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segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Cordel no Ceará

LITERATURA POPULAR

Cordel é expressão viva da cultura nordestina

14/11/2010 Clique para Ampliar
Ao contrário do que se pensava, a tradição do cordel continua viva, e revela talentos raros preservados no interior

Crato. A cultura popular é um magnífico tesouro que brota da alma da nação nordestina. Abrange um elenco de manifestações que fazem parte do cotidiano do sertanejo que guarda no peito um verdadeiro relicário de valores expressivos, que vão se perpetuando pelas gerações, e alimentando a memória viva da nação. Uma das maiores expressões dessa cultura é a literatura de cordel, que enche de poesia os terreiros das casas sertanejas e, também, as feiras livres do interior.

O cordelista é um representante do povo, o repórter dos acontecimentos da vida no Nordeste do Brasil. Não há limite na escolha dos temas para a criação de um folheto. Pode narrar desde os feitos de Lampião, com até as "presepadas" de heróis como João Grilo ou Cancão de Fogo, uma história de amor ou acontecimentos importantes de interesse público.

A literatura de cordel é assim chamada, segundo pesquisa da Fundação Joaquim Nabuco, pela forma como são vendidos os folhetos, dependurados em barbantes (cordão), nas feiras, mercados, praças e bancas de jornal, principalmente das cidades do interior e nos subúrbios das grandes cidades.

Linguajar
Devido ao linguajar despreocupado, regionalizado e informal utilizado para a composição dos textos, essa modalidade de literatura nem sempre foi respeitada, e já houve até quem declarasse a morte do cordel. Ao contrário do que se previa, o cordel ganhou o mundo.

Os versos do Patativa do Assaré, por exemplo, passaram a ser estudados na Universidade de Sorbonne, na França. Os violeiros de ontem que eram vistos com certo preconceito, ganharam as ruas, as universidades e os teatros.

Ao longo deste tempo, além de mudanças temáticas, o cordel passa também por várias transformações no plano da forma. Nas capas, anteriormente ilustradas com clichês utilizados em jornais e revistas, passa-se a empregar cartões postais, fotografias de artistas de cinema, desenhos e xilogravuras.

Outros elementos tomados de empréstimo da imprensa escrita foram abandonados como, por exemplo, a divisão, seguindo o estilo dos folhetins, de uma mesma história em três diferentes folhetos. As histórias, por sua vez, diminuem de tamanho passando a predominar os folhetos de 8 ou 16 páginas sobre os de 32 ou 64 páginas.

Pesquisa
Acompanhando o processo de globalização e de abertura do modelo cultural, o cordel é estudado e pesquisado, com grande interesse, nos meios acadêmicos, debatido em ciclos literários e até mesmo em conferências mundiais.

De acordo com Ariano Suassuna, um estudioso do assunto, a literatura popular em versos do Nordeste brasileiro pode ser classificada nos seguintes ciclos: o heroico, o maravilhoso, o religioso ou moral, o satírico e o histórico. A região do Cariri, no Brasil, é o celeiro de grandes poetas cordelistas.

Entre os mais famosos podem ser citados os irmãos Bandeira (Pedro, João Chico e Daudeth Bandeiras), que aqui aportaram, trazendo na alma a fé no Padre Cícero e, no sangue, a veia poética do avô Manoel Galdino Bandeira, um dos maiores cantadores da viola do sertão paraibano.

Nas pegadas dos Bandeiras, surgiram outros valores que transformaram em poesias os programas de rádio das emissores caririenses, ou varando as madrugadas em desafios poéticos que ecoam nos pés de serra da região do Cariri.

"Com esta nova geração de poetas, a literatura popular está longe de desaparecer e continua aí para, talvez, ser uma primeira opção na luta pela difusão da leitura no Brasil", aposta o poeta João Bandeira de Caldas.

Jornalismo
O cordel tem uma estreita ligação com o jornalismo. Eram impressos nas mesmas impressoras dos jornais do passado. No início do século passado, quando os jornais não chegavam ao interior, o cordel ocupava o espaço dos jornais e emissoras de rádio. O cordelista era uma espécie de repórter itinerante que andava de feira em feira, levando à população os últimos acontecimentos da semana.

