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domingo, 13 de novembro de 2011

Cisternas - Convivência com o semiárido


alternativa

Cisternas provam eficácia da convivência com o semiárido

Publicado em 11 de novembro de 2011 

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Cisternas de placa e de calçadão na localidade de Riacho do Meio, zona rural de Cariús, estão garantindo água tanto para consumo humano como para a produção de alimentos
FOTOS: HONÓRIO BARBOSA
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Alimentos produzidos no quintal de casa com água da cisterna calçadão, na localidade de Brilhante
FOTO: SILVANIA CLAUDINO
No passado, o segundo semestre do ano era de sofrimento com a escassez de água. Hoje, a realidade mudou
Cariús Duas organizações não governamentais, o Centro de Defesa dos Direitos Humanos, em Senador Pompeu, e o Instituto Elo Amigo, em Iguatu, integram o esforço da Articulação do Semiárido Brasileiro (ASA), para promover o acesso à água e à segurança alimentar a dezenas de famílias de agricultores no sertão cearense.

A construção de cisternas de placas e de calçadão, cujos recursos são oriundos do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), tem se mostrado um meio eficaz de acesso à água para consumo e produção de alimentos.

Até agora, já foram construídas 39.275 cisternas de placas, com a programação de mais 22.500 para o próximo ano, segundo dados da Secretaria do Desenvolvimento Agrário do Estado (SDA). Há um projeto piloto para a construção de 1.500 cisternas de calçadão, que já foram conveniadas e estão em fase de execução.

Em meio a denúncias de má aplicação de recursos do MDS por algumas Prefeituras no Interior do Ceará para a construção de cisternas de placas (obras inacabadas ou com rachaduras), o esforço de organizações de sociedade civil tem apresentado bons resultados.

As famílias são capacitadas sobre o uso correto das unidades no período de estiagem. Os exemplos, segundo o coordenador da ONG Instituto Elo Amigo, Marcos Jacinto, estão espalhados em diversas comunidades rurais nos Municípios de Cariús, Crato, Jardim, Saboeiro, Piquet Carneiro, Independência, Tauá e Crateús.

Seleção
As instituições que fazem as políticas públicas do Governo Federal chegar à casa dos agricultores integram a articulação do Fórum Cearense pela Vida no Semiárido. Uma comissão municipal faz a seleção das famílias, que passam por formação técnica, para serem beneficiadas com as obras.

Há dois tipos de cisternas: a de placa, com capacidade para armazenar 16 mil litros de água de chuva captados por calha no telhado, do Programa por Um milhão de Cisternas (P1MC), que começou em 2003; e a cisterna calçadão, do Programa Uma Terra e Duas Águas (P1+2), que armazena até 52 mil litros de água para uso em irrigação de hortaliças e pomares no quintal das casas.

Para entender a sigla P1+2, Marcos Jacinto, esclarece: "O um significa terra para produção. O numeral dois corresponde a dois tipos de água - a potável, para consumo humano, (armazenada em cisternas de placas), e água para produção de alimentos (armazenada no modelo calçadão)".

As famílias atendidas pelo Programa P1+2 são selecionadas a partir de critérios sociais e econômicos, com prioridade para as casas que já dispõem de cisterna de placa, mulheres na qualidade de chefe de família, presença de crianças de até 6 anos, idosos acima de 65 anos e pessoas portadores de necessidades especiais.

De acordo com a ASA, o objetivo do programa é fomentar a construção de processos participativos de desenvolvimento rural no semiárido brasileiro e promover a soberania, a segurança alimentar e nutricional e a geração de emprego e renda às famílias agricultoras, por meio do acesso e manejo sustentáveis da terra e da água para produção de alimentos.

