domingo, 17 de outubro de 2010

1° Encontro Geopark e Mídia

Exposição Comida Ceará: um Primeiro Olhar

Convite para a Exposição Comida Ceará: Um primeiro Olhar... (Esse é o proj. q trabalho)

O Blog do Semiárido está entre os 100 mais votados no Prêmio Top Blog Brasil 2010



Olá Amigos!

Pelo segundo ano seguido o Blog do Semiárido (http://nossosemiarido.blogspot.com/) está entre os 100 mais votados do Prêmio Top Blog Brasil na categoria Sustentabilidade (http://www.topblog.com.br/2010/index.php?pg=busca&c_b=193825)! No ano passado ficamos em Terceiro Lugar na Categoria Blogs Pessoais no tema Sustentabilidade. Agora estamos no segundo turno das votações, quando serão escolhidos o 30 Blogs mais votados. Ou seja, precisamos continuar votando no Blog do Semiárido!

O Prêmio Top Blog Brasil (http://www.topblog.com.br/) foi criado pela UNIP e já está na terceira edição. É um sistema interativo de incentivo cultural destinado a reconhecer e premiar, mediante a votação popular e acadêmica (Júri acadêmico) os Blogs Brasileiros mais populares, que possuam a maior parte de seu conteúdo focado para o público brasileiro, com melhor apresentação técnica específica a cada grupo (Pessoal, Profissional e Corporativo) divididos em categorias.

O Blog do Semiárido foi criado como uma ferramenta auxiliar na divulgação de notícias e idéias sobre o Semiárido brasileiro, com intuito de se tornar mais um espaço de diálogo sobre esse Território. Nessa perspectiva, vejo o fato de estarmos mais uma em evidência nessa votação como uma grande conquista para todos nós que nos interessamos pelas temáticas ligadas ao Sertão, à sustentabilidade e ao ser humano.

Vamos divulgar a votação nessa nova fase! Será mais um grande ganho para o Sertão se alcançarmos novamente uma votação expressiva! Conto com vocês para angariar mais votos.

Para votar basta acessar o Blog do Semiárido (http://nossosemiarido.blogspot.com/) e clicar no Banner na lateral direita com o logotipo do Prêmio. Aproveitem para se tornarem seguidores e se cadastrarem para receber as atualizações e comentários postados.

Abração a todos e boa semana!

Suely


A fome no mundo

16/10/2010 - 12:35 | Eduardo Castro/Agência Brasil | Moçambique

Fome castiga o continente africano

Dos 29 países pior posicionados no Índice Geral de Fome do Instituto Internacional de Pesquisa de Políticas Alimentares (IFRPRI, na sigla em inglês), 21 estão no Continente Africano. De cada três pessoas que vivem na Região Subsaariana, uma está desnutrida. Quatro nações, todas da África, estão no estágio mais preocupante, chamado de "extremamente alarmante": Burundi, Chade, Eritreia e República Democrática do Congo. Conflitos armados, instabilidade política e ausência do Poder Público são os principais motivos para esta desestruturação social.
Além dos quatro países que mais preocupam, 25 vivem situação definida como “alarmante”. A maioria, novamente, é da África: Tanzânia, Sudão, Zimbabwe, Burkina Faso, Togo, Guiné Bissau, Ruanda, Djibuti, Moçambique, Libéria, Zâmbia, Níger, República Centro-Africana, Madagascar, Ilhas Comores, Serra Leoa e a Etiópia. 

Leia mais: 


Neste sábado (16/10), Dia Mundial da Alimentação instituído pelas Nações Unidas, dona Carlina Mjufo nem sequer tocou nas panelas. Ela, a irmã Helena Muanzuli e as cunhadas Celina Sitóe e Maria Muchanga tinham somente frutas para oferecer ao neto Neldo, de 4 anos. As quatro são viúvas e vivem com o menino em Pessene, área rural da província de Maputo, distante 70 quilômetros da capital de Moçambique. 
No casebre de caniço, sem luz ou água, elas guardam algumas sementes de milho na esperança de salvar algo da lavoura. “Plantamos milho, amendoim e mandioca, mas não deu nada, porque choveu pouco”, explicou dona Carlina. Ela chegou aqui em 1983, empurrada pela guerra que matou o marido e a expulsou de Mandjacaze, na Província de Gaza, 600 quilômetros do local onde vive hoje. No terreno sem grades, cortado por um caminho de terra, árvores de massala têm garantido a sobrevivência. “Foi o que comemos hoje, ontem, a semana toda”, disse dona Celina. “Aqui, pelo menos, temos a massala. Em Gaza era pior, porque não havia nada no quintal”.