Notícia
Para que se tenha uma ideia dessa função jornalística, basta lembrar que, quando Getúlio Vargas morreu, um dos poetas de cordel mal ouviu a notícia pelo rádio, começou a escrever "A lamentável morte de Getúlio Vargas". Entregou os originais ao meio-dia e à tarde recebeu os primeiros exemplares. Vendeu 70 mil em 48 horas.

Outro assunto que teve grande repercussão foi "O trágico romance de Doca e Ângela Diniz". A "Carta do Satanás a Roberto Carlos" também teve grande sucesso, inspirado na música que dizia "E que tudo mais vá pro inferno!". Os folhetos de cordel tratam, de forma cômica e, de certa forma irônica, diversos temas como, por exemplo, seca, traição, violência, amor, desilusões, entre outros.

Comunicação
"Tem sido grande a procura por cordéis que hoje são encontrados em praças"
Eugênio Dantas
Presidente da Academia dos Cordelistas do Crato

"O cordel é o mais simples instrumento de comunicação o povão"
Luciano Carneiro
Poeta cordelista

"Nas vilas, os livretos no cordel davam a última notícia que percorria o sertão"
Josenir Lacerda
Poetisa cordelista

MAIS INFORMAÇÕES 
Academia dos Cordelistas do Crato. Praça Filemon Teles, em frente ao Parque de Exposições

(88) 3523.3947 / 3523.4442


Antônio VicelmoRepórter

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Exposição de Cordel “Traga a França para os meus versos e leve meus versos para a França”

França e Ceará unidos no Cordelpor Monique Oliveira - Da Redação


Nesta sexta-feira (2), será aberta a Exposição de Cordel “Traga a França para os meus versos e leve meus versos para a França”, no SESC SENAC Iracema, às 18h. Na ocasião, haverá apresentação do Maracatu Az de Ouro, da Orquestra do Grupo Pão de Açúcar, do poeta cearense Zé Maria e do cordelista Lirinha (ex-integrante do Grupo Cordel do Fogo Encantado). Também estarão presentes os cordelistas Bule Bule, Azulão e o Grupo Pajé Arte.
A realização é do SESC em parceria com Fonds Raymond Cantel (França) e Universidade de Poitiers (França), através do Ministério da Cultura do Brasil. A mostra é composta por exposição, oficinas, música, exibição de ilmes e manifestações relacionadas à Literatura de Cordel.
“Essa exposição oferece uma ocasião especial para apresentar ao público brasileiro os diferentes aspectos das relações intensas de diálogo, intercâmbio e enriquecimento recíproco entre poetas e gravadores com a Europa”, destaca Dane de Jade, gerente de Cultura do SESC.
A curadoria é da Professora Ryan Lemeaire da Universidade de Poitiers (França) e de “Dane de Jade”, gerente de Cultura do SESC Ceará com expografia de Clóvis Arruda e trilha sonora de Patrícia Palumbo (Rádio Eldorado).
Veja a programação de abertura
18h – Apresentação do Maracatu Az de Ouro (Cortejo no Dragão do Mar)
18h30 – Apresentação da Orquestra do Grupo Pão de Açúcar
19h – Inicio da solenidade
20h – Assinatura do convênio entre o SESC e a Universidade de Coimbra
20h10 – Apresentação do poeta cearense Zé Maria e do cordelista Lirinha
21h – Coquetel de abertura da Exposição

http://blog.jangadeiroonline.com.br/to-na-janga/franca-e-ceara-unidos-no-cordel-8377/

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Ceará - CORDEL NA FEIRA


Projeto lança ´Segredos da natureza´
23/2/2010 Clique para Ampliar
O cordel "segredos da natureza" é de autoria de Josenir Lacerda e João Nicodemos. No lançamento, o autor tocou rabeca, instrumento típico do Nordeste
ANTÔNIO VICELMO
O projeto do Sesc quer mostrar que o cordel era o principal meio de comunicação da zona rural no Interior

Crato. Com o lançamento do cordel "Segredos da natureza", de Josenir Lacerda e João Nicodemos, o Serviço Social do Comércio (Sesc) deu continuidade, ontem, ao projeto "Cordel na Feira". O objetivo é resgatar uma antiga tradição: a presença dos cordelistas nas feiras semanais das cidades do Interior, quando o cordel era o principal meio de comunicação entre os moradores da zona rural que fazem da feira o ponto de encontro para compra de mercadorias, troca de ideias e, principalmente, balcão de informações dos assuntos da semana.