Na localidade de Riacho do Meio, zona rural de Cariús, quase todas as 54 famílias moradoras do lugar foram atendidas com cisternas de placas e nove do tipo calçadão. Antonieuda Carvalho é uma das beneficiadas e disse que a obra trouxe grande benefício. "Antes, a gente andava com balde na cabeça, indo pegar água distante, no riacho", contou. "Na época do verão, da seca, os poços secavam e água ficava ruim".

Hoje, além da água para o consumo, a família dispõe de verdura e algumas frutas, mesmo no período de verão. "Até abacaxi a gente está plantando", mostrou. "O excesso de produção da verdura a gente dá para os vizinhos". O marido dela é pedreiro e, atualmente, trabalha na construção de outras cisternas em Cariús.

As famílias dão como contrapartida a escavação do terreno, a alimentação dos operários e ajudam no trabalho de construção da unidade. Irani Vieira de Lima, outra beneficiada com a cisterna calçadão, disse que a obra trouxe uma vida nova. "Com certeza, melhorou a nossa qualidade de vida", frisou. "Os frutos que nós produzimos é de forma orgânica, sem veneno". A água acumulada ajuda outra atividade da família: a criação de vacas leiteiras.

O agricultor Emídio Lima, ao lado da esposa, Francisca Lima, mostra-se satisfeito com as duas cisternas. "Foi uma bênção", disse. Inicialmente, o produtor não queria o benefício, por estar idoso, mas hoje agradece. "Já sofri muito indo pegar água no riacho, em poços, mas agora tenho aqui do lado da minha casa".

Na comunidade de Riacho do Meio, a 37Km de Cariús, não se vê mais uma pessoa com lata d´água na cabeça. "A nossa meta é atender outras famílias com cisterna calçadão. Primeiro nós temos a preocupação de capacitar os beneficiários para que usem corretamente as unidades", frisou o técnico do Elo Amigo, Ednaldo do Carmo. A ideia é evitar o uso inadequado ou mesmo a não utilização das cisternas, deixando de captar água no período invernoso. Neste ano, o Elo Amigo em parceria com outras instituições já construiu 77 cisternas de placas, quatro barragens subterrâneas e três tanques comunitários.

MAIS INFORMAÇÕES

Instituto Elo Amigo
Rua 21 de Abril, S/N
Bairro Prado - Município de Iguatu
Telefone: (88) 9962. 5061

Honório Barbosa
Repórter

SERTÃO DOS INHAMUNSTecnologia garante produção
Independência Na localidade de Brilhante, a 9Km da sede deste Município, existem quatro cisternas calçadão. Construídas há quase dois anos, como projeto piloto de uma parceria entre o Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais (STTR) e o Instituto Elo Amigo, a iniciativa comprova a eficiência desta tecnologia de convivência com o semiárido.

Torna possível, com o armazenamento de água proveniente da chuva no período de inverno a produção de frutas, legumes e criação de pequenos animais durante todo o verão, tanto para o consumo das famílias como para gerar renda com a venda do excedente.

"É um sonho por uma época dessa não termos a preocupação com a falta de água, não termos que ir buscar água longe ou correr o risco de não ter onde ir buscar. Temos água em casa, aqui no nosso quintal", comemora Celma Pereira. Para além de possuir a água como um bem necessário ao dia a dia, para beber, banho, cozinhar e outras utilidades do cotidiano de uma família de cinco pessoas, Celma se anima também com a realidade de transformação de vida conquistada por meio da cisterna calçadão, no que diz respeito à produção. "Plantamos primeiro para o nosso consumo, depois vendemos o que sobra".

Depois da construção da cisterna, dá gosto visitar o quintal da casa de Celma e da comadre Isabel Cristina, vizinhas que dividem os benefícios e trabalho advindos da cisterna e canteiros. Está tudo no início, mas a família já se serve da produção de verduras e frutas. "Nesse período o cuidado tem sido dobrado e a produção diminui", afirma Celma. O sol castiga muito a plantação, é tempo da seca. O tomate é o mais prejudicado. O que tem colhido dos canteiros é a cebolinha, coentro e algumas frutas para consumo da família. Diz que vai cuidando e mantendo, enquanto o inverno chega. Quando a produção é boa, vende para a própria comunidade e até manda para vender na sede.

