segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Seca - Lembrar para não repetir

SENADOR POMPEU

Caminhada da Seca reúne 6 mil pessoas

15/11/2010 Clique para Ampliar
Milhares de fiéis e curiosos participam todos os anos da Caminhada da Seca. Lembram e celebram a dor e o drama vivido por milhares de sertanejos na seca de 1932
FOTOS: ALEX PIMENTEL

Clique para Ampliar
Peça retrata história do Campo de Concentração da seca de 1932, em Senador Pompeu. Foi escrita pelo advogado Valdecy Alves
A cada ano, a Caminhada da Seca mobiliza mais fiéis, lembrando das santas almas da barragem

Senador Pompeu. Mais uma vez o martírio de milhares de retirantes no flagelo da seca de 1932, no Sertão de Senador Pompeu, foi relembrado na manhã de ontem. Cerca de seis mil fiéis partiram da Igreja Matriz de Nossa Senhora das Dores, no Centro desta cidade, com destino ao campo santo da barragem do Açude Patu. Ainda era madrugada quando o padre Roberto Costa anunciou o início da 28ª Caminhada da Seca. 

A maioria, vestidos de branco, pagava promessas e todos exaltavam as santas almas do povo, como ficaram conhecidas as vítimas da fome e da cólera, enterradas em covas coletivas ao lado da barragem, transformadas em milagreiras através do imaginário popular.

Como nos anos anteriores, homens se revezavam carregando na cabeça a maquete de uma cisterna de placa. Além do ato religioso, o reservatório domiciliar se transformou no símbolo da redenção do infortúnio sertanejo, a seca. Ao lado do agricultor, o padre Roberto Costa, responsável pela mobilização pastoral, guiava o rebanho humano pela sinuosa estrada do Santuário da Seca. Missionárias empunhavam faixas exaltando a caminhada e a luta do povo de Deus pela vida e cidadania. Logo atrás a multidão gritava em coro: "As almas do povo são o santo do povo!".

Enquanto o cortejo invadia a estrada sinuosa com destino ao santuário da barragem, uma das últimas sobreviventes do campo de concentração, dona Luiza Pereira Lô, aguardava diante do cemitério das Almas do Povo o início da celebração religiosa, realizada, tradicionalmente, naquele local. Apesar dos 93 anos, lúcida, não se afobava em relatar o seu testemunho sobre o sofrimento de quem não sobreviveu no curral da fome, como o lugar também ficou conhecido. "Ali, muita gente era mantida para não invadir e nem saquear as cidades", apontava ela para a represa logo abaixo. O restante do seu testemunho ela registrou para a multidão no início do culto religioso.

Acompanhado do bispo diocesano de Iguatu, dom João Costa, o pároco de Senador Pompeu convidou a sobrevivente para subir na plataforma onde a missa foi celebrada. Comovidos, muitos começaram a chorar. A costureira Maria do Socorro de Oliveira não se conteve ao ouvir o relato compassado de Dona Luiza, lembrando o sofrimento de sua família e de sua irmã nascida ali. Eles haviam caminhado mais de sete léguas, fugindo de miséria pior no Sertão dos Inhamuns. Embora pequena, entendia e sofria com eles. O pai se enterrou ali, a irmã também.

Comoção

O auxiliar de enfermagem José Nascimento, também se comoveu com as palavras da sobrevivente. "Esse foi um momento muito doloroso para centenas de famílias. Tamanha maldade é injustificável. Por tanta penúria, quem perdeu a vida de forma tão trágica só poderia se transformar em santo mesmo". Para ele, relembrar esses momentos e reforçar a certeza de que um episódio tão trágico nunca mais volte a acontecer em lugar nenhum do Mundo.

