Mostrando postagens com marcador Artigos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Artigos. Mostrar todas as postagens

domingo, 8 de maio de 2011

Artigo de Washington Novaes sobre o Semiárido

Semiárido nordestino: Nas cisternas de placas, um avanço importante no acesso à água, artigo de Washington Novaes

Publicado em maio 2, 2011 por HC

É uma boa notícia a de que o governo federal está lançando, como uma das âncoras para seu plano de erradicação da miséria, o Programa Água para Todos, voltado para o semiárido nordestino (Estado, 2/4). E que o programa, segundo informação da própria presidente da República a dirigentes sindicais, inclui a construção de 800 mil cisternas de placas.


Deve-se acrescentar que esse é o caminho para milhões de famílias que vivem isoladas ou em comunidades muito pequenas, no semiárido – não a transposição de águas do Rio São Francisco, como foi tão alardeado no governo anterior, para justificar essa polêmica megaobra, que não chegará àquela gente. As cisternas de placas são parte de um programa coordenado pela Articulação do Semiárido, que reúne mais de 700 instituições e já construiu algumas centenas de milhares de cisternas desse tipo. Elas são um achado: um encanamento simples recolhe no telhado das casas a água de chuva e a encaminha para cisternas no subsolo ao lado, revestidas com placas para não permitir a infiltração; cada uma permite, com 16 mil litros acumulados, abastecer com cerca de 20 litros diários cada pessoa de uma família durante a estiagem – desobrigando-as de caminhar quilômetros a pé para colher em latas a água de barreiros sujos usados pelo gado. “É uma bênção”, respondeu ao autor destas linhas, levantando as mãos para o céu, uma senhora de mais de 70 anos, quando perguntada sobre o que a cisterna significara em sua vida.
É um programa decisivo para enfrentar a pobreza no semiárido e seus mais de 800 mil quilômetros quadrados; 58% da pobreza nordestina está nessa região, diz o Ministério da Integração Nacional. São regiões onde a média anual de chuvas é de 750 milímetros, menos de metade da média do Recife, por exemplo. E em grande parte da região as chuvas concentram-se num período de 20 dias.
Mas as cisternas não são uma estratégia que faça parte do projeto da transposição. Este, que tinha previsão de gastos de R$ 5 bilhões até 2010, mais R$ 1 bilhão para revitalização do Rio São Francisco, já gastou R$ 2,24 bilhões e está com 80% das obras do Eixo Leste realizadas e 52% do Eixo Norte (quando cada cisterna custa pouco mais de R$ 1 mil). O que se prevê agora é que a água chegue ao Eixo Leste no ano que vem e ao Eixo Norte em 2013 (Rema Atlântico, 17/4). Só que continuam sem resposta dezenas de questões levantadas pelo próprio Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) ao ser pedido o licenciamento. Por exemplo: mais de metade das águas transportas seria destinada a grandes projetos de irrigação (e exportação), quando grande parte destes se situava em terras com processos de erosão já instalados; que se faria? As águas transpostas deveriam, ao longo de centenas de quilômetros, subir centenas de metros até regiões mais altas, consumindo energia elétrica; isso poderia custar até cinco vezes mais que a tarifa vigente; quem pagaria? Boa parte das águas transpostas teria de passar por açudes onde os níveis de evaporação e perda podem ser superiores a 50%. Grande parte da água se destinaria a cidades onde a média da perda nos sistemas urbanos de distribuição era (e continua sendo) de 45%; não seria adequado investir antes na restauração dessas redes? – perguntava.
Mas condicionantes do Ibama em licenciamentos são quase ficção científica. Quem se preocupou com o cumprimento da condicionante de exigir um depósito “definitivo” antes de começar a implantar a usina nuclear Angra 3? Quem se preocupou com o das condicionantes para as megausinas amazônicas, inclusive Jirau e Belo Monte, fora Tucuruí, há mais de 20 anos? E no caso da transposição ainda pesa em sua história o fato de a então ministra do Meio Ambiente haver levado para o Conselho Nacional de Recursos Hídricos a decisão final, quando o comitê de gestão da Bacia do São Francisco, por 44 votos a 2, vetara a transposição. Mas no conselho o governo federal, sozinho, tem maioria e aprovou o projeto.
Claro que o descaso às condicionantes não deveria ocorrer, principalmente nas questões relacionadas com a água, que precisam estar no centro das estratégias do Brasil, um país privilegiado em área que é centro das preocupações no mundo – onde a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação prevê (FAO, 21/3) que em 20 anos quase 2 bilhões de pessoas viverão em regiões com grave escassez de água, que, em alguma medida, atingirá dois terços da população mundial (e quem quiser ter uma visão emocionada do que são a bacia do rio e os povos ribeirinhos pode ler o recém-publicado livro O Rio São Francisco e as Águas no Sertão, com textos de vários autores e fotos extraordinárias do ex-metalúrgico João Zinclar – Silvamontes Gráfica e Editora).
Não é só. Recente relatório da Agência Nacional de Águas – Atlas Brasil – Abastecimento Urbano de Água – diz que 3.027 (55%) dos 5.565 municípios brasileiros terão problemas com recursos hídricos até 2025, se não se investirem R$ 70 bilhões. Nessa data, nas condições atuais, só 18% da população nordestina estará atendida “satisfatoriamente”, embora hoje a média de perda nas redes continue superior a 40% do que sai das estações de tratamento.
Não bastasse, a Agência Espacial Norte-Americana (Nasa) está mostrando (Amazônia.org, 18/4) que a seca recorde de 2010 atingiu 2,5 milhões de quilômetros quadrados na Amazônia. E que isso pode significar menos água e menos captação de carbono pela vegetação e maior emissão para a atmosfera.
Neste momento, em que devemos homenagear a memória do professor Aldo Rebouças, há poucos dias falecido, precisamos lembrar-nos de suas sábias palavras no livro Águas Doces no Brasil (Escrituras Editora, 1999), por ele coordenado: “O que mais falta não é água, mas determinado padrão cultural que agregue ética e melhore a eficiência do desempenho dos governos, da sociedade em geral, das empresas públicas e privadas”.
Washington Novaes é jornalista.
Artigo originalmente publicado em O Estado de S.Paulo.
EcoDebate, 02/05/2011

sábado, 10 de julho de 2010

ARTIGO - Análise do relatório do ONU-Habitat (Programa de Assentamentos Humanos, da ONU)

09/07/2010 - 11:57:01 

O progresso da economia não está em aumentar a riqueza, mas sim em diminuir a pobreza

Marcus Eduardo de Oliveira*
Nos dias de hoje, uma questão se coloca como crucial na vida do homem moderno: se há o interesse em continuar evoluindo, desfrutando de um ambiente mais saudável e fraterno para se viver, tal premissa somente terá sentido quando as gritantes desigualdades sociais e econômicas foram diminuídas substancialmente.

