quarta-feira, 25 de agosto de 2010

ARTIGO - Alternativas para o Semiárido

Vida digna no Semiárido - o caminho apontado pela ASA

Por Paulo Pedro*

24/08/2010 - Apesar do avanço da desertificação nas regiões áridas, semiáridas e subúmidas secas - as chamadas terras secas - e das evidências claras dos efeitos das mudanças do clima no mundo, o movimento por uma outra lógica de desenvolvimento, baseada nos princípios  da vida sustentável, é crescente em todo planeta.
Atualmente já são milhões de pessoas e milhares de comunidades e instituições, especialmente da sociedade civil organizada, envolvidas e dedicadas ao cultivo da esperança pela promoção de vida digna, cidadã e sustentável nas áreas mais afetadas pelas alterações no climáticas.
No Semiárido brasileiro e demais áreas susceptíveis à desertificação no país, este movimento tem sido puxado pela ASA e outras organizações e movimentos sociais, através de ações articuladas e concretas no desenvolvimento de sistemas produtivos e no fortalecimento da organização social.
O exemplo da ASA é muito positivo no sentido de apontar para ações concretas de promoção da vida e da cidadania. As organizações da Articulação estão há mais de décadas trabalhando com um número expressivo de famílias e comunidades que hoje já estão vivendo com dignidade e sustentabilidade nas condições ambientais de Semiárido.
Seus sistemas de produção estão melhor preparados e adaptados para enfrentar as mudanças climáticas e, principalmente, estes sistemas contribuem significativamente para a recuperação da fertilidades dos solos e da biodiversidade e, assim, contribuem para a qualidade ambiental e da vida.
O Semiárido brasileiro, coberto pelo bioma caatinga, único no mundo, representa 10% do território nacional, onde vivem em torno dos 30 milhões de pessoas. É o Semiárido mais populoso, de maior biodiversidade e mais chuvoso do planeta. Pelas riquezas e belezas ambientais, suas potencialidades econômicas e sociais e diversidade cultural, é uma região de muita importância para o desenvolvimento do país.
Mas é preciso mais atenção das políticas públicas com disponibilização de maior financiamento para ações de infratestrutura e criação de políticas e órgãos específicos para cuidar do desenvolvimento sustentável da região. Nesta construção, é imprescindível a participação da sociedade civil organizada.
Para enfrentar as mudanças climáticas e combater a desertificação é necessário investir em educação contextualizada e conscientização da população, valorizando as riquezas naturais existentes e as experiências que estão sendo construídas em bases sustentáveis. Também é imprescindível que as políticas mudem de uma lógica meramente econômica e incorporem as dimensões sociais, ambientais e culturais.
Por fim, podemos afirmar que o grande desafio agora é informar e convencer a população sobre nossas riquezas e do quanto já perdemos, assim como as conseqüências da degradação ambiental na vida das pessoas. E, a partir daí, fortalecer as organizações e articulações para promover as mudanças necessárias nas políticas públicas para garantir vida digna agora e melhorar as condições para as próximas gerações.
* Coordenador Geral da ONG CAATINGA e Ponto Focal Nacional da Sociedade Civil / ASA no Combate à Desertificação
Fonte: ASA

Seca e Incêndios no Semiárido

PERDAS NA AGRICULTURA (24/8/2010)

Incêndio provoca prejuízo de R$ 100 mil no Cariri

24/8/2010 Clique para Ampliar
Incêndio destruiu 30 hectares de cana e banana de 12 pequenos proprietários rurais do Sítio Riacho Seco, localizado no Município de Missão Velha 
ANTÔNIO VICELMO
No Ceará, já são mais de 200 focos de incêndios registrados pelo INPE, de janeiro até esta primeira quinzena


Missão Velha. Um incêndio destruiu 30 hectares de cana e banana de 12 pequenos proprietários rurais do Sítio Riacho Seco, neste Município. O prejuízo gira em torno de R$ 100 mil. Com dívidas a pagar junto à rede bancária, os proprietários estão "com as mãos na cabeça", sem condições de pagar os compromissos assumidos. Até os cortadores de cana, que dependem do pagamento semanal, não receberam nenhum tostão. A situação é de desespero para os agricultores que enfrentam mais um ano de seca.