Afetado por uma grave doença quando tinha 17 anos, o agricultor Francisco de Assis Fernandes depositou suas esperanças nas almas da barragem. Ele diz ter sido milagrosamente curado após fazer uma promessa. Desde então percorre toda segunda-feira até o santuário da seca, onde acende mais de uma dezena de velas. Emocionado, diz ter sentido na própria pele a dor de quem foi tratado em condições sub-humanas ali vizinho. "Mulheres e crianças foram mortos como bichos, mesmo assim nos amparam. Somente quem é santo tem esse dom", completa.

De acordo com o padre Roberto Costa, o próprio povo depositou suas esperanças no santo coletivo. Com o passar dos anos, os milagres estão surgindo e a fé se fortalecendo. Mas além da religiosidade é preciso refletir sobre o vergonhoso episódio do campo de concentração. Relembrá-lo a cada caminhada é alertar os governantes para que essa passagem nunca mais se repita. Este ano a mobilização em torno do ato religioso iniciado em 1982 pelo vigário Albino Donatti, voltou a se fortalecer, e com ele, além da fé, a consciência e o desenvolvimento de políticas públicas para convívio com a seca e com o semiárido.

Transposição

O bispo diocesano dom João Costa ressaltou a importância do ritual místico popular para o povo nordestino. Ele não é a favor da transposição do rio São Francisco como solução para o problema da seca. Na opinião do representante da Igreja Católica, o "Velho Chico" está agonizando. Utilizá-lo para interligá-lo às bacias hídricas do semiárido é decretar sua sentença de morte. "É importante dividir com todos os recursos disponíveis e não privilegiar uns poucos. A água é um dos muitos dons de Deus. Aproveitá-la com responsabilidade é a melhor maneira de conviver com esse fenômeno da natureza", afirmou.

Vítimas

2,5 mil é o número estimado de retirantes mortos no campo de concentração do Patu, entre homens e mulheres, crianças, adultos e idosos. As vítimas são lembradas todos os anos

Saiba Mais

1932 foi o ano de grande seca no Nordeste. Em virtude desse fenômeno milhares de sertanejos, retirantes, seguiram de diversas regiões para Senador Pompeu, em busca de trabalho e comida. Para não invadirem e saquearem as cidades, foram mantidos no canteiro de obras da barragem do Açude Patu. Ficaram presos a uma vida verdadeiramente sub-humana.

Em 1982, é iniciada a romaria ao Santuário da Seca, cemitério da barragem do Patu, iniciativa do padre Albino Donatti. A ideia da Caminhada surgia em razão de reverenciar os mortos no mês de novembro, e, portanto, o segundo domingo deste mês foi escolhido pelo sacerdote para reverenciar os mortos anônimos da seca de 1932.

No ano de 1987 foi realizada uma manifestação popular de protesto em favor das comunidades do Patu, Carnaúba dos Canudos e Carnaúba dos Marianos, cujos moradores ficaram completamente isolados pelas águas do açude. O movimento foi encabeçado pela Paróquia e pelo Centro de Defesa dos Direitos Humanos Antônio Conselheiro (CCDH), sendo o Dnocs obrigado a construir estradas.

Somente no ano de 1988 são concluídas as obras do Açude Patu, quase 70 anos depois.

MAIS INFORMAÇÕES

Paróquia de Nossa Senhora das Dores
Centro - Senador Pompeu
(88) 9928.2592

SANTAS ALMAS

Encenação retrata tragédia de 1932

Grupos de teatro, após pesquisa e entrevistas com sobreviventes, encenam drama de milhares de sertanejos

Senador Pompeu. Diretamente envolvido com os movimentos sociais e culturais de sua terra natal, o advogado, poeta, cineasta e dramaturgo Valdecy Alves resolveu levar para o palco uma das passagens mais dolorosas da história de seu povo, o sofrimento de milhares de flagelados no campo de concentração da barragem do Patu. 

Após anos de pesquisas, minuciosos estudos e entrevistas com sobreviventes, ele criou um espetáculo forte, com pouco mais de uma hora de duração. Segundo o dramaturgo, o objetivo é esse mesmo, aproximar o enredo da realidade traçada pela história.