A massala é uma fruta do Sul da África. Do tamanho de uma laranja grande, tem casca verde, dura, e polpa amarela com caroços largos. Em Angola, recebe o nome de maboque. É comida da forma que se tira do pé, sem preparo algum. A Cruz Vermelha de Moçambique monitora a situação e ajuda no que é possível. Dos 15 mil moradores de Pessene, cerca de 10 mil passam fome. “Recebemos apoio do Programa Mundial da Alimentação das Nações Unidas, mas mesmo eles sofreram com a queda nas doações”, lamentou Arão Vilanculos, da Cruz Vermelha em Moçambique. Segundo ele, o reforço alimentar está garantido apenas para os portadores do vírus da aids e para as crianças.
A seca este ano foi mais forte na região. “A chuva normalmente começa pelos fins de setembro, quando os agricultores saem para plantar. Este ano, as primeiras chuvas vieram quase em novembro. Em dezembro choveu mais um pouco, depois parou, e houve um calor intenso. As culturas não resistiram”, explicou Vilanculos.
Para a FAO (Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação), o combate à fome em Moçambique melhorou nos últimos anos. Mas o problema é de difícil solução. “Desde 1996 o quadro tem melhorado. Estamos na casa dos 35% de afetados pela fome. Ainda temos cinco anos para chegar à meta de 28%”, disse o representante da FAO em Moçambique, Julio de Castro, lembrando o objetivo estabelecido pelo país para as Metas do Milênio. “A melhora dos últimos anos é importante e precisa continuar”. 

sábado, 16 de outubro de 2010

Dia Mundial da Alimentação - 16 de Outubro





16/10/2010 - 19:16






Dia Mundial da Alimentação















Em todo o mundo, cerca de 800 milhões de pessoas vivem em situação de insegurança alimentar. Isso significa que elas não têm acesso à alimentação saudável, de qualidade, em quantidade suficiente e de modo permanente. No Dia Mundial da Alimentação, celebrado todo dia 16 de outubro, mais de 180 países organizam atividades e se mobilizam a fim de reduzir a fome. 

A data é comemorada há 27 anos e lembra a criação da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO).Em 2007, o tema proposto para a comemoração será O direito à alimentação.

Fome Zero
No Brasil, milhares de famílias têm motivo especial para celebrar a data. Elas são beneficiárias dos programas inseridos no Fome Zero. A estratégia, impulsionada pelo governo federal, assegura o direito humano à alimentação às pessoas que precisam. Por meio de vários ministérios, como o do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, o governo articula políticas sociais com estados, municípios e sociedade civil. 

A estratégia promove, ainda, a inclusão social e a conquista da cidadania dos mais vulneráveis à fome. O Fome Zero é modelo para outros países e tem como base quatro eixos articuladores: acesso aos alimentos, fortalecimento da agricultura familiar, geração de renda e articulação, mobilização e controle social (saiba mais).


Confira o organograma dos quatro eixos articuladores que
formam o Fome Zero. Clique nos itens abaixo para conhecê-los.




O combate à fome é uma preocupação mundial e o Dia da Alimentação vem despertar a sociedade sobre a importância de investir em segurança alimentar para garantir alimentação na mesa de todos os cidadãos.

Divulgue seu evento
O site do Fome Zero está cadastrando os eventos brasileiros relacionados ao Dia Mundial de Alimentação. Para divulgar a sua atividade, clique aqui. Veja também a lista de todos os eventos.


Blog Action Day 2010

Olá Amigos do Semiárido!

