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quinta-feira, 22 de abril de 2010

Ave rara da Chapada do Araripe


SOLDADINHO-DO-ARARIPE

Dia de campo divulga habitat de espécie rara

21/4/2010 Clique para Ampliar
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Criança observa, com surpresa, o pássaro Soldadinho-do-Araripe. Na prática, ele aprende a respeitar o ecossistema a partir de observações sobre como a ave vive 
ALBERTO CAMPOS

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População local participa de observações realizadas na Floresta Nacional do Araripe, no Cariri 
KARINA LINHARES
Observar o pássaro Soldadinho-do-Araripe em seu habitat é atração que já tem admiradores na região do Cariri

Juazeiro do Norte. Admiradores de pássaros tiveram oportunidade rara no sopé da Chapada do Araripe. Puderam apreciar uma das espécies de rara beleza, que corre o risco de extinção, o Soldadinho-do-Araripe, durante atividade de observação em campo que aliou o turismo e a conscientização ambiental. A Associação de Pesquisa e Preservação de Ecossistemas Aquáticos (Aquasis) promoveu a observação de aves no Geosítio Riacho do Meio, na cidade de Barbalha. O evento contou com o apoio das entidades internacionais BirdLife International, Royal Society for the Protection of Birds e Geopark Araripe.

Esta é a primeira vez que a população local tem a oportunidade de participar de uma atividade do gênero de forma organizada. Foram cerca de 15 participantes, pessoas ligadas a órgãos ambientais e admiradores da natureza. Mesmo assim, o biólogo Weber Girão, que também é vice-presidente da entidade, dedicada à preservação da biodiversidade e uso responsável dos recursos naturais da região Nordeste, afirma que o número de participantes esteve acima do convencional, já que para esse tipo de atividade tem que ser uma quantidade reduzida.

Ele ressalta que embora o Cariri receba turistas do Brasil e de outros países com o único objetivo da observação de aves, se decidiu fazer esse trabalho no sentido de levar ao conhecimento das pessoas a riqueza da biodiversidade e do próprio habitat do pássaro.

No início deste ano, uma pesquisa apresentada pela União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais, classificou a ave do Araripe em estado crítico de perigo de extinção, junto com algumas espécies brasileiras, na mesma situação. A classificação trata-se do último nível antes do desaparecimento na natureza. No caso do Soldadinho-do-Araripe, há outro fator importante: a possível extinção dessas aves está diretamente ligada a questão hídrica, já que fontes de água na área da Chapada estão desaparecendo.

Plano de conservação

A Aquasis desenvolve um Plano de Conservação com o Soldadinho-do-Araripe. O pássaro tem como habitat áreas de encosta da Chapada do Araripe, nos municípios do Crato, Barbalha e Missão Velha. Recentemente foi realizado encontro, no Crato, a fim de traçar novas estratégias de ação.

Weber afirma que a observação de aves é uma atividade que vem atraindo cada vez mais adeptos no mundo todo, por requerer principalmente o interesse do praticante e não demandar grandes gastos com equipamento, apenas um binóculo e atenção aos movimentos. Mas, tanto para aquele que utiliza somente os sentidos da visão e da audição, quanto para o que investe dinheiro na prática do lazer, ele explica que o importante é a preservação do animal em seu ambiente natural.

O objetivo da Aquasis com o evento foi formar um grupo de observadores de aves livres na região do Cariri. Ele ressalta que a quantidade de participantes poderia perturbar os pássaros. No entanto, o biólogo reforça que, havendo interessados, poderão ser formados novos grupos. O Riacho do Meio constitui um espaço importante da área da Chapada do Araripe, onde foram desenvolvidas as atividades, levando ao conhecimento das pessoas a importância da preservação do local, para a sobrevivência das espécies. A ave foi descoberta no ano de 1996.

Conforme Weber, é uma das 14 espécies de aves ameaçadas de extinção encontradas no Ceará. Ele explica ser o Soldadinho-do-Araripe a única ave naturalmente endêmica do Ceará. A conservação dessa espécie já seria um símbolo para identificar o trabalho de proteção da natureza no Estado.

"A observação de aves pode ser uma excelente alternativa, pois o impacto ambiental é praticamente nulo e promove o envolvimento das pessoas com a natureza em liberdade", explica o biólogo. A região da Chapada do Araripe é um tipo de Meca dos observadores de aves que visitam o Brasil, pois abriga 280 espécies de aves aproximadamente, tendo o Soldadinho-do-Araripe como seu maior atrativo.