Os moradores do sítio desconhecem a origem do fogo que ocorreu, na semana passada. Os proprietários rurais só se deram conta do tamanho dos prejuízos ontem. Eles imaginavam que, mesmo queimada, a cana seria aproveitada pelos engenhos. Depois de percorrer todos os engenhos que estão moendo na região, o agricultor Francisco Gonçalves Barros, conhecido como "Tico" Barros, voltou para casa desiludido. "Eles não querem a cana queimada nem de graça". Foi esta a resposta trazida por "Tico" para seus companheiros, vítimas do incêndio. Ele diz que perdeu a esperança e a paciência. Entrou em depressão e faz três noites que não dorme, pensando numa forma de pagar as dívidas. Até mesmo o plantio de banana, que era utilizado no consumo doméstico e vendido no mercado regional, foi consumido pelo fogo.

O pequeno produtor José Alves Barros, conhecido por "Dedé", que já estava em situação crítica por causa da seca, conta que "aqui, nós perdemos tudo, a única fonte de renda seria a venda da cana. Com este incêndio, a gente não tem como pagar as contas". Ele diz a maior vergonha que sente é não poder honrar os seus compromissos, principalmente junto àqueles "que nos ajudam na luta diária".

O lamento de Dedé é acompanhado pelo cortador de cana Damião da Silva que afirma: "o fogo consumiu o nosso suor. Eu não recebi o dinheiro do meu trabalho. A gente não tem o que fazer porque o prejuízo dos proprietários são maiores. A dor dos outros ameniza a da gente", diz resignado.

Um hectare de cana produz cerca de 90 toneladas, cerca de 30 toneladas por tarefa. A tonelada estava sendo vendida a R$ 40,00. A outra fonte de renda era transformar a cana em pasto para o gado, a fim de suprir a falta de capim, por conta da seca. O agropecuarista Maximiano Ximenes diz que estava comprando o hectare do insumo para pasto a R$ 1.200,00. Agora, com a matéria-prima queimada, ele não quer nem de graça.

Os produtores dizem não ter condições de aproveitar nem a "soca" da cana. "Vamos ter que plantar tudo novamente, sem nenhum tostão no bolso", lamenta. Normalmente, depois de cortada, a soca, ou caule, é mantida no solo, sem necessidade do replantio. Com o acúmulo de prejuízos, maioria está desiludida com a agricultura. "Quando não é a seca, é o fogo. Parece que atrás do pobre corre um bicho", diz o líder sindical Expedito Guedes, presidente do Sindicato dos Produtores Orgânicos do Cariri.


Focos de calor


O número de focos de calor no Brasil cresce de forma assustadora neste mês de agosto. Desde o início do ano, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) já registrou um total de 33.181 focos. Desses, 9.168 (28%) ocorreram em Mato Grosso. Em seguida, aparecem Tocantins (16%), Pará (13%), Bahia (7%) e Goiás (6%). O período de seca e a expansão rural são os principais responsáveis pelo aumento no número de focos de incêndio registrados neste mês em todo País.

De acordo com o INPE, 2010 é um ano muito mais seco do que 2009, com temperaturas mais altas, umidade relativa do ar mais baixa e sem chuvas, o que facilita o uso e a propagação do fogo. Além da questão climática, o aumento expressivo dos focos de queimadas se deve ao crescimento do setor agropecuário, que usa fogo para abrir pastagem e limpar a terra para o cultivo. "Um simples fogo de monturo, pode gerar um grande incêndio", adverte o chefe do escritório do Instituto Chico Mendes, Willian Brito, acrescentando que, no momento, a umidade relativa do ar gira em torno de 23%.