Ontem transcorreu o "Blog Action Day". Todos os anos no dia 15 de outubro, Blogs de todo mundo se mobilizam para discutir um tema relevante para todo o planeta. E durante uma ano esse tema é ressaltado pelos blogueiros. Em 2010 o tema escolhido foi Water (água), com ênfase para a dificuldade de acesso que milhões de pessoas em todo o mundo enfrentam todos os dias. O Blog do Semiárido se junta a essa rede, continuando nossa luta para mostrar não apenas as dificuldades, mas também as alternativas e as possibilidades de fazer esse território um espaço melhor para todos. E falar de água sempre foi um de nossos focos. Assim, continuamos nosso trabalho, agora reforçado por uma rede internacional de solidariedade. Participem!

Abraço e bom final de semana a todos!
Suely

http://blogactionday.change.org/why-water


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Produção Mundial de Alimentos

Produção de alimentos precisa crescer 70% até 2050, estima FAO


Postado em Economia e Política em 16/10/2010 às 08h05
por Agência Brasil



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Número de famintos no mundo caiu entre 2009 e 2010, mas situação ainda é crônica/Foto:Marie Frechon/UN

Uma em cada seis pessoas no mundo passa fome e a cada cinco minutos uma criança morre por desnutrição. “É uma fome que dói e mata”, definiu na quinta-feira, 14 de outubro, o representante da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), Hélder Muteia. Segundo ele, a população mundial deverá crescer dos atuais 6 bilhões para 9 bilhões de habitantes até 2050. Para que todos tenham acesso à comida, a oferta de alimentos precisa aumentar 70% nos próximos 40 anos em relação ao nível atual.

Alcançar esse objetivo é um “grande desafio, mas não é impossível”, afirmou Muteia. Ele acredita que o aumento de produção com menos investimentos será cada vez mais exigido. O representante da FAO alertou, no entanto, para a necessidade de um crescimento sustentado da produção de alimento, sob pena de o homem comprometer ainda mais o ecossistema.

“Com a pressa de produzir estamos degradando o meio ambiente e há uma utilização exagerada de agroquímicos, o que pode afetar a sustentabilidade ambiental. É importante ganhar dinheiro, mas é preciso pensar também nos valores, tanto em sustentabilidade social quanto ecológica”, ressaltou Muteia, ao defender a regulamentação do uso de produtos químicos na agropecuária.

Para ele, o Brasil pode ser um grande colaborador em relação a tarefa de erradicar a fome no mundo, “não só por ter recursos naturais como solo e água, mas também pela sua capacidade técnica, exportando conhecimentos e experiências”. Na avaliação do representante da FAO, a política do Programa Fome Zero, do presidente Lula, e a estabilidade econômica atingida desde a gestão anterior (de Fernando Henrique Cardoso) são políticas de êxito reconhecidas internacionalmente.

Os grandes focos atuais de segurança alimentar, na opinião de Muteia, estão mais voltados para a região da África Subsariana e para alguns países da Ásia. O número estimado de famintos no mundo em 2009 era de 1,023 bilhão. Hoje, são 925 milhões de pessoas em situação de fome crônica. O representante da FAO advertiu, porém, que essa estimativa não leva em conta os impactos provocados pelas enchentes no Paquistão nem a estiagem prolongada que afetou a produção agrícola da Rússia.




ALERTA: estamos consumindo além da capacidade do Planeta

14/10/2010

Relatório da WWF diz que humanidade já consome 50% mais recursos do que a Terra consegue oferecer

Perda, alteração e fragmentação de habitats, exploração de espécies selvagens, poluição e mudança do clima são as principais ameaças
RELATORIO_WWF
Nos últimos 40 anos, o consumo excessivo dos recursos naturais cresceu a um ritmo acelerado e hoje já consumimos 50% mais do que a capacidade de renovação do planeta, seja em ar limpo, água potável, terra ou recursos naturais e agrícolas. O resultado desse excesso é a perda da biodiversidade mundial, que chegou a 30% no período.

Os dados são da edição de 2010 do Relatório do Planeta Vivo, da Rede WWF, publicada mundialmente na quarta-feira (13/10). Produzido a cada dois anos, o levantamento mede a saúde de quase 8.000 populações de mais de 2.500
espécies. 

