inhamuns
Silvania ClaudinoRepórter
terça-feira, 29 de novembro de 2011
Caatinga preservada
Trabalho preserva caatinga nas obras de transposição do São Francisco
Biólogos lutam para preservar espécies vegetais na área de caatinga. Grupo resgata amostras de plantas e sementes.
O vai e vem dos caminhões e as máquinas não param, quilômetros de vegetação já foram desmatados desde que as obras da transposição começaram. Entre tantos operários, uma turma especial segue na linha de frente pela vida.
O grupo não mede esforços para realizar uma pesquisa coordenada pela Universidade Federal do Vale do São Francisco, que se estende por 402 quilômetros no eixo norte e 220 quilômetros no eixo leste.
A elaboração do inventário florístico e o resgate de espécies permitem o reconhecimento da flora na região degradada. Nada passa despercebido, sementes são coletadas, árvores medidas e amostras de flores são colhidas. Tudo é registrado com a ajuda de um GPS, aparelho que registra a localização exata de cada planta.
O trabalho começou em 2008 e conta com a participação de biólogos e estudantes dos cursos de ciências biológicas, zootecnia, agronomia e engenharia agrícola e ambiental. Trabalhadores rurais também fazem parte do projeto que tem como objetivo, conhecer e preservar o bioma caatinga.
Assista ao vídeo com a reportagem completa e saiba como funciona os estudos dentro da universidade: http://g1.globo.com/economia/agronegocios/vida-rural/noticia/2011/11/trabalho-preserva-caatinga-nas-obras-de-transposicao-do-sao-francisco.html
Seminário “Recaatingamento: O valor da Caatinga em pé”
O valor da Caatinga em pé
Publicado em 26/11/2011 - 7:06 por Maristela Crispim
Juazeiro (Ziziphus joazeiro) espécie típica da Caatinga que permanece verde o ano inteiro Foto: Cid Barbosa
O Instituto Regional da Pequena Agropecuária Apropriada (Irpaa) realiza, de 29 de novembro a 01 de dezembro de 2011, o Seminário “Recaatingamento: O valor da Caatinga em pé”, no Centro de Cultura João Gilberto, em Juazeiro (BA).
Com o objetivo de apresentar o que está sendo pesquisado e colocado em prática acerca da preservação e recuperação da Caatinga, o seminário será organizado em forma de palestras e debates sobre preservação, combate à desertificação, sequestro de carbono e comunidades tradicionais.
Ainda haverá o lançamento do vídeo com a experiência do Projeto Recaatingamento, uma iniciativa do Irpaa, com patrocínio da Petrobras, através do Programa Petrobras Ambiental (PPA).
No último dia haverá uma visita às comunidades recaatingueiras, uma oportunidade de conhecer a experiência na prática. Podem participar do evento, estudantes, camponeses, técnicos de organizações não-governamentais (ONGs), técnicos governamentais, pesquisadores, políticos e a comunidade em geral.
Informações: www.irpaa.org
sábado, 8 de outubro de 2011
Manejo da Caatinga em Assentamentos
Assentamentos de Pernambuco mostram potencial do manejo da Caatinga.
Renda bruta por hectare obtida com a extração sustentável chega a quase o triplo da obtida com a agricultura por ano. Atividade conserva o bioma e ajuda a reduzir pobreza, mas é preciso superar os gargalos para obter escala
O manejo florestal pode ser um instrumento para reduzir a pobreza entre os assentados da reforma agrária na Caatinga. A renda bruta que um agricultor familiar obtém com o manejo por ano é de R$ 127,00 por hectares, mais de três vezes o que se obtém com a pecuária, que é R$ 39,00, ou com a agricultura, que é R$ 45,00.
Os dados foram apresentados pela Associação Plantas do Nordeste (APNE), que presta assistência técnica a assentamentos em Pernambuco por meio de contrato assinado com o Serviço Florestal Brasileiro, durante seminário realizado em Brasília na quinta-feira (22/9).
Ao apresentar os números, o engenheiro florestal da APNE Frans Pareyn, disse que a idéia é mostrar que o manejo pode ser uma fonte de renda tão ou mais importante que outras atividades produtivas tradicionais do sertão. "O potencial do manejo está aí e pode ser uma fonte de renda muito interessante, principalmente para quem está perto de onde há uma grande demanda."
