sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Ceará - Reunião discute planos de bacias

Fortaleza. A Cogerh realiza, hoje, às 9 horas, em sua sede, reunião para discutir o Termo de Referência sobre a elaboração de quatro planos de gerenciamento de águas e a revisão do Plano de Gerenciamento das Águas das Bacias Metropolitanas. A empresa IBI Engenharia Consultiva irá desenvolver e implantar os planos nas bacias: Acaraú, Coreaú e Litoral, e fazer a revisão dos Planos das Bacias Metropolitanas.

Os recursos para a implantação e desenvolvimento dos planos de bacias são provenientes do Proágua Nacional e terão duas dimensões: a técnica, que produz levantamentos e análises dos fundamentos técnicos relacionados aos aspectos hídricos e ambientais; e a política participativa, na qual insere a visão e os anseios dos usuários na construção do gerenciamento de águas. O desenvolvimento dos planos serão realizados em três fases: estudos básicos e diagnósticos, planejamento e programas de ações.

Oficinas de trabalho

Na programação de elaboração dos Planos de Bacias serão realizadas 12 oficinas de trabalho. Participarão da reunião, o diretor de planejamento da Companhia, João Farias, o gerente de Estudos e Projetos, Nelson Neiva, a equipe da Gepro, o supervisor do Proágua, Hugo Estênio, gerentes das bacias envolvidas e a empresa IBI.

Fonte: Jornal Diário do Nordeste. Fortaleza, 23 de outubro de 2009.
http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=682611

Ceará - Repentistas. Cultura do Sertão no Litoral.

Ceará - Litoral Leste - Festival reúne repentistas e poetas
Foto de Luciana Almeida

Aracati. Acontece, hoje, neste município, localizado no Litoral Leste do Ceará, o 11º Festival de Repentistas, Emboladores e Poetas Populares. O evento tem como objetivo fortalecer a legítima cultura popular. A meta é abrir espaço para o talento dos artistas que se expressam por meio do manejo da arte do improviso ao som da viola, da criatividade das engraçadas emboladas de coco e das pitorescas narrativas, obras que, atualmente, são tão difundidas dentro da literatura de cordel.

O Festival de Repentistas e Poetas Populares vem revelando valores espelhados na pluralidade e qualidade do evento, que já está no calendário social do município e da região. A festa acontecerá a partir das 20h, na Praça Monsenhor Bruno.

Emancipação

Este ano, o festival está inserido na programação comemorativa dos 167 anos de emancipação política do município de Aracati. Por isso, o evento é, antes de qualquer outra coisa, um ato de resistência e fé. Resistência ao império da mesmice, da louvação à futilidade; fé no futuro e no potencial de uma gente em cujo coração palpita, ao lado da aridez e da dificuldade, uma torrente de fertilidade.

Uma sensibilização aos jovens estudantes foi feita nas escolas da cidade, visando a participação do público jovem no evento, que foi sucesso em todas as edições anteriores. Antes, o evento acontecia em auditório na cidade. No entanto, com o volume de público crescente a cada edição, foi necessário mudar para a Praça Monsenhor Bruno.

Para o festival estão confirmadas as presenças dos cantadores: Pedro Bandeira, Antônio Nunes de França, Hernandes Pereira, Jorge Macedo, Hipólito Moura, Louro Branco, Miro Pereira, Jonas Bezerra, Acrízio de França, Raimundo Lira, Jota Gomes e Rogaciano Lopes, que disputarão entre si troféus e premiação em dinheiro.

O cordelista Lucas Evangelista, o violonista Netinho Ponciano, o poeta e declamador Antonio Francisco, de Mossoró e cantor potiguar Genildo Costa terão participação especial.

O XI Festival de Repentistas é uma realização da revista cultural Gente de Ação, dirigida pelo poeta e jornalista Dideus Sales, com patrocínio da Prefeitura local e Sebrae.

Aracati é uma das principais cidades litorâneas do Ceará que atrai, durante todo o ano, turistas de todo o País, pois concentra belas praias, como Canoa Quebrada e Majorlândia.

Mais informações
Festival de Repentistas, Emboladores e Poetas Populares
(88) 3421.1976
(88) 8802.7595

Fonte: Jornal Diário do Nordeste. Caderno Regional. Fortaleza, 22 de outubro de 2009.
http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=682285

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

II Festival UFC de Cultura homenageia Patativa

Estátua de Patativa em sua cidade natal: Assaré-Cariri-CE.
Foto: Suely Chacon


20-Oct-2009

De 9 a 13 de novembro, a UFC volta a ser palco de uma das mais intensas programações artístico-culturais do Estado. Será realizado o II Festival UFC de Cultura, que este ano homenageia Patativa do Assaré.

Com o tema "Ecos Nordeste, Cultura e Desenvolvimento", o evento promete repetir o sucesso de sua primeira edição, ocorrida em maio do ano passado. A programação completa estará disponível a partir desta quinta-feira (22), no site oficial do Festival, que será lançado na mesma data.

Durante cinco dias, música, cinema, literatura, fotografia, artes plásticas, teatro e artesanato – do popular ao erudito – estarão juntos nos três campi de Fortaleza, em três turnos. A proposta é aproveitar o ambiente universitário para mostrar um pouco do Ceará e do Nordeste aos próprios cearenses, mantendo vivos tradição, folclore e traços característicos de nossa gente.

Além disso, pretende-se lançar um olhar sobre o Nordeste urbano, inserido no contexto nacional e internacional, com os desafios das grandes metrópoles.

O poeta Patativa, homenageado do evento, será lembrado em uma mostra no Museu de Arte da UFC (MAUC), com fotografias de Tiago Santana, xilogravuras de João Pedro e curadoria e textos do pesquisador Gilmar de Carvalho. Além disso, será lançado o livro "100 anos de Patativa", uma coletânea de artigos acadêmicos sobre a vida e a obra de nosso mais importante poeta popular.

Os shows musicais são outro destaque do Festival. Já confirmaram presença atrações de renome nacional, como Mundo Livre S/A, Spok Frevo Orquestra, Ítalo e Reno, Orquestra Eleazar de Carvalho, Daniel Gonzaga e Lucas Santana. Isso sem contar com apresentações de grupos regionais, como Groovytown, Samba de Rosas, Batuqueiros da Caravana Cultural, Poesia Remix, Banda Cabaçal Fulô da Aurora, Ibadã e Tambor das Marias, dentre vários outros.

Aberta ao público, toda a programação do Festival tem por objetivo resgatar a história e as artes tradicionais do Nordeste, além de dar visibilidade à produção contemporânea e, principalmente, proporcionar a integração entre a Universidade e a sociedade – um dos maiores desafios da UFC.

Por isso, o evento ainda abrirá espaço a debates sobre temas relevantes para o Ceará, trazendo grandes nomes da arte e do pensamento brasileiro. Para falar sobre "A Reconstrução das cidades nas metrópoles", foi convidado o arquiteto cearense Fausto Nilo. Já sobre "Desenvolvimento regional e microcrédito", o Presidente do Banco do Nordeste (BNB), Roberto Smith, proferirá palestra.

Um dos maiores intelectuais na área de urbanismo e consultor do Banco Mundial para o tema, Robert Cervero, tem presença garantida com a palestra "O urbanismo sustentável: a criação habitável, viável e socialmente justa para cidades do futuro". Os "caminhos da esquerda latinoamericana" serão abordados em conferência do Presidente do Conselho Latino-Americano de Ciências Sociais, Emir Sader.

Os cinéfilos também poderão participar de uma programação exclusiva durante o Festival. Com o objetivo de reforçar o audiovisual no Estado, a Casa Amarela Eusélio Oliveira abrigará uma mostra de curtas e longas-metragens sobre o Nordeste, de autoria de diretores cearenses, pernambucanos, mineiros e cariocas. Além disso, serão realizadas oficinas (xilogravura e monotipia), lançamentos de livros, apresentações de dança e teatro de rua e muito mais.

O Festival UFC de Cultura é realizado em parceria com a ADUFC e patrocínio do Governo do Estado, Prefeitura de Fortaleza, Assembleia Legislativa do Ceará, BNB, Banco do Brasil e Funcap. Toda a programação é gratuita. Mais informações, a partir de quinta-feira, no site oficial do evento.

Fonte: Coordenadoria de Comunicação Social e Marketing Institucional da UFC - (fone: 85 3366 7331)

Pegada da água: talvez vejamos isso no supermercado

Andrea Vialli*
28/08/2009 - 16:06:43

Imagine ir às compras e olhar, no rótulo dos produtos, a quantidade de água que foi gasta para produzir aquele bem. Isso já está acontecendo - em pequena escala, é verdade - com as emissões de CO2. Na Europa e Japão, alguns produtos de consumo, como cosméticos, papel e cerveja, já trazem na embalagem a pegada de carbono, ou a quantidade de emissões de gases estufa lançados na atmosfera na fabricação dos produtos.

Com a água não será diferente - a pegada hídrica, ou water footprint, já está sendo aos poucos desenhada. E a Raisio, uma fabricante de produtos alimentícios da Finlândia já está estampando no seu cereal Elovenaa a quantidade de água consumida em todo o ciclo de vida do produto: desde a plantação da aveia até a fabricação.

Para fornecer à indústria padrões mais fidedignos da pegada hídrica foi criada a Water Footprint Network, uma rede formada por empresas, ONGs e membros das Nações Unidas. Por meio do site ficamos sabendo que um singela xícara de cafezinho tem uma pegada hídrica de 140 litros. E é um dos itens menos dispendiosos: para se produzir 1 kg de arroz são consumidos 3 mil litros de água. E pasmem: na produção de 1 kg de carne bovina, são necessários 16 mil (!!) litros de água, fazendo a conta desde o pasto.