O espetáculo foi apresentado no Centro Pastoral da paróquia de Nossa Senhora das Dores na noite antecedente à Caminhada da Seca. Antes, os atores invadiram a igreja durante a celebração eucarística. A ideia era despertar no púbico católico o interesse pela encenação recriada a partir de simbologias das artes cênicas o clima austero daquela tragédia sertaneja, onde vítimas da seca, da fome e de descaso político sofreram e perderam suas vidas.

Tendo à frente da produção o promotor cultural e cineasta Fran Paulo da Silva, o elenco é formado por 25 atores da Companhia Engenheiros da Arte e do grupo Arautos do Bonfim, do Km 20. Assim como a equipe de produção, todos são voluntários. Não recebem cachê. 

Os ingressos foram vendidos a preço popular, apenas R$ 2,00. Mesmo assim, o salão ficou lotado. Quem assistiu ficou impressionado. O professor Adriano Medeiros foi um deles. Não imaginava se deparar com uma apresentação tão rica. "Os diálogos parecem cortar a carne da gente. Eu não imaginava que todos foram obrigados a vestir sacos de farinha porque as roupas estavam aos trapos".

Nas suas pesquisas Valdecy Alves constatou que o Campo de Concentração do Patu era um dos maiores do Ceará, com 16.221 flagelados. Naquele ano de 1932 haviam outros cinco no Estado: Carius, com 28.648; Buriti, no Crato, com 16 mil; Ipu, com 6.507; Quixeramobim, com 4.542 e mais dois em Fortaleza, o do Urubu e o do Matadouro Modelo, juntos somando 1,8 mil retirantes. O Campo do Patu, começou a ser construído em abril de 1932. Diariamente eram mortos 30 bois, consumiam-se 80 sacos de farinha e 40 sacos de feijão.

Senador Pompeu tinha posição privilegiada no sertão Central e foi um importante centro comercial. A estrutura era composta por vários casarões e armazéns, e o trem conseguia chegar até lá. Sendo fácil tanto transportar flagelados como provisões. Por fim, lá houve a maior quantidade de mortos. Tamanho foi o sofrimento, que as almas foram santificadas pelo imaginário popular.

Enquete 
Preservação

"O teatro é umas das mais interessantes formas de recriar qualquer momento de nossas vidas, na alegria ou na tristeza"

Valdecy Alves
Escritor da peça

"Incorporar personagens vivos na história, como estes, é com certeza uma forma de sensibilizar o público"

Elcelane de Oliveira
Atriz

ALEX PIMENTEL
COLABORADOR

MUNICÍPIOS CEARENSES (5/11/2010)

Falta de recursos e efeitos da seca no Interior


5/11/2010 
A notícia de que prefeituras cearenses podem ter problemas para pagar o 13º salário do servidores neste ano, manchete do Diário do Nordeste, edição de ontem, repercutiu na Assembleia Legislativa. Muitos parlamentares criticaram o fato de vários municípios cearenses dependerem dos recursos do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) e, por isso, estarem sempre de "pires na mão".

O deputado Fernando Hugo (PSDB) foi o primeiro a levar essa problemática à tribuna da Assembleia. Segundo o tucano, as prefeituras do Ceará não têm uma boa arrecadação e sofrem não apenas com o pagamento da folha de pessoal, mas também com a manutenção e custeio das instituições municipais que fazem o serviço público.

Por conta disso, Fernando Hugo atesta que grande parte das prefeituras cearenses depende do que é repassado pelo Governo Federal através do FPM. "Esse é o problema de todas as prefeituras, em especial as de pequeno porte. Não é problema recorrente de final de ano, mas do dia a dia", define.

Ele garante que muitos municípios não dispõem sequer de recursos para a compra de material de higiene para o setor da saúde, o que para ele, pode levar a população a pensar que a administração é falha e o prefeito é desonesto. Na sua opinião, uma saída seria a reforma tributária garantindo aos municípios uma fatia maior na distribuição dos recursos.