Segundo Pareyn, o manejo florestal na Caatinga traz a vantagem de ser uma atividade de baixo custo, pois não requer maquinário especial para a extração e transporte, e de conservar a Caatinga, pois o manejo mantém a biodiversidade do bioma, um dos mais ameaçados no País.
Nos 25 assentamentos atendidos pela APNE, a média de área conservada é de 56%, soma da área de
manejo, mais reserva legal e áreas de preservação permanente. Nesses assentamentos, o pequeno produtor que dedica, por ano, 25 dias ao manejo na estação de seca consegue uma renda de R$ 1.287,00 por família.
O agricultor familiar Anízio da Silva, do assentamento Brejinho, realiza a extração sustentável de lenha há três anos e encontrou no manejo uma forma de continuar no campo durante o período da seca. "Nessa época, em lugar de sair para cortar cana lá fora, estamos trabalhando na terra da gente e não precisamos largar a família", afirma. O dinheiro é usado principalmente na alimentação.
Escala - Os debates sobre o potencial social e econômico do manejo chamaram a atenção para a possibilidade de incluir os assentamentos na cadeia da energia florestal. Em todo o Nordeste, existem pelo menos 3.150 assentamentos, com 240 mil famílias, cuja área atinge cerca de 8 milhões de hectares, ou 10% do bioma.
Ao mesmo tempo, a lenha e o carvão respondem por cerca de 30% da matriz energética do Nordeste, com um consumo estimado de 7 a 8 milhões de metros cúbicos por ano (ou 25 milhões de metros estéreos) para atender somente a demanda industrial/comercial da região, e os agricultores familiares teriam a oportunidade de atender parte desse mercado.
Mas para que o manejo avance, os participantes do Seminário - que incluiu representantes do órgão ambiental de Pernambuco, do setor gesseiro, do Incra, Ministério de Minas e Energia (MME) e do Ministério do Meio Ambiente (MMA) - apontaram a necessidade de superar desafios em várias áreas.
Um deles é fornecer assistência técnica florestal de longo prazo para os assentados que garanta a eles apoio nas atividades de manejo. Outro gargalo está na burocratização do licenciamento para a atividade florestal, que chega a levar mais de seis meses para aprovação.
A ilegalidade na produção de lenha, ainda alta, é outro entrave. "O combate à ilegalidade é um dos principais problemas a serem resolvidos", afirma a engenheira florestal da Unidade Regional Nordeste do Serviço Florestal, Maria Auxiliadora Gariglio.
O presidente da Assogesso, Charles Barros, diz que todas as 16 empresas gesseiras da entidade usam lenha legalizada e que foi aprovada em assembléia a exclusão do associado que for autuado por órgão fiscalizador ambiental.
O setor gesseiro, o de cerâmica vermelha e o de siderurgia estão entre os maiores consumidores de produtos florestais. Para Barros, o consumo de lenha ilegal ocorre pelo empresário "que ainda não tem a consciência ambiental" e ainda se guia pela cultura de pagar R$ 3,00 ou R$ 5,00 mais barato pelo metro cúbico da lenha ilegal.
A substituição da lenha ilegal por aquela de origem manejada é uma enorme oportunidade de conservação do bioma e de geração de emprego e renda para o produtor do semiárido e, portanto, deve ser incluída e valorizada nas políticas de desenvolvimento rural do Nordeste, diz a diretora de Fomento e Inclusão do Serviço Florestal, Claudia Azevedo Ramos. "Considerar essas florestas energéticas na matriz de energias renováveis do país é incluir também a questão social e de alívio da pobreza", afirma.
Entre as sugestões apresentadas no seminário estão a criação de um selo para atestar a produção legal, a criação de incentivos por meio da compra da produção dos assentados pelo governo, como ocorre com outros produtos, e a construção de planos estaduais de apoio ao manejo comunitário e familiar, a exemplo do que já é realizado pelo governo federal por meio do MMA.
"Fortalecer o manejo florestal, sem dúvida, dependerá de ações estruturadas que, segundo os participantes, passam por diversos segmentos envolvidos no manejo. É preciso discutir, por exemplo, um pacto entre governo, produtores e consumidores que venha a coibir a lenha ilegal", afirma a diretora.
