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terça-feira, 29 de novembro de 2011

Agroecologia no Semiárido


Agricultores do semiárido alagoano recebem da Codevasf kits para produção agroecológica de alimentos




imageUnidade PAIS doada pela Codevasf para instalação em Piranhas
A produção agroecológica de alimentos no semiárido alagoano será fortalecida a partir desta sexta-feira, 25 de novembro, com a entrega de 25 kits do programa Produção Agroecológica Integrada e Sustentável (PAIS) doados pela Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) a agricultores familiares de assentamentos da reforma agrária no povoado Juá, município de Delmiro Gouveia. A entrega dos kits está marcada para às 15h no povoado. No local, haverá uma unidade demonstrativa do PAIS já instalada.

Para o superintendente regional da Codevasf em Alagoas, Antônio Nélson de Azevedo, a instalação de unidade agroecológica no sertão alagoano demonstra a vocação da região do semiárido para produção de alimentos. “Há uma imagem de que o semiárido brasileiro é um local inapropriado para agricultura ou agropecuária. Isso é um erro grave. Com a aplicação correta de técnicas de manejo de solo e água, aliada a saberes milenares da agroecologia, com respeito e conhecimento das condições climáticas e de solo, o sertão pode tornar-se um polo de produção de alimentos”, destacou.

Ele ainda afirmou que a entrega dos kits adquiridos pela Codevasf integra a estratégia de desenvolvimento regional da companhia de fortalecer a agricultura familiar no Baixo São Francisco alagoano.

Participarão da cerimônia de entrega dos kits aos agricultores, além do superintendente regional da Codevasf em Alagoas, a vice-prefeita de Delmiro Gouveia, Ziane Costa, que representará o prefeito Luiz Carlos Costa, representantes da Secretaria de Estado da Agricultura e do Desenvolvimento Agrário de Alagoas (Seagri/AL), do SEBRAE/AL, da Cooperativa dos Agricultores Familiares de Delmiro Gouveia (Coofadel), do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Delmiro Gouveia, vereadores, entre outros.

PAIS
O PAIS é uma tecnologia social criada pelo Sebrae com o objetivo de promover técnicas mais próximas da cultura tradicional natural, com isenção de agrotóxicos e aproveitamento integral de recursos, resultando numa dependência mínima de insumos externos à propriedade rural.

O kit PAIS é composto por um sistema de irrigação que possui uma bomba para captação de água de uma fonte já existente na propriedade. A água captada fica armazenada numa caixa de água de 5 mil litros e, por gravidade, através de mangueiras de irrigação, será transportada para irrigação das hortas do sistema PAIS utilizando o sistema de gotejamento e microaspersão.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Agroecologia no Semiárido

Agroecologia comemora resultados

21/1/2011 Clique para Ampliar
O comércio justo, posto em prática por meio de feiras agroecológicas, foi uma das conquistas do projeto coordenado pela Fundação Konrad Adenauer no Ceará
FOTO: DIVULGAÇÃO
Seminário mostrou os resultados alcançados pelo Projeto AFAM no Ceará, ao longo de cinco anos de execução

O Projeto Agricultura Familiar, Agroecologia e Mercado (Afam)está chegando ao fim, deixando bons frutos no semiárido cearense. Coordenado pela Fundação Konrad Adenauer, com co-financiamento da União Europeia, a iniciativa tem sido, nos últimos cinco anos, responsável pela melhoria da qualidade de vida das comunidades de pequenos produtores, por meio do fortalecimento da agricultura familiar ecológica e sustentável.

Iniciado em 2006, o Projeto contribuiu para a criação e fortalecimento de redes de agricultores familiares ecológicos na região de Itapipoca, no Sertão Central e no Maciço de Baturité. Para tanto, contou com a valiosa cooperação com as organizações não-governamentais (ONGs) Instituto Sesemar, Agência de Desenvolvimento Local (Adel) e Núcleo de Iniciativas Comunitárias (NIC).