O deputado João Ananias (PC do B) concorda com o tucano. Ele avalia que a distribuição tributária existente hoje no País é cruel para os municípios, pois centraliza os recursos na União. Já o deputado Artur Bruno (PT) acredita que faltou às prefeituras fazerem "o dever de casa", se referindo a uma arrecadação falha dos impostos municipais como o ISS e IPTU. Ele também condena o excesso de gastos com terceirizados e supérfluos.

Seca

O deputado Ely Aguiar (PSDC) alertou que a dificuldade financeira de alguns municípios pode se tornar mais grave com a seca que se instalou no Estado e que já está deixando500 mil cearenses sem água, como ressaltou outra matéria publicada pelo Diário do Nordeste, ontem. 

O deputado ressaltou a decisão do governador Cid Gomes em decretar estado de calamidade em 79 municípios. "O clima é de inquietação em cidades como Canindé, Quixadá e Assaré. Essas cidades vivem única e exclusivamente da agricultura, se a chuva não vier fica difícil".

Cordel no Ceará

LITERATURA POPULAR

Cordel é expressão viva da cultura nordestina

14/11/2010 Clique para Ampliar
Ao contrário do que se pensava, a tradição do cordel continua viva, e revela talentos raros preservados no interior

Crato. A cultura popular é um magnífico tesouro que brota da alma da nação nordestina. Abrange um elenco de manifestações que fazem parte do cotidiano do sertanejo que guarda no peito um verdadeiro relicário de valores expressivos, que vão se perpetuando pelas gerações, e alimentando a memória viva da nação. Uma das maiores expressões dessa cultura é a literatura de cordel, que enche de poesia os terreiros das casas sertanejas e, também, as feiras livres do interior.

O cordelista é um representante do povo, o repórter dos acontecimentos da vida no Nordeste do Brasil. Não há limite na escolha dos temas para a criação de um folheto. Pode narrar desde os feitos de Lampião, com até as "presepadas" de heróis como João Grilo ou Cancão de Fogo, uma história de amor ou acontecimentos importantes de interesse público.

A literatura de cordel é assim chamada, segundo pesquisa da Fundação Joaquim Nabuco, pela forma como são vendidos os folhetos, dependurados em barbantes (cordão), nas feiras, mercados, praças e bancas de jornal, principalmente das cidades do interior e nos subúrbios das grandes cidades.

Linguajar
Devido ao linguajar despreocupado, regionalizado e informal utilizado para a composição dos textos, essa modalidade de literatura nem sempre foi respeitada, e já houve até quem declarasse a morte do cordel. Ao contrário do que se previa, o cordel ganhou o mundo.

Os versos do Patativa do Assaré, por exemplo, passaram a ser estudados na Universidade de Sorbonne, na França. Os violeiros de ontem que eram vistos com certo preconceito, ganharam as ruas, as universidades e os teatros.

Ao longo deste tempo, além de mudanças temáticas, o cordel passa também por várias transformações no plano da forma. Nas capas, anteriormente ilustradas com clichês utilizados em jornais e revistas, passa-se a empregar cartões postais, fotografias de artistas de cinema, desenhos e xilogravuras.

Outros elementos tomados de empréstimo da imprensa escrita foram abandonados como, por exemplo, a divisão, seguindo o estilo dos folhetins, de uma mesma história em três diferentes folhetos. As histórias, por sua vez, diminuem de tamanho passando a predominar os folhetos de 8 ou 16 páginas sobre os de 32 ou 64 páginas.

Pesquisa
Acompanhando o processo de globalização e de abertura do modelo cultural, o cordel é estudado e pesquisado, com grande interesse, nos meios acadêmicos, debatido em ciclos literários e até mesmo em conferências mundiais.