A iniciativa lembra que, em um passado não muito distante, as feiras do Nordeste tinham um papel importante na vida sociocultural e econômica das vilas e municípios. "Era ali, no meio de ´souvenirs´, ferramentas, cereais, farinhas e bugigangas de toda a espécie que poetas e cantadores pelejavam entre si e os livretos no cordel davam a última notícia que percorria o sertão", lembra a cordelista Josenir Lacerda.

O cordel "Segredos da Natureza" é um diálogo poético entre dois matutos que trocam informações sobre crendices, mitos, lendas, contos, provérbios e axiomas populares que são transmitidos oralmente de geração para geração.

Descontração

"É a conversa descontraída dos sertanejos nas varandas e nos terreiros das residências rurais, iluminadas pela luz da lua e climatizadas pelos ventos com cheiro de flores silvestres", define a autora. Para o dentista e poeta Chico Nascimento, o cordel é "o jornal daqueles que não tem acesso ou não compreendem a linguagem dos meios de comunicação, como rádio, jornal e televisão".

O cordel, segundo Chico Nascimento, na sua função de tradutor de informações exerce a missão de jornalista popular.

O poeta lembra que a poesia popular impressa, denominada Literatura de Cordel, é uma das mais legítimas expressões culturais nordestina. Desde que surgiram os primeiros folhetos impressos, no último quartel do Século XIX, este modelo de comunicação tem sido poderosa ferramenta de alfabetização e incentivo à leitura junto às populações carentes do Nordeste.

Rabeca

O evento foi animado por uma rabeca, instrumento típico das feiras nordestinas, tocada por João Nicodemos, um dos autores do cordel que define a feira como o palco da cultura popular nordestina. A feira, segundo Nicodemos, é uma espécie de Shopping Center popular, que funciona como vitrine da criatividade do homem do campo com o seu rico artesanato. Ali, funciona também a "praça de alimentação" com comidas típicas: buchada, panelada, baião-de-dois, caldo de mocotó, galinha caipira, pão de milho. A parte humorística da festa ficou por conta do comediante "Tranquilino Repuxado".

Cego Oliveira

A rabeca, que antecedeu ao violino, sempre fez parte deste universo nordestino nas mãos de artistas do povo como o "Cego Oliveira" que se tornou famoso. Enquanto o violino se transformou um instrumento de elite das grandes orquestras sinfônicas, a rabeca, geralmente fabricada na região, ganhou as feiras como representante da cultura popular.

Para o cordelista João Nicodemos, que é um exímio tocador de rabeca, o evento realizado ontem repetiu a cena dos repentistas do passado. "É claro que já não existe mais aquele nomadismo, quando o violeiro andava de feira em feira, repassando informações, promovendo o seu jornalismo itinerante", comentou ele.


Fique por dentro
Origem em Portugal

A Literatura de Cordel chegou ao Brasil no Século XVIII, com os portugueses. Aos poucos, foi se tornando cada vez mais popular. Nos dias de hoje, podemos encontrar este tipo de literatura, principalmente, na região Nordeste do Brasil. Ainda são vendidos em lonas ou malas estendidas em feiras populares. De custo baixo, geralmente estes pequenos livros são vendidos pelos próprios autores. Fazem grande sucesso em Estados como Pernambuco, Ceará, Alagoas, Paraíba e Bahia. Este sucesso ocorre pelo preço baixo, do tom humorístico de muitos deles e também por retratarem fatos da vida cotidiana da cidade ou da região. Os principais assuntos nos livretos são: festas, política, secas, disputas, brigas, milagres, vida dos cangaceiros, atos de heroísmo, milagres, morte de personalidades etc. Em algumas situações, são acompanhados de violas ou rabecas.