Conquanto, é a esse homem dos dias atuais que cabe a principal tarefa do momento, caso queira, de fato, tornar válida a condição necessária de se habitar um lugar melhor para a continuidade da vida. Essa tarefa consiste em buscar alternativas para pôr fim a maior de todas as perversidades: a fome. Essa chaga atinge 1 bilhão de pessoas e ceifa 40 mil vidas todos os anos, em pontos diferentes da Terra. E por que cabe aos Homens essa tarefa de pôr fim a essa ignomínia? Simplesmente, porque são os Homens (no sentido amplo que esse termo carrega) os únicos responsáveis pela construção das sociedades que não param de apresentar mudanças. “Nós devemos ser a mudança que queremos ver no mundo”, afirmou Gandhi.
E a Economia - enquanto ciência social que também estudo o comportamento do homem moderno - pode ser o começo dessa mudança. Em especial no que toca ao uso do cabedal teórico da economia, uma situação específica precisa ser definida, uma vez que um falso argumento, desde as obras que marcam o início dessa disciplina, insiste em permanecer e se afirmar como válida: não é aumentando a riqueza daqueles que já auferem elevados ganhos que se conseguirá diminuir a pobreza, a miséria e a fome daqueles que tanto carecem de ajuda.
Em outras palavras, essa premissa ressalta que não se pode pensar de forma antecipada nos caminhos que conduzem ao aumento da riqueza, se antes persistirem os modos de se fazer política pública que continue ignorando as possibilidades de se buscar a redução dos índices vexatórios de pobreza em escala mundial. A pobreza está muito próxima de todos nós. Os pobres e a pobreza (relativa e absoluta) estão em todos os cantos. Vejamos essa questão especificamente em termos de América Latina.
Onde estão e quantos são os pobres na América Latina
De acordo com relatório divulgado pelo ONU-Habitat (Programa de Assentamentos Humanos, da ONU) o Brasil é o país mais desigual da América Latina, onde os 10% mais ricos concentram 50,6% da renda. Na outra ponta, os 10% mais pobres ficam com apenas 0,8% da riqueza brasileira. O problema da má distribuição de renda afeta a América Latina como um todo, conclui o relatório. Ainda de acordo com esse documento, os 20% latino-americanos mais ricos concentram 56,9% da riqueza da região. Os 20% mais pobres, por sua vez, recebem apenas 3,5% da renda, o que faz da América Latina a região mais desigual do mundo. “O país com menor desigualdade de renda na América Latina é mais desigual do que qualquer país da OCDE [Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico] e inclusive do que qualquer país do Leste Europeu” atesta o relatório.
O México é o segundo país mais desigual da América Latina, já que os 10% mais ricos da população recebem 42,2% da renda, enquanto os 10% mais pobres ficam com apenas 1,3%. Na Argentina, situada em terceiro lugar, 41,7% da renda está concentrada nas mãos dos 10% mais ricos, enquanto os 10% mais pobres têm apenas 1,1%. A Venezuela é o quarto país mais desigual da região, já que os 10% mais ricos têm 36,8% da renda e os 30% mais ricos controlam 65,1% dos recursos, enquanto os 10% mais pobres sobrevivem com apenas 0,9% da riqueza.
No caso da Colômbia, 49,1% da renda do país vai parar no bolso dos 10% mais ricos, contra 0,9% que fica do lado dos mais pobres. No Chile, 42,5% da renda local está concentrada nas mãos dos 10% mais ricos, enquanto 1,5% dos recursos vai para os mais pobres. Os países menos desiguais da região são Nicarágua, Panamá e Paraguai. Mesmo assim, nos três, a disparidade entre ricos e pobres continua abissal, já que os 10% mais ricos consomem mais de 40% dos recursos. Também consta no referido relatório que a urbanização não contribuiu para diminuir a pobreza na América Latina, já que o número de pessoas na miséria aumentou muito nas últimas décadas, basicamente a partir de 1970. Justamente em 1970, havia 41 milhões de pobres nas cidades da região da América Latina - 25% da população de 40 anos passados. Em 2007, a pobreza aumentou em 4%, considerando os dados de 1970: os pobres em áreas urbanas eram 127 milhões, portanto, 29% da população urbana.
No entanto, a “ONU-Habitat” alertou no relatório que “é nas cidades menores e, certamente, nas áreas rurais da América Latina, onde a população é mais pobre”. Assim, a pobreza rural no Brasil alcança 50,1% da população; na Colômbia, 50,5%; no México, 40,1%; e, no Peru, 69,3%. A grande exceção é o Chile, com um índice de pobreza rural de 12,3% - número inferior inclusive ao das zonas urbanas.
Mais números dessa desigualdade: em 2004, cerca de 980 milhões de pessoas viviam com menos de um dólar por dia nos países em desenvolvimento. Dados do PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento) mostram que as taxas de mortalidade de bebês e crianças até cinco anos caíram em todo o mundo, mas o progresso foi muito desigual. Quase 11 milhões de crianças ao redor do mundo ainda morrem todos os anos antes de completar cinco anos. A maioria dessas mortes decorre por doenças evitáveis ou tratáveis: doenças respiratórias, diarréia, sarampo e malária.
O fato mais triste é que todos os dias 6,8 mil pessoas são infectadas pelo vírus HIV e 5,7 mil morrem em conseqüência da AIDS - a maioria por falta de prevenção e tratamento. De um tratamento, por sinal, que não é muito custoso. No entanto, os países pobres (os que mais sofrem as chagas da desigualdade) continuam pagando a cada dia o equivalente a US$ 100 milhões em serviço da dívida para os países ricos.
Conquanto, uma vez especificado onde estão e quantos são os pobres de nossa região, cabe retomar ao ponto em que anteriormente focalizamos a ciência econômica como parâmetro de análise um tanto quanto inconsistente no ato de atenuar os focos dessa desigualdade. Há um conceito dominante nas ciências econômicas de que riqueza e pobreza devam ser medidas pelo mesmo padrão, ou seja: o produto interno bruto (PIB) e sua conseqüente renda per capita.
É fundamental, contudo, que se tenha a lucidez conceitual para verificar que crescimento econômico (elevação do PIB) não significa queda da pobreza, até mesmo porque o PIB, visto como forma de medir riqueza trata-se, na essência, de um ledo engano.
Uma vez mais queremos contextualizar aqui a idéia que dá conta que crescimento da economia (elevação do produto) não representa (nunca representou) melhora na qualidade de vida das pessoas. É certo que não se acaba com a pobreza crônica gerando apenas empregos e fazendo com que o produto interno se expanda. Pobreza, entendida nos termos da depreciação de vidas humanas, se acaba, por exemplo, a partir da melhoria substancial nos sistemas de saúde pública. Acaba-se com a pobreza crônica quando a educação é tratada com qualidade, para, assim, poder-se oferecer educação com qualidade. Índices de pobreza (tanto crônica quanto relativa) reduzem-se melhorando, substancialmente, as condições de higiene e alimentando melhor os mais pobres; portanto, atenuar os índices de pobreza passa, indiscutivelmente, ao proporcionar aos mais necessitados as necessárias condições básicas que conduz, na prática, ao bem-estar social.
Dito isso, faz-se producente afirmar que o padrão de crescimento econômico das sociedades modernas não pode ser praticado nos termos que ora temos presenciado, ou seja, sob uma plataforma socialmente perversa. O espetacular crescimento econômico das economias modernas a partir de 1945 tem se dado, por exemplo, sobre o conflito com o meio ambiente e num total desrespeito às condições de vida. O progresso técnico-econômico verificado desde o início do forte crescimento das economias não foi acompanhado de crescimento social. É preciso, todavia, lançar-se um novo olhar para além desse crescimento. Essa atitude, de fazer crescer a economia sem a contrapartida de avançar a questão social, apenas contribui, sobremaneira, para o total desrespeito ao indivíduo, que se vê privado de obter condições dignas de trabalho e, por conseqüência, se vê cada vez mais longe do acesso às possibilidades de melhoria do seu padrão de vida. Toda vez que esse indivíduo é colocado à margem dos benefícios, mais distante fica do acesso aos bens necessários. Assim, a economia contribui apenas para obstaculizar uma melhora na vida daqueles que tanto carecem, ao passo que esse sistema econômico continua, a bel-prazer de alguns poucos ganhadores, privilegiando somente esses que se encontram nos patamares mais elevados da escala social. O crescimento da riqueza, portanto, não faz gerar a diminuição da pobreza.
As palavras do economista indiano Amartya Sen são exemplares a esse respeito: “Não se deve olhar o progresso de uma economia verificando o aumento da riqueza dos que já são ricos, mas na diminuição da pobreza daqueles que são muito pobres”.
A saída pode estar na prática da economia solidária
Conquanto, se realmente desejamos ver edificada uma sociedade melhor do ponto de vista social, inequivocamente outro modelo econômico precisa ser posto à serviço das comunidades mais carentes. Esse outro modelo econômico pode ser a economia solidária.
O modelo de economia solidária que queremos ver ganhar dimensão respeita, antes de tudo, a geração presente, priorizando, valorizando e enaltecendo o ser humano, em lugar de centralizar esforços para a acumulação de capital. Esse novo modelo econômico, solidário e participativo, mais ético e menos mercantil, precisa emergir para assim criar todas as condições necessárias a fim de diminuir a abissal lacuna existente entre o modo de viver dos mais ricos em relação aos mais pobres.
Lembremos, nesse pormenor, que habitamos um mundo em que vinte por cento da Humanidade não hesita em gastar três dólares por dia num simples cappuccino; enquanto, no outro extremo da vida, quase 40% da população mundial “tenta” (sobre) viver com menos de dois dólares por dia. Habitamos um mundo em que para manter uma vaca em pé na Europa central são gastos quatro dólares por animal a cada dia.
No entanto, por não receber nem mesmo dois dólares (menos da metade que uma vaca “recebe” em forma de subsídio) por dia, 3 milhões de pessoas - pobres, famintas e enfermas - morrem por causa de malária todos os anos na África subsaariana.
Não é por outra razão então que a cada semana, a pobreza e suas “conseqüências” matam, somente no continente africano, o mesmo número de pessoas que foram dizimadas pelo tsunami que atingiu o sudeste asiático alguns anos atrás.
Ou mudamos radicalmente essa história perversa ou continuaremos a andar na contramão das condições que estabelecem as relações que moldam a vida. A vida não nos foi dada para que tratássemo-la com menoscabo. A vida nos foi oferecida para promovermos o bem-viver e o viver bem. Cabe a nós - a todos nós - que escapamos da pobreza e da fome, juntarmos forças para a construção da paz duradoura num mundo em que, pelo menos, não haja a sandice da fome, uma vez que os alimentos são produzidos em excesso e, em muitos lugares, chegam até mesmo a estragar e apodrecer em silos. Ao final, desejamos aqui reiterar as palavras de Frei Betto: “Ter escapado da pobreza não é prêmio, é responsabilidade para com aqueles que não tiveram igual sorte”.
* Marcus Eduardo de Oliveira é economista, especialista em Política Internacional. Articulista do site “O Economista”, do Portal EcoDebate e da Agência Zwela de Notícias (Angola).
(Adital)