*Publicado originalmente no blog Sustentabilidade, editado pela autora.

Energia para mover o mundo sem destruir o planeta

Juliana Lopes, da Revista Idéia Socioambiental
21/10/2009 - 16:36:17

Desde a descoberta do fogo, no período paleolítico, as grandes inovações da humanidade estiveram associadas à identificação de novas fontes e processos de geração de energia que proporcionaram a transformação não só de materiais, mas também de comportamentos e estilos de vida. Agora, no entanto, a equação do progresso impõe uma nova variável: gerar energia em quantidades cada vez maiores com o menor impacto socioambiental possível. Diversificar é a questão-chave para equilibrar essa balança, tanto em relação a recursos energéticos, quanto à sua origem.

“Em toda a história, tivemos, praticamente, uma única fonte de energia. Até a Revolução Industrial inglesa era o carvão, depois passamos a explorar o petróleo. Mas daqui para frente, em virtude da questão ambiental e da segurança energética, as escolhas terão que se basear nas vantagens comparativas das diversas regiões do mundo”, destaca Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE).

Esse quadro resultará na diluição não apenas dos riscos de abastecimento, mas também geopolíticos, associados ao domínio de um insumo essencial como a energia por determinadas regiões, como acontece hoje com os tradicionais países exportadores de petróleo. “As principais reservas de petróleo do mundo estão concentradas, principalmente, em nações que têm problemas de regime político ou religiosos. São países que vivem em permanente instabilidade política e social”, afirma Pires.

Complexo ao extremo, o quadro pode ainda se agravar. Segundo o relatório Brasil Sustentável, da Ernst&Young, estima-se um crescimento da demanda mundial de energia da ordem de 2,6% ao ano até 2030. E os países que mais demandarão o insumo são os que registrarão as maiores taxas de crescimento econômico, como a China, com um aumento de consumo de 4,9% ao ano, e a Índia, com 3,8%.

Para atender ao substancial crescimento da demanda energética diante da disponibilidade limitada de recursos, o levantamento prevê que serão necessários investimentos superiores a US$ 20 trilhões, até 2030, para acompanhar o consumo mundial.

Trata-se de um sinal concreto de que o setor de energia representará um campo para novas oportunidades de negócios, sobretudo no desenvolvimento de alternativas mais limpas. Nesse segmento, não por acaso, os investimentos cresceram em 5%. De acordo com o relatório Tendências Globais de Investimento em Energias Sustentáveis (do inglês, Global Trends in Sustainable Energy Investment), elaborado pelo Programa de Meio Ambiente da ONU, saltaram de US$ 148 bilhões, em 2007, para US$ 155 bilhões, em 2008. O estudo mostrou também que o investimento em fontes de energia renovável superou pela primeira vez o volume destinado às tecnologias para exploração de fontes fósseis.

Ainda que o recorde de US$ 155 bilhões e os bilionários pacotes de estímulos destinados à área, representem um avanço, a publicação da ONU reforça que será necessário pelo menos meio trilhão de dólares por ano até 2020 para estabilizar as emissões de gases de efeito estufa a um limite considerado seguro (até dois graus Celsius) pelos cientistas.

A energia eólica foi a campeã em novos investimentos atraindo globalmente um montante de US$ 51,8 bilhões. Mesmo correspondendo a um crescimento de apenas 1%, quando comparado a 2007, esse aporte confirma a posição da eólica como a mais madura e melhor estabilizada entre as alternativas sustentáveis no mundo. O maior salto de investimento, no entanto, se deu em relação à energia solar (49%), que recebeu US$ 33,5 bilhões. Já o setor de biocombustíveis sofreu uma queda de 9% em relação ao ano passado, registrando US$ 16,9 bilhões em recursos. Juntos, esses três setores lideram o conjunto de energias sustentáveis, somando 86% dos novos investimentos dedicados à área.

Mapa da energia renovável

O relatório da ONU faz ainda uma análise da distribuição geográfica dos investimentos voltados às energias limpas. Nesse cenário, a Europa continua na liderança com US$ 49,7 bilhões investidos em 2008, o que representa um aumento de 2% em relação a 2007. Esse investimento é avalizado por políticas governamentais de incentivo a projetos de energias sustentáveis, particularmente na Espanha, onde foram aplicados na área cerca de US$ 17,4 bilhões de ativos financeiros.

Com US$ 30,1 bilhões, a América do Norte registrou uma queda de 8% nos novos investimentos em energias limpas, graças -segundo o estudo - à recessão econômica iniciada em setembro de 2008.

Os países em desenvolvimento, por sua vez, contribuíram com US$ 24,2 bilhões em investimentos para a Ásia e Oceania em 2008, um salto de 12% em relação ao ano anterior. Na China, com a intervenção direta do governo, os recursos destinados às energias sustentáveis subiram 18%, atingindo US$15,6 bilhões. Na Índia, foram US$ 3,7 bilhões, com aumento de 12%. E na América do Sul, contaram-se US$ 12,3 bilhões, alavancados, em grande medida, pela indústria do etanol de cana-de-açúcar no Brasil.

Ainda segundo o estudo da ONU, o ano de 2008 se caracterizou por passos decisivos em países como Japão e Austrália, onde a energia sustentável até então não era uma prioridade.

Durante muito tempo, a potência asiática detinha a maior capacidade de energia solar instalada, em consequência de subsídios para adoção de sistemas de geração de energia fotovoltaica em residências no período de 1999 a 2005. Em 2006, os japoneses perderam o posto para os alemães. Próximo do término do primeiro período de compromisso do Protocolo de Kyoto (1990-2012), o governo nipônico decidiu retomar o investimento em energia solar para cumprir sua meta de 6% de redução de emissões de gases de efeito estufa. O país - que, em exportações de petróleo, fica atrás apenas dos EUA - planeja aumentar em 10 vezes sua produção de energia fotovoltaica até 2020, e em 40 vezes, até 2030, índices, nos dois casos, comparados aos de 2005.

Já na Austrália as energias renováveis ganharam um grande reforço com o primeiro-ministro Kevin Rudd. Assim que tomou posse em 2007, ele ratificou o protocolo de Kyoto, anunciando medidas para estabelecer o esquema de comércio de emissões naquele país, com a intenção de reduzir em até 60% as emissões de CO2 até 2050 e também de permitir que pelo menos 20% da energia total consumida provenha de fontes renováveis. Dada a sua forte dependência de combustíveis fósseis, a Austrália resolveu assumir posição de liderança em relação a tecnologias de captura e estocagem de carbono.

Nos países industrializados, os investimentos totalizaram US$ 82,3 bilhões, 1,7% a menos em comparação a 2007. Já o total de novos aportes nos países em desenvolvimento atingiu US$ 36,6 bilhões, contando um aumento de 27%. Além disso, as economias emergentes receberam 31% dos investimentos totais dedicados a projetos de energias sustentáveis.

Brasil potência, na economia de baixo carbono

O relatório Tendências Globais de Investimento em Energias Sustentáveis destaca o Brasil como o maior mercado mundial de energias renováveis. Por suas condições favoráveis, que permitem o desenvolvimento de fontes de energia diversas, e matriz energética limpa, baseada em hidreletricidade, a posição de liderança do País na perspectiva de uma economia de baixo carbono é, de fato, algo razoável de se projetar. No entanto, as políticas energéticas não têm se mostrado eficientes para atrair investimentos para o setor, de modo a explorar todo o seu potencial.

“Perdemos grandes oportunidades nos anos em que a economia mundial cresceu muito. Tínhamos que ter atraído muito mais investimentos em energia, considerando o fato de que a natureza nos premiou muito em relação a esse quesito. O grande problema é que nem o governo atual nem o anterior conseguiram acoplar essa benesse a uma política capaz de gerar grandes investimentos”, afirma Pires.

A decisão que causou maior alarde - ressalta Pires– foi o anúncio do plano decenal de energia, que prevê a criação de 82 usinas termelétricas até 2017. Além de causar mais impactos ao meio ambiente, as térmicas também podem resultar em aumentos no preço da energia, uma vez que estão sujeitas às oscilações do preço do petróleo. “Os resultados de leilões de energia elétrica, dos quais as térmicas saíram vencedoras, mostram um Brasil andando para trás. Enquanto o mundo inteiro está querendo mudar a matriz para fontes mais limpas e renováveis, privilegiamos fontes fósseis”, critica Pires.

Por todas essas razões, o planejar — um ponto crítico em qualquer segmento - tornou-se tarefa urgente na gestão da energia. “O paradigma da discussão está muito pobre. No setor elétrico, o governo começou a pensar que está tudo bem, desde que não haja apagão. Aí o governo se apavora e compra um monte de porcaria. A ausência de planejamento, de políticas adequadas e a incapacidade de gestão no núcleo central do governo é que ocasionou essa situação, danificando o cenário energético e ambiental brasileiro”, afirma Ildo Sauer, pesquisador do Instituto de Eletrotécnica da Universidade de São Paulo (USP).

Para Sauer, faltou competência do governo para, nos anos 2003 e 2004, organizar o portfólio de projetos, e realizar os estudos ambientais e de passivo social para obter as licenças em um ritmo mais veloz. “Abriu-se a porteira para uma das coisas mais horrendas da história do Brasil, uma Itaipu de poluição que é contratação de quase 14.000 megawatts de usinas a óleo e a carvão. Isto é produto da falta de política e de gestão adequadas na área de energia no Brasil. Não é problema da área ambiental”, afirma.