A pegada ecológica, um dos indicadores da devastação ambiental utilizados no relatório, mostra que a demanda da humanidade por recursos naturais duplicou desde 1996 e, atualmente, utilizamos o equivalente a um planeta e meio para sustentar nosso estilo de vida. Se continuarmos a viver além da capacidade do planeta, aponta o relatório, até 2030 precisaremos de uma capacidade produtiva equivalente à exploração de dois planetas.  

Segundo o relatório, os ricos demandam mais recursos, mas a degradação e a conseqüente perda da biodiversidade são mais acentuadas nas regiões tropicais – como o Brasil –, que também são as mais pobres, onde houve uma queda de 60% das espécies de plantas e animais. 

Segundo o relatório, nas regiões temperadas (e mais ricas), houve uma recuperação de 29% das espécies, graças, em parte, ao aumento dos esforços de conservação da natureza e a um melhor controle da poluição e do lixo.
 
“É alarmante o ritmo da perda de biodiversidade que se verifica nos países de baixa renda, em sua maioria situados  nos trópicos, enquanto o mundo desenvolvido vive num falso paraíso, alimentado pelo consumo excessivo e elevadas emissões de carbono”, alerta Jim Leape, diretor geral da Rede WWF. 

O documento aponta a perda, alteração e fragmentação de habitats, a exploração excessiva de espécies selvagens, a poluição e a mudança do clima como os principais fatores que ameaçam a biodiversidade.

Clique aqui para ler a versão completa do relatório.

Consumo desigual
O relatório reafirma um dado que já é conhecido: além de excessivo, o consumo é desigual. O excesso é predominante em nações mais ricas. Apenas os 32 países membros da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) – grupo das economias mais ricas e industrializadas do planeta – são responsáveis pelo consumo de 40% dos recursos disponíveis.  

Brasil, Rússia, índia e China não fazem parte da OCDE, mas, somados, têm o dobro dos habitantes dos países do grupo. E o relatório alerta que, mantido o atual modelo de desenvolvimento, os chamados países emergentes seguirão a mesma trajetória de degradação ambiental dos ricos.

“Seriam necessários quatro planetas e meio para atender a uma população mundial (6,8 bilhões de pessoas) com um estilo de vida equiparável ao de quem vive hoje nos Emirados Árabes ou nos Estados Unidos", alerta Leape.

Mudanças climáticas
Segundo o documento, devido ao aumento da geração e emissão de gases de efeito estufa na atmosfera, causado principalmente pela queima de combustíveis fósseis, desmatamento e processos industriais, o planeta entrou em uma espécie de “cheque sem fundo” ecológico. 

Nossa pegada de gás carbônico, principal causador do efeito estufa, aumentou em 35% nos últimos 20 anos e atualmente é responsável por mais da metade da pegada ecológica global.

Segundo o documento, os dez países com a maior pegada ecológica per capita são: Emirados Árabes Unidos, Catar, Dinamarca, Bélgica, Estados Unidos, Estônia, Canadá, Austrália, Kuwait e Irlanda.  O Brasil ocupa a 56º posição neste ranking.

Mais uma vez, a maior pegada é a dos países de alta renda. Em média, a pegada desses países é cinco vezes maior do que a dos países de baixa renda.  

“As espécies são a base dos ecossistemas,” afirmou Jonathan Baillie, diretor do Programa de Conservação da Sociedade Zoológica de Londres, entidade que participou do levantamento.  “Ecossistemas saudáveis constituem as fundações de tudo o que nós temos – se perdemos isso, destruímos o sistema do qual depende a vida”, completou Baillie.

Brasil
O Brasil possui uma alta biocapacidade – relação entre a área disponível para agricultura, pastagem, pesca e florestas e o potencial de produtividade –, mas isso não nos coloca em uma situação confortável.

“A redução da desigualdade com aumento do poder aquisitivo da população brasileira é uma conquista positiva. No entanto, também nos coloca frente a um grande desafio que é o de crescer sem esgotar nossos recursos naturais”, destaca a Secretária-Geral do WWF-Brasil, Denise Hamú. 