Manejo na Caatinga - O manejo florestal é um conjunto de técnicas para o uso sustentável e planejado dos recursos florestais. Na Caatinga, o manejo consiste em dividir a área total disponível para a atividade florestal em 15 lotes, chamados de talhões. A cada ano, o agricultor corta a vegetação de apenas um talhão. No ano seguinte, será trabalhado apenas outro talhão, enquanto o do ano anterior fica em descanso para a vegetação se regenerar. A lenha e o carvão são os principais produtos obtidos da extração florestal.
Fabiana Vasconcelos/Serviço Florestal
Manejo florestal comunitário e familiar sustentável na Caatinga
MEIO AMBIENTE / AGROENERGIA - 07/10/2011
Objetivo é a promoção do manejo florestal comunitário e familiar sustentável
por Globo Rural On-line
O Fundo Nacional de Meio Ambiente (FNMA) recebeu sete projetos no tema eficiência energética e fortalecimento do manejo florestal na Caatinga. Os projetos visam à promoção de manejo florestal comunitário e familiar para a oferta de lenha de origem sustentável, eficiência energética na produção de insumos para a construção civil e difusão de tecnologias de construção de fogões mais eficientes em unidades residenciais.
Os sete projetos passarão por etapas de habilitação e avaliação técnica. O resultado final da seleção deverá ser publicado em novembro. Os recursos destinados às ações na Caatinga são do Fundo Socioambiental da Caixa Econômica Federal, parceiro do FNMA nessa iniciativa. Serão investidos R$ 6 milhões nas três regiões em que as ações serão desenvolvidas: Baixo Jaguaribe no Ceará, Chapada do Araripe em Pernambuco, Piauí e Ceará e Mesoregião do Xingó, abrangendo os estados de Alagoas, Sergipe, Pernambuco e Bahia.
Como os pólos do gesso e da cerâmica são importantes para a economia local do Nordeste, a proposta é que a lenha utilizada nessas atividades produtivas seja manejada de forma sustentável para que não falte.
O Termo de Referência Eficiência "Energética e Uso Sustentável da Caatinga" parte da premissa que, considerando que quase a metade do bioma já foi desmatado, é fundamental tornar mais eficiente o uso da lenha e, portanto, diminuir seu consumo. Além disso, é necessário prover lenha de origem sustentável para que efetivamente este recurso seja renovável.
sábado, 23 de julho de 2011
Manual Técnico Produção de Sementes e Mudas no Bioma Caatinga
http://issuu.com/acaatinga/docs/manual_t_cnico_produ__o_de_sementes_e_mudas__vers_
domingo, 22 de maio de 2011
22 de maio - Dia internacional da Biodiversidade - Reflexão sobre a Caatinga
Oportunidade de pensar como está a nossa Caatinga, Bioma exclusivamente brasileiro e pouco lembrado pelas políticas públicas socioambientais no Brasil.
sábado, 23 de abril de 2011
Semana Nacional da Caatinga 2011
Publicado em 18 de abril de 2011
A Ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, juntamente com o presidente da Assembléia Legislativa, deputado Roberto Cláudio e do presidente do Conselho de Políticas e Gestão do Meio Ambiente (Conpam), Paulo Henrique Lustosa da Costa, farão oficialmente, no dia 25 próximo, às 15 horas, no plenário do Poder Legislativo, a abertura da Semana Nacional do Bioma Caatinga no Ceará. A programação, que se estenderá até o dia 30 na capital e interior do Estado, alcançará diretamente 68 municípios.
Na abertura da semana, em alusão ao Dia Nacional da Caatinga que se comemora, anualmente, a 28 de abril, será entregue a Medalha Ambientalista Joaquim Feitosa, de cujo Comitê da Reserva da Biofesta da Caatinga, reúne-se, para análise dos currículos e a respectiva escolha do agraciado com a honraria de 2011.