A falta de diretrizes claras e políticas de longo-prazo constitui-se como a principal barreira para novos investimentos em energia no Brasil. “A política brasileira de energia é muito ciclotímica e não dá sinais de longo prazo nem para o investidor, nem para o consumidor. Quando se aumenta o preço do petróleo se arruma instrumentos para incentivar o consumo, por exemplo, do etanol. Se o preço do petróleo cai, o etanol é esquecido para voltar a consumir gasolina. Na hora que tem gás sobrando, o governo elabora ferramentas para viabilizar um grande consumo desse insumo e assim por diante”, afirma Pires.

Marina Grossi, diretora do Conselho Empresarial para o Desenvolvimento Sustentável (Cebds), reforça ainda a importância de um projeto de país que direcione todos os esforços em uma mesma direção. “O mesmo governo que consegue fazer um plano de combate às mudanças climáticas, aprova um plano decenal de energia, que prioriza térmicas. Falta planejamento e políticas consistentes para impulsionar novos projetos”, destaca.

Papel indutor do governo

De acordo com Sauer, o único agente que tem o controle e os mecanismos para alterar qualitativamente as trajetórias do uso e produção de energia é o governo, em coordenação, evidentemente, com o mercado. “As energias renováveis precisam ter escala e, para que isso aconteça, são necessárias políticas públicas. Tomando o exemplo da energia eólica, se houvesse um aumento da escala, como ocorreu em relação ao álcool, o preço unitário cairia, com ganho de produtividade. Sendo assim, essa fonte poderia ter um espaço muito maior no Brasil”, afirma.

As parcerias público-privadas também se mostram efetivas no desenvolvimento de fontes renováveis. Mas Leonardo Dutra, gerente de sustentabilidade da Ernst&Young, acha que será necessário criar mecanismos de incentivo. “O Brasil precisa de energia, para gerar mais negócios e empregos. A iniciativa privada tem um papel importante, mas depende do suporte do governo no sentido de criar incentivos fiscais. Acredito que vai haver alguma diferenciação para o investimento em energias renováveis”, reforça.

O estudo Tendências Globais de Investimento em Energias Sustentáveis, da ONU comprova essa tese. Segundo o documento, os mecanismos de mercado e incentivos desempenharão um papel-chave tanto em países desenvolvidos, quanto em desenvolvimento, incluindo a revisão de cerca de US$ 200 bilhões de subsídios destinados, anualmente, a combustíveis fósseis.

Ao sabor e a favor do vento

No Brasil, as iniciativas de fomento do governo brasileiro às energias renováveis continuam bastante tímidas. Tomando novamente o exemplo da energia eólica, apesar de todo o potencial de geração dessa fonte e da vantagem de complementaridade que oferece às usinas hidrelétricas, foram instalados apenas 359 MW, dos 1,4GW de capacidade dessa alternativa, contratados pelo Programa de Incentivo a Fontes Alternativas de Energia Elétrica (Proinfa) O programa foi estabelecido em 2002 para encorajar projetos de energia eólica, biomassa e pequenas centrais hidrelétricas. E um de seus objetivos era estimular a Impsa, empresa global de soluções de geração de energia elétrica, a iniciar naquele ano suas operações no setor de eólica no Brasil. “Com o Proinfa, o governo gerou confiança para as empresas viabilizarem seus investimentos no longo prazo”, diz Juan Carlos Fernández, vice-presidente da Impsa.

Para o executivo, o diferencial dos ventos brasileiros oferecem o dobro da qualidade da média mundial. Somando as suas operações de energia hidroelétrica e eólica no Brasil, a Impsa planeja faturar aproximadamente R$ 500 milhões em 2009. Na mesma trajetória de expansão, empresa estima um faturamento de R$ 700 milhões em 2010.

De origem argentina, a companhia está realizando um programa tecnológico no Brasil, por meio do qual investirá R$ 50 milhões no desenvolvimento de um aerogerador de 4 MW para usinas eólicas on-shore e off-shore. “O projeto é parte de uma série de testes e pesquisas que estamos conduzindo para adaptar nossos equipamentos às regiões tropicais”, destaca Fernández.

O entusiasmo com que o setor privado respondeu ao primeiro leilão de energia eólica, a ser realizado por meio do Proinfa em 25 de novembro, atesta o potencial para investimentos na área. Foram cadastrados 441 projetos, com 13.341 MW de potência, quase 32 vezes a capacidade eólica atual do país, estimada em 417,5 MW. O montante cobriria 12% da matriz elétrica brasileira, superando em quase três vezes a capacidade instalada prevista (4.682 MW) para a fonte em 2030.

Diante da grande procura, o setor espera que a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) amplie a participação da energia eólica na revisão do Plano Nacional de Energia (PNE), com horizonte até 2035, previsto para ser divulgado no próximo ano.

A Impsa não tem poupado esforços para abocanhar esse novo mercado em ascensão, confirmando a tendência de predominância das empresas de capital estrangeiro na área. Segundo Fernández, a proximidade da realização do leilão, já trouxe um aumento da demanda da Impsa, que deseja ampliar a sua capacidade de geração dos atuais 600 MW para 1000 MW. Ele crê, no entanto, ser importante contar com respaldo do governo. “A discussão de políticas equitativas e favoráveis à competição deve ser mantida. O setor de energias renováveis é responsável pela geração de muitos empregos, além de apresentar grande potencial de crescimento. Por esses motivos precisa ser defendido”, argumenta.

O sol aponta a direção

No mercado para energia solar o cenário se repete. Seu desenvolvimento ainda está muito condicionado a estímulos e programas de governo. Essa não é uma exclusividade brasileira. Uma breve análise, por exemplo, da conjuntura global, aponta que o maior mercado para energia fotovoltaica está nos chamados sistemas conectados à rede elétrica. Por meio deles, indústrias, estabelecimentos e residências podem instalar painéis solares e vender o excedente de energia para as concessionárias.

No Brasil, o desenvolvimento desse segmento depende de uma política de subsídios, assim como ocorreu nos países que hoje lideram esse modelo, principalmente Alemanha, Japão e Espanha

Por aqui, a grande oportunidade se concentra nos chamados sistemas isolados, que abrangem as regiões não atendidas pela rede elétrica. Nessa perspectiva, o Programa Luz Para Todos se tornou um grande incentivo para o setor de energia fotovoltaica no País, uma vez que essa fonte passou a ser explorada nas áreas mais remotas, onde a conexão com a rede elétrica seria pouco viável.

“Quem precisa da energia solar? As comunidades que estão muito longe da energia e, normalmente, não têm poder aquisitivo para adquirir um sistema solar. Na área urbana, as pessoas têm condições de instalar painéis solares, mas ainda não contam com incentivos para fazê-lo. Por isso, o suporte do governo é fundamental para o desenvolvimento do mercado para a fotovoltaica”, afirma Sérgio Beninca, diretor comercial da Kyocera Solar, empresa-líder no segmento de energia fotovoltaica.

Por meio de programas federais e estaduais de universalização do acesso à energia, a companhia já instalou cerca de 21.000 sistemas solares. Outro mercado importante para essa alternativa é o de telecomunicações, que conforme determinação do governo, deve instalar pelo menos um telefone público em áreas com mais de 300 pessoas. Nas regiões mais remotas, o segmento também recorre à tecnologia de geração de energia fotovoltaica.

Segundo Beninca, a Kyocera aposta na expansão desses programas, sobretudo do Luz Para Todos, projetando um crescimento de até 50% para o próximo ano, caso essas ações tenham continuidade. Diante da confirmação dessa tendência de crescimento, a companhia de origem japonesa planeja instalar uma fábrica no Brasil e passar a montar localmente os sistemas.

Fóssil não está fora de questão

Na busca por aliar demanda e oferta de energia, as fontes fósseis também podem ser consideradas em uma perspectiva de baixo carbono. Ao menos essa é a aposta feita com o investimento em energias de Captura e Armazenamento de Carbono (do inglês, capture and storage).

Seguindo a trajetória das grandes petrolíferas globais, a Petrobras tem investido nessa tecnologia desde 2007. A companhia possui hoje três projetos na área, dois desenvolvidos sob forma piloto nos reservatórios da Bacia do Recôncavo Baiano, na Bahia. Em um deles, o CO2 é injetado em um aquífero salino profundo e, no outro, em um campo de petróleo, ambos em terra, nos campos de Rio Pojuca e Miranga. O terceiro projeto prevê o aprisionamento de gás natural extraído da Bacia de Campos, no Rio de Janeiro. Além disso, a companhia começa a estudar a possibilidade de realizar um projeto de sequestro geológico no recém-descoberto campo de Tupi, na Bacia de Santos.

Os projetos contam com o suporte do Centro de Pesquisas da Petrobras (Cenpes), que realiza estudos para avaliar e quantificar o potencial de injeção de gás carbônico em reservatórios geológicos das bacias do Recôncavo, Campos, Potiguar, no Rio Grande do Norte e Paraná.

Para assegurar a sustentabilidade de seus negócios, a Petrobras também tem investido fortemente em energias renováveis, particularmente em biocombustíveis. Tanto que, em 2008, criou uma subsidiária para atuar especificamente nesse mercado. O objetivo é chegar a 2013 produzindo 25% do biodiesel e 10% do etanol brasileiros.

O plano de negócios da companhia prevê investimentos de US$ 2,4 bilhões no segmento de produção de biodiesel e etanol para o período de 2009 a 2013. Esse valor faz parte do total de US$ 2,8 bilhões destinados ao negócio de biocombustíveis. Desses recursos, US$ 400 milhões serão investidos em infraestrutura, para construção de alcooldutos, por exemplo. Na área de pesquisa e desenvolvimento, US$ 530 milhões serão destinados à área.

Os investimentos totais em biocombustíveis representam um aumento de 87% em relação ao plano anterior.