De acordo com Angela Kuester, coordenadora geral do projeto, o Afam foi o principal eixo de atuação do escritório regional da Konrad Adenauer no Nordeste, por unir as dimensões social, econômica e ecológica. Este ano, a unidade da fundação alemã no Ceará será fechada, e o atendimento, transferido para a unidade do Rio de Janeiro. "Mas isto não significa o fim das parcerias e das iniciativas que, como vemos, já caminham com as próprias pernas", explica Angela.

Entre as conquistas, Angela Kuester enumera o fortalecimento do associativismo e cooperativismo, a construção do conhecimento agroecológico, as políticas públicas para a transição agroecológica, o acesso a mercados justos e a certificação alternativa de produtos agroecológicos. Os resultados e aprendizados do Projeto Afam foram, inclusive, debatidos ontem, num seminário realizado em Fortaleza.

Segundo Wagner Gomes, diretor executivo da Adel, uma das principais lições do projeto Afam foi a constatação de que é possível conviver com o semiárido de forma sustentável, utilizando a Agroecologia. Ele reforça que a ADEL trabalha o empreendedorismo dos jovens no meio rural, "pela necessidade de mantê-los na área onde nasceram e cresceram, de uma forma produtiva e sustentável".

Para Iran Pereira, coordenador do Núcleo de Iniciativas Comunitárias (NIC), a parceria foi fundamental para implementar, no Maciço de Baturité, de ações de produção agroecológica até então impensadas. "Capacitamos mais de 400 agricultores familiares. Hoje, temos mais de 50 hortas agroecológicas implantadas na região", comemora.

Iran Pereira acrescenta que o maior desafio foi conscientizar os produtores familiares sobre a importância de não utilização de agrotóxicos, da não necessidade de queimadas e degradação do meio ambiente.

Ainda como exemplo de resultado prático, os participantes do projeto citam o fato de a Prefeitura de Barreira, município localizado a 74 quilômetros de Fortaleza, no Maciço de Baturité, estar atuando na transição agroecológica. Um dos desafios de continuidade que começa a ser pensado é passar as noções de Agroecologia às crianças, por meio das escolas municipais.

"Por todos os resultados já alcançados, podemos dizer que o projeto contribuiu e vai continuar contribuindo para uma produção mais limpa, uma alimentação mais saudável e um comércio mais justo no Ceará", resume Angela Kuester.

Legado

"É possível desenvolver a agroecologia e conviver com o semiárido"

Wagner Gomes
Diretor executivo da Agência de Desenvolvimento Econômico Local (Adel)

"O desafio foi conscientizar os agricultores sobre a não utilização de agrotóxicos"

Iran Pereira
Coordenador do Núcleo de Iniciativas Comunitárias (NIC)

MAIS INFORMAÇÕES

ADEL - Rua Juvenal Galeno, s/n, Benfica - Fortaleza - Tel: (85) 9124.7403 / 9106.8007

NIC - Rua Maria do Carmo Oliveira, 325 - Barreira - Tel: (85) 3331.1350

Instituto Sesemar - Rua Ildeberto Barroso, 1195, Centro - Itapipoca - Tel: (88) 3631.3620

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Agroecologia no Sertão

AGRICULTURA SEM AGROTÓXICO (26/12/2010)

Orgânicos conquistam Cariri

26/12/2010 Clique para Ampliar
O Produtor José Góes transformou um pedaço de terra, no Sítio Bebida Nova, no sopé da Serra do Araripe, num verdadeiro pomar. Ali, ele mistura sombra, sol, frutas e verduras 
FOTOS: ANTÔNIO VICELMO

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Juvenal matos escolhe os melhores grãos e armazena em garrafas pet para o período chuvoso do próximo ano
A população dos Municípios do Cariri estão consumindo, cada vez mais, produtos que não contem agrotóxicos

Crato. Produtos agrícolas cultivados sem defensivos químicos vem ganhando o mercado regional. No Cariri, funcionam duas feiras semanais, no Crato e Juazeiro do Norte, na sexta-feira, com grande procura. O Distrito de Ponta da Serra, a 20 quilômetros do Crato, promoveu sua feira de orgânicos recentemente. A preocupação com a saúde tem sido o principal motivo do crescente aumento do número de pessoas que buscam uma alimentação saudável, sem qualquer resquício de agrotóxicos.