A cada ano, por lei, a medalha destina-se a homenagear seja uma pessoa física ou jurídica, alternamente. Este ano será a vez da pessoa física. A partir do dia 26, debates e palestras acontecerão, no hotel Oásis Atlântico (Av. Beira Mar, 2.500), com visita pelas autoridades e participantes, à exposição de experiência exitosas do Bioma Caatinga trazidas do interior cearense. A primeira palestra caberá a coordenadora do Projeto Mata Branca, Tereza Farias. Ela mostrará resultados de seu trabalho à frente do projeto. Em seguida haverá explanação de representantes do Ceará e da Bahia, destinatários do Projeto Mata Branca: Antônio Luis Mota, do assentamento Luar do Sertão em Quiterianópolis (CE), e de Arthur Sampaio e Edimilson Nascimento, ambos, da cidade de Curaça (BA).
Das 68 cidades do interior do Estado cearense, contempladas com o Mata Branca, em seis delas onde há intervenção direta do projeto a programação da Semana da Caatinga será extensa: Crateús, Independência, Novo Oriente, Parambu, Quiterianópolis e Tauá. Nos demais municípios, onde também o projeto atua, haverá atividades na semana em escolas públicas municipais e estaduais.
http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=966792
domingo, 3 de abril de 2011
Caatinga
13.03.2011 | 08h22
Conheça mais a caatinga, único bioma exclusivamente brasileiro
O Globo Rural contou a história que conserva tesouros naturais incríveis.
A Amazônia, o Cerrado, o Pantanal, a Mata Atlântica e os Pampas não são só brasileiros, mas há um importante bioma que é só nosso, que não existe nos países vizinhos. É a caatinga, o principal bioma do sertão nordestino.
O Globo Rural percorreu milhares de quilômetros para contar a história desse lugar que conserva tesouros naturais incríveis. Na medida em que entendemos um pouco do que é a caatinga, nós conseguimos desvendar até mesmo certos mistérios da evolução do nosso planeta.
Mata branca ou na linguagem dos índios tupis, caatinga. Esse é o único bioma exclusivamente brasileiro. Lugar onde as chuvas são poucas e concentradas em quatro, cinco meses do ano. Durante todo o período seco, as plantas da caatinga ficam praticamente sem folhas. Uma floresta de galhos retorcidos, espinhos, aparentemente pobre em biodiversidade.
Logo depois das primeiras chuvas, com pouca água, as plantas que pareciam mortas, renascem e a gente consegue enxergar a riqueza e a diversidade de espécies que compõem a caatinga.
Para conhecer melhor esse bioma, o Globo Rural visitou o semiárido nordestino em duas épocas bem distintas: o período seco, entre outubro e novembro de 2010; e a estação das chuvas, no começo de 2011. Quatro estados foram percorridos: Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará.
Na primeira parada, começamos a entender como essa região se formou. Para isso, o programa chegou a Crato, no sul do Ceará.
A Chapada do Araripe é uma formação que ocupa parte dos estados do Ceará, Piauí, Pernambuco e Paraíba. Há milhões de anos esse lugar guarda um tesouro geológico: uma incomparável quantidade de fósseis, que são restos de animais e vegetais incrustados nas rochas. Para conservá-los, em 2006 foi criado o primeiro Geopark das Américas, dirigido pelo biólogo Álamo Saraiva. “Geopark é um programa da Unesco, que tem como objetivo principal a preservação de áreas de interesse geológico”.
Essa história começa há mais de 100 milhões de anos, quando África e América formavam um único continente. A separação aconteceu por causa da movimentação de porções da crosta terrestre, as chamadas placas tectônicas.
Na divisão dos territórios, houve um rebaixamento dessa área e grandes lagos se formaram. Mais tarde, houve o suroerguimento, o levantamento desses lagos. O sedimento que estava no fundo aflorou, dando origem à chamada bacia sedimentar do Araripe.
“Como o período era também chamado de aquecimento global esse lado estava secando”, diz o doutor Idalécio Freitas. Ele é geólogo do parque e explica que esse paredão conserva os registros dos períodos de chuva e de seca, dos últimos 110 milhões de anos. “Esse níveis mais escuros que vemos no calcário são relativos ao período mais úmido, com um pouco de matéria orgânica. Os riscos mais claros, períodos mais secos, de pouca chuva”.