O verde da cana e o seu valor em ouro

Uma área em relação à qual todos são unânimes em reconhecer grande potencial é a de biocombustíveis. Segundo o relatório Brasil Sustentável, da Ernst&Young, o mercado para essa alternativa será sensível aos preços do petróleo e deverá se expandir com a permanência desse último acima de US$ 40 por barril. “A inclusão de etanol e demais biocombustíveis na matriz energética é um fator de extrema importância não só do ponto de vista ambiental, mas também de segurança do fornecimento”, destaca o estudo.

A experiência brasileira de desenvolvimento do etanol de cana-de-açúcar e introdução maciça desse combustível em sua matriz energética tem motivado a ONU a eleger o Brasil como um dos maiores mercados para energias renováveis do mundo.

Em seu estudo, Tendências Globais para Investimentos em Energias Sustentáveis, a organização ressalta que, em 2008, 90% dos novos carros brasileiros utilizavam etanol, representando 52% de todo o combustível consumido por veículos leves no País.

Segundo a União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Unica), o setor movimenta cerca de US$ 25 bilhões por ano, gerando 850 mil empregos diretos na agricultura e indústria. Em exportações de etanol e cana-de-açúcar são US$ 8 bilhões em receitas.

Cerca de 80% da produção de etanol se destina ao mercado doméstico. De acordo com Eduardo Leão de Sousa, diretor executivo da Unica, ainda há possibilidade de expansão. “Hoje, apenas 30% da frota é constituída de carros flex, por isso ainda há um potencial grande”, destaca Sousa.

Segundo o relatório Brasil Sustentável, as projeções consideram uma taxa de crescimento de 3,3% ao ano para o mercado de combustíveis veiculares no Brasil no período. Desse total, o volume a ser atendido pelo

etanol seria de 45%, em razão do aumento da frota e dos ganhos de eficiência energética no uso de combustíveis - espera-se que a frota brasileira tenha um rendimento de 10,4 quilômetros por litro, considerado o mix de combustíveis. Com isso, o crescimento do mercado doméstico de etanol será superior ao da gasolina: 4,3% contra 2,6%, respectivamente. Estima-se que as exportações de etanol cheguem a 17,4 bilhões de litros em 2030, um crescimento de 8,9% ao ano em relação às exportações de 2005.

Na perspectiva internacional, os dois grandes mercados são o americano e europeu. Nos EUA, o volume de biocombustíveis, em sua maior parte etanol a partir do milho, a ser misturado à gasolina deve chegar a 28 bilhões de litros, em 2012, e a 136 bilhões de litros, em 2022. É isso o que concluiu o Energy Policy Act, de 2005, que regulamenta o setor.

No entanto, o etanol brasileiro ainda se depara com medidas tomadas pelos EUA para proteger sua indústria, como a tarifa de 64 centavos de dólar por galão. “A grande questão é o espaço que eles vão nos dar porque hoje, logicamente, têm interesse em produzir lá o etanol. Mas o etanol de milho apresenta restrições tanto em relação ao uso, porque boa parte dele destina-se à produção de ração e alimentação humana, quanto à própria qualidade do ponto de vista ambiental e de eficiência”, explica Sousa.

Com a Diretiva 2003/30, a União Européia também avançou no uso do etanol no período de 2003 a 2005. A regulação determina que os biocombustíveis deverão substituir, em conteúdo energético, 5,7% dos combustíveis fósseis até o fim de 2010.

Segundo o estudo Brasil Sustentável, nessas duas regiões, os subsídios e os impostos de importação serão gradualmente retirados para garantir a redução de custo dos biocombustíveis.

Na análise de Sousa, outro desafio é que mais países passem a produzir o etanol, contribuindo com a comoditização do produto. “Isso confere maior liquidez para o mercado, que passa a apostar no longo prazo em investimentos de infraestrutura”, ressalta.

O levantamento da Ernst&Young aponta ainda o ritmo de entrada da produção do etanol de celulose em escala comercial como um dos elementos cruciais na formação da oferta de biocombustíveis. “Avanços tecnológicos que permitam a produção competitiva de etanol de celulose deverão alterar substancialmente a situação desse combustível. O controle da tecnologia será o aspecto central do processo de produção, pois ampliará a disponibilidade de matéria-prima e o volume de etanol produzido”, ressalta o estudo.

O setor sucroalcooleiro brasileiro também já vê como oportunidade o avanço da tecnologia de etanol celulósico. “O mundo tem poucas opções para produzir etanol de modo sustentável sem ser o Brasil. Outros países fatalmente vão ter que recorrer à produção de etanol por celulose. Mas isso não significa necessariamente que vamos perder competitividade. Quando essa tecnologia for comercialmente viável, teremos a matéria-prima na porta da nossa fábrica, que é o bagaço e a palha obtidos a partir da mecanização”, afirma Sousa.

Outro grande potencial a ser ainda explorado é a área de co-geração para produção de energia elétrica a partir do bagaço da cana. O processo permitiu não só que as usinas se tornassem autossuficientes em energia, como também vendessem seus excedentes para as concessionárias.

“Essa tecnologia apresenta uma série de vantagens para o usineiro, que passa a ter um produto a mais no seu portfólio. Isso dilui custos fixos ao mesmo tempo em que agrega receita”, afirma Sousa, da UNICA. Segundo ele, a co-geração também oferece a possibilidade de gerar créditos de carbono (hoje há 30 projetos dessa modalidade registrados como mecanismos de desenvolvimento limpo pelo Ministério de Ciência e Tecnologia, e outros 30 em fase de avaliação).

Para Sousa, o investimento em co-geração contribui para diversificar a matriz energética e evitar riscos de abastecimento. “Pode-se gerar a energia elétrica a partir da biomassa da cana durante o período seco, exatamente quando os reservatórios de água para geração de energia elétrica atingem os seus níveis mais baixos. Com isso, além da sinergia e complementariedade de oferta distribuída ao longo do ano, aumenta-se substancialmente a segurança do sistema”, afirma.

Segundo o executivo, a co-geração apresenta um potencial de suprir até 15% da demanda nacional por energia. No entanto, atende hoje apenas 3% do consumo no País. “O governo tem um papel importante ao desenvolver um ambiente regulatório que permita a comercialização com outros fornecedores de energia. Outra questão é o planejamento para minimizar custos e maximizar a eficiência da distribuição. Além disso, os próprios leilões de energia precisam continuar a fim de garantir a aquisição para os próximos anos. E por último, vem o incentivo via BNDES para desenvolvimento dessa tecnologia, que requer investimentos elevados”, ressalta.

Quadro: Panorama das energias renováveis

Encomendado pelo Greenpeace e pelo Conselho Europeu de Energia Renovável (EREC, na sigla em inglês) ao Departamento de Análises de Sistemas e Avaliação de Tecnologia (Instituto de Termodinâmica Técnica) do Centro Aeroespacial Alemão (DLR), o relatório [R]evolução energética - Perspectivas para uma energia global sustentável propõe um caminho a ser seguido para a adoção global de uma matriz energética sustentável até 2050.

O potencial das fontes de energias renováveis foi avaliado com base em informações fornecidas por todos os setores da indústria de energia ao redor do mundo e forma a base do Cenário da Revolução Energética. Confira a seguir:

1. Fotovoltaicos (PV)

Embora o mercado mundial de PV possa crescer mais de 30% ao ano, a contribuição dessa tecnologia para a geração de eletricidade ainda é muito pequena. Os pesquisadores da tecnologia estão focados no aperfeiçoamento dos módulos existentes e componentes do sistema, assim como no desenvolvimento de novos tipos de células no setor de filmes finos e materiais para as células cristalinas. A previsão é que a eficiência comercial das células cristalinas melhore de 15% a 20% nos próximos anos e que as células de filmes finos, que utilizam menos matéria-prima, estejam disponíveis no mercado.

O fator de aprendizagem para módulos PV tem se mantido constante em 0,8 por um período de mais de 30 anos, indicando um índice alto e contínuo de aprendizagem técnica e redução de custo. Considerando uma capacidade global instalada de 2.000 GW em 2050 e uma diminuição na taxa de aprendizagem após 2030, calcula-se que os custos de geração de eletricidade estarão por volta de 5 a 9 centavos/KWH em 2050.

Comparada com outras tecnologias de renováveis, a energia fotovoltaica deve, portanto, ser classificada como uma opção no longo prazo. Sua importância deriva de sua grande flexibilidade e enorme potencial técnico.

2. Usinas de energia solar térmica concentrada

Usinas solares térmicas de “concentração” só podem utilizar luz do sol direta e são, portanto, dependentes de locações com alta incidência solar. A África do Norte, por exemplo, tem um potencial técnico que excede em muito sua demanda local. As variadas tecnologias solares térmicas (refletores parabólicos de calha, torres de energia e concentradores de discos parabólicos) oferecem boas perspectivas para futuros progressos e redução de custos. Um avanço importante é a criação de grandes reservatórios de energia térmica que possam estender o tempo de operação desses sistemas para além do período de iluminação solar.

Devido ao pequeno número de concentradores de energia solar (CSP) construídos até agora, é difícil obter fatores de aprendizagem confiáveis para este setor. Neste relatório, assume-se que o fator de aprendizagem de 0,88 - obtido a partir de dados dos refletores parabólicos de calha construídos na Califórnia - pode passar para 0,95 no processo de assimilação da nova tecnologia pelo mercado depois de 2030.

A Avaliação Energética Mundial das Nações Unidas prevê que o mercado de geração de eletricidade solar térmica vai desfrutar de um crescimento dinâmico similar ao da indústria eólica, mas com um atraso de 20 anos. Dependendo do nível de irradiação e modo de operação, são previstos custos de geração de eletricidade de 5 a 8 centavos/KWH, pressupondo-se sua rápida introdução no mercado nos próximos anos.