Para Helio Mattar, diretor-presidente do Instituto Akatu, o consumo das riquezas naturais é indispensável para a vida no planeta e é fator determinante do crescimento econômico. “O que precisamos é consumir menos e diferente. Ou seja, consumir de forma mais responsável, buscando um equilíbrio entre nossas necessidades e a capacidade da renovação da Terra”.

“O principal benefício do relatório é servir de ferramenta para os tomadores de decisão estimularem uma economia de baixo carbono, uma economia verde, criando novas oportunidades de crescimento para o país e protegendo os serviços ecossistêmicos que são a base de nosso desenvolvimento econômico”, afirma Hamú.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Índice Mundial da Fome (GHI)

Fome é "alarmante" em 29 países, revela estudo

WASHINGTON (Reuters) - Vinte e nove países apresentam níveis alarmantes de fome e mais de 1 bilhão de pessoas não tinham o que comer em 2009, de acordo com um novo relatório mundial sobre a situação no mundo todo.
Líderes mundiais estão longe de uma meta estabelecida em 1990 de reduzir pela metade o número de pessoas famintas em 2015, segundo o Índice Mundial da Fome (GHI), publicação anual do Instituto Internacional de Pesquisa de Políticas Alimentares e outras entidades assistenciais.
"O indicador da fome no mundo permanece em um nível definido como 'sério'", disse o relatório. A maioria dos países com dados "alarmantes" no índice ficam na África Subsaariana e no sul da Ásia. As crianças são citadas como especialmente vulneráveis.
Países com número elevado de pessoas que passam fome precisam agir para melhorar a nutrição das crianças durante os primeiros mil dias depois da concepção, incluindo nutrição pré-natal e programas de educação nutricional para mulheres grávidas, disse Marie Ruel, chefe da divisão de pobreza, saúde e nutrição do GHI.
"Para melhorar a nutrição infantil, os programas e políticas têm de enfocar na janela de oportunidade", disse Ruel. "A desnutrição na primeira infância perpetua a pobreza de uma geração para outra."
A porcentagem de pessoas subnutridas caiu de 20 por cento em 1990-1992 para 16 por cento em 2004-2006. A ONU acredita que o número de pessoas que passam fome caia de 1 bilhão em 2009 para 925 milhões este ano.
Mas o índice mostra que algumas regiões ainda estão lutando contra o problema e que as causas da fome diferem em todo o mundo, de acordo com o relatório.
"Em comparação com os números de 1990, globalmente o índice mundial da fome melhorou 24 por cento", disse Ruel. No entanto o progresso varia enormemente de uma região para outra.
Os dez países com os piores indicadores de fome -- todos classificados como "extremamente alarmantes" ou "alarmante" -- foram a República Democrática do Congo, Burundi, Eritreia, Chade, Etiópia, Serra Leoa, Haiti, Comoros, Madagascar e República Centro Africana.
(Reportagem de Emily Stephenson

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Estiagem e Apicultura no Ceará

Apicultores recebem crédito

11/10/2010 Clique para Ampliar
A exploração do mel por agricultores familiares vem crescendo na região Centro-Sul, como alternativa de ampliação da renda 
FOTOS: HONÓRIO BARBOSA
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Conforme avaliação de técnicos, a atividade ainda requer melhoramentos no manejo, com a adoção de novas técnicas que garantirão maior produtividade das colmeias
Mesmo com os impactos da estiagem, agricultores não desistem da exploração do mel de abelha

Quixelô. Com o objetivo de ampliar e fortalecer a cadeia produtiva da agricultura familiar, neste município, a Associação dos Apicultores assinou contratos com o Banco do Brasil, beneficiando 17 produtores de mel de abelha. Será liberado um total de R$ 150 mil, por meio do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf).

Os novos produtores de mel estão motivados a começar ou ampliar a atividade produtiva. O clima entre eles é de expectativa. O presidente da Associação, Aildo Oliveira, apresentou os resultados obtidos nesses três anos de criação da entidade. Foram movimentados R$ 221 mil de recursos mobilizados na comercialização do mel e financiamento do Pronaf. "O nosso objetivo é inserir a apicultura na agricultura familiar como alternativa a outras atividades que já existem dentro do Município", disse Oliveira. "A produção de mel ainda é baixa, mas existe um grande potencial a ser explorado", aposta.