segunda-feira, 5 de julho de 2010

ARTIGO - A espécie humana na encruzilhada


Vilmar Berna é escritor e jornalista, editor da Revista e do Portal do Meio Ambiente. Mais informações: www.escritorvilmarberna.com.br



Ou continuamos escolhendo o insustentável, e corremos o risco de desaparecer; ou escolhemos a sustentabilidade, e sobrevivemos.
Por que é tão importante e estratégico democratizar a informação socioambiental? Porque a sociedade precisa dela para saber escolher entre os caminhos que aprofundarão a crise socioambiental dos caminhos que nos conduzirão a uma sociedade sustentável, de baixo consumo de carbono. Sem informação ambiental de qualidade a sociedade terá cada vez maior dificuldade para compreender a crise socioambiental apontada por 1.300 cientistas, de 95 países, como muito séria e urgente.
Após analisaram a situação dos ecossistemas do Planeta estes cientistas constataram que nosso estilo de vida está consumindo cerca de 20% a mais do que o Planeta consegue repor e que este consumo não é igual para todos: enquanto uns poucos ficam com muito, concentrando poder e riqueza, a maioria continua com quase nada e ainda tem de suportar os ônus da poluição e degradação ambiental e serem os mais atingidos pelas mudanças climáticas, por que não têm com se defender. Gandhi já nos alertou sobre isso ao afirmar que “a Terra tem o suficiente para a necessidade de todos, mas não para a ganância de uns poucos”.
A mudança entre um estilo de vida que não se importa com o meio ambiente ou com a miséria e outro que se importa tem se tornado cada vez mais visível por qualquer indicador que se adote. Para se ter uma idéia da mudança, por volta da década de 70 a poluição era percebida como positiva, um sinônimo de progresso. Na década seguinte, o negócio passou a ser reduzir a poluição e mais menos uma década depois a busca pela poluição zero. Poluição passou a ser sinônimo de desperdício, prejuízo financeiro com multas e embargos, etc. Na entrada do século 21, a mudança evoluiu para a busca de tecnologias limpas e conhecimentos capazes de reparar os danos e ainda ganhar dinheiro com isso.
O desafio agora é aumentar a velocidade dessa mudança por que, segundo os cientistas, corremos o risco de, a partir de 2050, passarmos do ponto de retorno, quando começará o colapso do Planeta. Exagero ou não, a prudência requer precaução de nossa parte, por que não dá para adotar a suicida atitude de esperar para ver.
Entretanto, mudar não é fácil! E uma das características da mudança que a tornam mais desafiadoras é que ela não é a mesma para todo mundo. Enquanto para uns mudar vai significar consumir menos, rever hábitos desperdiçadores, modificar sistemas concentradores de renda e produtores de miséria, para outros, milhões de excluídos, que vivem na pobreza e nem sempre têm o que comer no dia seguinte, mudar vai significar consumir mais. Para essas pessoas é até crueldade falar sobre a importância e necessidade de preservação da biodiversidade, da mata atlântica, das baleias, do mico-leão-dourado, sem também oferecer possibilidades e alternativas econômicas sustentáveis para que saiam da situação de miséria em que se encontram.
Então, se no século passado a ênfase da mudança estava mais em seus aspectos ambientais, hoje, a ênfase é na sustentabilidade, uma idéia que associa o ambiental ao social e ao econômico e que vai além do presente, projetando nossas preocupações para o campo da ética e futuro, por que cada vez fica mais claro que não recebermos o planeta de herança de nossos pais, mas o estamos tomando de empréstimo de nossos filhos e netos, como bem disse Henry Brown.
Um aspecto da mudança que nos dá esperança é que ela não se dá por acaso muito menos é obra ou depende de algum ‘salvador da pátria’, mas resulta do esforço coletivo e continuado de uma verdadeira ‘confraria de amigos do planeta’ que cresce a cada dia e que, de forma incansável e muitas vezes ao preço de perder a própria vida, como o Chico Mendes, não se deixou – e não se deixa - abater diante da enormidade ou urgência da tarefa, por que em vez de tentar encontrar desculpas para não fazer nada, encontrou um jeito de continuar lutando por este mundo melhor, que é possível, mas que começa aqui, agora, em nós.
O fato é preciso, na verdade, é urgente, mudar nosso estilo de vida a fim de assegurar a preservação do meio ambiente e isso além de não ser uma tarefa pequena, não é nada fácil, por que estamos falando de mudança. O que está em jogo não é sobrevivência de um ou outro indivíduo, ou mesmo de um coletivo nacional, mas da espécie humana inteira, sem exagero! Os limites de nosso crescimento e a mudança na maneira de produzir e consumir os recursos do Planeta precisa ser negociado com a sociedade, por isso é tão importante e estratégico mantê-la bem informada.
As escolhas da sociedade tenderão a ser tanto melhores quanto melhores forem as informações ambientais que conseguirem chegar ao povo. Se estas informações forem insuficientes, falsas, tendenciosas ou dominadas pelas forças que desejam manter os atuais rumos insustentáveis de consumismo e poluição, isso certamente influenciará em nossas decisões. Por isso é tão importante, na verdade fundamental e estratégico para a sustentabilidade, refletirmos sobre a comunicação e a publicidade que são apenas ferramentas, que tanto podem estar a serviço de um modelo consumista e desperdiçador ou a serviço da sustentabilidade, dependendo dos valores que motivam nossas escolhas.
Informação e publicidade
Um dos motivos que impede a democratização da informação socioambiental comprometida com valores sustentáveis é a falta de financiamento para esta informação. Portanto, assegurar tais recursos não se trata de uma reivindicação meramente comercial, mas de uma estratégia em opor-se à informação baseada no consumismo e no desperdício como valores em nossa sociedade. A ausência de políticas públicas e conseqüentemente verbas públicas para campanhas de propaganda e marketing ambientais, que ofereçam um contraponto à propaganda e ao marketing comprometidos com o consumismo crescente e ilimitado, reforça na sociedade brasileira a permanência por escolhas tradicionais, insustentáveis, consumistas, desperdiçadoras. Hoje, quem financia a publicidade é a lógica do mercado que está comprometida com lucros, também crescentes e, de preferência, ilimitados. Para vender mais usam das ferramentas da propaganda e do marketing para criar necessidades e desejos onde as pessoas nem sabiam que tinham, transformar em mercadorias sentimentos e o psicológico das pessoas (por exemplo, o medo da violência em venda de armas e sistemas de segurança). Um mesmo consumidor é estimulado a trocar um produto bom, que ainda funciona bem, por outro quase igual, mas com um pequeno diferencial para o querer se livrar daquele que ainda funciona para comprar um novo. Isso quando o mercado não providencia para que um produto que poderia durar muito mais já saia da fábrica programado para durar menos, assim o consumidor terá de comprar de novo e descartar o usado que ainda poderia servir. A indústria automobilística é mestre em projetar veículos para durar cada vez menos. Quem tem carros antigos que duram por décadas sabe do que estou falando. Os novos, em cinco anos precisam ser trocados, por que se torna caro demais mantê-los. São só alguns exemplos para mostrar como esta lógica de consumo tem contribuído para aumentar a velocidade do saque contra o planeta gerando o atual absurdo em que uma pequena parcela da humanidade, em torno de 20%, consegue consumir sozinha 30% a mais de recursos naturais do que a natureza consegue se recuperar.