3. Coletores solares térmicos para aquecimento e resfriamento

Pequenos sistemas de coletores solares térmicos para água e aquecimento auxiliar já estão bem desenvolvidos para vários tipos de aplicação. Por outro lado, grandes reservatórios de aquecimento sazonal para armazenar o calor do verão até o inverno, quando o aquecimento se faz necessário, estão disponíveis somente em escala piloto. Apenas com sistemas locais de aquecimento com armazenamento temporário seria possível suprir uma larga fatia do mercado de aquecimento de baixa temperatura com energia solar.

Fatores cruciais para seu lançamento no mercado são o baixo custo de armazenamento, produção adequada e aproveitável de calor.

Dados do mercado europeu de coletores indicam um fator de aprendizagem de aproximadamente 0,90 para coletores solares, apontando um sistema relativamente bem desenvolvido a partir de uma perspectiva tecnológica. Por outro lado, prevê-se que a construção de reservatórios temporários de calor terá uma redução de custos de mais de 70% no longo prazo. No futuro, dependendo da configuração do sistema, será possível alcançar custos solares térmicos entre 4 e 7 centavos/kWh térmico.

4. Energia eólica

Em um curto período de tempo, o desenvolvimento da energia eólica resultou no estabelecimento de um próspero mercado global. As maiores turbinas eólicas do mundo, várias delas instaladas na Alemanha, têm capacidade de 6 MW. No entanto, o custo de novos sistemas tem estagnado em alguns países nos últimos anos, devido ao contínuo aumento da demanda e investimentos consideráveis dos fabricantes no aperfeiçoamento da tecnologia e desenvolvimento e a introdução de novos sistemas. O resultado é que o fator de aprendizagem observado para turbinas de vento construídas entre 1990 e 2000 na Alemanha era somente 0,94. Contudo, desde que os desenvolvimentos técnicos proporcionaram aumentos de produção, os custos de geração de eletricidade tendem a diminuir. Prevê-se um maior potencial de redução de custos, com a taxa de aprendizagem correspondentemente mais alta.

Enquanto o relatório Perspectiva Energética Mundial 2004 da AIE espera que a capacidade eólica mundial cresça somente a 330 GW até 2030, a Avaliação Energética Mundial das Nações Unidas prevê um nível de saturação global de cerca de 1.900 GW para o mesmo período. Já a versão 2006 do relatório Perspectiva Global de Energia Eólica, elaborado pela European Wind Energy Association e o Greenpeace, projeta uma capacidade global acima de 3.000 GW até 2050.

Uma curva de experiência para turbinas eólicas é derivada da combinação dos atuais fatores de aprendizagem observados com uma previsão de alto crescimento no mercado, orientado através do Panorama Global de Energia Eólica, indicando que os custos para turbinas eólicas terão uma redução de 40% por volta de 2050.

5. Biomassa

O espectro de custos de geração de energia a partir de biomassa é bastante amplo. Uma das opções mais econômicas é o uso de restos de madeira provenientes de turbinas a vapor instaladas em usinas combinadas de calor e energia (CHP). A gaseificação de biocombustíveis sólidos, por outro lado, que proporciona uma ampla variedade de aplicações, ainda é relativamente cara. Espera-se que custos mais acessíveis de produção de eletricidade sejam alcançados com a utilização de gás de madeira em micro unidades de CHP (motores e células combustíveis) e em usinas a gás e vapor.

Há ainda um grande potencial para uso de biomassa sólida na geração de calor tanto em pequenos quanto em grandes centros geradores de calor conectados às redes de aquecimento locais. A conversão de plantações em etanol e ‘biodiesel’ a partir de ésteres metílicos e etílicos provenientes de diferentes oleaginosas ganhou muita importância nos últimos anos na Europa, EUA e Brasil. Os processos para a obtenção de combustíveis sintéticos de gases biogênicos também terão um papel importante.

6. Geotérmica

A energia geotérmica tem sido utilizada mundialmente há tempos para aquecimento, enquanto a geração de eletricidade é limitada a poucos locais com condições geológicas específicas. Extensas pesquisas adicionais são necessárias para acelerar o progresso dessa tecnologia. Em particular, a criação de vastas superfícies de troca de calor subterrâneas (tecnologia HDR) e o aperfeiçoamento de geradoras de calor e energia com o Ciclo Orgânico Rankine (ORC, em inglês).

Como uma grande parte dos custos das usinas geotérmicas é decorrente da perfuração profunda, as informações já disponíveis do setor petrolífero podem ser usadas, com fatores de aprendizagem observados de menos de 0,80. Considerando um crescimento médio global do mercado de energia geotérmica de 9% ao ano até 2020, reduzido para 4% depois de 2030, o resultado seria uma potencial redução de custos em 50% até 2050. Além disso, apesar dos altos valores atuais (cerca de 20 centavos/kWh), os custos da produção de eletricidade - dependendo dos custos de fornecimento de calor - estão previstos para baixar a cerca de 6-10 centavos/kWh no longo prazo. Devido à sua oferta não flutuante, a energia geotérmica é considerada um elemento-chave na infra-estrutura futura de oferta de energia baseada em fontes renováveis.

7. Hidrelétricas

A energia hidrelétrica é uma tecnologia madura que vem sendo utilizada para geração de eletricidade de uso comercial em larga escala. Um potencial adicional pode ser explorado primeiramente pela modernização e expansão dos sistemas existentes. O limitado potencial de redução de custos remanescente poderá, provavelmente, ser anulado com o aumento dos problemas das futuras obras e o crescimento das exigências ambientais. Pode-se prever que, para os sistemas de pequena escala, onde os custos de geração de energia são geralmente mais altos, a necessidade de cumprir as exigências ecológicas envolverá proporcionalmente custos mais altos que para os grandes sistemas.

Evolução de custos de energias renováveis

Em 2020, a maioria das tecnologias deve reduzir seus custos de investimentos específicos entre 30% e 60% em relação aos níveis atuais, e entre 20% e 50% a partir do momento em que for atingido seu completo desenvolvimento (que deve ocorrer depois de 2040).

Menores custos de investimentos para as tecnologias de energias renováveis significam uma redução dos custos de eletricidade e aquecimento. Os custos de geração hoje estão por volta de 8 a 20 centavos/kWh para as mais importantes tecnologias, com exceção dos fotovoltaicos. No longo prazo, prevê-se que os custos caiam para cerca de 4 a 10 centavos/kWh. Essas estimativas dependem de condições específicas locais como o regime de ventos ou a incidência solar, a disponibilidade de biomassa a preços razoáveis ou a garantia de abertura de crédito para aumentar a oferta de aquecimento por geração combinada de calor e energia.

Fonte: Relatório Brasil Sustentável, Ernst&Young

(Envolverde/Revista Idéia Socioambiental)

Fonte: Mercado Ético
http://mercadoetico.terra.com.br/arquivo/energia-para-mover-o-mundo-sem-destruir-o-planeta/?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=mercado-etico-hoje

domingo, 18 de outubro de 2009

Filme sobre as rendeiras de Aracati - Ceará

Realidade ficcionada

"Linhas de Organdi", novo trabalho do cineasta Glauber Filho, selecionado pelo programa Doc.TV, do Ministério da Cultura, mistura realidade e encenação e lança uma pergunta importante: quais os limites entre as obras de caráter documental e ficcional?

Cenas planejadas: "Linhas de Organdi", de Glauber Filho, mistura a linguagem documental com recursos de ficção para retratar o universo das rendeiras (Foto: Glauber filho)


No mundo contemporâneo, fica difícil precisar quais os limites entre a realidade e a ficção. Se de um lado, o jornalismo espetaculariza o real, usando uma série de recursos ficcionais para tornar as imagens reais mais agradáveis e instigantes aos olhos do espectador, por outro, a ficção percorre o caminho inverso e investe em temas e abordagens mais realistas. Realidade ou ficção? Se a pergunta ainda cabe, a linha entre os dois conceitos é cada vez mais tênue e coloca em xeque questões-chave que perpassam a ideia de documentário clássico ou de filme ficcional.

"Linhas de Organdi", novo trabalho do cineasta Glauber Filho, segue essa frente de debate, põe lenha na fogueira e coloca a questão em discussão. Selecionado pelo Doc.TV, programa da Secretaria de Audiovisual, do Ministério da Cultura, que visa ao fomento para a realização de obras audiovisuais documentais, o filme é um documentário, mas faz uso de vários recursos mais comuns ao universo da ficção.

Exibida no último dia 15, na Vila das Artes, e com novas exibições programadas na cidade de Aracati, onde foi filmado (no próximo dia 7 de novembro), e em seguida na Unifor (ainda sem data marcada), a produção tem estreia nacional na TV Cultura, em março do próximo ano.

Coro grego

Documentário ou ficção, "Linhas de Organdi" registra os segredos das labirinteiras dos Córregos de Anica, na cidade de Aracati. Mas, segundo o próprio Glauber Filho, a ideia não era fazer um documentário sobre a história da renda, e sim buscar revelar uma certa intimidade sobre o universo que cerca essas mulheres rendeiras. "Eu quis mostrar seus sonhos, seus desejos, o que elas realizaram ou não ao longo da vida", conta o cineasta.

É a partir desse foco que Glauber se afasta da concepção clássica de documentário e experimenta, ao pontuar as cenas do filme com a narração do Mito de Aracne, jovem tecelã que conquista a ira da deusa Atenas em virtude de seu trabalho perfeito de tecelagem. Desesperada por ter irritado Atenas, Aracne tenta se matar enforcada, mas é salva pela própria Atenas, que a transforma em uma aranha. Com locução de Leuda Bandeira, o mito quebra a narrativa das histórias das rendeiras dos Córregos de Anica e faz, de alguma forma, uma ponte entre as duas tramas, já que a tragédia não deixa de estar presente na vida das rendeiras, que, em virtude da minúcia de seu ofício, vão perdendo a visão ao longo da vida.