Esta alternativa alimentar vem sendo incentivada pela Associação Cristã de Base (ACB), que organiza estas feiras, com o objetivo de fornecer o suporte técnico e instruir os agricultores. "Além disso, a feira proporciona a disseminação das práticas agroecológicas e os benefícios de consumir produtos livres de agroquímicos", destaca o agrônomo Jorge Pinto, atual presidente da ACB do Crato, acrescentando que, com isso, cria-se uma consciência social do que é ecologicamente correto, economicamente viável e socialmente justo.

Jorge lembra que estes alimentos provêm de sistemas agrícolas baseados em processos naturais, que não agridem a natureza e mantêm a vida do solo intacta. É uma agricultura sustentável que nutre o solo, alimentado-o naturalmente.

Técnicas

As técnicas usadas para se obter o produto orgânico incluem emprego de compostagem, da adubação verde, do manejo orgânico do solo e da diversidade de culturas, que garantem a mais alta qualidade biológica dos alimentos. A comercialização vem sendo trabalhada junto à Feira Semanal de Produtos Orgânicos, cuja produção é orientada dentro do sistema agroflorestal, contando com 25 feirantes (homens e mulheres) que vendem seus produtos, gerando uma relação nova entre os produtores e os consumidores.

Estes feirantes são selecionados, cadastrados e acompanhados para garantir a qualidade dos produtos. A experiência, de acordo com a técnica da ACB, Maria do Socorro Silva, tem demonstrado um aprendizado fantástico, satisfazendo os consumidores e, ainda, aumentando a renda familiar dos agricultores e levantando a autoestima das famílias envolvidas.

A agricultura orgânica, segundo Socorro, é o modo verdadeiramente científico e respeitoso de produzir alimentos saudáveis e assegurar a integridade do meio ambiente. Mais do que isso, está despontando como uma alternativa econômica de agregação de renda para os pequenos produtores.

Transformação

É o caso do produtor José Ronaldo Góes, que transformou um pedaço de terra, no Sítio Bebida Nova, no sopé da Serra do Araripe, num verdadeiro pomar. Ali, com a orientação da ACB, ele mistura sombra, sol, frutas e verduras, no mesmo espaço. O resultado foi surpreendente. Mesmo morando num local isolado, de acesso difícil para veículos, os consumidores compram os produtos dentro da roça. "Aqui, o consumidor tem oportunidade de conhecer como é o cultivo", diz Ronaldo.

O pouco que sobra é levado para a feira de produtos orgânicos que é realizada na sexta-feira, no Crato, na Rua dos Cariris. "Em menos de duas horas, eu vendo tudo", comemora. No momento, Ronaldo está agregando outra fonte de renda. É a criação de abelhas.

Mudança de vida

O produtor Francisco Antonio Bernardo, conhecido como "Novo", secretário da Associação dos Pequenos Agricultores do Sítio Coité, no Município de Barbalha, diz que, depois que começou a produzir orgânicos, melhorou de vida.

Antes, trabalhava num engenho de rapadura que funcionava no Distrito de Arajara. Com o fechamento do engenho, voltou para a agricultura, que também não deu certo. Partiu para a agricultura solidária com o plantio e fabricação de alimentos orgânicos, galinha, bolo de puba, pão de ló, sequilhos, e gêneros alimentícios. Hoje, a Associação conta com a participação de 13 famílias que, segundo ele, têm uma boa vida.

Fique por dentro 

Vantagens

Existem várias razões para se consumir produtos orgânicos. Seu sabor é melhor, pessoal, porém existem certos critérios determinados por "degustadores" que afirmam que os alimentos orgânicos possuem mais "gosto" que os alimentos produzidos pelo sistema convencional.

É mais saudável. Os produtos orgânicos crescem sem pesticidas e fertilizantes químicos sintetizados artificialmente. Muitas pessoas possuem hábitos de descascar a cenoura para o preparo de uma salada, devido à possibilidade de ingestão de pesticidas presentes em sua casca. Escolhendo os produtos orgânicos, o consumidor usufrui na totalidade as frutas e vegetais sem a preocupação com o consumo de pesticidas.