No Ceará, foram registrados 248 focos de calor de janeiro até 22 de agosto. Nestes últimos cinco dias, de sexta-feira até ontem foram identificados 35 focos de calor. Ao fornecer a informação, o coordenador estadual do Prevfogo, Kurtis François Teixeira, esclarece que o satélite só consegue detectar os focos de calor. Os incêndios que ocorrem normalmente no mato rasteiro dentro das florestas não são identificados pelo sensor do satélite. O acompanhamento desses incêndios, segundo Kurtis, deve ser feito pelos órgãos ambientais de cada região.

O coordenador estadual do Prevfogo orienta que, em caso de incêndios ou focos de calor, os proprietários rurais devem registrar um Boletim de Ocorrência no Corpo de Bombeiros, solicitar a perícia junto aos órgãos ambientais, ou telefonar para o 0800-618080 e fornecer informações sobre a propriedade atingida.

Kurtis anunciou que, a partir de setembro, serão deslocados 60 homens do Prevfogo para pontos estratégicos do Interior. 15 deles ficarão baseados em Crato. O Prevfogo é ligado ao Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis).


Antônio Vicelmo
Repórter



ENQUETE
O que fazer?



"Eu perdi o trabalho, a paciência e, também, a esperança. Não sei o que fazer para conseguir pagar as dívidas"

Francisco Gonçalves de Barro

Agricultor


"A maior vergonha para o homem do campo é não poder honrar os seus compromissos. Quero pagar as dívidas"

José Alves de Barro

Agricultor


"Agente não tem o que fazer. A dor dos outros ameniza a da gente. Os prejuízos dos proprietários são maiores aqui"

Damião Silva

Cortador de cana


MAIS INFORMAÇÕES

Instituto Chico Mendes
Praça Joaquim Fernandes Teles, S/N
Crato - Ceará
(88) 3521.5138

Gestão de águas no Semiárido - Crateús-CE

AÇUDES DO CEARÁ (23/8/2010)

Crateús terá sexto maior reservatório

23/8/2010 Clique para Ampliar
Leito do Rio Poty, a cerca de 2km do Distrito de Ibiapaba, onde será construída a Barragem Fronteiras 
SILVANIA CLAUDINO
O Dnocs abre as propostas para pré-qualificação da execução da construção da Barragem Fronteiras

Crateús. Nestes dias as atenções deste Município de Crateús estão voltadas para o ponto inicial de uma das obras mais esperadas na cidade, a Barragem Fronteiras. É que, amanhã, o Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs) fará a abertura das propostas para pré-qualificação da execução das obras e serviços de construção da referida barragem, que integrará o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC 2), cujo valor será de R$ 300 milhões. Terá capacidade de acumulação de 488 milhões de metros cúbicos de água proporcionando o abastecimento de cerca de 40% da população urbana de Crateús e 20% da população rural. O volume é o sexto maior do Ceará.

Neste recurso estão incluídas a construção do açude, as desapropriações e serviços de uma parte da estrada de ferro. "Essa obra é muito importante para a região de Crateús que é sempre seca e que contribuirá para evitar as cheias no Estado do Piauí, porque ela vai barrar o Rio Poty", anuncia o diretor geral do Dnocs, Elias Fernandes. Ele prevê que a obra do Açude Fronteiras começará ainda neste ano com duração de três anos.

A partir daí a população saberá quem será a empresa vencedora da construção da obra, que trará impacto hídrico de grandes proporções ao Município e região. "Consideramos a Barragem Fronteiras como a redenção da região, que com a obra vislumbrará um crescimento e desenvolvimento nunca vistos na região da Ibiapaba e de Crateús como um todo", diz o sub-secretário de agricultura de Crateús, Teobaldo Gonçalves. Ele participou dos primeiros levantamentos feitos para a obra, em 1993. Segundo Gonçalves, com a construção será possível o controle de enchentes, a garantia do abastecimento de água em caso de seca prolongada da sede de Crateús e irrigação de área de 5 mil hectares, beneficiando mais de 100 mil pessoas.