A mesma ferramenta da propaganda e marketing que tem sido usada a serviço da destruição e do mau uso dos recursos do Planeta, pode – e deve – ser usada para sensibilizar as pessoas para a necessidade de mudar seus hábitos de consumo, levar as pessoas a refletirem e fazerem escolhas melhores no próprio ato de consumir, recusando produtos poluidores, de obsolescência planejada, desperdiçadores de recursos naturais, não recicláveis, emissões de carbono, por outros, mais sustentáveis e também solidários no sentido de promover a inclusão social.
O Brasil compreende isso e incluiu na lei nº 9.795, de 27 de abril de 1999, que criou a Política Nacional de Educação Ambiental, o art. 5º, inciso II, que garante a democratização das informações ambientais como um dos objetivos fundamentais da educação ambiental. Durante a Eco 92, o Governo Brasileiro assinou também na Agenda 21 o compromisso de (artigo 40.18) "sempre que exista impedimento econômico ou de outro tipo que dificultem a oferta de informação e o acesso a ela, deve-se considerar a criação de esquemas inovadores para subsidiar o acesso a essa informação ou para eliminar os impedimentos não econômicos." Assinou, mas não cumpre, ainda. Para tirar estes compromissos e direitos do papel os governantes precisam perceber a mobilização da sociedade em torno da causa, já que são tantas as prioridades e o cobertor do orçamento geralmente é curto. Atualmente, apenas a chamada Grande Mídia, não especializada em meio ambiente, recebe o aporte das verbas públicas através da publicidade de empresas do Governo Federal. Um pequeno percentual disso poderia estar financiado as mídias ambientais, como sugerido em moção aprovada por pelos mais de 2.000 representantes da sociedade civil durante a II Conferência Nacional de Meio Ambiente.
A pesquisa “O que o brasileiro pensa do meio ambiente”, do ISER/MMA, tem constatado que a conscientização do brasileiro em relação ao meio ambiente aumentou 30% nos últimos 15 anos e cresceu o número de brasileiros que não consideram exagerada a preocupação com o meio ambiente (42% em 97; 46% em 2001 e 49% em 2006). Por outro lado, outra pesquisa, também do ISER/MMA, realizada com 1.141 dos 1.337 delegados participantes da “II Conferência Nacional de Meio Ambiente”, em fev 2005, constatou que a falta de informação sobre Meio Ambiente e Educação Ambiental está incluída por estes multiplicadores de opinião entre os três principais problemas ambientais brasileiros.
Quanto à inclusão das mídias ambientais nos planos de mídia das empresas do mercado muitas preferem investir apenas na contratação de serviços de imprensa para transformar as informações que querem divulgar em sugestões de pauta que enviam em massa aos veículos da mídia ambiental especializada na tentativa de obter alguma divulgação espontânea, em vez de também contratar uma agência de publicidade para fazer um plano de mídia que inclua estes mesmos veículos. Quando isso ocorre, preferem dirigir as verbas de publicidade para veículos da mídia não especializada sob o critério de custo por mil (CPM). É a velha história de quantidade versus qualidade. Quanto maior a tiragem, menor o custo por mil. No caso das mídias ambientais, como as tiragens são bem menores, o custo por mil é maior.
O que às vezes a maioria das empresas anunciantes e dos publicitários não percebe é que o público que importa em relação às questões socioambientais é aquele que influencia as decisões da empresa, e este costuma ler e dar credibilidade à mídia ambiental, mais que à grande mídia. Já o público em geral, que tem um interesse mediano sobre a questão ambiental, mal lê a notícia ou o anúncio ambiental e passa batido entre temas diversos do seu interesse como futebol, polícia, cidade, política, etc. Então, a empresa anunciante pensa estar fazendo uma economia evitando anunciar na mídia ambiental, quando na verdade está desperdiçando dinheiro com publicidade em mídias que não são lidas pelo seu público de interesse.
Depois se queixa dizendo que este tipo de público, crítico em relação às atividades socioambientais da empresa, só gosta mesmo é de ‘notícia ruim’, quando na verdade, a empresa não teve sucesso em alcançá-lo com a sua informação publicitária ou institucional, ou não soube agregar à sua informação a credibilidade de veículos especializados como os da mídia ambiental, que conquistaram tal credibilidade exatamente por que não se vendem, publicam contraponto às verdades oficiais. E este é outro obstáculo para algumas empresas anunciarem nas mídias ambientais, pois preferem mídias que não publiquem também informações que sejam desfavoráveis aos seus interesses. São empresários e publicitários que não conseguiram compreender ainda que o contraditório faz parte do processo democrático, e que o Brasil é uma democracia!
Os publicitários estão devendo esta lição de casa em relação ao sem compromisso com a sustentabilidade – com as exceções de sempre. E os cursos de graduação em publicidade e marketing também. No fundo, existem poucos profissionais no mercado publicitário brasileiro com capacitação adequada para compreender a real importância da mídia ambiental e o seu papel estratégico para fazer avançar a sustentabilidade e a consciência ambiental da sociedade.
É certo que não conseguiremos fazer sozinhos tudo o que é preciso ser feito para que ocorra a mudança, por isso precisamos uns dos outros, precisamos de veículos que sejam canais de diálogo para favorecer o entendimento entre diferentes interesses. As informações ambientais chegam à opinião pública através dos veículos da chamada Grande Mídia, não especializada em meio ambiente, e dos veículos da Mídia Ambiental, sejam institucionais, que refletem as opiniões e informações de uma determinada organização, ou não-institucionais, que procuram mostrar diferentes ângulos da questão. Apesar das diferenças, inclusive ideológicas, tratam-se de mídias complementares. Os veículos da Grande Mídia dispõem de recursos que a mídia ambiental não tem, por exemplo, na cobertura de um grande acidente ecológico, quando o interesse dos veículos não especializados dura o tempo em que o problema ambiental permanece visível. Já a mídia ambiental tende a manter o assunto na pauta mesmo depois de passado o problema, oferecendo à opinião pública uma análise mais aprofundada sobre as conseqüências, responsabilidades, desdobramentos.