MELHORES GRÃOS

Produção inicia com seleção de sementes

Crato. Para o agricultor Juvenal Januário Matos, a produção de alimentos orgânicos começa com o plantio de sementes selecionadas pelo próprio produtor. Juvenal escolhe os melhores grãos e armazena em garrafas pet para o período chuvoso do próximo ano. "A semente do milho é retirada do meio da espiga", ensina Januário.

Quem optou pela produção de alimentos orgânicos está satisfeito. O agricultor José Moreira da Silva, do Assentamento Flor da América, entre Farias Brito e Cariús, diz que, além de ter melhorado a renda num pequeno espaço de terra, está contribuindo para a saúde da população. Moreira lembra que a escolha do produto orgânico tem sido feita principalmente pela maior preocupação com a saúde. "Em segundo lugar, pela prevenção do meio ambiente e, por último, pela questão do sabor. Ninguém troca um galinha de capoeira por um frango de granja", afirma o agricultor.

O professor da Universidade Estadual do Ceará (Uece), Sebastião Cavalcante de Souza, lançou no Crato, durante a IV Exposição de Produtos da Economia Solidária de Base Familiar da Região do Cariri (IV Expofan), uma cartilha sobre a utilização de defensivos agrícolas naturais fabricados com sabão, cebola, fumo, nin da índia, urtiga, cravo de defunto e, ainda, cascas de angico.

Um dos inseticidas mais completos, de acordo com Cavalcante, é o nin da índia, que combate pragas de hortaliças, traças, lagartas e gafanhotos. "É um inseticida repelente que atua em 95% dos insetos nocivos", garante o professor. As propriedades terapêuticas do nin são conhecidas pelos indianos há séculos. É chamado de a "árvore sagrada", tendo uso para fins medicinal, veterinário, florestal e agrícola.

Nutrição

O produto orgânico é diferente do da agricultura convencional, que emprega doses maciças de inseticidas, fungicidas, herbicidas e adubos químicos altamente solúveis. Esses agroquímicos, segundo ele, fazem com que os alimentos tenham baixo valor nutricional e, em sua toxicidade, pode estar a causa de doenças que afetam o homem. 

MAIS INFORMAÇÕES 
Associação Cristã de Base (ACB)
Rua Cariri, número 61 B
Centro, Município do Crato - CE
Telefone: (88) 3521.3005

Antônio Vicelmo
Repórter

PRESERVAÇÃO (26/12/2010)

Agrofloresta é o sistema usado para o manejo da terra


26/12/2010 
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O agricultor José Moreira da Silva, do Assentamento Flor da América, entre Farias Brito e Cariús, participou da Expofan no Crato, apresentando seus produtos orgânicos 
FOTOS: ANTÔNIO VICELMO
O plantio de vários tipos de árvores frutíferas em uma mesma área resulta em uma boa produção

Crato. O ponto de partida para o cultivo de produtos orgânicos é o solo. Nada de queimadas ou de retirada das árvores. O plantio é feito consorciado com a vegetação natural do terreno. É a agrofloresta, um sistema de uso e manejo da terra no qual árvores ou arbustos são utilizados em conjunto com a agricultura e/ou com animais numa mesma área, de maneira simultânea ou sequência de tempo.

Um sistema simples e eficiente de agricultura: o plantio de vários tipos de árvores frutíferas em uma mesma área, que resulta em muita produção, comida na mesa e renda para toda a família. No Cariri, de acordo com levantamento feito pela ACB, funcionam cinco agroflorestas: três no Crato, uma em Nova Olinda e outra em Santana do Cariri. Uma das maiores vantagens das agroflorestas é, precisamente, sua capacidade de manter bons níveis de produção em longo prazo e de melhorar a produtividade de forma sustentável.

