quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Dia de Campo no Assentamento ACOCI - Campos Sales-CE

Continuando nossa conversa sobre o I Seminário do Semi-Árido, quero falar um pouco da nossa atividade de campo, ocorrida no dia 28 de outubro, no Assentamento ACOCI, em Campos Sales - CE.

















Saimos cedinho de Juazeiro do Norte, pegamos a estrada e quase duas horas depois encontramos Seu Chico, um dos líderes do Assentamento, que nos esperava na entrada. Aí foi muita poeira!

















Depois de rodarmos por mais ums 40 minutos dentro do Assentamento, encontramos o seu grande reservatório, e fomos recebidos por alguns assentados que conversaram com nosso grupo sobre sua vida e seu lugar. Mais tarde desfrutamos de um almoço maravilhoso, preparado com carinho pelas senhoras do Assentamento.


















Aos poucos, durante a conversa, Seu Chico (na foto abaixo) e os outros moradores foram contando a história do Assentamento, sua evolução, suas conquistas e suas enormes dificuldades.

Boa parte do dinheiro recebido pelos assentados foi gasto na contrução de boas moradias, compra de parabólicas e outros confortos, hoje comuns no Sertão.















Contudo, não houve a princípio a preocupação com a melhoria da terra ou com um adequado sistema de distribuição de água do reservatório. E a falta de acompanhamento técnico tem levado ao abandono ou ao uso inadequado da terra. O agente de desenvolvimento do BNB, Romildo, que nos ajudou a encontrar o Assentamento, explicou que aquele é o segundo maior assentamento do Ceará ligado ao INCRA, e que, apesar da grande área e do grande potencial, tem caminhado muito lentamente. E a maior dificuldade é falta de assistência adequada aos agricultores, para o uso de novas técnicas, a falta de acesso aos conhecimentos que fariam a diferença.

Percebemos ao longa da conversa e da visita, que todos os temas debatidos no dia anterior podiam ser vistos naquele local. A começar pelo Biodiesel, que levou parte dos agricultores a plantar mamona. Tiveram um resultado bem abaixo do esperado, mas acreditam que pode ser sim uma boa saída. Melhor que as culturas de subsistência.

A falta do cuidado com o uso do solo tem levado ao assoreamento e a processos de desertificação em partes do local.

Apesar do grande reservatório, a água não chega para a maioria, e em determinadas épocas o reservatório apresenta grande quantidade de plantas aquáticas e cheiro fético.

Faltam escolas e postos de saúde. E a comunidade não consegue se unir e se organizar para ter seu representante. Mesmo com candidatos próprios, seus votos se dispersaram na última eleição, e eles, mais uma vez, não elegeram seu vereador.

O Prof. Ricardo Ness, Diretor do Campus Cariri da UFC, e a Profa. Suely Chacon, Coordenadora do Centro de Pesquisa e Pós-graduação do Semi-Árido (CPPS) da UFC Cariri, se comprometeram pessoalmente de trazerem a UFC para dentro do Assentamento, direcionando pesquisas e projetos de extensão de modo a auxiliar na construção de uma melhor dinâmica da produção e mesmo das relações comunitárias.
Já na volta para Juazeiro encontramos um jumentinho, quase bebê, abandonado na estrada. Infelizmente esse é o retrado de uma das mudanças recentes no Sertão. O velho e bom jumento tem sido substituido pelas motos e bicicletas, e abandonados a própria sorte. Muitos acabam mortos por atropelamento nas estradas.
Aproveitamos a volta para dar um pequeno desvio e conhecer a cidade de Assaré, terra de Patativa, grande artista do Sertão. Abaixo algumas fotos tiradas por mim e pela amiga Odete.




4 comentários:

this too will pass disse...

hello from the UK

Antonia Lucia disse...

Que saudade de minha terra , faz 27 anos que moro em Salvador mas, fico feliz em ver imagens de meu lugar de origem . Nasci na Chapada, meu irmãos moram aí perto na agrovila de Pau Verde.

Ivanilda dos Santos Carvalho Santos disse...

nasci em campos sales, mas nunca tive a oportunidade de ir visitar minha terra natal. Gostaria de saber mais sobre o que acontece, sobre as pessoas que ali vivem. E não conheço ninguem da familia dos meus pais ( JOSE SATIRO DOS SANT), e minha mãe (MARIA DOLOROSA DA SILVA

Anônimo disse...

Saudadesssss da minha terraaaa..
Moro a 24 em cuiaba MT.mas nunka eskci a minha terra..
Eu tbem nasci na chapada...minha familia inteira mora na agrovila e arredores...
Saudades dessas estradas...que tantas vexmzes passei...amooooo