Quanto ao aspecto ideológico, a diferença entre diferentes mídias pode ser enorme. Os veículos da Grande Mídia são de propriedade de poucas famílias e tendem a reproduzir o pensamento do modelo econômico dominante. Já a mídia ambiental está mais ligada à resistência social, à denúncia, à crítica, à oposição a este modelo dominante. Existem exceções em ambos os lados, mas que apenas confirmam as regras.
Entre os veículos da mídia ambiental, por sua vez, existem aqueles que focalizam em sua pauta mais os aspectos da natureza, seja suas agressões ou belezas, outros veículos focalizam mais os aspectos produtivos como gestão ambiental, tecnologias, legislação, licenciamento, e outros ainda os aspectos sociais e políticos. Então, mesmo entre os veículos da mídia ambiental, existe uma complementaridade entre eles.
O desafio é como sobreviver sem recursos diante de uma sociedade que, apesar de precisar de informação ambiental a fim de fazer escolhas melhores entre as diferentes alternativas, não se dispõe, pelo menos ainda, a comprar esta informação, seja nas bancas seja através de assinaturas? Este desafio tem sido enfrentado dia a dia pelas mídias ambientais e cada uma tem buscado seu caminho de sobrevivência, sempre com muita dificuldade, quase como uma missão de cidadania ambiental, uma espécie de apostolado.
Valores sustentáveis
A escola assume um papel fundamental de estimular a cidadania ambiental do aluno, e uma das maneiras mais eficientes de se fazer isso é trazendo o contemporâneo para a sala de aula, aproximando o cotidiano vivido pelos alunos. Paulo Freire apontou o consumismo como um dos maiores problemas de nosso tempo, chegando a compará-lo a um tipo de escravidão: “A educação deve ajudar o homem brasileiro a inserir-se criticamente no processo histórico e a libertar-se, pela conscientização, da síndrome do ter e da escravidão do consumismo". A Rede Brasileira de Informação Ambiental (REBIA) e a OSCIP Prima – Mata Atlântica e Sustentabilidade e demais parceiros concederão o certificado de ESCOLA AMIGA DO PLANETA como forma de reconhecer, homenagear e divulgar a ESCOLA que adota boas práticas ambientais e sustentáveis e que por isso É O EXEMPLO QUE QUEREM VER EM SEUS ALUNOS. A educação ambiental para a sustentabilidade deve ser uma pedagogia de ação, a partir das práticas do dia a dia, ou não promoverá mudanças.
Por exemplo, escolas que ensinam seus alunos sobre o desmatamento na Amazônia, mas não se preocupam com a origem da madeira que compram para as carteiras dos alunos ou portas das salas de aula, ou não exigem a comprovação de origem da carne preparada na cantina, podem estar contribuindo para o desmatamento desta mesma Amazônia. Também ensinam uma coisa e praticam outra as escolas que ensinam sobre mudanças climáticas, aquecimento global, mas não adotam medidas de redução de consumo de energia, não controlam as emissões de seus veículos, não plantam árvores para neutralizar suas emissões; ou ensinam sobre os males do consumismo e não adotam a coleta seletiva, a reciclagem, o reaproveitamento de materiais, a redução do consumo de água. E, sem credibilidade, o discurso fica vazio e perde eficácia.
Com o agravamento das mudanças climáticas os adultos de hoje irão requerer cada vez mais, na formação de suas crianças e jovens, escolas que sejam elas próprias um exemplo do que ensinam, demonstrando estarem preparadas para formar a nova geração de lideres do amanhã, pois eles viverão numa sociedade que, por um lado, irá valorizar cada vez mais ações e tecnologias sustentáveis e de baixo carbono e inclusivas com os despossuídos e, por outro, irá rejeitar e penalizar cada vez mais ações e tecnologias sujas e insustentáveis e que produzam miséria e exclusão social.Dados científicos irrefutáveis, como estes, entre vários outros, não deixam mais dúvidas que estamos diante de uma encruzilhada: ou continuamos escolhendo e apoiando o atual estilo de vida, ou mudamos rapidamente. Escolher um caminho, ou outro, depende informação. Sem ela, a Sociedade terá dificuldades para compreender a gravidade da crise ambiental, e pior, será incapaz de fazer escolhas adequadas que levem a mudanças que revertam a atual rota suicida de nossa espécie sobre o Planeta.
Cidadania ambiental ativa
Vivemos num mundo onde a eliminação da pobreza, a diminuição da desigualdade social e a preservação do nosso ambiente devem ser prioridades para consumidores, empresas e governos, pois todos são co-responsáveis pela construção de sociedades sustentáveis e mais justas. Assim, diversos setores da sociedade estão se mobilizando em direção à mudança. Destaco quatro deles:
1. TERCEIRO SETOR – reúne indivíduos e organizações que precisam se manter bem informados a cerca de políticas, obras, atividades, ações que impactem ou venham a constituir ameaça ao meio ambiente, a fim de confrontar e denunciar abusos e ilegalidades ambientais. Também precisam saber de novas idéias, tecnologias, bons exemplos socioambientais para mostrarem alternativas e soluções mais sustentáveis, em vez de só dizer que são contra. No Brasil, estes cidadãos ambientais costumam se reunir em organizações não governamentais de defesa do meio ambiente que, por sua vez, participam de conselhos federal, estaduais e municipais de meio ambiente onde têm voz ativa e podem influenciar nas decisões de políticas públicas e legislação ambiental. Para este público, a informação ambiental é uma espécie de ponte de diálogo entre diferentes interesses, permitindo o entendimento ou o estabelecimento de estratégias e negociações.
2. ELEITOR - Platão disse que “o preço que os homens de bem pagam pelo seu desinteresse da política é a qualidade dos políticos.” A informação ambiental é fundamental para que os cidadãos ambientais possam decidir seu voto, seja para manter no poder ou para substituir políticos e administradores, em função de sua atuação socioambiental. Afinal, o Planeta não vota e por isso conta com o eleitor para fazer isso por ele.
3. CONSUMIDOR - exerce sua cidadania ambiental ao se perguntar, antes de comprar, se realmente necessita daquele produto e, caso decida pela compra, se é possível consertá-lo, reutilizá-lo ou reciclá-lo, ou se o produto faz menos mal ao meio ambiente, etc. Sem informações ambientais de credibilidade o consumidor tem dificuldades para tomar tais decisões, bem como não pode saber direito sobre os impactos dos seus hábitos de consumo.
4. INICIATIVA PRIVADA - algumas empresas líderes reconhecem a importância estratégica da comunicação e da mídia ambiental não só para manter seus públicos de interesse ambiental informados sobre suas atividades e resultados como também para manter canais de diálogo com este público formador e multiplicador de opinião, podendo se antecipar a denúncias na imprensa ou junto ao Ministério Público e órgão de controle ambiental que possam trazer prejuízos à imagem ou aos negócios. A fim de assegurar credibilidade à sua mensagem, as empresas líderes agem com responsabilidade socioambiental em suas atividades produtivas e adotam princípios e assumem práticas que vão além da legislação – investindo na democratização da informação ambiental para dar publicidade a seus resultados.