Para Glauber Filho, o mito de Aracne funciona como um coro grego e dá a "Linhas de Organdi" um tom de tragédia, ao mesmo tempo que a musicalidade da narração de Leuda Bandeira atribui ao filme uma tônica de fábula que mergulha a narrativa em um ar infantil e de ingenuidade que, segundo o cineasta, reflete a própria realidade das rendeiras. Mas não é só a inserção do Mito de Aracne que aproxima "Linhas de Organdi" da ficção.

Glauber Filho explora os limites entre realidade e ficção ao fazer algumas escolhas estéticas que tencionam os dois campos. Pontuado pelos depoimentos das rendeiras, o filme procura não mostrar as mulheres que estão falando ao ilustrar essas falas com encenações que tentam de alguma forma representar o que está dito nas palavras. Se a opção é questionável se pensada a partir do ponto de vista clássico sobre o que é um documentário, tais cenas funcionam dentro da proposta de "Linhas de Organdi" e emprestam uma poesia à obra que só a ficção é capaz de engendrar.

Imagens plásticas

Aliado a essas cenas previamente planejadas, a própria inserção do Mito de Aracne na construção da narrativa já funciona como um indicador de que a ideia aqui não é fazer um documentário típico. O uso da trilha sonora evidencia a opção pela experimentação. Longe da utilização comum do som captado diretamente, a música de Italo Almeida cumpre funções bem comuns às obras audiovisuais de ficção, ora atuando na fluidez da montagem, atribuindo continuidade às imagens, ora emprestando uma certa plasticidade a elas.

As intervenções do diretor na narrativa também deixam claro: a realidade de "Linhas de Organdi" é construída e fica evidente de que mais do que apoiado em um suposto real, o filme deve muito ao imaginário de Glauber Filho sobre a temática das rendeiras. Passível de crítica ou não, já que a obra é e será exibida como um documentário, é interessante perceber como "Linhas de Organdi" segue uma linha de documentários que abre possibilidades que vão além da mera representação do real.

Glauber pretende, inclusive, transformá-lo, futuramente, em um longa de ficção chamado "Labirinto Branco". O roteiro está em fase de primeiro tratamento e a trama vai girar em torno de uma rendeira que perde a visão e passa a enxergar o mundo por meio de suas emoções. Em relação a "Linhas de Organdi", Glauber Filho pretende remontá-lo para que ele possa ser exibido em festivais, já que, segundo o diretor, a montagem exibida na última quinta foi pensada para o formato televisivo.

"Tenho dúvidas se o filme é um documentário sobre as rendeiras ou sobre o Mito de Aracne"
"Pretendo remontar o filme sem o Mito para inscrevê-lo em festivais"
Glauber Filho
Cineasta

Mais informações
"Linhas de Organdi" (Bra, 2009). Direção de Glauber Filho. Participam da equipe de produção do documentário Isabela Veras, Joe Pimentel, Armando Praça, Danilo Carvalho, Ivo Lopes, Alexandre Veras e o músico Ítalo Almeida.

FÁBIO FREIRE
REPÓRTER


Fonte: Jornal Diário do Nordeste. Caderno 3. Fortaleza, 18 de outubro de 2009.
http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=680787

sábado, 17 de outubro de 2009

De volta da Colômbia

Praça Bolivar - Bogotá - Colômbia, out. 2009. Foto: Suely Chacon
Olá amigos!

Estive afastada do nosso Blog nos últimos dias, mas hoje retomo as atividades aqui.

Passei alguns dias na Colômbia para participar do IV Congresso Iberoamericano sobre Desenvolvimento e Meio Ambiente - CISDA IV, que ocorreu este ano em Bogotá, na Universidade Católica Javeriana. Fui apresentar um trabalho escrito com a minha filha Johanna Chacon, e também representar a Sociedade Brasileira de Economia Ecológica, da qual sou Diretora Executiva, e que foi uma das entidades que promoveram o evento.

Cheguei dia 12 e logo fui "engolida" pelas atividades do dia a dia e por tudo que ficou acumulado. Hoje (16-10) tive um excelente encontro com os participantes do Curso de Iniciativas Negras na UFC- Cariri. Conversamos um pouco sobre Sustentabilidade e tivemos uma grande manhã!

Aos poucos retomo a rotina, inclusive as postagens no nosso Blog. Abaixo estão algumas fotos do curso de Iniciativas Negras e também da Colômbia.

Abração a todos e bom final de semana!

Suely

Curso Iniciativas Negras









sexta-feira, 16 de outubro de 2009

CONVITE: Defesa de tese sobre Cultura de Paz


VANDANA SHIVA: a Fome no mundo

16/10/2009 - 17:02:02

Um bilhão de famintos nas estradas do mundo



Hoje, no mundo, há mais de um bilhão de pessoas famintas. O alarme chega da FAO [Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação], que, em seu último relatório, registrou um aumento de 9%. A crise econômica, portanto, levou para baixo da linha da desnutrição um sexto da população mundial. Não sem culpa dos governos, mais preocupados com os mercados financeiros evidentemente: “Os líderes mundiais reagiram com determinação à crise, mobilizando bilhões de dólares em um lapso de tempo muito curto. Agora, a mesma ação decisiva é necessária para combater a fome e a pobreza”, diz o diretor-geral da FAO, Jacques Diouf.

Novidades também no fronte da geografia da fome. A desnutrição atinge agora principalmente a Ásia e as áreas do Pacífico, onde os famintos são mais de 642 milhões. Mas não é um fenômeno desconhecido nem nos países desenvolvidos, onde 15 milhões de pessoas não têm o alimento necessário para o seu sustento.

Mas não são só as políticas do Ocidente que acabam no alvo. A intelectual indiana Vandana Shiva defende: “Foram os métodos de desenvolvimento equivocados que causaram a fome de centenas de milhões de pessoas. E a FAO também é responsável por isso”.

A reportagem é de Francesca Caferri e Anais Ginori, publicada no jornal La Repubblica, 15-10-2009. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

O alarme lançado ontem pela FAO não surpreende Vandana Shiva. Pelo contrário, a indigna. Há muitos anos essa cientista indiana especialista em agricultura e desenvolvimento, famosa em todo o mundo pelas suas batalhas contra a globalização, defende que as tendências atuais levarão milhões de pessoas à fome, principalmente nos países pobres.

“O fato de que hoje a FAO lança esse alarme depois de, durante anos, ter defendido os métodos de desenvolvimento que causaram a fome de milhões de pessoas me deixa verdadeiramente com muita raiva”, explica. “Hoje, nos dizem que um bilhão de pessoas passam fome. Eu acho que se deveria perguntar o porquê. O porquê é explicado há muitos anos pelos especialistas, economistas e climatologistas como eu, que a FAO não ouviu. Há estudos qualificados que defendem que as monoculturas tornam a agricultura mais vulnerável, e que o uso de fertilizantes químicos contribui para as mudanças climáticas. Porém, a FAO defendeu o uso dessas substâncias. A Índia, neste ano, perdeu boa parte das suas colheitas por causa de enchentes e secas, efeito das mudanças climáticas. Há agricultores famintos. Outros que se suicidaram. E o anel inicial da corrente está nessas políticas, que a FAO apoiou, mas das quais denuncia os efeitos”.

Eis a entrevista.

Está dizendo que a denúncia de ontem é inútil?

Não, digo que ela chega com atraso. Mas talvez agora eles também vão entender que pensar “business as usual” não é mais possível. É preciso repensar qual modelo de agricultura se quer. É importante prestar atenção nas cooperativas, nas mulheres que estão no campo, nos modelos territoriais.

O diretor da FAO, Jacques Diouf, apontou o dedo contra a crise econômica e as consequentes reduções dos financiamentos, dentre outras coisas. A senhora compartilha pelo menos dessa parte da análise?

Mais dinheiro para coisas erradas só tornarão a agricultura mais vulnerável. Mais dinheiro para comprar substâncias químicas significa, a longo prazo, aumentar o número das pessoas que irão sofrer com a fome. Significa colocar os produtores em uma armadilha sempre mais profunda: deverão fazer mais dívidas para comprar sementes transgênicas e produtos fertilizantes. Se esse é o caminho, não virá nada bom dos financiamentos. Poucos ou muitos.

Qual caminho seria preciso seguir, em sua opinião?

Dar dinheiro de um modo correto. Apoiar a agricultura de pequena escala, o uso das sementes locais. Oferecer apoio a quem investe no biológico. E não dar subsídios para os fertilizantes químicos.

Segundo a senhora, quais são as responsabilidades dos países ricos?

Elas impuseram o uso de transgênicos: fizeram isso com a arma do dumping, oferecendo subsídios aos produtores dessas substâncias, que puderam, assim, ser vendidas a baixo custo nos países pobres, criando uma dependência.

É um processo reversível?

Talvez. Mas é preciso, sobretudo, ser parado. Nesse sentido, a crise econômica pode, ou melhor, deve ser uma oportunidade. Voltar a uma escala local de produção e de consumo, apoiar o biológico. E acabar com os subsídios que, lembremo-nos, são pagos pelos contribuintes: seria bom que fossem usados de outro modo.

Mas os supermercados biológicos são muitas vezes sinônimos de “caro”…

Por causa dos subsídios. Se não existissem, não seria assim. Há países e regiões que interromperam o ciclo e demonstraram com fatos o que eu estou dizendo: tomemos o caso de Cuba, do Brasil ou da Toscana, que recebeu reconhecimentos em nível mundial pelo seu modelo agrícola de excelência, que tem base local e repudia os transgênicos.