MAIS INFORMAÇÕES:
Dnocs
www.dnocs.gov.br/ (85) 3288.5100
Secretaria de Agricultura de Crateús (88) 3691.2127

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Economia Solidária em prática no Sertão

AL: Sertanejos investem em associações

Arranjo Produtivo Local (APL) Ovinocaprino no Sertão permite a criação de animais e fortalece a economia da região
11 de agosto de 2010 - 16:29 - Por TM
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Foto: Divulgação
A Associação dos Artesãos em Couro de Batalha (AACB) está transformando a vida de moradores da localidade. Desde que começaram a fazer parte do Arranjo Produtivo Local (APL) Ovinocaprino no Sertão, eles perceberam a importância do associativismo e passaram a acreditar no desenvolvimento sustentável, a partir da produção de artesanato feito com couro de boi, carneiro e até do peixe tilápia.
Instituída oficialmente há três anos, a Associação Sertaneja já representa o artesanato de Batalha em várias feiras de artesanato pelo país. A entidade é formada por artesãos que há décadas se dedicam à fabricação das famosas sandálias “xô boi”, que também ganhou uma versão feminina com salto, a “xô bela’.
As criações foram se diversificando através de cursos e oficinas com designers do Sebrae Alagoas e atualmente os artesãos produzem bolsas, pastas para notebooks, porta-moedas, brincos, chaveiros, entre outros produtos, além de aceitarem encomendas de peças feitas em couro.
Instalada em um prédio cedido pela prefeitura de Batalha, a Associação Sertaneja permanece de portas abertas durante toda a semana. No local, os artesãos trabalham na produção das peças. Toda a renda com a comercialização dos produtos é dividida entre os associados.
O Arranjo Produtivo Local Ovinocaprino no Sertão, mantido pelo governo do Estado, executa ações que vão desde a criação dos animais até a fabricação e venda do artesanato em couro.

BNB promove debate: Perspectivas de Desenvolvimento para o Brasil e América Latina

domingo, 22 de agosto de 2010

XXVIII Congresso ALAS - “Fronteiras Abertas da América Latina”





Recife – 06 a 10 setembro de 2011


No ano de 2011 a ALAS completa 60 anos de existência na renovação contínua de seus congressos. Nesta trajetória, constituiu-se numa referência importante para o pensamento crítico latino-americano e continua a sê-lo no momento presente. Neste século XXI, os desafios da América Latina e do Caribe na organização de um planeta mais equitativo, justo e plural vêm se ampliando, colocando-nos novos desafios.

A crise global vem obrigando a América Latina a renovar sua compreensão sobre si mesma e sobre o mundo, sobretudo quando ela passa a ser vista pelas forças progressistas, em nível mundial, como um lócus renovador, por excelência, dos movimentos sociais, políticos, culturais e intelectuais. Também, a América Latina é fonte de recursos naturais e ambientais fundamentais para a sobrevivência da espécie humana, o que é decisivo em uma conjuntura mundial de escassez de alimentos e fontes energéticas. Nesta mesma direção, é de se ressaltar que o português e o espanhol constituem em conjunto as bases de uma importante comunidade lingüística que ancora parte significativa da produção cultural mundial.

A percepção do significado da América Latina nas atuais reconfigurações do mapa mundial é tarefa que urge e chama à reflexão esta comunidade de sociólogos ao lhes propor revisões de seus paradigmas, reconhecidos, enfim, como tendo se pautado em binarismos que pouco ajudam à compreensão dos processos híbridos, das liminaridades, das tensões, das fronteiras, das criações que têm seu lugar num continente que não se explica unicamente por meio dos manuais secularmente consagrados. A nós é exigido o esforço hercúleo de legitimar narrativas ainda inéditas sobre nós mesmos.