As áreas demarcadas pelo parque são os geossítios. Um que fica em Santana do Cariri, no meio de uma área de extração comercial de pedras, as lajotinhas usadas como piso e revestimento que conservam muito mais do que dados climáticos. “Aqui tem exemplo de alguns seres que se encontravam dentro do lago, habitavam o lago ou viviam no entorno dele. A gente encontrava muitos peixes e muitos restos vegetais, mostrando que naquela época, a gente já tinha uma vegetação que ocupava um nicho da caatinga. A maior parte da vegetação era composta pelo grupo dos pinheiros, araucariáceas, vegetação que encontramos no Paraná, São Paulo e Rio Grande do Sul”, disse Álamo Saraiva.
A poucos quilômetros, outro geossítio espetacular. Um lugar onde dentro de toda pedra tem um peixe fossilizado. “Nós estamos na lama do que sobrou do fundo de um lago sobre influência marinha, ou seja, era um ambiente de água salgada. Toda pedra dessa, chamada de concreção, tem um peixe, porque foi ele que fez a formação dessa concreção. Se a gente abrir,dá para ver o olho preservado, a coluna, a espinha do peixe. Uma das características dos fósseis da Bacia do Araripe é manter o sentido tridimensional da peça e o tecido mole preservado, então vemos coluna vertebral e costelas, mas dá para ver estruturas minúsculas de pele, raias na cauda, as nadadeiras, tudo fica preservado”.
Para comprovar o que diz, Doutor Álamo abre mais uma pedra e vemos mais um peixe fossilizado. “Tem um ditado que diz que cada enxadada é uma minhoca. Aqui seria, cada enxadada é um fóssil”.
As melhores peças coletadas, estão reunidas no Museu da Universidade Regional do Cariri, localizado em Santana.
Em uma sala, uma coleção de troncos fossilizados. Parece madeira, mas é tudo rocha. No acervo de plantas ainda têm pinha pré-histórica, folhas, galhos e os primeiros registros de plantas capazes de produzir frutos.
Na coleção de insetos, abelhas, vespas e uma libélula, que de tão bem preservada, virou símbolo do museu. “A gente teve aqui uma explosão de insetos principalmente do grupo das abelhas, marimbondos, e também dos dependentes que têm uma ligação direta das plantas com flores. Eles são polinizadores”.
Muitos fósseis são bem parecidos com seus descendentes atuais. Caso dos escorpiões, aranhas, pererecas, tartarugas... E as conchinhas que só aparecem onde já teve água salgada.
Uma cena surpreendente: um peixão que morreu entalado tentando engolir outro e acabou fossilizado. “De uma maneira geral, entre micro e macro fósseis, já conseguimos descrever perto de 500 espécies. Muita coisa ainda tem para ser descoberta e muito mistério ainda vai ser desvendado”, finalizou Álamo.
terça-feira, 25 de janeiro de 2011
Diversidade da Caatinga
| Nova espécie descoberta na Caatinga |
| 21 Jan 2011, 14:10 | ||
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Embora a Caatinga seja o único bioma exclusivamente brasileiro, é também o menos pesquisado. Por ter apoiado um trabalho do Laboratório de Morfo-Taxonomia Vegetal da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE)1, a Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza2 foi homenageada na hora de se escolher um nome para uma nova espécie de planta, a Gymnanthes boticario.
A Gymnanthes boticario não é a primeira referência que a fundação recebe. Ela está no mesmo grupo que o anfíbio Megaelosia boticariana, os peixes Aphyolebias boticarioi e Listrura boticario, além de outra espécie vegetal, a Passiflora boticarioana Cervi.
Antes da descoberta, eram conhecidas 45 plantas do gênero Gymnanthes, três dessas endêmicas no Brasil. A planta foi descrita em artigo publicado em dezembro de 2010, no volume 40 da publicação Willdenowia – Anuário do Jardim Botânico e do Museu Botânico de Berlin-Dahlen3. O gênero Gymnanthes é da tribo Hippomaneae. AGymnanthes boticario é da família Euphorbiaceae, a mesma de velames, urtigas, mameleiros e leiteiras, comuns na Caatinga.
A planta ocorre em áreas arenosas ou pedregosas, com altitudes entre 400 e 900 metros. A altura da espécie é de um a quatro metros, suas flores são pequenas, amarelo-creme e não exalam perfume. Sua ocorrência foi verificada nos estados Pernambuco, Piauí, Paraíba, Ceará, Bahia e Rio Grande do Norte.