Essa vantagem deve-se, principalmente, ao fato de que muitas árvores e arbustos têm, entre outras funções, a de adubar, proteger e conservar o solo. As agroflorestas são quase sempre manejadas sem aplicação de agrotóxicos ou requerem quantidades mínimas dessas substâncias químicas. Os efeitos negativos sobre o meio ambiente são mínimos. Outro aspecto importante é que a associação de árvores e arbustos, nas culturas agrícolas e nas pastagens, contribui para a conservação dos rios e outros cursos d´água. Essa perspectiva favorece a recuperação da produtividade de solos degradados por meio de espécies arbóreas implantadas no local, que adubam naturalmente o solo, reduzindo a utilização de insumos externos e, com isso, os custos de produção, aumentando a eficiência econômica da unidade produtiva.

Além disso, a maior diversificação representa mais produtos comercializáveis, favorecendo uma geração de renda mais harmônica no tempo. Esse contexto é muito adequado para a pequena produção familiar. De cima da Serra do Araripe, uma das áreas mais devastadas da região, vem o exemplo. "Aqui, a gente só usa fogo no fogão", diz o agricultor Antônio da Hora, proprietário de uma casa de farinha. Ele aprendeu a conservar a natureza convivendo com as plantas. A janaguba, por exemplo, que é utilizada no combate ao câncer, é também um meio de sobrevivência da família de Antônio da Hora.

A extração do látex da planta depende da sua preservação. Sabendo usar, não vai faltar. Com esta lição dada pela própria natureza, o agricultor foi despertado para o cultivo de produtos orgânicos. A primeira experiência de agrofloresta do Cariri começou no Sítio Lagoa dos Patos, em Nova Olinda. O pioneiro foi o agricultor José Raimundo de Matos, conhecido como "Zé Artur", que transformou a pequena propriedade numa agrofloresta. Oito anos depois, Zé Artur comemora o sucesso da mudança. O mercado de orgânicos é garantido. Além de ter melhorado o padrão de vida, ela é citada como exemplo de agricultura alternativa. "Tem sempre gente de fora aqui, conhecendo nossa experiência", comemora.

Agrotóxicos

Os modelos de agricultura intensiva hoje em uso no Cariri, como o monocultivo da cana-de-açúcar e a produção de frutas exigem a aplicação de grande quantidade de produtos químicos. "O uso generalizado e exagerado de produtos químicos como vários agrotóxicos e adubos industrializados pode envenenar as fontes locais de água potável e, por outro lado, matar muitas espécies de micro-organismos benéficos que vivem no solo", diz o secretário do Meio Ambiente do Município do Crato, Nivaldo Almeida.

Os produtos orgânicos, segundo ele, são a melhor forma de se proteger da exposição às toxinas encontradas nas práticas agrícolas convencionais. Os efeitos causados pela exposição a esses pesticidas, solventes e metais pesados, podem incluir alergias, malformações congênitas, câncer e distúrbios psicológicos, adverte. Os danos causados pela ingestão desses contaminantes químicos são cumulativos e as crianças são as mais vulneráveis. Em dois estudos distintos, o Conselho de Defesa de Recursos e o Grupo de Trabalho do Meio Ambiente concluíram que milhões de crianças americanas são expostas, pela alimentação, a níveis de pesticidas acima dos limites considerados seguros. Alguns desses produtos são reconhecidamente tóxicos para o cérebro em desenvolvimento. (AV)

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Agroecologia no Sertão

COOPERAÇÃO AGRÍCOLA (18/10/2010)

Assentados trocam experiências no sertão

18/10/2010 Clique para Ampliar
Agricultores de Quixadá, Quixeramobim e Ibaretama viram as experiências do Assentamento Boa Vista
FOTOS: ALEX PIMENTEL
Oficina de conhecimento estimula práticas de sustentabilidade rural ecologicamente corretas

Quixadá. Os quintais produtivos são viáveis? Quais as alternativas adequadas para a época de estiagem? Como extrair o sustento da terra sem agredir o meio ambiente? Dezenas de trabalhadores rurais de municípios da região Centro do Ceará se reuniram no Assentamento Boa Vista, comunidade rural situada a pouco mais de 15km do Centro de Quixadá, em busca de respostas para esses questionamentos e ainda avaliar e discutir as experiências desenvolvidas naquela localidade, dentre as quais, o manejo da Caatinga, hortas orgânicas e o turismo de base comunitária.