O esforço da associação é para ampliar a renda familiar. A maioria da população de Quixelô, cerca de 80%, reside na zona rural. Esse pessoal vive da agricultura famíliar, da pecuária e há potencial para o crescimento da apicultura.

Consórcio

A exploração da apicultura será em consórcio com os projetos de criação de ovinos, caprinos e com o plantio de caju. A ideia é agregar mais renda para as comunidades produtivas. "Houve uma mudança no perfil econômico das famílias associadas. Essas atividades agregadas vão oferecer mais qualidade de vida e serão realizadas com práticas de manejo com proteção ao meio ambiente", diz Oliveira.

A estratégia do grupo é capacitar, fazer o diagnóstico das áreas para saber a viabilidade e conseguir os investimentos. Tudo isso com apoio dos parceiros para obter uma boa produção e com qualidade.

Durante recente encontro, representante dos parceiros como Sebrae, Banco do Brasil e da empresa fornecedora dos equipamentos para produção ressaltaram a importância do desenvolvimento da produção de mel e do associativismo entre os produtores, capacitações, o bom manejo das colmeias, o cuidados com o meio ambiente e as formas de captação de recursos financeiros. A reunião contou com a participação de sócios da entidade, parceiros, representantes do Sebrae e o proprietário da empresa Facomel, Luiz Lucas, que vai fornecer os equipamentos para os produtores.

De acordo com o presidente da Associação dos Apicultores de Iguatu, Erasmo Leite de Souza, a exploração da apicultura, na região Centro-Sul, vem crescendo e a expectativa é de expansão da atividade nesta década. "A tendência é de aumento do número de produtores e da produtividade", frisou. "Temos comercialização garantida".

Na região, estima-se em 300 produtores. Este ano, por causa da seca, houve uma queda na produção estimada em 70%. Se o inverno tivesse sido regular, a produção esperada era de 100 toneladas. Em face dessa realidade, os apicultores estão tendo que alimentar os enxames com o próprio mel, rapadura, soja e dispor água em tanques próximos às colmeias para evitar a mortandade ou fuga das abelhas nas áreas de cultivo.

A Associação dos Apicultores de Iguatu ofereceu uma consultoria técnica para o manejo correto das colmeias nesta época de escassez de água e de flora. Para o produtor, Ernane Oliveira, os produtores vão enfrentar as dificuldades decorrentes deste ano porque a atividade não é exclusiva e há conscientização acerca da viabilidade do setor. "O ano passado foi muito bom, mas neste ano a queda de produção chega a 70%", disse. "Mesmo assim, ninguém vai abandonar". Ernane Oliveira esperava produzir 3,5 toneladas de mel, mas conseguiu apenas uma tonelada. O preço do quilo do produto para o produtor é considerado satisfatório, em torno de R$ 4,00 o quilo. Há dois anos estava em torno de R$ 2,60.

Financiamento

150 mil reais foram liberados pelo Banco do Brasil para a Associação dos Apicultores de Quixelô, por meio do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf)

MAIS INFORMAÇÕES 

Escritório do Sebrae em Iguatu, Rua 21 de Abril, S/N, 
Bairro Prado, (88) 3561. 1864
Fecap: (85) 3583.3436

ATIVIDADE EM EXPANSÃO

Setor favorece preservação ambiental

O mercado externo é favorável ao mel produzido no Ceará, Estado com vegetação propícia ao manejo

Iguatu. Além de um mercado favorável e promissor, a apicultura é uma atividade que contribui muito para a preservação ambiental. Nesta próxima década, o setor deve crescer ainda mais, no Ceará. Essa é a expectativa dos produtores. Embora, neste ano, os apicultores enfrentem um quadro de adversidade, por causa da estiagem. Somente em Iguatu há cerca de 100 produtores e a tendência é de crescimento do número de colméias e expansão da atividade.