A espécie foi coletada, pela primeira vez, em 31 de maio de 2006, em Mirandiba, no sertão pernambucano. Em 2007, a pesquisadora Maria de Fátima de Araújo Lucena registrou novos indivíduos no Parque Nacional Serra da Capivara (PI).
Gymnanthes boticario (Foto: Maria de Fátima de Araújo Lucena) |
Novas populações da Gymnanthes boticario foram encontradas em Pedra Branca (PB), na Serra de Olho d’Água, uma região a 740 metros de altitude. De acordo com Maria de Fátima, todos os espécimes já coletados foram encontrados em remanescentes de Caatinga bem preservados, com pouca intervenção humana e, por vezes, de difícil acesso, com vegetação predominante arbustiva e arbórea.
À época da descoberta, Maria de Fátima estava desenvolvendo sua tese de doutorado “Velames, urtigas, mameleiros e leiteiras: a diversidade de Euphorbiaceae no semiárido nordestino” com a orientação do professor Marccus Alves. Ela contou com a ajuda do especialista alemão Hans-Joachim Esser, do Botanische Staatssammlung de Munique4, tradicional instituição de pesquisa alemã, para a identificação da nova espécie.
Durante o projeto foi feito um inventário florístico da família Euphorbiaceae com necessidade de investigação científica ou cujo conhecimento botânico fosse escasso. Os locais selecionados para o estudo foram as unidades de conservação Parques Nacional Serra da Capivara, no Piauí, e o Parque Nacional Serra de Itabaiana, em Sergipe, o município de Mirandiba, a região dos Cariris Paraibanos e uma área no município de Porto da Folha (Sergipe).
Com os produtos gerados no projeto foi possível identificar o panorama da diversidade taxonômica desse grupo de plantas em algumas áreas do semiárido conta Maria de Fátima. Foram registradas 28 novas ocorrências de espécies da família para a região Nordeste, além de identificadas populações de espécies raras e a descoberta da nova espécie para a ciência. Também foi realizado extenso levantamento da família nos principais herbários da região, com o objetivo de complementar dados de distribuição geográfica das espécies.
Gymnanthes boticario (Foto: Maria de Fátima de Araújo Lucena) |
A pesquisa confirmou a necessidade de inventariar novas áreas no bioma Caatinga. “A identificação de áreas e de ações prioritárias, como a pesquisa, tem-se mostrado um valioso instrumento para a conservação e proteção da Caatinga”, diz Maria de Fátima.
Por apresentarem alto potencial econômico, o gerenciamento sustentável de unidades de conservação e das áreas da Caatinga pode ajudar na manutenção das espécies da famíliaEuphorbiaceae. “Ainda mais porque áreas como aquelas nas quais Gymnanthes boticario foi encontrada estão se tornado cada vez mais raras”, conta a pesquisadora. A Caatinga tem sido degradada pelo manejo inadequado de sua vegetação, exploração de pecuária extensiva e agricultura. “Essa situação coloca em risco a biodiversidade do bioma com número expressivo de espécies raras e endêmicas”, explica Maria de Fátima.
A região nordeste do Brasil comporta atualmente 245 espécies da família Euphorbiaceae, distribuídas, com maior frequência, nas áreas de Caatinga. Além dessa expressiva ocorrência, a família contempla um número considerável de espécies com potencial econômico no setor farmacológico-medicinal, industrial, madeireiro, ornamental, na produção de alimentos. Alguns exemplos são: mandioca (Manihot esculenta Crantz), mamona (Ricinus communis L), seringueira (Hevea brasiliensis), quebra-pedra (Phyllanthus niruri L), mameleiro (Croton blanchetianus Baill), quebra-faca (Croton micans Müll. Arg.), velame (Croton heliotropiifolius Kunth.), urtiga (Cnidosculos urens (L.) Arthur), flor-de-papagaio (Euphorbia pulcherrima), coroa-de-cristo (Euphorbia milli Dês Moul.) e pinhão (Jatropha curcas L.). O potencial econômico da Gymnanthes boticario não foi identificado. (Celso Calheiros)
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