Maracujá, goiaba, abacate, acerola, seriguela, manga, macaxeira, banana, coco, mamão. Tem um pouco de tudo no quintal da Celma. Tudo muito bem cuidado e aguado com o que ainda resta dos 53 mil litros da cisterna calçadão, que ficou cheia com o inverno deste ano. A água é bem aproveitada de todas as formas pela família. Além da produção de frutas e hortaliças, beneficia na criação de animais domésticos. Ela cria galinhas e suínos. Diz que com a chegada da cisterna de produção tudo mudou na vida da família, a partir da alimentação. "Aproveitamos a água de todo jeito em nosso benefício e hoje temos uma alimentação com muita qualidade. Além do feijão e outras misturas trazidas da cidade, temos muitas frutas, legumes, ovos e boa carne. Tudo isso é uma bênção", reflete a agricultora.

Com a cisterna, Celma teve a oportunidade de participar de cursos e conhecer outras formas de plantio para aproveitar a água acumulada na cisterna. Por meio do projeto de implantação viajou, inclusive, para outras cidades que tinham experiências de sucesso em plantios dessa natureza. E decidiu, junto com a vizinha, implantar os canteiros econômicos, nos quais a semente é adubada na terra que depois é coberta com lona, esterco e uma camada de telha, tudo intercalado por canos furados. Fizeram quatro canteiros.

A experiência, viagens, cursos e a prática nos canteiros lhe deram uma nova visão em relação à vida e de como lidar com o seu sistema de produção. Agora, de forma mais sustentável.

Silvania ClaudinoRepórter

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Acesso a água e saneamento é um direito humano básico. (é mesmo?)

28/07/2011 16:00:42

O direito à água, uma miragem política

Thalif Deen, do IPS
Os governos têm uma grande cota de responsabilidade nos poucos avanços a se comemorar amanhã, data de primeiro aniversário da histórica resolução da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) que reconheceu o . “Os Estados-membros reagiram com lentidão”, queixou-se Maude Barlow, presidente nacional do The Council of Canadians, uma das maiores organizações não governamentais do Canadá que promove a justiça social e econômica. “Sei que meu próprio governo ainda não a aprovou e diz – incorretamente – que a resolução não é vinculante”, afirmou Barlow as IPS.