sábado, 23 de janeiro de 2010

ARTIGO - Crises e oportunidades em tempos de mudança

Transcrevo abaixo E-mail enviado pelo Prof. Ladislau Dowbor, e recomendo a leitura do artigo sugerido.
Abraço a todos!
Suely
____________________________________________________________________________


"Caros,
Informo que estamos disponibilizando um documento importante, Crises e Oportunidades em Tempos de Mudanças, de 20 p., com a caracterização dos processos críticos, das mudanças necessárias em termos de governança e de 12 eixos de ação propostos. O artigo recolhe vários fragmentos de contribuições anteriores, pois não se trata de originalidade, e sim de sistematizar linhas de ação viáveis.
O documento servirá de base para as reuniões no Fórum Social Mundial em Salvador, 29 a 31 de janeiro. O artigo é assinado por Ignacy Sachs, um dos principais nomes mundiais na área da economia sustentável; por Carlos Lopes, Sub-Secretário Geral da ONU e dirigente da UNITAR, além de intelectual africano muito respeitado; e por Ladislau Dowbor. A idéia é construir uma agenda frente à bagunça planetária que gradualmente (e não tão gradualmente) se instala. Utilizem e divulguem:


Texto em português: http://dowbor.org/09fsmt7portuguespositionpaperldfinal.doc
Versão em inglês:
http://dowbor.org/09fmt7crisesandopportunities.doc

O andamento da iniciativa Crise e Oportunidade C&O, pode ser acompanhado em www.criseoportunidade.wordpress.com
Leiam e comentem, o artigo faz parte de um esforço de agregação de forças em torno de mudanças essenciais. E participem das iniciativas do Fórum Social Mundial.
Abraços,
Ladislau Dowbor"

Carlos Lopes é Sub-Secretário Geral da ONU, encarregado do UNITAR em Genebra (www.unitar.org) e da Escola de Líderes da ONU em Turim (www.unssc.org). Especialista em desenvolvimento pelo Instituto de Altos Estudos Internacionais e Desenvolvimento da Universidade de Genebra têm também um Doutoramento em História pela Universidade de Paris 1, Panthéon-Sorbonne. Têm numerosa bibliografia publicada e faz parte de 12 conselhos acadêmicos. As opiniões aqui expressas são pessoais.
Ignacy Sachs, eco-socioeconomista nascido na Polônia em 1927, com estudos superiores no Brasil, na Índia e na Polônia. Desde 1968, professor da Escola de Altos Estudos en Ciências Sociais em Paris (E.H.E.S.S.) onde criou e dirigiu sucessivamente o Centre International de Recherches sur l'Environnement et le Développement (C.I.R.E.D.) e o Centre de Recherches sur le Brésil Contemporain (C.R.B.C.). Consultor em várias ocasiões da Organização das Nações Unidas, tendo participado dos preparativos da Conferência de Estocolmo sobre o Meio Ambiente (1972) e da Cúpula da Terra de Rio de Janeiro (1992). A sua bibliografia é acessível no site: http://bit.ly/4AYaHu
Ultimo livro publicado no Brasil: A terceira margem - em busca do ecodesenvolvimento, Companhia das Letras, São Paulo, 2009.
Ladislau Dowbor é professor titular no departamento de pós-graduação da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. É consultor de diversas agências das Nações Unidas, governos e municípios, bem como do Sebrae e outras instituições. Seus livros e artigos podem ser acessados na íntegra no site http://dowbor.org, na linha do Creative Commons (livre acesso não comercial) Contato: ladislau@dowbor.org

sábado, 16 de janeiro de 2010

ARTIGO - Suely Chacon

O TEMPO DA MODERNIDADE: APROPRIAÇÕES POLÍTICAS CONCRETAS DE UM CONCEITO ABSTRATO *

Por Suely Salgueiro Chacon

O ritmo das máquinas aumentaria e intensificaria enormemente o ritmo natural da vida, mas não mudaria – apenas tornaria mais destruidora – a principal característica da vida em relação ao mundo, que é a de minar a durabilidade - Hannah Arendt (A condição humana)

O artigo analisa a construção da idéia de modernidade e como esta pode ser usada pelo poder político que preconiza as ações que direcionam as decisões de uma sociedade. É explicada a formação da sociedade moderna e o papel do Estado. A seguir é esclarecido o real significado de modernidade em relação ao tempo e à organização social, mostrando como o Estado é capturado pelo poder político e passa a interferir diretamente nessa organização social, na apropriação do meio ambiente (espaço de convivência) e na geração da exclusão social.





A SOCIEDADE MODERNA
A sociedade moderna, historicamente definida, foi gestada nos séculos XVIII e XIX, e tem como características essenciais: a constituição e centralidade do indivíduo; a transformação dessa centralidade em uma norma única e universal; a instituição do poder como um lugar e não mais centrado em uma pessoa, família ou grupo social (o poder torna-se impessoal), e a detenção do poder político é resultante do processo de escolha realizada pelos membros da comunidade política (da qual ninguém é excluído); é uma sociedade aberta, de mobilidade social; suas organizações, práticas e valores, são regidos pela racionalidade (que troca o saber divino pelo saber laico, da ciência); ignora a exterioridade, desconhece fronteiras; não se confunde com os Estados-nação, simples instrumento de sua realização; sua base econômica é essencialmente universal, o capitalismo. E é nesse tipo de sociedade que surgem os mecanismos de resolução de conflitos. (NASCIMENTO, 2001a: 87-88)
Nascimento (2001) ressalta que as sociedades primitivas não conheciam o conflito assim como a sociedade moderna o , muito menos dispunham de mecanismos de resolução para os mesmos. Se surgisse uma disputa ou divergência existiam dois meios de superação: a força bruta, pela qual vencia o mais forte, ou a cisma, quando os grupos se separavam pelo desentendimento. Isso manteve aquelas sociedades fracas, pequenas e sempre em fragmentação, até que surgisse um povo, ou um líder mais forte que subjugasse muitas dessas sociedades, formando impérios.
A resolução e a mediação dos conflitos vai acontecer de fato com o advento do Estado, ainda na Antigüidade. Também o aparecimento das primeiras noções de leis e direito contribui para isso. Porém, ainda é a força ou a opinião dos líderes que prevalece decisivamente, mesmo nas negociações, e mesmo quando existiam normas e regras estas eram constantemente ignoradas. Somente com a sociedade moderna passam a existir condições de negociação real e contínua, buscando-se então soluções mais pacíficas e consensuais para a resolução dos conflitos.
O grau de complexidade adquirido pelos conflitos é uma característica das sociedades modernas. Se antes os conflitos explodiam em disputas definitivas e visíveis a todos, a partir da modernidade, do domínio da razão e das leis, e da centralidade do indivíduo, os conflitos são contidos, internalizados, normatizados e institucionalizados, tornando-se invisíveis para quem não os quer ver.
Nesse sentido, o conflito é a matéria-prima da política, que manipula os mecanismos necessários para a contenção da luta.
Assim, conter os conflitos é uma tarefa diária da sociedade moderna, e o Estado se responsabiliza pela criação e manutenção de mecanismos que garantem essa ordem. Porém, nãogarantias de uma paz eterna e a manifestação de conflitos representa uma maneira de protestar contra algo que não se compreende ou não é aceito por alguém ou por um grupo. Quando isso acontece, os conflitos se apresentam e podem ser caracterizados, segundo Nascimento (2001: 91), por tensões normais que ocorrem na sociedade moderna desde sua origem (junto com o capitalismo, o individualismo e os novos costumes); ou por um confronto de interesses entre grupos sociais; ou ainda por anomias, que resultam da ausência de normas que ofereçam objetivos claros aos indivíduos. Dessa forma,
Os conflitos são meios pelos quais os atores sociais dirimem suas divergências, interesses antagônicos ou pontos de vista conflitantes, possibilitando que a sociedade alcance certa unidade. Os conflitos são fatores de coesão social, e não de distúrbio. (NASCIMENTO, 2001:94).