No total, 45 agricultores e agricultoras de vários assentamentos de reforma agrária de Quixeramobim, Quixadá e Ibaretama participaram da oficina, "Saberes e fazeres em agroecologia". O intercambio foi promovido pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) em parceria com a Associação de Cooperação Agrícola do Estado do Ceará (Acace), Núcleo de Iniciativas Comunitárias (NIC) da Fundação Konrad Adenauer e escritórios regionais do Projeto Dom Helder Câmera e Sebrae, em Quixeramobim.

De acordo com os organizadores, a atividade faz parte de um processo educativo cujo objetivo é refletir sobre a importância da agroecologia no contexto de políticas públicas para a sustentabilidade sócio-ambiental, assim como socializar e difundir saberes e práticas já em desenvolvimento na agricultura familiar. A esse respeito o representante da Acace, Edmilson Santos, ressaltou a vontade dos participantes seguirem os exemplos expostos na comunidade visitada. "É visível que necessitamos produzir uma alimentação de qualidade para todos, mas que não depende só de um ou dois e sim de muitos", completou Santos.

Segundo a coordenadora do Núcleo Ambiental do Ibama, Águeda Garcia Coelho, o assentamento Boa Vista foi escolhido por realizar várias experiências em práticas agroecológicas. Os moradores dão outro sentido à sustentabilidade, passando pela organização, conservação do meio ambiente, trabalho e renda, associados à segurança alimentar, saúde e qualidade de vida. Na prática, estão demonstrando a viabilidade da agricultura familiar, imprescindível para a garantia do território.

O pesquisador João Vianei, de Quixeramobim, apresentou o Sistema Agro Florestal com cumaru - árvore com sementes de uso medicinal - consorciando espécies nativas da Caatinga com as culturas de milho, feijão etc. O sistema contribui para o reflorestamento, a produção de alimentos e a utilização em fitoterápicos a partir do conhecimento tradicional da população do campo. "Atualmente, esses produtos ganham destaque no meio científico no combate a problemas respiratórios e na indústria de cosméticos e perfumaria", disse Águeda.

A coordenadora considera essas experiências relevantes para o meio ambiente e para saúde humana. Proporcionam produção limpa de alimentos, proteção dos mananciais hídricos, sem contaminação por agrotóxicos, preservação da biodiversidade da Caatinga, geração de biofertilizantes e redução de desmatamento. Somados aos impactos positivos para o meio ambiente, ela ressalta melhoria das condições de vida, conseguindo agregar valor a sua produção.

Fortalecimento

"Para fortalecer a agricultura familiar é fundamental a execução articulada das políticas públicas"

Águeda Maria Garcia Coelho
Coord. Estadual do Núc. Amb. do Ibama

MAIS INFORMAÇÕES 

Núcleo Ambiental do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama)
Estado do Ceará
(85) 3272.1600

ALEX PIMENTEL
COLABORADOR

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Experiência com Agroecologia no Ceará

DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL

Agroecologia favorece produtividade da mandioca

5/9/2010 Clique para Ampliar
Produtores da comunidade de Pirangi, em Itapipoca, cultivam a variedade “pretinha” e alcançam melhor rendimento que a modalidade anterior 
FOTOS: WILSON GOMES

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Casa de farinha em comunidade de Itapipoca. A produção do derivado da mandioca responde por 85% do que é produzido neste tipo de cultura no Estado, destinando-se à alimentação humana
Aumento de oito toneladas para 20t por hectare de mandioca é o resultado positivo alcançado em Itapipoca

Itapipoca - Uma associação formada por 25 famílias está atuando na transição da agricultura convencional para a agroecologia, fazendo com que a produção no campo aumente e se torne bastante rentável para todos que estão envolvidos no projeto. Este projeto foi implantado na comunidade de Pirangi, zona rural deste município e está sendo assistido pela Ematerce.

É um sistema de produção que visa o resgate de práticas agrícolas já conhecidas pelos produtores, a partir do uso de ferramentas tecnológicas e sociais cujo objetivo é o melhor incremento da produção e maiores possibilidades de mercado para o produtor.