De acordo com Ariano Suassuna, um estudioso do assunto, a literatura popular em versos do Nordeste brasileiro pode ser classificada nos seguintes ciclos: o heroico, o maravilhoso, o religioso ou moral, o satírico e o histórico. A região do Cariri, no Brasil, é o celeiro de grandes poetas cordelistas.

Entre os mais famosos podem ser citados os irmãos Bandeira (Pedro, João Chico e Daudeth Bandeiras), que aqui aportaram, trazendo na alma a fé no Padre Cícero e, no sangue, a veia poética do avô Manoel Galdino Bandeira, um dos maiores cantadores da viola do sertão paraibano.

Nas pegadas dos Bandeiras, surgiram outros valores que transformaram em poesias os programas de rádio das emissores caririenses, ou varando as madrugadas em desafios poéticos que ecoam nos pés de serra da região do Cariri.

"Com esta nova geração de poetas, a literatura popular está longe de desaparecer e continua aí para, talvez, ser uma primeira opção na luta pela difusão da leitura no Brasil", aposta o poeta João Bandeira de Caldas.

Jornalismo
O cordel tem uma estreita ligação com o jornalismo. Eram impressos nas mesmas impressoras dos jornais do passado. No início do século passado, quando os jornais não chegavam ao interior, o cordel ocupava o espaço dos jornais e emissoras de rádio. O cordelista era uma espécie de repórter itinerante que andava de feira em feira, levando à população os últimos acontecimentos da semana.

Notícia
Para que se tenha uma ideia dessa função jornalística, basta lembrar que, quando Getúlio Vargas morreu, um dos poetas de cordel mal ouviu a notícia pelo rádio, começou a escrever "A lamentável morte de Getúlio Vargas". Entregou os originais ao meio-dia e à tarde recebeu os primeiros exemplares. Vendeu 70 mil em 48 horas.

Outro assunto que teve grande repercussão foi "O trágico romance de Doca e Ângela Diniz". A "Carta do Satanás a Roberto Carlos" também teve grande sucesso, inspirado na música que dizia "E que tudo mais vá pro inferno!". Os folhetos de cordel tratam, de forma cômica e, de certa forma irônica, diversos temas como, por exemplo, seca, traição, violência, amor, desilusões, entre outros.

Comunicação
"Tem sido grande a procura por cordéis que hoje são encontrados em praças"
Eugênio Dantas
Presidente da Academia dos Cordelistas do Crato

"O cordel é o mais simples instrumento de comunicação o povão"
Luciano Carneiro
Poeta cordelista

"Nas vilas, os livretos no cordel davam a última notícia que percorria o sertão"
Josenir Lacerda
Poetisa cordelista

MAIS INFORMAÇÕES 
Academia dos Cordelistas do Crato. Praça Filemon Teles, em frente ao Parque de Exposições