ESTADO E MODERNIDADE
Ao identificar a regulação, mediação e resolução institucionalizada dos conflitos com a modernidade, Nascimento (2001) ajuda a reforçar a percepção de que o Estado está no cerne da questão da modernização, independente do grupo que ocupa o poder e mesmo do tempo e do espaço em que ocorre esse movimento.
Mesmo com a desarticulação de várias estruturas do Estado, promovida sob a égide do neoliberalismo, o Estado continua como o principal ente promotor do desenvolvimento. A tentativa de impor o mercado como ente regulador das relações sociais, principalmente a partir dos anos 1980, provocou um grande abalo no Estado do Bem-Estar, concebido com base nas idéias keynesianas, após a 2ª. Guerra Mundial, que entrou em crise em todo o mundo.
Contudo, esse movimento, que também se dizia modernizador, não foi suficiente para enfraquecer totalmente o Estado. Por outro lado, o fracasso das políticas neoliberais fez com que as forças mundiais do capitalismo se voltassem novamente para o Estado, dessa feita com o intuito de reforçar seu papel de reprodutor da ideologia capitalista e de mantenedor da ordem. A tentativa de abalar a legitimidade do Estado foi revertida e este fortifica seu papel como aliado do capital.
Santos (1998:1) ressalta que “dos dois paradigmas de transformação social da modernidade, a revolução e o reformismo, o primeiro foi pensado para ser exercido contra o Estado e o segundo para ser exercido pelo Estado”. O reformismo foi um movimento protagonizado pela classe operária para contrapor-se aos ditames do capitalismo e à regulação exclusiva do mercado. Isso garantiu que se criassem instituições que garantiram os interesses da sociedade em três instâncias maiores: a regulação do trabalho, a proteção social contra os riscos sociais e a segurança contra a violência. Essas instituições se articularam com base em três princípios da regulação da modernidade: o princípio do Estado, o princípio do mercado e o princípio da comunidade. Segundo Santos:
Estabeleceu-se um círculo virtuoso entre o princípio do Estado e o princípio do mercado de que ambos saíram reforçados, enquanto o princípio da comunidade, assente na obrigação política horizontal cidadão a cidadão, foi totalmente descaracterizado na medida em que o reconhecimento político da cooperação e a solidariedade entre cidadãos foram restringidos às formas de cooperação e de solidariedade mediadas pelo Estado. Nesta nova articulação regulatória, o potencial caótico do mercado, que se manifestava sob a forma da questão social – anomia, exclusão social, desagregação familiar, violência –, é mantido sob controle na medida em que a questão social entra na agenda política pela mão da democracia e da cidadania. Politizar a questão social significou submetê-la a critérios não capitalistas, não para a eliminar, mas tão para a minorar e, nessa medida, manter sob controle o capitalismo enquanto conseqüência (a questão social) significou legitimá-lo enquanto causa. (SANTOS, 1998:1-2)
O reformismo defendia que a origem dos problemas a serem superados era a própria sociedade, que então deveria ser o objeto da reforma, enquanto o Estado era a solução e, portanto, o sujeito da reforma.
Com a crise do reformismo, no entanto, o Estado passou a ser visto como problema e se transformou em objeto de uma reforma, a reforma do próprio Estado. Ou seja, o outro lado da crise do reformismo é a própria crise do Estado.
Nesse contexto, o mercado surge como o ente regulador das relações produtivas e mesmo sociais, substituindo em grande parte o Estado. Essa premissa se fortalece a partir da ruptura real ocorrida com o advento dessa sociedade moderna, que tem como base as idéias do iluminismo e do liberalismo econômico. O capitalismo se torna o modo de produção principal da sociedade ocidental e vai se fortalecer ao longo do tempo, provocando uma série de conseqüências, como a urbanização e o avanço tecnológico, que modificam para sempre a forma de se relacionar do ser humano.
Mas, a continuidade do processo levou ao retorno do Estado como parceiro do mercado, e o primeiro continua como protagonista das grandes decisões. Isto significa que não se pode ignorar o papel do Estado no entendimento das motivações que levam a um movimento de mudança da sociedade.
Dessa forma é que a sociedade moderna está “oficialmente” posta, mas na verdade a modernidade se reproduz ao longo de um processo que se renova, conforme o momento histórico e conforme as forças no poder preconizem ou não uma mudança.

A MODERNIDADE E O TEMPO
A idéia de tempo, que passa despercebida nos debates cotidianos é a chave para entender o real significado da modernidade. O tempo presente é o tempo da modernidade (BARTHOLO JR., 2001). Com base na interpretação de Bartholo Jr., a modernidade pode ser vista como uma atitude e não apenas como um momento histórico. Assim, é possível identificar modernidade em diferentes etapas da história de uma sociedade, pois:
Ser moderno é afirmar uma primazia do tempo presente, numa imensa e radical ousadia de fazer do tempo presente a morada do juízo crítico. A modernidade está sempre em tensa relação com outro tipo de atitude, que podemos chamar, numa designação genérica, de tradicional (BARTHOLO JR., 2001: 23).
O movimento de modernização começa a acontecer quando uma parcela significativa de um grupo põe em prática uma atitude crítica, que questiona o que está posto até então. Ou seja, a modernidade se instaura quando os valores e a organização cultural e social são questionados e se gestam novos valores, que se contrapõem aos antigos. Assim, é preciso identificar o que caracteriza o tradicional, para que se perceba o que significa a modernidade em um dado momento.
Nãotambém uma “modernidade pura”. Existem modernidades que se identificam ao longo da história da humanidade, pela própria condição humana, a cada momento que se exerce o juízo crítico e se instaura uma tensão entre o tradicional e o novo. Nesse sentido, ligar a modernidade exclusivamente à ciência e o tradicional à religião é outro erro comum. Tanto a ciência pode se fundamentar em valores considerados tradicionais como uma crença religiosa pode inovar e superar tradições. O que vai determinar a modernidade é a capacidade de questionar, de conformar de fato o novo, de ter a atitude de exercer o juízo crítico (BARTHOLO JR., 2001).
A modernidade pode ser encontrada em fases históricas distintas. Portanto, se a concretização relativa da modernidade ocorre em diferentes momentos da história, cada momento é um tempo presente de realização da modernidade, conforme o sentido que esta incorpora em confronto com o que deve ser superado, identificado normalmente como o tradicional.
Assim, a idéia de modernidade inspira o imaginário das sociedades de diferentes modos, conforme sua formação histórica, mas comumente o moderno é identificado de forma dicotômica, como o oposto do tradicional, a superação do atraso, a inserção no mundo tecnológico. Usar os termos conceituais modernidade ou moderno passou a ser algo comum no discurso cotidiano das pessoas em geral, de empresários e principalmente dos políticos. Promover a modernidade vem sendo a ordem do dia por várias décadas, e o fato de que essa modernidade vem se modificando ao longo do tempo tem passado despercebido. O moderno é posto por quem o defende como o contrário de algo velho, superado. Dicotomicamente, o moderno é bom e o tradicional é ruim.