Ora, ainda há muito que se fazer para nos percebermos como “nós”, latinos, e favorecer a ampliação do leque de atores e pesquisadores que interrogam a América Latina. Há desafios importantes para se avançar numa práxis teórica renovadora que articule o pensamento e a ação, que coordene as  instituições sociais, políticas, culturais, artísticas, econômicas e jurídicas com vistas à produção de um pensamento democrático e plural contemplando o local, o nacional, o pós-nacional, transnacional e suas metamorfoses. Entre as áreas a serem incorporadas ao pensamento latino-americano há de se ressaltar os estudos sobre as regiões da América Latina que permanecem ainda não suficientemente discutidas, a exemplo do norte e o nordeste da América do Sul, entre outras. Essas regiões são palco de profundas transformações sócio-econômicas, culturais e ambientais que têm impacto sobre o conjunto da América Latina, e, igualmente, de importantes mobilizações políticas e intelectuais voltadas para questionar em profundidade as raízes das desigualdades e injustiças sociais em planos diversos: étnico, econômico, de gênero, geracional e religioso. Há de se interrogar e contrapor, pois, com certa urgência, os vários campos de saberes e experiências liberadoras que ocorrem dentro e fora dessas regiões.

Nesta linha de reflexão, a escolha da cidade do Recife para a realização do XXVIII Congresso ALAS “Fronteiras Abertas da América Latina”, em 2011, tem uma importância simbólica e estratégica particular. Recife é uma importante metrópole histórica e econômica cujas origens remontam aos primeiros séculos da colonização ibérica, mantendo-se, até hoje, como importante centro cultural e intelectual. Entre os principais intelectuais e homens de ação que aqui desenvolveram parte significativa de suas obras estão Abreu e Lima, Joaquim Nabuco, Gilberto Freyre, Josué de Castro, Paulo Freire, Celso Furtado, Dom Helder Câmara e Miguel Arraes. Do ponto de vista geopolítico, a localização da cidade do Recife possibilita-nos articular as diversas cidades do norte e nordeste brasileiro, desde Manaus até Salvador, que guardam as memórias da colonização e da luta anticolonial. As lutas e mobilizações que ocorrem nessas áreas não se restringem a suas delimitações geográficas, mas se conectam com outras regiões do continente latinoamericano. A questão amazônica, para tomar o exemplo de uma das grandes regiões latino-americanas, não é apenas brasileira, do mesmo modo que a questão ambiental do nordeste não toca apenas os estados desta região. As desigualdades sociais, os desequilíbrios ecológicos, a fome e a miséria assim como a presença dos movimentos sociais que combatem este estado de precariedade, refletem situações mais amplas que concernem cada país e cada região da América Latina e do Caribe. Nesse sentido, a idéia de FRONTEIRAS ABERTAS como palavra-chave da ALAS 2011 justifica-se pela importância de se colocar como pauta de pesquisa e debate público atores, práticas, instituições e saberes que evidenciam os limites dos nossos modelos analíticos.

O propósito do ALAS 2011 é de consolidar os esforços de articulações realizados em Buenos Aires, Guadalajara, Porto Alegre, Arequipa, Antígua, São Paulo e demais encontros anteriores, ampliando a construção do pensamento crítico latino-americano. Neste sentido, há que se favorecer parcerias e cooperações entre países e regiões nas quais vêm se desenvolvendo novos saberes e práticas implicados com a construção democrática numa gramática moral cujo “bem viver”, de diversos, se traduz no alcance de metas coletivas em torno da dignidade humana.

O contexto de grandes mudanças geradas pela crise global e a organização de experiências marcadas pela reação anti-neoliberal contribuem para a reflexão sobre os modelos de desenvolvimento em termos culturais, políticos, econômicos da América Latina e sobre os modos de cooperação igualitária com outros blocos continentais, no diálogo Sul-Sul, atento a tais questões, o XXVIII Congresso ALAS “Fronteiras Abertas da América Latina” propõe cinco temas centrais, a saber:
·    Memórias, entre o passado e o futuro.
·    Políticas públicas e identidades, entre as singularidades e as universalidades.
·    Modernidades alternativas: política, cultura e sociedade na América Latina, África e Ásia.
·    Disciplinaridades dialógicas, entre o humanismo reflexivo e a variedade epistemológica e técnica.
·    Amazônia e ecossistemas, entre a depredação econômica e a sustentabilidade planetária.