O projeto implantado, que está servindo de piloto para outras comunidades, visa mostrar ao produtor de mandioca que ele pode optar por uma diversificação das espécies do cultivo de mandioca, ou usar somente uma variedade. "Aqui estamos trabalhando com uma única espécie, a mandioca variedade pretinha", disse Zilval Fonteles, engenheiro agrônomo da Ematerce. Segundo ele, a espécie tem uma produtividade de até 15 toneladas por hectare plantado, contra as 10 toneladas produzidas em área de igual tamanho com outros tipos de mandioca. "Além disso, a ´pretinha´ permite a colheita num tempo menor, algo em torno de um ano. Outra vantagem é o descascamento mais rápido, facilitando o trabalho das casas de farinha", ilustra Zilval Fonteles.

A transição da agricultura convencional para a agroecologia já mostrou suas vantagens e em pouco tempo conseguiu fazer com que os produtores aumentasse de oito toneladas por hectare, para 20t, por hectare. "A modernização da mandicultura foi necessário com a construção de uma fábrica de beneficiamento moderna, visando o aumento da produção de goma, farinha e outros subprodutos" explica Zilval Fonteles.

Melhor preço

"Antes a gente produzia de forma desordenada perdendo muito na qualidade obtendo um valor na venda muito inferior ao praticado no mercado local. Muitos compradores só pagavam R$ 35,00 por uma saca de 60 quilos, hoje o preço chegou a R$ 45,00", disse o presidente da Associação Prodesenvolvimento de Sítio Pirangi, José Cláudio Rosa.

Para o presidente da associação, um dos fatores que hoje devem ser levado em conta é a seleção de matéria adequada, higiene e os cuidados durante todo o processo de fabricação. "Com as novas tecnologias que estão sendo implantada na nova casa de farinha, o rendimento médio hoje chega a 30%", disse José Cláudio.

De acordo com engenheiro agrônomo da Ematerce, Zilval Fonteles, a agroecologia é constituída de diversos fatores que vão muito além da agricultura convencional, que é uma agricultura de exclusão.

"É um apanhado de técnicas, de parâmetros, de conhecimento local, de conhecimento do agricultor sobre o ecossistema em que ele vive, interação do meio ambiente com a natureza e o ser humano", disse Zilval Fonteles, acrescentando que devido a essa modernização introduzida, dentro das especificações tecnológicas exigidas, permite a produção de produtos de boa qualidade e de maior valor comercial, por custos razoáveis, proporcionando aumento na renda do produtor rural, o que gera uma grande expressividade apresentada pela cultura da mandioca no cenário socioeconômico do Estado.

Cultura de subsistência

Por não exigir maiores cuidados, o plantio da mandioca é um dos cultivos mais comuns realizados pelo homem do campo, considerado inclusive como cultura de subsistência no meio rural nordestino.

A mandioca é uma espécie nativa do Brasil e está distribuída em todo o território nacional. As principais regiões produtoras são: Nordeste (46%), Norte (25%), Sul (17%), Sudeste (7%) e Centro-Oeste (4%). Em nível nacional, 40 a 45% da produção destinam-se para farinha, 10% a fabricação do amido, 30% ao consumo de mesa e o restante é para a alimentação animal.

No Ceará em torno de 85% da produção de raiz de mandioca destina-se ao consumo humano, principalmente na forma de farinha e amido (goma), produtos considerados de baixa qualidade em razão das agroindústrias existentes serem artesanais e munidas de equipamentos obsoletos. O restante da raiz produzido é utilizado na alimentação animal, na forma fresca, ensilada ou fenada.

O interesse pela cultura deve-se a sua capacidade de adaptação as mais variadas condições ambientais.

Por suas características de rusticidade, em períodos de seca, comuns nas regiões semiáridas, a mandioca é capaz de produzir alimento, mesmo que precariamente, o que não acontece com a quase totalidade das mesófitas cultivadas nessas regiões, desempenhando assim, um importante papel social, notadamente junto às populações de baixa renda.

Quando as condições ambientais lhe são favoráveis, a mandioca se destaca das outras espécies cultivadas por sua elevada produção de biomassa por unidade de área. Daí a preferência de muitos produtores.