Extinção

"O uso de gaiolas é extremamente nociva ao meio ambiente, levando algumas espécies à extinção"
Weber Girão
Biólogo

MAIS INFORMAÇÕES 
Aquasis
Praia de Iparana s/n, Caucaia
www.aquasis.org; (85) 3318.4911

RISCO DE EXTINÇÃO

Ave é a mais ameaçada do Estado

Juazeiro do Norte. A ave-símbolo do Ceará, o Soldadinho-do-Araripe (Antilophia bokermanni), é a mais ameaçada de extinção no Estado. O pássaro foi descoberto em 1996 por Galileu Coelho e Weber Silva, sendo incluída, em 2000, na lista global de espécies ameaçadas da ONG BirdLife International.

A ONG classifica a ave como "Criticamente em Perigo", considerado o nível mais grave antes da extinção na natureza. Em 2003, passou a constar na Lista Nacional das Espécies da Fauna Brasileira Ameaçadas de Extinção. Segundo Weber, o Soldadinho-do-Araripe encontra-se ameaçado por habitar as raras florestas úmidas nas encostas da Chapada, que somam apenas 28Km.

Atualmente, Weber reside na região do Cariri para iniciar projeto de pesquisa sobre o pássaro, dentro do programa de preservação.

Reprodução

O pássaro se reproduz sobre a água, onde se concentram os frutos dos quais depende para sobreviver. Os ainda fartos recursos hídricos fazem da região do Cariri um tipo de oásis em meio ao sertão, sendo a principal riqueza natural que permite esta região ser considerada o celeiro do Ceará.

A relação íntima do Soldadinho-do-Araripe com as águas torna esta espécie um símbolo para a conservação na natureza, promovendo o envolvimento da sociedade local na gestão e proteção dos recursos naturais vitais para todos.

O Projeto Soldadinho-do-Araripe tem como uma de suas principais metas desenvolver grupos de observadores de aves com a população local, incentivando para os cuidados com o ecossistema.

As observações deverão ocorrer aos sábados, em diferentes locais, estando também previstas atividades para a comemoração dos 64 anos da Floresta Nacional do Araripe, durante os dias 28 e 30.

O grupo de observadores conta com binóculos e lunetas doadas pela Sociedade Real para a Proteção das Aves. O Projeto Soldadinho-do-Araripe é mantido com recursos do programa de prevenção de extinções da entidade britânica BirdLife International.

Elizângela SantosRepórter
Fonte: Jornal Diário do Nordeste - Caderno Regional, 21 de abril de 2010

domingo, 26 de julho de 2009

Babaçu - preservação e novas tecnologias

Na área urbana do município do Crato, há um local denominado pela população de palmeiral, que dá um diferencial a paisagem do município, além de arborizar a cidade Foto: ELIZÂNGELA SANTOS)

O coco babaçu vem sendo utilizado na região de forma economicamente sustentável Foto: ELIZÂNGELA SANTOS)



PALMEIRAIS NO CARIRI
Fundação luta pela preservação do babaçu

Projetos de lei são criados onde há maior número de palmeiras de babaçu, alertando para sua importância

Juazeiro do Norte. Um trabalho que envolve desde o desenvolvimento da tecnologia para o melhor aproveitamento do coco babaçu à luta pela preservação dos palmeirais e o desenvolvimento econômico sustentável das comunidades que trabalham com o produto. O projeto vem sendo trabalhado desde 2005 pela Fundação Mussambê, em Juazeiro do Norte. Também se estende, com tecnologia desenvolvida na própria região, dos maquinários, para os estados do Piauí e Maranhão, onde já foram instaladas várias agroindústrias em parceria com associações de comunidades desses estados.

Com a finalidade de garantir a preservação desses palmeirais na região, a Fundação tem incentivado, nos municípios da região, onde estão as maiores reservas, a criação e aprovação de projetos de lei que inibam a queima, principalmente em cerâmicas da região, do coco, que vem auxiliando dezenas de famílias economicamente, com o extrativismo do produto, não só para extração do óleo, mas, também, para o aproveitamento de vários componentes, como a fibra, que pode ser aproveitada até na indústria automobilística, artesanato, entre outras opções.