1.    Memórias, entre o passado e o futuro
A América Latina tem uma importante tradição de autores e atores que se dedicaram a construção de um pensamento voltado para a compreensão de nossos dilemas fundamentais. A releitura crítica desta tradição intelectual e das lutas sociais constituem um aspecto a ser considerado na análise dos novos cenários culturais, políticos, econômicos que desafiam a inteligência latino-americana no presente com vistas à construção de um futuro.

Cabe debater as tensões intelectuais fundadoras das ciências sociais para formular teorias, metodologias, epistemologias e éticas, ao mesmo tempo em que encoraje a incorporação de novos conteúdos e novas práxis sociais na produção do conhecimento.

2.    Políticas públicas e identidades, entre as singularidades e as universalidades.
Desde a segunda metade do século XX, a América Latina constituiu o palco de grandes lutas democráticas, algumas sendo conduzidas dentro dos cânones institucionais e jurídicos, outras se insurgindo contra tais cânones. Essas lutas foram e são vividas pelos camponeses, povos indígenas, quilombolas, mulheres, crianças e idosos excluídos, trabalhadores sem-terra, sem-teto e sem direitos à participação nos mecanismos de distribuição dos bens de cidadania. Ricas trajetórias nos impõem a tarefa de analisar os avanços e as resistências nas lutas dos diversos povos, movimentos sociais e culturais em diferentes áreas como as das economias plurais, as de gênero, etnias e novas religiosidades. Tal conjuntura demanda mudanças no nível do Estado, fazendo emergir e consolidar direitos mediante políticas públicas inovadoras, a serem examinadas. Frente a esse quadro, o XXVIII Congresso ALAS se propõe a impulsionar conhecimentos transversais que contemplem a diversidade de experiências em diferentes planos analíticos.

3. Modernidades alternativas: política, cultura e sociedade na América Latina, África e Ásia.
A pretensão de um universalismo iluminista capaz de colonizar todas as áreas do planeta teve como reação a liberação de forças antiutilitaristas, descolonizadoras e pós-coloniais que ainda lutam pela releitura de tradições e por modalidades próprias de inserção no mundo globalizado, como sujeitos. Faz-se necessário cultivar um diálogo visando compartilhar as universalidades possíveis geradas por forças intelectuais e políticas criativas que se expandem na América Latina, África e Ásia, expressão das novas fronteiras geopolíticas. Os esforços de democratização implicam a valorização de modo mais transparente e eqüitativo das diversidades no interior das universalidades. Há que se construir, por conseguinte, um diálogo de novo tipo entre os diversos atores transnacionais, ampliando a compreensão coletiva sobre a América Latina e sobre o diálogo Sul-Sul.


4.    Disciplinaridades dialógicas, entre o humanismo reflexivo e a variedade epistemológica e técnica
Diante do cenário contemporâneo de rápidas mudanças, coloca-se a urgência de repensar as instituições acadêmicas e os campos de saberes, assim como as articulações entre saberes locais e saberes universais, e interrogar sobre a delimitação de fronteiras entre saberes e entre pesquisa, ensino e extensão.

No plano epistemológico, o trabalho de organização de novos conhecimentos deve permitir articular saberes reflexivos e informações técnicas e pragmáticas do mesmo modo que deve favorecer novas modalidades discursivas entre ciência e arte, entre ciência e tecnologia, entre ciência e movimentos sociais, entre ciência, direitos humanos e bioética. No plano científico e tecnológico, pensar a instauração de direitos sociais universais e participação na criação de conhecimentos, motivações éticas e universalidades na apropriação pública e social do saber.