Fique por dentro 
Valor econômico

O cultivo da mandioca é de grande relevância econômica como principal fonte de carboidratos para milhões de pessoas, essencialmente nos países em desenvolvimento. O Brasil possui aproximadamente dois milhões de hectares é um dos maiores produtores mundiais, com produção 23 milhões de toneladas de raízes frescas de mandioca. Normalmente se recomenda o plantio de maio a outubro. Entretanto o plantio pode ser recomendado em qualquer época, desde que haja umidade suficiente para garantir a brotação das hastes. As principais pragas são: mandarovás, ácaros, percevejo de renda, mosca branca, mosca do broto, broca do caule, cupins e formigas. As doenças mais comuns são: Podridão de raiz, Bacteriose, superbrotamento, viroses. Ao ser constatada qualquer alteração no estado fitossanitário, consultar o órgão competente mais próximo.

MAIS INFORMAÇÕES

Associação Pro-Desenvolvimento do Pirangi
Sítio Pirangi, Itapipoca
(88) 3631.8008

VANTAGENS
Cultivo é base para a agricultura familiar

A mandioca apresenta rendimento superior a outras culturas e gera expressiva fonte de trabalho no Estado

A cultura da mandioca constitui a base da economia dos agricultores familiares das regiões litorânea, Chapada do Araripe e parte da Chapada da Ibiapaba. Ainda que haja uma intensificação da exploração de culturas permanentes, na zona mandioqueira, a cultura da mandioca persiste por ser responsável pela ocupação da maior parcela da força de trabalho das famílias rurais, além de ser a base alimentar dessas famílias e seus animais.

No Estado, 85% da produção de mandioca é transformada em farinha, sendo totalmente destinada à alimentação humana, principalmente para a população de menor poder aquisitivo. A maior produção de farinha ainda é feita em pequenas unidades fabris, as chamadas "casas de farinha", situadas nas próprias propriedades. Os equipamentos são primitivos, com exceção dos motores a explosão e elétrico, e a energia elétrica, monofásica, está bastante difundida no interior cearense.

O que torna a mandioca um cultivo sustentável é a sua capacidade de produzir em solos, cujo teor de fósforo é baixo e de realizar fotossíntese em condições de estresse hídrico, além das diversas utilidades e aplicabilidades.

Até agosto, no Ceará, a lavoura da mandioca apresentou um rendimento de 12,03%, enquanto que o café, outro produto em alta, teve um rendimento de 4,03%. Os dados foram divulgados recentemente pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).

Valor bruto

Assim, a cultura da mandioca continua sendo o 4º maior produto em valor bruto da produção agrícola (VBP), no Estado, com R$ 157,9 milhões, 47% a mais do que em 2009.

Quatro anos atrás, o Estado atingiu uma área de cultivo de 180.602 hectares com a cultura da mandioca, representando 9,7% da sua área apta, sendo colhido 88.602 ha, onde foram produzidas 860.780t de raiz de mandioca.

Outra cultura que vem ganhando força na região de Itapipoca é a cajucultura. Na comunidade de Pirangi foi realizado um trabalho intensivo de substituição de copas nos cajueiros velhos e improdutivos por cajueiros anão precoce. Com esse trabalho, a produção de caju passou de 380 quilos/ha para 600 quilos/ha.

Com a utilização de tratos culturais, levando em conta técnicas agroecológicas, as perdas médias nos cajueiros foi de 40%, diferente da média da região que chegou a 80%, em 2009.

Uma fonte de renda importante para a comunidade vem do ensino de técnicas de enxertia para agricultores de outras comunidades. A capacitação também favorece o intercâmbio entre produtores.

Renda

"A comunidade já tinha um potencial muito grande voltado para mandiocultura"

Zilval Fonteles
Engenheiro agrônomo da Ematerce

"Com a nova tecnologia melhorou a qualidade da farinha e o preço também"

José Cláudio Rocha
Presidente da Associação de Produtores

"O cultivo da mandioca tem ajudado tanto na produção, quanto na renda familiar"

Parlim Monteiro dos SantosAgricultor

Wilson Gomes
Colaborador