UM EXEMPLO: MODERNIDADE E POLÍTICA NO BRASIL E NO SERTÃO DO CEARÁ
Para Buarque (1991:31), “na civilização ocidental, a história de cada país tem sido a história das mudanças necessárias à construção de sua modernidade”. E no Brasil não foi diferente, contudo não aconteceram de fato grandes rupturas na nossa história. Na verdade o que é comum é uma mudança na “metodologia política”, sem que haja uma mudança real na sociedade. Os momentos de modernização da sociedade brasileira são identificados por Buarque (1991) com momentos de crise, ressaltando que no Brasil se repete o movimento de modernização arcaica.
Ou seja, os dirigentes do país, comprometidos com estruturas essenciais que alimentam a crise, não implantam medidas de mudança real, apenas disfarçam seus atos de continuísmo com discursos de modernização.
Nas últimas décadas do século XX, um movimento global de mudança, fortemente ligado à idéia de liberalização econômica, foi capitaneado pelo boom tecnológico que tornou o acesso à informação e o rompimento virtual das fronteiras geográficas e culturais os ícones desse novo processo de modernização.
Nesse sentido, o papel do Estado foi mais uma vez questionado e representado como um atraso quando intervinha nos processos econômicos e impedia a livre iniciativa. Foi forjado todo um arcabouço teórico pelo neoliberalismo, para justificar essa posição e dar mais poder à iniciativa privada. Esse é um movimento claro de superação de posições tradicionais, mas não é necessariamente um movimento saudável que possa ser generalizado. Nem definitivo. Dessa forma, outro ponto a ser atentado, quando se fala de modernização, é que nem sempre este é um movimento unânime e muito menos legítimo.
Ao estudar o Sertão do Ceará (CHACON, 2007) percebi que seus habitantes seguem submetidos a um estado de coisas em que a política (no sentido de politics) e a política (no sentido de polícy) se entrelaçam de forma promíscua.
O Estado é capturado e as políticas públicas ao invés de modernizarem, servem para manter o que de mais perverso tem na tradição da região: o clientelismo. Ao desprezar aspectos como a cultura, a prática do discurso da sustentabilidade tem mostrado a falácia da preponderância da dimensão econômica de mercado. Esta é apenas uma das faces do desenvolvimento sustentável, que deve considerar também as dimensões social, ambiental e institucional.
Na medida em que essas políticas não respeitam o lugar e as pessoas, não colocando estas como seu foco central, também não conseguem se traduzir em melhorias para vida neste lugar. E, além disso, quando as políticas não se mostram sintonizadas com a cultura do local e são determinadas por pensamentos e interesses exógenos, resultam em fracasso e, mais que isso, contribuem para a desmobilização desta sociedade.
O sertanejo protagoniza um processo cada vez mais intenso de migração, por não encontrar no Sertão a motivação para permanecer. Não experimenta a sensação de pertencimento.
A “modernidade” dos discursos políticos não significa melhoria na qualidade de vida, enquanto a “modernidade” trazida pelas inúmeras parabólicas o remete sem cuidado para um mundo urbano que enfeitiça no início para desiludir no dia-a-dia perverso das periferias das grandes cidades.
Essas reflexões remetem a um problema que é exacerbado e ao mesmo tempo justificado pela modernidade em todo mundo: o aumento da exclusão social, da miséria, da fome e da violência. É o resultado da intensa urbanização, da falta de planejamento desse processo e principalmente do desaparecimento gradual do cuidado pelo outro, pelos semelhantes, substituído pelo individualismo e pela competição, tônicas do mundo “moderno”. E para além da exclusão, a sociedade começa a produzir os “desnecessários”, seres que não conseguem nem mesmo sobreviver perifericamente no sistema produtivo vigente e “desaparecem” das estatísticas. O que vamos fazer para mudar essa tendência?

BIBLIOGRAFIA
ARENDT, Hannah. A condição humana. 8a Ed. Revista. Tradução de Roberto Raposo. Prefácio de Celso Lafer. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 1997.
BARTHOLO JR., Roberto S. “A mais moderna das esfinges: notas sobre ética e desenvolvimento”. In: BURSZTYN, Marcel (org.). A difícil sustentabilidade: política energética e conflitos ambientais. Rio de Janeiro: Garamond, 2001. (Coleção Terra Mater)
BUARQUE, Cristovam. O colapso da modernidade brasileira e uma proposta alternativa. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1991.
CHACON, Suely Salgueiro. O Sertanejo e o caminho das águas: políticas públicas, modernidade e sustentabilidade no semi-árido. Fortaleza: BNB, 200. Série Teses e Dissertações. Vol. 8.
FURTADO, Celso. O mito do desenvolvimento econômico. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1974.
LEFF, Enrique. Saber ambiental. Sustentabilidade, racionalidade, complexidade, poder. Trad. Lúcia Mathilde Endlich Orth. Petrópolis-RJ: Vozes, 2001.
NASCIMENTO, Elimar Pinheiro do. “Dos excluídos necessários aos excluídos desnecessários”. In: Bursztyn, Marcel (org.) No meio da rua: nômades, excluídos e viradores. Rio de Janeiro: Garamond, 2000. pp 56- 87.
NASCIMENTO, Elimar Pinheiro do. “Os conflitos na sociedade moderna: uma introdução conceitual”. In: Bursztyn, Marcel (org.). A difícil sustentabilidade: política energética e conflitos ambientais. Rio de Janeiro: Garamond, 2001. (Coleção Terra Mater)
NASCIMENTO, Elimar. “Educação e desenvolvimento na contemporaneidade”. In: BURSZTYN, Marcel (org.) Ciência, ética e sustentabilidade: desafios ao novo século. São Paulo: Cortez; Brasília: UNESCO, 2001a.
SANTOS, Boaventura de Sousa.A reinvenção solidária e participativa do Estado”. Anais do Seminário Internacional Sociedade e a Reforma do Estado. São Paulo: MARE, 26-28 de março de 1998.
SEN, Amartya. Desenvolvimento como liberdade. Trad. Laura Teixeira Motta. São Paulo: Cia. das Letras, 2000.

* Este artigo foi originalmente publicado na minha Coluna do site do Conselho Federal de Economia - COFECON (http://www.cofecon.org.br/index.php?option=com_content&task=view&id=1015&Itemid=103), em 10-09-07. Foi reproduzido depois em vários sites, dentre eles o da Revista Fator Brasil (http://www.revistafatorbrasil.com.br/ver_noticia.php?not=19291)