Se as singularidades não têm que ser reificadas em assimetrias e as diferenças não equivalem a desigualdades imutáveis, nossos estudos até então erguidos sobre as virtudes da civilização ocidental estão desafiados a dar conta, hoje, da civilização planetária, que não se pretende homogênea, mas se deseja plural e justa, com a verbalização das significações de mundo também daqueles historicamente silenciados. A transdisciplinaridade e as redefinições do colonial x moderno longe de projetar essencialismos e fundamentalismos espera inaugurar releituras de pensadores clássicos e contemporâneos capazes de configurar uma intervenção epistêmica e política a fundar uma intersubjetividade mais ampliada entre pessoas, povos, línguas, experiências e projetos de vida.

5.    Amazônia e ecossistemas, entre a depredação econômica e a sustentabilidade planetária
A realização do XXVIII Congresso da ALAS na cidade do Recife é um momento importante para se incorporar como problemática sociológica o “patrimônio dialógico” que representou o Fórum Social Mundial, em Belém (2009), no que diz respeito à luta contra a depredação do meio ambiente, aos conflitos decorrentes da ameaça aos territórios e às culturas de povos indígenas e camponeses e ao imbricamento entre a depredação ambiental e os conflitos sociais. Essa é uma base para uma refletir sobre conflitos, contradições, proposições e articulação de atores e instituições voltadas para a busca da sustentabilidade social e ambiental na América Latina e no Caribe.

A gestação da sociologia latino-americana
Considerando que a América Latina é cada vez mais visualizada como um cenário de grandes mudanças do Século XXI, compreende-se que a ALAS assuma papel de destaque nesse debate na medida em que sua tradição constitui o próprio aval necessário para se promover o novo pensamento crítico nas diversas linhas de ação e reflexão acima sugeridas.

Enfim, há que se assinalar que Recife é uma cidade que tem sua história marcada pelas águas. Águas das navegações marítimas e das navegações ribeirinhas. Águas de seus mangues e rios. Nos versos dos poetas e músicos recifenses as águas lembram sempre os sonhos e esperanças de novos mundos. Esta mensagem que é a própria imagem do Recife serve também como metáfora de outra América Latina possível, como emblema dos sonhos de um mundo latino-americano mais amistoso e justo.


A construção do conhecimento latino-americano neste século XXI exige o desafio de se atravessar as águas da história e dos horizontes possíveis. Assim, com este espírito de renovação que nos oferece as águas dos mares e dos rios que atravessam Recife, o Comitê Organizador agradece a todos os comitês que o antecedeu e prepararam as bases para o XXVIII Congresso ALAS “Fronteiras Abertas da América Latina”, em setembro de 2011, na cidade do Recife, dizendo aos que nos lêem/ouvem: sintam-se bem-vindos ao diálogo!

V SOBER Nordeste e XI Semana de Economia da URCA

Mudanças Climáticas Globais e Desenvolvimento Rural do Nordeste: impactos econômicos, sociais e ambientais 


O Encontro Regional da SOBER Nordeste (Sociedade Brasileira de Economia, Administração e Sociologia Rural) de 2010 será realizado na cidade de Crato, CE, na Universidade Regional do Cariri (URCA), de 17 a 19 de novembro de 2010. Terá como tema central "Mudanças climáticas globais e desenvolvimento rural do Nordeste: impactos econômicos, sociais e ambientais", tendo como público alvo: professores, pesquisadores, estudantes e profissionais técnicos, movimentos sociais e empresários vinculados às áreas das ciências sociais aplicadas e ciências humanas com temas sobre o meio rural e o agronegócio. Os temas discutidos em torno da temática geral do evento serão: O processo de desertificação no Nordeste: inter-relações socioeconômicas e ambientais; Estratégias de desenvolvimento sustentável para regiões semiáridas; Financiamento do desenvolvimento sustentável em regiões semiáridas; A pesquisa científica e suas aplicações para o desenvolvimento rural do Nordeste: o que está sendo feito? O que precisa ser feito?; e Perspectivas para o semiárido e o Nordeste brasileiro: estratégias de desenvolvimento, instituições e políticas públicas. 