No dia 28 de julho do ano passado, a Assembleia Geral da ONU, de 192 membros, adotou a histórica resolução que, dois meses depois, foi aprovada pelo Conselho de Direitos Humanos, de 47 membros, com sede em Genebra. “O avanço mais significativo foi a adoção de uma segunda resolução por parte do Conselho”, disse Barlow, ex-conselheira da ONU em matéria de água e atual presidente da Food & Water Watch, com sede em Washington. Essa segunda resolução assentou as responsabilidades dos governos para colocar em prática este direito e, também, deixou claro que agora é vinculante, acrescentou.
De todo modo, a medida gerou divisões políticas: 122 países votaram a favor e 41 se abstiveram, mas não houve votos contrários. Entre as abstenções figuraram as dos Estados Unidos e de outros países industrializados, bem como de várias nações em desenvolvimento: Botsuana, Etiópia, Guiana, Quênia, Lesoto, Trinidad e Tobago e Zâmbia.
Fleur Anderson, coordenadora de campanhas internacionais na organização End Water Poverty, com sede em Londres, disse à IPS que apesar da resolução da ONU a crise da água e do saneamento continuou por todo o ano. “E o problema não é a escassez hídrica ou a mudança climática, mas as escolhas feitas pelos governos de não financiar o fornecimento de água e saneamento para cada comunidade”, afirmou.
Segundo Anderson, ainda falta um longo caminho para cumprir o Objetivo de Desenvolvimento do Milênio que propõe reduzir, até 2015, em 50% o número de pessoas sem acesso a saneamento adequado. Se os governos não aumentarem para 1% do produto interno bruto o gasto em saneamento, este direito não significará nada para os pais das quatro mil crianças que morrem por dia vítimas da diarreia, ressaltou a especialista. Esta doença é causada por falta de saneamento e pela má qualidade da água.
A campanha “Sanitation and Water for All” (Saneamento e Água para Todos) tem o potencial de colocar à prova a liderança de governos e da sociedade civil na hora de dar maior financiamento, coordenação e planejamento, mas os Estados-membros têm de apostar neste desafio, afirmou. Se as coisas continuarem a ser feitas como de costume, “o Objetivo do Milênio em matéria de saneamento não será cumprido nos próximos 200 anos”, acrescentou.
John Sauer, da Water for People, disse à IPS que, do ponto de vista dos Estados Unidos, se avançou por este país ter designado um coordenador mundial da água: Christian Holmes. E também deu outro passo importante ao assinar um Memorando de Entendimento com o Banco Mundial sobre o Dia Mundial da Água, acrescentou. Outros países também progrediram. A Libéria, por exemplo, fez um levantamento de todas as suas fontes hídricas em áreas rurais, o que ajudou a alimentar um plano nacional que agora está sendo analisado pela presidente Ellen Johnson Sirleaf.
“Essencialmente, estamos trabalhando para criar um plano interno de ação na maior quantidade possível de países, e a maioria incluirá pressionar seus governos para que elaborem um plano de ação a ser apresentado ao Comitê de Direitos Econômicos, Sociais e Culturais da ONU” e para que este documento detalhe como se fará para cumprir as obrigações de respeitar e proteger o direito à água, afirmou Barlow. A The Council of Canadians prepara uma campanha para que os governos adotem o direito a água e saneamento em suas constituições.
(IPS/Envolverde)

domingo, 10 de abril de 2011

LIVRO: Cuidando das Águas – soluções para melhorar a qualidade dos recursos hídricos

Relatório ‘Cuidando das Águas’ disponível para download em português

Publicado em abril 1, 2011 por HC



Estudo: Cuidando das Águas
Tradução do estudo do PNUMA foi realizada em parceria com a ANA e o CEBDS e inclui exemplos bem-sucedidos de iniciativas e projetos desenvolvidos pela ANA para a melhoria das águas no Brasil
Título: Cuidando das Águas
Autor: PNUMA, ANA e CEBDS
Data: 28/03/2011

A presente publicação é produto de uma parceria da Agência Nacional de Águas (ANA) com o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), e com o Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS). Esta teve como base o relatório intitulado Clearing the Waters: a focus on water quality solutions, lançado pelo PNUMA em março de 2010.
O texto do relatório foi traduzido para a língua portuguesa com o título Cuidando das Águas – soluções para melhorar a qualidade dos recursos hídricos e contou com a inserção de boxes com exemplos bem-sucedidos das iniciativas e dos projetos desenvolvidos pela ANA para a melhoria das águas no Brasil.
Para fazer o download do relatório, no formato PDF, com 13,5 Mb, clique aqui.
EcoDebate, 01/04/2011
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sábado, 2 de abril de 2011