Antônio Vicelmo
Repórter


MAIS INFORMAÇÕES 
Serviço Social do Comércio (Sesc), Rua André Cartaxo, 443, Bairro São Miguel
(88) 3523.4444

domingo, 31 de janeiro de 2010

Caixa Cultural SP apresenta "A Arte de J. Borges: do Cordel à Xilogravura"


Mostra de J. Borges na Caixa Cultural São Paulo conta com fotos e gravuras de seus familiares e aprendizes, e um pouco de sua cidade-natal, Bezerros (PE), que é representada por barraquinhas de feira com gravuras penduradas. Será exibido, ainda, um documentário de Vincent Carelli, que mostra a vida e a obra de J. Borges e a sua relação com a pacata cidade. Foto mostra "Iemanjá", xilogravura colorida de 50 x 27,5cm (sem data)Divulgação

Nascido em 1935, José Francisco Borges, ou J. Borges, é um dos mais expressivos artistas populares do Brasil. Ele ganha exposição de seu trabalho de 31 de janeiro a 28 de fevereiro de 2010 na Caixa Cultural São Paulo. "O Forró dos Bichos" (f), de 2003, é uma xilogravura de 53 x 35 cm Divulgação


"A Arte de J. Borges: do Cordel à Xilogravura" (São Paulo): a Caixa Cultural São Paulo inaugura no dia 30 de janeiro, às 11h, mostra do artista pernambucano José Francisco Borges. A exposição tem curadoria de Pieter Tjabbes e Tânia Mills e revela a trajetória do artista autodidata, focando o percurso de sua produção de cordéis e gravuras em cenários que ilustram o universo cultural nordestino. São exibidas xilogravuras, cordéis e matrizes originais. Durante a exibição da mostra, que vai até 28 de fevereiro, a Caixa Cultural realiza oficinas gratuitas de xilogravura aos sábados. Onde: Praça da Sé, 111, Centro, São Paulo-SP; de terça a domingo, das 9h às 21h. Grátis. Mais informações no telefone 0/xx/11/3321-4400. Imagem de "A Briga dos Dragões" (2002), xilogravura de 49,5 x 34cm Divulgação


Mostra de J. Borges na Caixa Cultural São Paulo conta com fotos e gravuras de seus familiares e aprendizes, e um pouco de sua cidade-natal, Bezerros (PE), que é representada por barraquinhas de feira com gravuras penduradas. Xilogravura de "A Chegada da Prostituta no Céu" (sem data)Divulgação


Nascido em 1935, José Francisco Borges, ou J. Borges, é um dos mais expressivos artistas populares do Brasil. Ele ganha exposição de seu trabalho de 31 de janeiro a 28 de fevereiro de 2010 na Caixa Cultural São Paulo. Foto de "A Briga da Onça Com a Serpente" (2003), xilogravura de 32,5 x 49,5cmDivulgação


"A Arte de J. Borges: do Cordel à Xilogravura" (São Paulo): a Caixa Cultural São Paulo inaugura no dia 30 de janeiro, às 11h, mostra do artista pernambucano José Francisco Borges. A exposição tem curadoria de Pieter Tjabbes e Tânia Mills e revela a trajetória do artista autodidata, focando o percurso de sua produção de cordéis e gravuras em cenários que ilustram o universo cultural nordestino. São exibidas xilogravuras, cordéis e matrizes originais. Durante a exibição da mostra, que vai até 28 de fevereiro, a Caixa Cultural realiza oficinas gratuitas de xilogravura aos sábados. Onde: Praça da Sé, 111, Centro, São Paulo-SP; de terça a domingo, das 9h às 21h. Grátis. Mais informações no telefone 0/xx/11/3321-4400. Imagem de "A Briga da Onça Com a Serpente" (2003), matriz de xilogravura de 32,5 x 49,5cm Divulgação

Fonte: UOL - http://entretenimento.uol.com.br/album/cordel_xilogravura_album.jhtm?abrefoto=2


sábado, 16 de janeiro de 2010

NO NORDESTE É DIFERENTE, É ASSIM QUE A GENTE FALA


Há diferenciação
Porque cada região
Tem seu jeito de falar
O Nordeste é excelente
Tem um jeito diferente
Que a outro não se iguala