O consultor técnico em apicultura, Francisco Luís Donde Neto, observou que a atividade ainda necessita de avanços e de implantação de modernas técnicas de manejo, além de melhor organização e articulação dos apicultores. "Muito progresso já houve, mas temos muito caminho a ser conquistado", disse. Ele considera o cenário mundial favorável e estima que a atividade tenha mais força na região. "Nos últimos dez anos, houve um crescimento expressivo".

Em março passado, cerca de 500 apicultores, de 30 municípios do Ceará, estiveram reunidos em Quixadá, para discutir estratégias de crescimento e fortalecimento do setor. O evento foi promovido pela Confederação Brasileira de Apicultura (CBA) e Federação Cearense de Apicultura (Fecap).

O encontro serviu para conscientizar os apicultores sobre a necessidade de organização e da viabilidade de expansão do mercado apícola. A meta da Fecap é duplicar a exportação de mel de abelha. Segundo números da associação, em 2009, foram vendidas 26 mil toneladas. O Ceará atingiu a segunda colocação. Perdeu apenas para o Estado de São Paulo.

Os produtores sabem da importância do setor e vêm adotando práticas corretas de manejo, retirada do produto das colméias e armazenamento. Uma característica da produção regional é o trabalho associativo. A matéria-prima apícola é exportada principalmente para a Europa e Estados Unidos.

O Ceará é favorável ao desenvolvimento da atividade graças à vegetação peculiar do Nordeste, a Caatinga. O diretor de comunicação da Fecap, Paulo Airton de Macedo, disse que o reflorestamento de matas nativas é fundamental para o desenvolvimento da atividade. Macedo citou como exemplo o modelo desenvolvido em Parambu, nos Inhamuns, os apicultores também cultivam mudas nativas.

O associativismo é o melhor caminho para os pequenos produtores, característicos da agricultura familiar. O grupo unido dispõe de mais facilidade para obter financiamento do Pronaf para investimento no setor, conquistar melhores preços e mercado na venda do mel.

O presidente da Fecap, Francisco Teixeira Filho, ressaltou a necessidade de mais investimentos na apicultura, por parte do governo, melhor assistência técnica e estruturação para extração do mel. "Precisamos nos organizar ainda mais", disse Chico Filho. "Estamos diante de um mercado promissor". O presidente da Associação dos Apicultores de Quixelô, Aildo Oliveira, defende que a atividade deva ser fortalecida com os produtores da agricultura familiar para ampliar a renda no campo e ajudar a fortalecer as famílias no sertão. Destacou a característica de não exclusividade da apicultura. "É uma atividade que dá lucro e é explorada com outras", frisou. Na região Centro-Sul, Acopiara é um dos municípios que vem se destacando na produção apícola.

HONÓRIO BARBOSA
REPÓRTER

domingo, 10 de outubro de 2010

Artigo de Suely Chacon para o Caderno Especial do Jornal O Povo durante o ICID+18

POLÍTICAS PÚBLICAS E SUSTENTABILIDADE NO SEMIÁRIDO (*)

Suely Salgueiro Chacon[1]