Dois municípios da região já contam com o projeto de lei que trata da preservação das áreas e do produto, que são Crato e Barbalha. Estão sendo pleiteadas aprovações nos municípios de Juazeiro e Missão Velha. Em todas essas localidades há desenvolvimento de atividades seja na extração do óleo comestível ou na produção de artesanato e artefatos a partir da fibra. A Fundação também conta com a parceria do Instituo Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama), já que são palmeiras que estão nas áreas de encosta da Área de Preservação Ambiental (APA) da Floresta Nacional do Araripe.

As atividades pela preservação do coco babaçu vem acontecendo desde o início da criação da entidade, há quase cinco anos. Segundo o coordenador do Núcleo Agrário da Fundação Mussambê, Erisvaldo Figueredo, a idéia veio a partir de um trabalho de consultoria junto ao Sebrae, em que se verificou que o babaçu está sendo comercializado inteiro, para alimentar o fogo das cerâmicas, deixando de ser aproveitado economicamente por comunidades da região.

Erisvaldo diz que apenas 7% do babaçu é o amêndoa (endocarpo). Vem também o amido (mesocarpo), 25%, e a fibra, que corresponde a 55%. A preocupação maior era possibilitar uma maneira para que esse produto, desperdiçado pela maneira rudimentar de exploração, fosse melhor aproveitado. O pensamento inicial foi desenvolver tecnologia apropriada para o corte do babaçu. Junto com a forma de corte, há o aproveitamento até estético, para a confecção de brincos, colares, cinto e jogo americano, a exemplo do trabalho artesanal desenvolvido pelas mulheres no Sítio Macaúba, em Barbalha, por meio de uma integração promovida por associação local.

Nas Guaribas, no Crato, mais de 20 famílias são beneficiadas com agroindústria, na comunidade de Campo Alegre. Mais uma agroindústria está sendo instalada em comunidade da Batateira. Em Barbalha, a comunidade do Sítio Correntinho, tem a tradição de extração do óleo, utilizando na cozinha e na produção de sabão. O resultado comercial desse trabalho fica na própria região, mas há possibilidade de expansão, diz Erisvaldo, a partir dos projetos desenvolvidos junto às comunidades a expansão das agroindústrias.

As máquinas possibilitam o corte do coco e retirada de todo o material aproveitável, como a amêndoa, o amido e a fibra, e há outra apropriada para a prensa da amêndoa e extração do óleo. O coordenador cita a boa aceitação da tecnologia criada na região, já que no Estado há muitas áreas com palmeirais. Em Marabá e no Pará a implantação das novas tecnologias de extrativismo será feita por meio da Ematerce.

O babaçu não é considerada planta medicinal, como o pequi, por exemplo. Esta pode ser uma das razões para que não haja um despertar para maiores pesquisas sobre a planta, de acordo com Erisvaldo. “O óleo babaçu é mais comestível, não tem propriedades medicinais estudadas”, diz ele, ao acrescentar a importância econômica para as comunidades do entorno da Chapada do Araripe.

Os palmeirais normalmente se formam em áreas que já foram devastadas. Nesses locais há o predomínio dessas árvores. Na área urbana do município do Crato, há um local denominado pela população de palmeiral, que dá um diferencial a paisagem do município, além de arborizar a cidade. Atualmente, conforme dados da Fundação, estão preservados cerca de seis hectares de área com babaçuais. Isso, de acordo com Erisvaldo, corresponde a 60% do que restou das palmeiras de babaçu.

Somente nos municípios de Missão Velha, Jardim, Barbalha e Crato, são cerca de 2 mil famílias sobrevivendo a partir da extração do babaçu. E a conservação da exploração economicamente sustentável dessas famílias é uma das grandes preocupações da entidade.

A idéia de incentivar a criação dos projetos de lei municipal é justamente garantir que o coco seja aproveitado e tenha o seu papel social, além de ser impedida a derrubada das árvores. A Fundação também dá continuidade ao aprimoramento do maquinário, possibilitando mais tecnologia. A unidade a ser criada na Batateira funcionará como ponto de referência para intercâmbio tecnológico. A produção do maquinário para entidade foi iniciada por Gilberto Batista.