Alguém chato é Abusado
Se quebrou, Tá Enguiçado
É assim que a gente fala


Uma ferida é Pereba
Homem alto é Galalau
Ou então é Varapau
E coisa ruim é Peba
Cisco no olho é Argueiro
O sovina é Pirangueiro

Enguiçar é Dar o Prego
Fofoca aqui é Fuxico
Desistir, Pedir Penico
Lugar longe é Caxaprego

Ladainha é Lengalenga
E um estouro é Pipoco
Qualquer botão é Pitoco
E confusão é Arenga

Fantasma é Alma Penada
Uma conversa fiada
Por aqui é Leriado
Palavrão é Nome Feio
Agonia é Aperreio
E metido é Amostrado

O nosso palavreado
Não se pode ignorar
Pois ele é peculiar
É bonito, é Arretado
E é nosso dialeto
Sendo assim, está correto

Dizer que esperma é Gala
É feio pra muita gente
Mas não é incoerente
É assim que a gente fala

Você pode estranhar
Mas ele não tem defeito
Aqui bala é Confeito
Rir de alguém é Mangar

Mexer em algo é Bulir
Paquerar é Se Inxirir
E correr é Dar Carreira
Qualquer coisa torta é Troncha
Marca de pancada é Roncha
E a caxumba é Papeira

Longe é o Fim do Mundo
E garganta aqui é Goela
Veja que a língua é bela
E nessa língua eu vou fundo
Tentar muito é Pelejar
Apertar é Acochar

Homem rico é Estribado
Se for muito parecido
Diz-se Cagado e Cuspido
E uma fofoca é Babado

Desconfiado é Cabreiro
Travessura é Presepada
Uma cuspida é Goipada

Frente de casa é Terreiro

Dar volta é Arrudiar
Confessar, Desembuchar
Quem trai alguém, Apunhala
Distraído é Aluado
Quem está mal, Tá Lascado
É assim que a gente fala

Aqui valer é Vogar
E quem não paga é Xexeiro
Quem dá furo é Fuleiro
E parir é Descansar
Um rastro é Pisunhada
A buchuda é Amojada

E pão-duro é Amarrado

Verme no bucho é Lombriga
Com raiva Tá Com a Bixiga
E com medo é Acuado

Tocar em algo é Triscar
O último é Derradeiro
E para trocar dinheiro
Nós falamos Destrocar

Tudo que é bom é Massa
O Policial é Praça
Pessoa esperta é Danada
Vitamina dá Sustança
A barriga aqui é Pança
E porrada é Cipoada

Alguém sortudo é Cagado
Capotagem é Cangapé
O mendigo é Esmolé
Quem tem pressa é Avexado
A sandália é Percata
Uma correia, Arriata
Sem ter filho é Gala Rala
O cascudo é Cocorote
E o folgado é Folote
É assim que a gente fala

Perdeu a cor é Bufento
Se alguém dá liberdade
Pra entrar na intimidade
Dizemos Dar Cabimento
Varrer aqui é Barrer
Se a calcinha aparecer
Mostra a Polpa da Bunda
Mulher feia é Canhão
Neco é pra negação
Nas costas, é na Cacunda

Palhaçada é Marmota
Tá doido é Tá Variando
Mas a gente conversando
Fala assim e nem nota
Cabra chato é Cabuloso
Insistente é Pegajoso
Remédio aqui é Meisinha
Chateado é Emburrado
E quando tá Invocado
Dizemos Tá Com a Murrinha

Não concordo, é Pois Sim
Tô às ordens é Pois Não
Beco ao lado é Oitão
A corrente é Trancilim
Ou Volta, sem o pingente
Uma surpresa é, Oxente!