Fonte: Mercado Ético
http://mercadoetico.terra.com.br/arquivo/um-bilhao-de-famintos-nas-estradas-do-mundo/?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=mercado-etico-hoje


Para ler mais no IHU On-Line :

domingo, 4 de outubro de 2009

4 de outubro - Dia de São Francisco e dos animais


Dia 4 de Outubro é dia de São Francisco de Assis. Por seu apreço à natureza, é mundialmente conhecido como o santo patrono dos animais e do meio ambiente. Pra mim ele é, porém, o Santo dos Jovens. Um exemplo de conversão a ser seguido.

Francisco de Assis nasceu na cidade de Assis, Úmbria, Itália, em 1182. Pertencia à burguesia, e dessa condição tirava todos os proveitos. Como seu pai, tentou o comércio, mas logo abandonou a idéia por não ter muito jeito para isso. Sonhou, então, com as glórias militares, procurando desta maneira alcançar o status que sua condição exigia.

Contudo, em 1206 para espanto de todos, Francisco de Assis abandonou tudo, andando errante e maltrapilho, numa verdadeira afronta e protesto contra sua sociedade burguesa. Entregou-se totalmente a um estilo de vida fundado na pobreza, na simplicidade de vida, no amor total a todas as criaturas. Com alguns amigos deu início ao que seria a Ordem dos Frades Menores ou Franciscanos.

Pobrezinho de Assis, como era chamado, foi uma criatura de paz e de bem, terno e amoroso. Amava os animais, as plantas e toda a natureza. Poeta, cantava o Sol, a Lua e as Estrelas. Sua alegria, sua simplicidade, sua ternura lhe granjearam estima e simpatia tais que fizeram dele um dos santos mais populares dos nossos dias.


Saiba mais sobre São Francisco de Assis:






Em Fortaleza-CE - Missas e feiras de animais no dia de São Francisco

São Francisco de Assis, irmão dos pobres e padroeiro dos animais, será festejado em Fortaleza com missas e procissões neste fim de semana


Roberta Felix
robertafelix@opovo.com.br
03 Out 2009 - 00h39min



Amanhã é dia de um dos santos mais queridos entre os católicos cearenses. Em Fortaleza, 15 comunidades homenageiam São Francisco de Assis, o santo dos pobres, com missas, procissões e festejos. A paróquia de São Francisco, no bairro Jacarecanga, realiza hoje a celebração eucarística com o arcebispo da Arquidiocese de Fortaleza, dom José Antônio Aparecido Tosi, às 19 horas. Por ser o padroeiro dos animais, o santo divide com eles o dia 4 de outubro. Hoje e amanhã, duas feiras de adoção levam 95 cães e gatos para encontrarem novos donos.

No Santuário do Sagrado Coração de Jesus, todas as missas do domingo são dedicadas ao santo de Assis. Às 17 horas haverá procissão. A missa festiva começa às 18 horas e será presidida pelo frei João Alberto, franciscano. Festejos para São Francisco ocorrem também nos bairros Conjunto Palmeiras, Conjunto Ceará e Dias Macedo.

Na Igreja de Nossa Senhora das Dores, no bairro Otávio Bonfim, comemoram-se os 800 anos de fundação da ordem franciscana com encenação, cantos e orações na celebração do trânsito de São Francisco, hoje às 18h30min. O frei Carlos Alberto Breis, pároco, ressalta o exemplo de humildade na vida de renúncia que o religioso seguiu. ``Francisco se fez pobre e tornou-se radicalmente irmão de todos``, diz.

Francisco de Assis viveu na Itália entre os séculos XII e XIII. Filho de comerciantes, viveu a juventude usufruindo a riqueza da família. Quando se converteu, fez o voto de pobreza, que seria mais tarde a base da Ordem Franciscana. A fraternidade universal que pregava inclui o respeito ao meio ambiente e aos animais como criaturas de Deus. ``Francisco fala de não estar acima das criaturas, mas com elas``, esclarece o frei Carlos Alberto. Por isso, o dia de São Francisco é também dia dos animais.


PROGRAMAÇÃO DAS CELEBRAÇÕES

>Igreja de Nossa Senhora das Dores (Otávio Bonfim)
Hoje: Celebração do trânsito de São Francisco às 18h30min. Amanhã: Missa solene às 9 horas, com bênção dos animais. Às 17 horas, procissão e em seguida missa campal festiva.

> Paróquia de São Francisco (Jacarecanga)
Hoje: A partir das 18 horas, meditação do terço e novena. Às 19 horas, celebração eucarística presidida por dom José Antônio Tosi na Igreja de Nossa Senhora dos Navegantes. Em seguida, show musical e leilão.
Amanhã: Às 16 horas, missa com o padre Gilson Soares. Às 17 horas, a procissão sai da Igreja de São Francisco de Assis. Às 19 horas, missa com o bispo auxiliar dom José Luiz Sales.

> Santuário Coração de Jesus (Centro)
As missas do sábado são normais. No domingo, haverá celebração às 16 horas. A procissão tem início às 17 horas e é encerrada com a missa festiva às 18 horas.


Fonte: O Povo on line

domingo, 27 de setembro de 2009

Tecnologia recria semi-árido

Sertão de Quixeramobim - CE - Parabólica na casa simples e feijão secando no terreiro - Modernidade e tradição convivem no nosso Sertão. Foto: Suely Chacon.


MODERNIDADE?

A matéria de Antonio Vicelmo no Jornal Diário do Nordeste de hoje (27-09-09) chama atenção para a invasão tecnológica e suas consequências para o nosso Sertão (confira a matéria abaixo).

Como eu já havia ressaltado no meu livro (O Sertanejo e o Caminho das Águas: políticas públicas, modernidade e sustentabilidade no semi-árido), o nosso Sertão está mudando, e o Sertanejo perdendo sua identidade.

Embora a tecnologia seja importante, é preciso refletir sobre seus impactos e, principalmente, a forma como a usamos. Encarar a tecnologia como modernidade e a cultura local como pertencente a um passado que deve ser esquecido significa matar tradições. E isto não pode acontecer. Vamos refletir sobre isto. Quem quiser conhecer meu livro pode fazer o download no seguinte endereço: http://www.bnb.gov.br/projwebren/exec/livroDetalhe.aspx?cd_livro=20





Antena parabólica é um dos símbolos da nova configuração das pequenas cidades do Interior (Foto: Antônio Vicelmo)

Aspectos simples da vida no sertão foram modificados com o surgimento dos novos meios de comunicação

Araripe. O computador, o telefone celular e a televisão, entre outros equipamentos tecnológicos de comunicação, estão transformando os usos e costumes do sertão. Está desaparecendo aquele sertão lírico, romântico, descrito por poetas e escritores. O sertão ingênuo, de gente simples, desinformada, vem sendo invadido pelo progresso, para o bem e para o mal. Hoje em dia, os mais distantes recantos do Interior estão antenados com o mundo globalizado. O agricultor está "plugado" com o universo que o cerca. Um exemplo dessa mudança extraordinária é o grande numero de antenas parabólicas e terrestres espalhadas por este "mundão" afora.

O pequeno povoado de Jamacaru, localizado no pé da serra do Araripe, por exemplo, está coberto de antenas parabólicas, um dos grandes símbolos dessa transformação. Os sertanejos já não se sentam mais nos terreiros de casa, ou nas calçadas, para ouvir "histórias de trancoso" ou conversar sobre a lida do dia. Agora, a conversa é outra. A discussão em torno dos últimos acontecimentos divulgados na televisão: o salário mínimo, a crise no Senado, os escândalos, a violência urbana, os preços dos produtos, o pré-sal e a vitória de Obama para a presidência dos Estados Unidos. De acordo com levantamento feito pela Associação Brasileira de Rádio e Televisão (Abert), 99% dos domicílios brasileiros tem um televisor em casa.

Com a expansão da energia elétrica, os lobisomens desapareceram do imaginário popular e deixaram de fazer medo no matuto. A caipora, o pai-da-mata, a mãe d´água e outros mitos que povoaram o sertão se escafederam. Encantaram-se, como dizem os sertanejos no seu linguajar próprio, ainda não totalmente engolido pela modernidade.

Em algumas fazendas do Cariri, a reprodução natural, feita com o touro, foi substituída pela moderna inseminação artificial. Até a transferência de embrião já é realizada na região. Aos poucos, a motocicleta vem tomando o lugar do cavalo e da bicicleta como meio de transporte principal. A imagem forte do vaqueiro encourado está desaparecendo junto com as antigas festas de apartação, que cedem espaço para as vaquejadas de grande porte.

Esta transformação foi prevista pelo cantor e compositor Luiz Gonzaga, o Rei do Baião, há 30 anos, com o xote "Nordeste P´rá Frente" que fala sobre a mudança dos usos e costumes dos sertanejos. Dentro desta linha, o intérprete de Asa Branca descreveu a influência da moda estrangeira no comportamento dos sertanejos com a música "United States of Piauí".

O poeta Patativa do Assaré, que fez de sua produção poética uma declaração de amor ao sertão, mudou a forma de pensar dos matutos na defesa dos seus direitos e deveres, denunciando injustiças, corrupção eleitoral e reivindicando mais escolas, reforma agrária e inclusão social.

Realismo
Ao contrário de outros escritores regionalistas que mostraram uma imagem romântica e saudosista, o escritor contemporâneo Ronaldo Correia de Brito, autor do livro Galiléia, apresenta em suas obras uma visão realista deste novo sertão, que vive os mesmos conflitos do mundo moderno. Segundo Ronaldo Correia, o sertão tanto pode significar um espaço mítico como um acidente geográfico.