Elizângela Santos
Repórter

Mais informações:
Fundação Mussambê
Av. Ailton Gomes, 2999,
Bloco B - Pirajá
Juazeiro do Norte-CE
Fone/Fax: (88) 3571.6018 / (88) 8815.0730
Site: http://www.mussambe.org.br


DIGNIDADE
"Esse trabalho faz com que o babaçu seja aproveitado de forma mais digna pelas comunidades"
Erisvaldo Figueredo - Coord. da Fundação Mussambê

Fonte: Jornal Diário do Nordeste - Caderno Regional
http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=657234




As mulheres do Cariri trabalham com a extração do óleo da amêndoa do babaçu, gerando emprego e renda
O trabalho com o artesanato, a partir do babaçu, também é comum na região, a exemplo da produção realizada pelas mulheres no Sítio Macaúba, em Barbalha


IMPORTÂNCIA DO BABAÇU
Atividade voltada às famílias

Crato.
Este município é o mais recente na criação da lei que dispõe sobre a proibição da queima, derrubada e do uso predatório das palmeiras do coco babaçu na região, de autoria da vereadora do Partido do Trabalhadores (PT), Mara Guedes. Ela chama a atenção, principalmente, para o trabalho desenvolvido pelas mulheres nas comunidades locais, de larga importância econômica voltada às famílias.

Segundo Mara, o objetivo maior é o de preservar um bem vegetal tão importante para os extrativistas, sem a utilização predatória. “Se retirar uma palmeira, planta-se outra”, ressalta. Ela diz que no Cariri, dos seis mil hectares de babaçuais existentes, 1.500 hectares já foram destruídos por algumas pessoas. “Isso, ao invés de subirem na palmeira para fazer a poda da palha para coberta de casas e fabricação de produtos artesanais, cortam a palmeira criminosamente e isto vem colocando nossos cocais na linha de extinção”, destaca a vereadora. Uma palmeira precisa entre 10 e 12 anos para chegar à vida adulta.

Outro aspecto considerado preocupante pela vereadora é que, devido aos órgãos ambientais terem intensificado a fiscalização na extração irregular de lenha nas matas, diversas indústrias de calçados, padarias, cimento e cerâmicas da região do Cariri, passaram a usar em seus fornos a queima do coco babaçu como fontes alternativas de energia, prejudicando centenas de comunidades extrativistas que viviam da extração do coco como complemento da renda familiar.

Proibição

O projeto de lei não proíbe o corte da palha e nem a colheita do coco, mas, sim, a queima indiscriminada desse fruto onde nas amêndoas, casca, mesocarpo e epicarpo estão concentrados os mais de 60 subprodutos como o óleo, farinha, amido, fibras, fertilizantes e etanol.

O engenheiro de produção da Fundação Muçambê, onde já tem um trabalho sobre o tema, Daniel Walker Júnior, disse que é oportuna a iniciativa da vereadora cratense, pois “nossos babaçuais estão ameaçados de extinção”. O Ceará, em 2002, produzia seis mil toneladas/ano de amêndoas e hoje esta produção foi reduzida significativamente devido a derrubada das palmeiras e queima das áreas de plantio.

O chefe do escritório do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais (Ibama) no Cariri, Francisco Sales da Silva, elogiou a aprovação da lei e disse que não tem havido fiscalização na exploração do coco babaçu na região, por falta de um instrumento jurídico. A Constituição Federal de 1988 manda que cada município cuide de seu meio ambiente e que a devastação dos babaçuais no Cariri tem prejudicado o ecossistema e ocasionado desequilíbrio ecológico.

Mara destaca o trabalho histórico das mulheres com o babaçu. O projeto possibilita explorar, mas com a garantia da existência das palmeiras. Ela diz que para retirar o cacho dos babaçus, não há necessidade de derrubar a árvore.

ELIZÂNGELA SANTOS
Repórter

TRABALHO
"Importante destacar o trabalho desenvolvido pelas mulheres e a viabilidade econômica"
Mara Guedes - Vereadora

SAIBA MAIS:

Origem
Nome popular: baguaçu; coco-de-macaco. Nome científico: Orrbignya speciosa (Mart.) Barb. Rodr. Família botânica: Palmae. Origem: Brasil - Região amazônica e Mata Atlântica na Bahia

Características
Palmeira elegante que pode atingir até 20m de altura. Estipe característico por apresentar restos das folhas velhas que já caíram em seu ápice. Folhas com até 8m de comprimento, arqueadas. Flores creme-amareladas, aglomeradas em longos cachos. Cada palmeira pode apresentar até 6 cachos

Representatividade
O babaçu é uma das mais importantes representantes das palmeiras brasileiras

Fonte: Jornal Diário do Nordeste - Caderno Regional