Água no Nordeste

O governo federal vai lançar o programa Água para Todos, voltado para o semiárido nordestino, como uma das âncoras do plano de erradicação da miséria. Apesar do corte de R$ 50 bilhões no Orçamento, a presidente Dilma Rousseff garantiu aos ministros da área social que o governo investirá na construção de 800 mil cisternas, além de adutoras e pequenos reservatórios para atender 5 milhões de famílias até 2014.
- Depois do Luz para Todos, vamos ter o Água para Todos.
A referência é ao programa de energia elétrica lançado em novembro de 2003, no primeiro mandato do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A ideia também foi exposta por Dilma em conversa com dirigentes de seis centrais sindicais, no último dia 11, no Palácio do Planalto.
Com lançamento previsto para maio, o Água para Todos é inspirado no programa de mesmo nome, adotado pelo governador da Bahia, Jaques Wagner (PT), para quem a ideia "é uma coisa fantástica".
- Conseguimos levar água para mais de 2 milhões de pessoas [...] A presidente conversou comigo sobre o projeto e nossos técnicos estão trabalhando com o Ministério da Integração Nacional.
Hoje, diversas organizações não governamentais já investem na construção de cisternas no Brasil, principalmente na Região Nordeste, mas Dilma quer ampliar o trabalho. O projeto Um Milhão de Cisternas, por exemplo, é uma iniciativa adotada pela Articulação do Semiárido, ONG que reúne 700 entidades da sociedade civil.
Dilma insistiu que o Estado não pode "depender apenas da iniciativa dessas entidades. [...] O governo precisa entrar nisso."
Dilma quer transformar o Água para Todos em marca de seu governo.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Documentário - Ouro Azul: A Guerra da Água

Odisseia exibe amanhã «Ouro Azul: A Guerra da Água»

Odisseia exibe amanhã «Ouro Azul: A Guerra da Água»
O canal Odisseia vai transmitir amanhã, quinta-feira, às 22:00 horas, “Ouro Azul: A Guerra da Água”, sobre a escassez de água no mundo. O documentário demonstrará como o planeta se aproxima “rápida e perigosamente” de uma crise mundial por este bem essencial à vida.
Inspirado no livro “Ouro Azul”, de Maude Barlow e Tony Clarke, o filme venceu seis Festivais Internacionais em 2009, tendo sido premiado com o galardão de Melhor Documentário no Vancouver Internacional Film Festival, Melhor Documentário Ecológico no Newport Beach Film Festival, Melhor Documentário no European Independent Film Festival e no Beloit International Film Festival, e Melhor Documentário de Ambiente, no Tri-Media Film Festival e no Docufest Atlanta.
“Sabe-se hoje que, apesar de um bem renovável, a água pode ser finita, ao contrário do que durante muito tempo se acreditou”, diz a sinopse, revelada em comunicado pelo canal por cabo. “É também possível prever que, no futuro, as guerras não serão travadas pelo petróleo, mas por algo muito mais básico e necessário para a vida”, alerta a nota de imprensa.
De acordo com a Unesco, cada pessoa precisa de 50 litros de água por dia para sobreviver, no entanto, em diversas partes do mundo, essa necessidade não está satisfeita. Além disso, a água, que começa a “fazer parte de um mercado global”, é, “cada vez mais, assunto de acesas disputas na arena política internacional”.
“Ouro Azul: A Guerra da Água”, realizado por Sam Bozzo e produzido pela Purple Turtle Films, pode ser visto novamente no canal Odisseia no próximo dia 14, às 7:00 e às 13:00 horas, em repetição.


sábado, 16 de outubro de 2010

Blog Action Day 2010

Olá Amigos do Semiárido!

Ontem transcorreu o "Blog Action Day". Todos os anos no dia 15 de outubro, Blogs de todo mundo se mobilizam para discutir um tema relevante para todo o planeta. E durante uma ano esse tema é ressaltado pelos blogueiros. Em 2010 o tema escolhido foi Water (água), com ênfase para a dificuldade de acesso que milhões de pessoas em todo o mundo enfrentam todos os dias. O Blog do Semiárido se junta a essa rede, continuando nossa luta para mostrar não apenas as dificuldades, mas também as alternativas e as possibilidades de fazer esse território um espaço melhor para todos. E falar de água sempre foi um de nossos focos. Assim, continuamos nosso trabalho, agora reforçado por uma rede internacional de solidariedade. Participem!