Quem abre o olho Arregala
Vou Chegando, é pra sair
Torcer o pé, Desmintir
É assim que a gente fala


A cachaça é Meropéia
Tá triste é Acabrunhado
O bobo é Apombalhado
Sem qualidade é Borréia
A árvore é Pé de Pau
Caprichar é Dar o Grau
Mercado é Venda ou Bodega

Quem olha tá Espiando
Ou então, Tá Curiando
E quem namora Chumbrega


Coceira na pele é Xanha
E molho de carne é Graxa
Uma pelada é um Racha
Onde se perde ou se ganha
Defecar se chama Obrar
Ou simplesmente Cagar
Sem juízo é Abilolado
Ou tem o Miolo Mole
Sanfona também é Fole
E com raiva é Infezado

Estilingue é Balieira
Uma prostituta é Quenga
Cabra medroso é Molenga
Um baba ovo é Chaleira
Opinar é Dar Pitaco
Axilas é Suvaco
E cabra ruim é Mala
Atrás da nuca é Cangote
Adolescente é Frangote
É assim que a gente fala

Lugar longe aqui é Brenha
Conversa besta, Arisia
Venha, ande, é Avia
Fofoca é também Resenha
O dado aqui é Bozó
Um grande amor é Xodó
Demorar muito é Custar
De pernas tortas é Zambeta
Morre, Bate a Caçuleta
Ficar cheirando é Fungar

A clavícula aqui é Pá
Um mal-estar é Gastura
Um vento bom é Frescura
Ali, se diz, Acolá
Um sujeito inteligente
Muito feio ou valente
É o Cão Chupando Manga
Um companheiro é Pareia
Depende é Aí Vareia
Tic nervoso é Munganga

Colar prova é Filar
Brigar é Sair no Braço
Nosso lombo é Ispinhaço
Faltar aula é Gazear
Quem fala alto ou grita
Pra gente aqui é Gasguita
Quem faz pacote, Embala
Enrugado é Ingilhado
Com dor no corpo, Ingembrado
É assim que a gente fala

Um afago é Alisado
Um monte de gente é Ruma
Pra perguntar como, é Cuma
E bicho gordo é Cevado
A calça curta é Coronha
Um cabra leso é Pamonha
E manha aqui é Pantim
Coisa velha é Cacareco
O copo aqui é Caneco
E coisa pouca é Tiquim

Mulher desqualificada
Chamamos de Lambisgóia
Tudo que sobra, é Bóia
E muita gente é Cambada
O nariz aqui é Venta
A polenta é Quarenta
Mandar correr é Acunha
Ter um azar é Quizila
A bola de gude é Bila
Sofrer de amor, Roer Unha

Aprendi desde pivete
Que homem franzino é Xôxo
Quem é medroso é um Frouxo
E comprimido é Cachete
Sujeira em olho é Remela
Quem não tem dente é Banguela
Quem fala muito e não cala
Aqui se chama Matraca
Cheiro de suor, Inhaca
É assim que a gente fala

Pra dizer ponto final
A gente só diz: E Priu
Pra chamar é Dando Siu
Sem falar, Fica de Mal
Separar é Apartá
Desviar é Ataiá
E pra desmentir é Nego
Quem está desnorteado
Aqui se diz Ariado
E complicado é Nó Cego
Coisa fácil é Fichinha
Dose de cana é Lapada
Empurrão é Dá Peitada
E o banheiro é Casinha

Tudo pequeno é Cotoco
Vigi! Quer dizer, por pouco
Desde o tempo da senzala
Nessa terra nordestina
Seu menino, essa menina!
É assim que a gente fala

O nome do cordelista é Ismael Gaião da Costa, nasceu em Recife-PE. Engenheiro Agrônomo, Funcionário Público Federal, lotado na UFRPE - Estação Experimental de Cana-de-açúcar de Carpina.
Publicou 20 (vinte) Cordéis e diversas poesias (sonetos, matutas, sociais).
É filiado à UNICORDEL - União dos Cordelistas de Pernambuco, na qual integra a equipe de Declamadores.
Assina a Coluna COLCHA DE RETALHOS, no JORNAL DA BESTA FUBANA - uma gazeta da bixiga lixa (Blog), Condado-PE, em 07 de maio de l961. Reside no (www.luizberto.com), publicando poesias, prosas e contos, diariamente.
Ganhador da 4ª RECITATA - 2009(concurso de poesia declamada) da Fundação de Cultura da Cidade do Recife, com nota 10 (dez) no Júri Popular, declamando a poesia MENINO DE RUA.

Ele tem um site no seguinte endereço: http://recantodasletras.uol.com.br/autor.php?id=50436