A história do Semiárido poderia ser contada a partir da forma como o meio ambiente foi visto, tratado e usado pelos que detinham o poder político na região. A seca foi um mote recorrente para definir ações que se modificavam ao longo do tempo, conforme a visão política se adequava às tendências. O exame da sustentabilidade do Semiárido em todas as suas dimensões revela a intricada teia de relações traçada entre o uso político do meio ambiente e suas conseqüências sociais e econômicas. Considerando essa premissa, a discussão sobre os impactos das mudanças climáticas para o Semiárido e a sustentabilidade dessa região passa pelo entendimento de como as políticas públicas tem tratado esse fenômeno na região.
Para situar o leitor, começamos com algumas informações sobre esse espaço que estamos analisando. O Bioma da Caatinga, que abriga o Semiárido, é considerado uma das 37 regiões naturais do planeta. Isto é, a Caatinga ainda abriga pelo menos 70% de sua cobertura vegetal original, e por isso é estratégica no contexto das mudanças globais, pois pode ajudar na preservação da biodiversidade do planeta. Recentemente, em junho de 2010, reconhecendo a importância desse Bioma, o governo brasileiro o declarou Patrimônio Natural do país.
O Semiárido brasileiro ocupa 12% do território nacional, possuindo mais de 1.133 municípios e uma população em torno de 22,5 milhões de habitantes, tornando-o a área mais povoada dentre as zonas áridas e semiáridas do planeta, provocando uma alta densidade demográfica e gerando uma maior vulnerabilidade para este espaço. A relação entre os efeitos das mudanças climáticas e o aumento da fome e da pobreza é fortemente ressaltada nesse contexto.
Esse cenário deixa clara a importância de iniciativas públicas para minimizar os impactos já perceptíveis das mudanças climáticas, bem como impedir que se agravem e se perpetuem ações que ameaçam esse espaço, como os desmatamentos e as tradicionais queimadas na região.
No entanto, apesar da fragilidade do Semiárido diante das mudanças climáticas, se buscarmos compreender como Estado tem lidado com essa questão, percebemos que pouca ênfase tem sido dada a esse pedaço do Brasil. A grande visibilidade mundial da Amazônia fez com que durante muito tempo as políticas públicas ambientais tenham concentrado recursos e interesses nessa região, em detrimento de um cuidado adequado com as demais regiões do país, em especial com o Semiárido.
Embora algumas ações pontuais tenham sido desenvolvidas, só recentemente observamos uma mobilização mais efetiva do Estado em prol da organização institucional para a criação de políticas ambientais voltadas para o Semiárido. Nesse sentido vale fazer alguns destaques. O Sistema Embrapa tem gerado relevante contribuição aos estudos das mudanças climáticas no Brasil e, em especial, do Semiárido. O Banco do Nordeste do Brasil passou a exigir cuidados ambientais para liberar recursos e tem incentivado diversas pesquisas relacionadas com a temática no Semiárido.  Duas importantes iniciativas geram efeitos diretos para o Semiárido: a criação do Instituto Nacional do Semi-Árido (INSA) e a elaboração do Programa de Ação Nacional de combate à desertificação e mitigação dos efeitos da seca – PAN Brasil, em 2004. E uma ação importante para tratar dos impactos das mudanças climáticas no Semiárido ocorreu mais recentemente, em 2010, com a criação do Fundo Caatinga. Em termos de ações públicas voltadas para a problemática das Mudanças Climáticas como um todo, destacam-se a criação do Painel Brasileiro sobre Mudanças do Clima, da Rede Clima, em 2007. E em dezembro de 2009 o Congresso Nacional aprovou a lei que instituiu o Fundo para Mudanças Climáticas.
Mesmo com um relativo aumento do arcabouço legal e da consciência em torno das conseqüências das mudanças climáticas no Brasil, ainda caminhamos a passos lentos. E o fato é que o Semiárido é uma das áreas mais afetadas do território brasileiro, com perspectivas de agravamento dos problemas gerados pelas mudanças climáticas na região. Mesmo assim ainda não dispõe de recursos suficientes para tratar adequadamente desse problema.
Nesse contexto, é importante ressaltar a necessidade de inserir essa discussão nos programas e propostas que visem o desenvolvimento do Semiárido, envolvendo também de forma decisiva a população. Para a promoção da sustentabilidade do Semiárido, precisamos de políticas que incentivem pesquisas para melhor conhecer o meio ambiente na região, quais os reais impactos das mudanças climáticas, quais os movimentos já existentes de adaptação às novas condições e quais as melhores práticas e ações de mitigação. E para tanto as políticas públicas são fundamentais, pois garantem os recursos e as condições necessárias para efetivar ações nesse sentido.


(*) Caderno Especial do Jornal O Povo durante o ICID+18. Fortaleza, 16 de agosto de 2010.
[1] Doutora em Desenvolvimento Sustentável. Professora da Universidade Federal do Ceará – Campus do Cariri. Coordenadora do Laboratório de Estudos Avançados em Desenvolvimento Regional do Semiárido (LEADERS). Pesquisadora da Rede Clima/Universidade de Brasília. Diretora Executiva da Sociedade Brasileira de Economia Ecológica. E-mail: suelychacon@ufc.br