Abraço e bom final de semana a todos!
Suely

http://blogactionday.change.org/why-water


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sábado, 31 de julho de 2010

Concurso "Olhares sobre a Água e o Clima"


Conheça os trabalhos premiados

30 Julho 2010

O concurso chamava à reflexão sobre a necessidade de preservar o a água e meio ambiente por intermédio de registros fotográficos e audiovisuais


Gotas de água em uma teia de aranha.


Foi divulgado hoje o resultado do primeiro concurso de foto e vídeo "Olhares sobre a Água e o Clima", promovido pelo WWF-Brasil, HSBC e Agência Nacional de Águas (ANA). Aproximadamente 3.300 trabalhos concorreram em quatro categorias.  O objetivo do concurso foi retratar a água e o clima em suas mais diversas manifestações sociais, culturais, simbólicas, econômicas, artísticas e religiosas.  

A primeira etapa da seleção dos trabalhos vencedores foi feita por votação popular via internet. Em seguida, as fotos e os videos votados pelos internautas foram submetidos à avaliação de uma comissão julgadora composta por especialistas de meio ambiente, membros das instituições promotoras e profissionais de foto e vídeo.

Os primeiros colocados de cada categoria receberão um troféu exclusivo do concurso, um kit dos promotores e uma viagem de quatro dias para Bonito (MS). Os segundo e terceiro colocados de cada categoria, por sua vez, receberão um troféu exclusivo do concurso e um kit dos promotores. Os quarto e quinto colocados vão ser premiados com troféu de participação no concurso.

A cerimônia de entrega dos prêmios vai acontecer no dia 13 de agosto na sede da Agência Nacional de Águas (ANA), em Brasília.

O coordenador do Programa Água para a Vida, do WWF-Brasil, Samuel Barrêto,  falou sobre a proposta do concurso: "Achamos fundamental que as pessoas integrem as questões ambientais em seu cotidiano, em especial no que tange ao cuidado com a água. A mera busca de uma imagem para o concurso já é, em si, uma reflexão sobre este elemento fundamental à vida", avalia.

Década da Água

A intenção do concurso era fazer com que os participantes refletissem sobre a necessidade de preservar o a água e meio ambiente e pensassem na relação do homem com os elementos da natureza, por intermédio de registros fotográficos e audiovisuais. O  concurso foi a forma escolhida para contribuir com a Década da Água, de 2005 a 2015, estabelecida pela Organização das Nações Unidas.


Acesse o site do concurso e confira os trabalhos vencedores: http://www.olharesaguaeclima.org.br


quarta-feira, 14 de julho de 2010

Água no Sertão

CANINDÉ

População comemora acesso à água potável

14/7/2010 Clique para Ampliar
Com R$ 0,20, agricultores podem levar para casa 20 litros de água potável. A água salobra é tirada à vontade, para usar na lavoura, no serviço doméstico e com os animais 
ANTÔNIO CARLOS ALVES
Na zona rural, os dessalinizadores tornam a água salobra, que é característica da região, própria para uso humano
Canindé. Imprópria para o consumo humano, muitas vezes a água salobra é a única alternativa para matar a sede no sertão. Em Canindé, onde a falta de água é natural e a maior parte da água disponível é salobra, uma tecnologia que retira os sais da água está ajudando a mudar essa realidade, tornando a água potável.

Na zona rural de Canindé, uma ficha de R$ 0,20 vale 20 litros de água potável. É assim em Jacurutu, área de assentados. Um equipamento conhecido por dessalinizador retira a água do poço profundo para ser filtrada e bombeada até o reservatório de dois mil litros, beneficiando 60 famílias. A fonte funciona das 7 às 8 horas. Todo o dinheiro arrecadado serve para pagar a energia, que gira em torno de R$ 25,00.

Segundo o responsável pela venda das fichas, José Luciano Sampaio Mariano, o equipamento funciona da seguinte maneira: a água salobra é bombeada para o dessalinizador. Passa por um sistema de pré-filtro, e segue para uma bomba de altíssima pressão. A água ganha força para passar pelas membranas, que impede a passagem de sais.