Submissão de trabalhos: http://soberne2010.urca.br/trabalhos.html 

COORDENAÇÃO GERAL
Prof. Ms. Francisco do O Lima Júnior (URCA)
Profa. Dra.Francisca Laudeci Martins (URCA)
Prof. Dr. José Micaelson Lacerda Morais (URCA)
Prof. Dr. Wellington Ribeiro Justo (URCA)
Profa. Dra. Eliane Pinheiro de Sousa (URCA)

SUBMISSÃO DE TRABALHOS: 

A Submissão pode ser para duas categorias: Apresentação Oral ou Painel seguindo as seguintes normas: 

APRESENTAÇÃO ORAL 

Na página de rosto deverá constar o Título do trabalho (máximo de 17 palavras), resumo (máximo 200 palavras), palavras-chaves (três a cinco), identificação da área temática e tipo de trabalho (oral ou pôster) . Os artigos deverão ser organizados da seguinte forma: Introdução, Metodologia, Resultados e Discussão, Conclusões e Referências Bibliográficas. Cada Autor poderá submeter até dois trabalhos e cada trabalho poderá conter até no máximo cinco autores. 

Os trabalhos não podem passar de 20 páginas (numeradas), incluindo as Referências Bibliográficas e os anexos. Os trabalhos devem ser enviados UNICAMENTE EM FORMATO PDF, fonte Arial, tamanho 12, intervalo (entre linhas) de 1,5. As páginas deverão ser configuradas no tamanho A4 com margens laterais, superior e inferior com 2,5cm. As citações diretas, indiretas, notas de rodapé, tabelas e Referências Bibliográficas devem seguir as especificações adotadas pela ABNT. Recomenda-se aos autores o máximo cuidado na redação e correção dos seus trabalhos, uma vez que, se aprovados, serão publicados nos Anais tal qual enviados. 

PAINEL 

Nesta modalidade deverá ser encaminhado um Resumo Expandido com até 3 páginas contendo: Título, Identificação da área temática do trabalho, Introdução, Objetivos, Metodologia, Resultados e Discussão e Referências Bibliográficas. 

AS ÁREAS TEMÁTICAS: 

1) Agricultura Familiar e Ruralidade 
Ivan Targino (UFPB) 
Maria Messias (URCA) 
Antonio César Ortega (UFU) 
Arthur Yamamoto (BNB) 

2) Reforma Agrária e Políticas Públicas 
Suely Chacon (UFC-Cariri) 
William Eufrásio Nunes Pereira (UFRN) 
Ronald Albuquerque e Figueiredo (URCA) 

3) Transferência e Apropriação Social da Ciência, Tecnologia e Inovação 
Wellington Ribeiro Justo (URCA) 
Monaliza Ferreira (UFPE-CAA) 
Christiane Luci Bezerra (URCA) 

4) Comercialização e Mercado de produtos Agropecuários 
Roberto Dias (URCA) 
Eliane Pinheiro de Sousa (URCA) 
João Ricardo Ferreira de Lima (UFPB) 
Jorge Mariano da Silva (UFRN) 

5) Desenvolvimento Rural e Meio Ambiente 
Francisco do O’ Lima Júnior (URCA) 
Francisca Laudeci Martins (URCA) 
Wendell Márcio Araújo Carneiro (BNB) 

6) Gestão Rural e Agronegócio 
Robério Telmo Campos (UFC) 
Kilmer Coelho Campos (UFC) 
Écio de Farias Costa (UFPE) 
Maria Jeanne Gonzaga de Paiva (URCA) 

As inscrições poderão ser feitas a partir de 23 de agosto de 2010, através do site: http://soberne2010.urca.br. O prazo para submissão será até o dia 02 de Outubro de 2010. A relação dos trabalhos aprovados será divulgada no dia 02 de Novembro de 2010. 

A Comissão informa: para que os trabalhos aprovados sejam publicados no CD dos Anais faz-se necessário que pelo menos um dos autores esteja inscrito no evento. 

Nota Geral: não serão aceitos trabalhos em que o autor ou co-autor faça parte do grupo de pareceristas na área temática na qual o artigo foi submetido