(88) 3523.3947 / 3523.4442


Antônio VicelmoRepórter

terça-feira, 9 de novembro de 2010

MESTRADO EM DESENVOLVIMENTO REGIONAL SUSTENTÁVEL É APROVADO PELA CAPES

A direção do Campus da Universidade Federal do Ceará (UFC) no Cariri e a Coordenação do Curso de Mestrado em Desenvolvimento Regional Sustentável – MDER tem a satisfação de comunicar à comunidade Acadêmica e à toda sociedade que a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) divulgou nessa terça-feira (09/11/2010) a aprovação do MDER, com conceito inicial 3 (três).
O Mestrado em Desenvolvimento Regional Sustentável - MDER está vinculado ao Programa de Pós-graduação em Desenvolvimento Regional Sustentável - PRODER, no âmbito do Centro de Pesquisa e Pós-Graduação do Semi-Árido - CPPS do Campus Avançado da Universidade Federal do Ceará (UFC) no Cariri. Na CAPES ele está vinculado à grande área Interdisciplinar e na sub-área Agrárias e Meio Ambiente. Tem como objetivo principal formar mestres em Desenvolvimento Regional, com foco central no semiárido. O Mestrado proporcionará uma abordagem interdisciplinar do desenvolvimento à luz dos novos paradigmas e da modernidade ética, a partir de suas linhas de pesquisa, ensejando a análise da realidade com um enfoque regional, buscando superar as desigualdades históricas que marcam o território do nosso país.
A proposta de criar um programa de pós-graduação interdisciplinar no Campus do Cariri surge como uma evolução natural da interação entre os pesquisadores, que percebem forte afinidade entre seus campos de pesquisas, mesmo que em diferentes áreas do saber. A escolha pessoal de cada um por trabalhar em um espaço distante dos centros urbanos mais privilegiados já denota a disposição de empreender suas pesquisas a partir de um olhar diferenciado, baseado na integração de saberes.
Na medida em que esses pesquisadores têm a oportunidade de conviver de forma mais estreita uns com os outros no novo Campus, a percepção da necessidade desse diálogo entre os saberes vai se aguçando. E a busca por mecanismos e instrumentos que facilitem esse encontro é uma evolução natural nesse processo de interação. Assim, cresce a necessidade de reforçar essa disposição dos pesquisadores, garantindo que o processo de crescimento do Campus se dê na perspectiva dos saberes compartilhados e não da competição de saberes.
O curso terá uma área de concentração - Desenvolvimento Regional Sustentável, que visa produzir conhecimentos para contribuir com o processo de Desenvolvimento Regional Sustentável é a proposta central dessa área de concentração. Ela traz implícita a necessidade de uma abordagem interdisciplinar e leva à formação de profissionais que atuem nas áreas de ensino e pesquisa, prioritariamente, e também de assessoria e consultoria, de avaliação e planejamento estratégico, em instituições públicas e privadas, em caráter interdisciplinar. Esta área de concentração pretende fomentar e consolidar pesquisas de caráter interdisciplinar sobre temas relativos aos processos de desenvolvimento de uma região, e em especial do semiárido. As dimensões da sustentabilidade (social, ambiental, econômica e institucional) ensejam uma análise do tema em toda a sua complexidade, partindo do pressuposto de que uma região é resultante de um processo de construção social e político, marcado por limites e potencialidades que a particularizam. No âmbito dessa área de concentração estão as duas linhas de pesquisa. Linha 1: "Ambiente e Desenvolvimento Regional Sustentável" e Linha 2: "Sociedade, Estado e Desenvolvimento Regional Sustentável",
O Corpo docente é um dos pontos altos dessa proposta. Contamos com 19 doutores altamente qualificados e comprometidos com a proposta. Além dos professores ligados ao Campus do Cariri, temos também professores da UFC ligados aos Campi de Fortaleza e de Sobral. São eles:
Carlos Wagner Oliveira
Celme Torres Ferreira aa Costa
Cláudia Araújo Marco
Fábio Rossi Cavalcanti
Francisco Correia de Oliveira
Francisco Ocian Bastos Mota
Francisco Roberto de Azevedo
Inez Silvia Batista Castro
Joaquim Torres Filho
Joselina da Silva
Kilmer Coelho Campos
Luiz Alberto Ribeiro Mendonça
Luiz Manoel Lopes
Marcelo Oliveira Santiago
Maria Vilma Coelho Moreira Faria
Ricardo Luiz Lange Ness
Suely Salgueiro Chacon
Valéria Giannella Alves
Verônica Salgueiro do Nascimento

O edital de seleção para o MDER será divulgado ainda em 2010, para início de suas atividades no semestre letivo de 2011.1
Mais informações com a Profa. Suely Chacon (suelychacon@ufc.br)

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Estudos sobre o potencial do Nordeste

Potencial dos estados do NE será levantado
6/11/2010 Clique para Ampliar
Cronemberger diz que o Ipea continuará auxiliando análises estatísticas
FOTO: DIVULGAÇÃO
Atualmente, apenas Ceará, Pernambuco e Bahia são os estados nordestinos a calcularem o PIB estadual
 
A partir da última semana de novembro o Escritório Técnico de Estudos Econômicos do Nordeste (Etene) iniciará a capacitação de técnicos dos estados nordestinos para identificação e levantamento da matriz de subprodutos de suas respectivas unidades federativas, visando subsidiar os estados na avaliação de impactos econômicos de projetos. O órgão do BNB também treinará profissionais para efetuarem o cálculo sistemático do Produto Interno Bruto (PIB) de cada estado.