Ele cita uma resposta de Santo Agostinho, quando lhe perguntaram sobre o tempo. "O que é o tempo? Se não me perguntam eu sei, se me perguntam, desconheço. O que é o sertão? Se não me perguntam eu sei, se me perguntam desconheço", compara. Ronaldo acrescenta que "o sertão é abstrato ou real como o tempo. E continuará sendo tema para a literatura. "O sertão é um espaço de memória confundido com o urbano. É o melhor lugar do mundo para acessar a Internet, porque as lan houses cobram apenas R$ 0,50 por hora".

Isolado numa "biboca de serra", no município de Missão Velha, o agricultor Francisco Clemente do Nascimento, mais conhecido por "Cartiçá", está conectado com o mundo. Com uma parabólica instalada em frente a sua casa de taipa e pai de 10 filhos, o agricultor acompanha de perto todos os programas de televisão, dos noticiários às novelas.

Ele diz que os tempos de hoje não se comparam com o de antigamente. "Eu fui criado no cabo da enxada, comendo angu de milho com rapadura. Tinha dia que não tinha nada para botar no fogo. Não sei nem assinar o nome. Nunca tive cabeça para negócio de estudo". Ao fazer este relato, Francisco Clemente comemora: "Hoje, meus filhos estão trabalhando como crediaristas, as mulheres trabalham como domésticas. Com o Bolsa Família e o trabalho na roça dá para viver. Graças a Deus, não tem faltado nada lá em casa", complementa.

A história do agricultor é a mesma da maioria dos trabalhadores sem terra, conformados com o pouco que possuem. O aposentado João Avelino não tem do que reclamar. Com a mulher, que também é aposentada, ele cria os filhos que estudam numa escola ao lado de sua casa. Avelino faz parte da legião de sertanejos que não quer nem ouvir falar no passado de sofrimento. Ele é mais um dos brasileiros que tem o prazer de mostrar-se na modernidade.

ANTÔNIO VICELMO
REPÓRTER

Fonte: Jornal Diário do Nordeste - Caderno Regional - Fortaleza, 27 de setembro de 2009.

http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=674705

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

CLIMA E DESERTIFICAÇÃO - Caatinga demanda proteção

Audiência pública buscou debater as mudanças climáticas e o risco de devastação de áreas ambientais. Atualmente, 11% do território brasileiro está em processo de desertificação (Foto: Juliana Vásquez)


Audiência destacou a importância de proteger não apenas a Amazônia, mas outras regiões naturais do País

Fortaleza. Mudanças climáticas e o avanço da desertificação no Nordeste brasileiro foram os temas debatidos durante uma audiência pública na Assembléia Legislativa do Estado, realizada ontem. Temas como experiências de produção agrícola sem degradação, recursos hídricos e sustentabilidade foram discutidos entre parlamentares federais e estaduais, representantes do setor de meio ambiente do Estado e de organizações da sociedade civil.

A audiência foi realizada pela Comissão Mista de Acompanhamento das Mudanças Climáticas do Congresso Nacional, que está promovendo discussões sobre os temas desde o início do ano. Estiveram presentes a vice-presidente da Comissão Mista de Mudanças Climáticas, deputada federal Vanessa Grazziotin (PC do B-AM), o relator da Comissão, deputado federal Colbert Martins (PMDB-BA), além dos cearenses deputado federal José Nobre Guimarães (PT-CE) e o senador Inácio Arruda (PC do C-CE).

"Essas audiências servem para aproximar a sociedade do tema e elaborar um diagnóstico que possa ajudar a acelerar os projetos de lei em tramitação na Câmara. O Nordeste é a única região em que vamos realizar duas dessas audiências, esta de hoje (ontem) e a que será promovida na Bahia, onde vamos tratar de temas mais gerais. Mas aqui decidimos focar na questão da desertificação por conta da importância e da fragilidade em que se encontra atualmente o bioma Caatinga", explica a deputada federal.

As mudanças climáticas provocadas pela ação desenfreada do ser humano são o principal fator para a desertificação. Atualmente, quase 11% do território brasileiro é comprometido pela desertificação. O processo é desencadeado pela destruição da vegetação nativa, utilização de agrotóxicos e prática de uma atividade agropecuária predatória, que esgota os solos e promove a destruição de espécies animais e vegetais.

Bioma único

Durante a abertura da audiência pública, os parlamentares lembraram que, quando o assunto é meio ambiente, muitas vezes só se pensa na região amazônica, por conta da diversidade de riquezas e os interesses internacionais em torno da região, tanto para a defesa quanto para a exploração dos recursos. No entanto, é necessário desenvolver políticas públicas que busquem preservar outros biomas importantes do Brasil. No caso da Caatinga nordestina, que é um bioma único em todo o planeta, a preocupação é ainda maior porque o processo de desertificação avança cada vez mais na região.

O senador cearense Inácio Arruda, autor de projeto de lei já aprovado no Senado e que agora tramita na Câmara para instituir a Política Nacional de Combate à Desertificação, alertou que, em 50 anos, a ação do homem e a reação da natureza podem elevar a temperatura em até quatro graus no Nordeste, comprometendo principalmente os Estados do Ceará, Paraíba, Pernambuco e Piauí. "A Caatinga é um bioma frágil, mais suscetível à desertificação do que outros, e por isso merece uma tenção especial. Talvez o maior desafio seja mudar a matriz energética para a produção regional, garantindo o desenvolvimento sem deixar de proteger o ambiente", destacou o senador cearense.

Além do projeto da Política de Combate à Desertificação, em que uma das ações previstas é identificar municípios em que esteja ocorrendo processo de desertificação e injetar recursos federais para a recuperação dessas áreas, o deputado José Guimarães destacou outros dois projetos importantes em tramitação: a Política Nacional do Clima e a criação de um fundo nacional para ajudar os Estados que menos emitem gás carbônico. "O Ceará é um exemplo de Estado que poderia ser beneficiado por este fundo, já que é o maior produtor de energia renovável". A deputada Vanessa Grazziotin espera que estes projetos sejam aprovados antes de 10 de novembro, quando começam as discussões no Congresso Nacional sobre a exploração do pré-sal.

Iniciativa cearense

Enquanto os projetos nacionais ainda estão em tramitação, o Ceará foi o primeiro no Brasil a instituir uma Política Estadual de Combate e Prevenção à Desertificação. A lei, de agosto de 2008, obriga o Estado a desenvolver políticas públicas integradas com os diversos órgãos envolvidos com o meio ambiente para combater a desertificação e recuperar as áreas degradadas.

Autor do projeto de lei, o deputado estadual Lula Morais (PC do B-CE) esteve na audiência pública e disse que, no próximo dia 5 de outubro, o Grupo Permanente de Combate à Desertificação vai apresentar o Plano contra a Desertificação, resultado de uma série de encontros promovidos em todo o Ceará. "Já temos muitas regiões em que o problema é grave. É preciso desenvolver uma economia sustentável".

"Queremos debater com a sociedade e acelerar a aprovação de projetos"
Vanessa Grazziotin
Deputada federal

"Precisamos garantir desenvolvimento sem deixar de proteger o ambiente"
Inácio Arruda
Senador

"Ceará é um Estado que pode se beneficiar com fundo contra desertificação"
José Guimarães
Deputado federal

RISCO

11% do território brasileiro se encontra hoje em processo de desertificação. Se não forem tomadas medidas de proteção, processo pode ser irreversível

Mais informações
Assembléia Legislativa do Estado do Ceará - (85) 3277.2500
www.al.ce.gov.br

KAROLINE VIANA
REPÓRTER

Fonte: Jornal Diário do Nordeste - Caderno Regional - Fortaleza, 25 de setembro de 2009.

Professores doutores do Campus da UFC no Cariri contemplados com Bolsa de Produtividade do CNPq

Escrito pelo Prof. Ricardo Ness, Diretor do Campus da Universidade Federal do Ceará no Cariri

No dia 22 do corrente mês a Diretoria Executiva do CNPQ divulgou o resultado do Edital CNPq-MCT 03/2009. O objetivo do edital é contribuir para a fixação de recursos humanos e consolidação de novos campi e novas universidades, por meio da concessão de bolsas ao pesquisador, incentivando a produção científica por doutores das novas universidades e novos campi das IFES. Cada professor receberá uma Bolsa PQ e taxa de bancada para conduzir seu projeto de pesquisa aprovado.

Quatro professores doutores do Campus da UFC no Cariri tiveram propostas aprovadas. São eles:

Prof. Carlos Wagner Oliveira (Projeto: Estimativa da evapotranspiração na região do Cariri através de sensoriamento remoto orbital);

Profª Celme Torres Ferreira da Costa (Projeto: Investigação e modelagem dos processos de contaminação da água subterrânea por derivados de petróleo na bacia sedimentar do Araripe/CE);

Prof. Luiz Alberto Ribeiro Mendonça (Projeto: Avaliação da capacidade de infiltração de solos submetidos a manejo florestal na Chapada do Araripe.) e

Profª Suely Salgueiro Chacon (Projeto: Construção dos indicadores de sustentabilidade da região do Cariri Cearense).

O mérito dos projetos aprovados e o trabalho compromissado dos professores-pesquisadores envolvidos muito contribuirão para o avanço, com qualidade, do ensino de graduação e de pós-graduação na nossa instituição. A direção do Campus da UFC no Cariri parabeniza os professore contemplados e deseja-lhes muito sucesso na condução dos projetos.


Fonte: UFC-Cariri
http://www.cariri.ufc.br/portal/index.php?option=com_content&task=view&id=233&Itemid=1