"Para você ter uma ideia, essa membrana tem capacidade de filtrar, reter uma partícula, como por exemplo, uma bactéria. Algo como 0,01 micra", explica José Luciano.

Como não é muito concentrada, a água salgada continua sendo utilizada na lavoura, nos afazeres domésticos e para os animais. Para o consumo das pessoas, agora só água filtrada. Dos 32 aparelhos instalados no Município, dez estão funcionando, o restante encontra-se em fase de implantação, porque as peças são caras. A manutenção é feita pelo técnico da Secretaria de Agricultura e Recursos Hídricos, José Nunes da Silva.

"Esse aparelho melhorou a nossa vida. Antes era preciso acordar pela madrugada, andar quilômetros e quilômetros para conseguir água de péssima qualidade. Agora, basta ir com R$ 0,20 e trazer para casa água mineral", diz o agricultor Expedito de Sousa Freitas. Outro que comemora a chegada do dessalinizador é Sebastião Epifânio Braga, que aproveita a água que sobra com resíduos, o rejeito, que os moradores podem levar à vontade.

Segundo o secretário Airton Maciel, o dessalinizador possibilita ao Município uma nova forma de combater a falta de água. "Aqui, quanto mais baixo, mas salobra a água fica. Isso porque o solo e o subsolo de Canindé são formados por rochas calcárias, com uma grande quantidade de sais, que não são como os que dão origem ao sal de cozinha. São principalmente sais de cálcio e magnésio, que deixam a água do local salobra. Outro fator que também contribui para isso é que na região tem mais evaporação do que chuva", explica.

Relatório

Um relatório da própria Secretaria mostra que a média anual de chuvas gira em torno de 756 milímetros por ano, contra uma evaporação acima de 2 mil milímetros. "Então a gente costuma dizer que aqui chove pra cima. Essa evaporação faz com que rapidamente a água que evapora concentre esses sais", frisa Airton Maciel.

O prefeito da cidade, Cláudio Pessoa, diz que a implantação de um dessalinizador, com toda infraestrutura necessária, custa em torno de R$ 40 mil. "Além da melhoria da qualidade de vida, saúde, cidadania, você tem um investimento diluído ao longo do tempo bastante barato, que muda o conceito de vida do povo do sertão. Estamos trabalhando no sentido de conseguir mais apoio junto aos órgãos para colocarmos novos aparelhos em funcionamento, porque será, sem dúvida, a grande saída para ajudarmos os nossos irmãos sertanejos", observa Cláudio Pessoa.

A ideia é firmar parcerias com a Fundação Banco do Brasil, Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs), Núcleo Tecnológico do Ceará e Superintendência de Obras Hidráulicas para colocar em funcionamento os demais aparelhos que estão parados. Além dos dessalinizadores, a Secretaria de Agricultura e Recursos Hídricos realiza a limpeza de cacimbões para abastecimento humano, recuperação de cataventos para captar água de poços profundos, onde a finalidade é atender à demanda humana e animal.

Dentro do projeto de melhoria no campo existem projetos para a criação de tilápias com a água do rejeito e produção de uma planta de origem australiana, a erva-sal, também conhecida como atriplex, e que se adapta muito bem ao clima da região. "É uma planta forrageira e serve para alimento de ovinos e caprinos", diz Maciel. Ela é uma espécie que faz parte de um grupo de plantas chamadas alófitas, que têm a capacidade de retenção do sal nas folhas e alto valor proteico.

Demanda
10 dos 32 dessalinizadores existentes em Canindé estão atualmente em funcionamento. Os demais encontram-se em fase de implantação porque as peças são caras

MAIS INFORMAÇÕES 
Prefeitura de Canindé
Largo Francisco Xavier de Medeiros, S/N - Imaculada Conceição
(85) 3343.6937/ 3343.2071


Antônio Carlos AlvesColaborador