As duas ações integram a agenda de trabalho do II Encontro das Instituições de Estatísticas Econômicas e Sociais do Nordeste, que terminou, ontem, no BNB. O evento levantou pontos a serem trabalhados pelas instituições de pesquisa estaduais e federal para servirem de base ao Plano Plurianual (PPA) dos governos que será elaborado em 2011, para o período de 2012 a 2015. 

Constantino Cronemberger, representante do Ipea no Nordeste, esclarece que embora os institutos de pesquisa já tenham consciência do papel de dar suporte ao planejamento das políticas públicas governamentais, o encontro de órgãos dos nove estados nordestinos mostra que é possível potencializar resultados trabalhando de forma coordenada. Segundo ele, em comum, os estados nordestinos têm como principais demandas a educação e a qualificação para o mercado de trabalho. 

Nesse contexto, ele afirma que o Ipea continuará auxiliando as equipes estaduais com ferramentas modernas para análises estatísticas, bem como a levantar uma base comum com todos os estados. "Com o trabalho em rede não criamos sobreposições de ações, ganhamos em escala e criamos um grupo forte".

O superintendente do Etene, José Narciso Sobrinho, diz que em relação aos dados e análises estatísticos, o Ceará não deixa a desejar. "No Nordeste, apenas Ceará, Bahia e Pernambuco fazem o cálculo do PIB estadual. Queremos repassar a metodologia para outros estados". 

Segundo Maurílio Lima, diretor da Anipes, desde a primeira edição do encontro, os estados têm experimentado avanços, que têm possibilitado voltar o planejamento dos estados às demandas dos novos empreendimentos que chegam ao Nordeste. "Entre os dias 29 de novembro e 1º de dezembro alinharemos no encontro nacional, em Vitória (ES), todas as questões apontadas nos encontros regionais".

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Serviço Florestal lança livro sobre recursos florestais da Caatinga


Por Aline Guedes
 
O Serviço Florestal Brasileiro, órgão ligado ao Ministério do Meio Ambiente (SFB/MMA), está lançando o livro “Uso Sustentável e Conservação dos Recursos Florestais da Caatinga”, que reúne artigos técnico-científicos resultados de 25 anos de pesquisa.
 
Os estudos foram rigorosamente atualizados e consolidados por mais de vinte autores (pesquisadores e técnicos), de universidades regionais, órgãos estaduais de meio ambiente, organizações não-governamentais, além da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).
 
De acordo com o chefe da Unidade Regional Nordeste do SFB, Newton Barcellos, o livro considera a relevância do manejo sustentável das florestas da Caatinga para o desenvolvimento econômico e social do Semiárido, bem como, sua influência sobre os meios de vida da população.
 
“Esse Bioma tem um grande potencial de exploração, que urge por acontecer de modo sustentável, devido à inegável dependência econômica das comunidades locais, seja por meio do abastecimento com energéticos florestais para indústrias, estabelecimentos comerciais e domicílios, ou da comercialização e do beneficiamento de produtos não-madeireiros, como frutos e palhas, por exemplo” – avalia Barcellos.
 
A publicação será lançada oficialmente no próximo dia 23 de novembro, às 15h50, no Recife Praia Hotel, em Recife (PE). 
 
Aline Guedes
Assessoria de Comunicação
Instituto Nacional do Semiárido (INSA/MCT)
Telefone:(55 83) 2101-6409
Fax:(55 83) 2101-6403
Celular: (55 83) 8738-6208