sábado, 25 de fevereiro de 2012

6º Fórum Mundial da Água

O Fórum Mundial da Água, o maior evento global em material hídrica, foi eleito pela ONU-Agua como o lugar natural para o lançamento do Informe Mundial sobre o Desenvolvimento dos Recursos Hídricos (WWDR, sigla em inglês). A apresentação do WWDR é um evento destacado do Fórum e representa a maior colaboração de organismos e entidades associadas de todo o sistema das Nações Unidas. A cerimônia contará com as intervenções de conferencistas de alto nível e uma apresentação das conclusões do informe a cargo de Olcay Ünver, o Coordenador do Fórum. 

O 6º Fórum Mundial da Água será celebrado no Parque Chanot, de Marselha (França). O Parque Chanot tem uma extensão de 170.000 metros quadrados e conta com um centro de convenções e um centro de exposições.

Até agora mais de 1.000 sugestões vindas de mais de 120 países já estão na plataforma de soluções online (solutionsforwater.org), mostrando a grande mobilização de atores e comunidades para melhorar o acesso ao saneamento. 

Na expectativa de representações de180 países, o Fórum terá mais de 800 horas de intercâmbios e debates, mais de 300 sessões dedicadas a soluções se mais de 100 conferências paralelas e 140 apresentações de projetos. 

Organizado de 12 a 17 de março de 2012 em Marselha, o 6º Fórum Mundial da Água será um evento de grande destaque na agenda política e ambiental internacional. Concebido para ser o Fórum das Soluções, a 6ª edição do Fórum Mundial da Água tem a ambição de fazer emergir soluções concretas em matéria de acesso à água e saneamento, especialmente por meio do compartilhamento de soluções entre todos os protagonistas


http://www.aguaonline.com.br/materias.php?id=3423&cid=3&edicao=529

Programa Brasil Sem Miséria no Semiárido


14/02/2012 06h25 - Atualizado em 14/02/2012 10h34

Governo libera verba do Programa Brasil Sem Miséria ao semiárido


Objetivo é ajudar agricultores em situação de extrema pobreza no sertão. Recursos devem beneficiar 1.138 agricultores familiares em 56 municípios.


Do Globo Rural


O governo deve anunciar nesta terça-feira (14), em Brasília, a liberação da primeira parcela dos recursos do Programa Brasil Sem Miséria para a região do semiárido.

O objetivo do programa é ajudar os agricultores familiares em situação de extrema pobreza no sertão. O importante é que não se trata de empréstimo, mas de uma doação. Para participar, o produtor precisa apresentar um projeto de utilização dos recursos para a compra de equipamentos e insumos.

A verba deve beneficiar 1.138 agricultores familiares em 56 municípios. Cada agricultor deve receber R$ 2,4 mil. A primeira parcela, que será liberada nesta terça-feira (14), é de mil reais. A segunda e a terceira parcelas serão de R$ 700,00 cada em intervalos de seis meses.

Em janeiro, outras 685 famílias de 72 municípios já haviam recebido a primeira parcela do benefício. O programa é coordenado pelo Ministérios do Desenvolvimento Social e do Desenvolvimento Agrário.


UBUNTU: SER EM COMUNIDADE


Ubuntu, uma “alternativa ecopolítica” à globalização econômica neoliberal

A ética do ubuntu se pronuncia contra uma interpretação ideológica capitalista da realidade. Sua filosofia nativa espiritual está em maior consonância com a Terra, suas criaturas e suas formas vivas, afirma a educadora sul-africana Dalene Swanson

Por: Por Moisés Sbardelotto | Tradução Luís Marcos Sander



Professora adjunta da University of British Columbia, em Vancouver, e de Alberta, em Edmonton, ambas no Canadá, Dalene encontra no ubuntu uma das formas de “humanismo africano”. Mas, diferentemente da filosofia ocidental derivada do racionalismo iluminista, “o ubuntu não coloca o indivíduo no centro de uma concepção de ser humano”: “A pessoa só é humana – explica – por meio de sua pertença a um coletivo humano; a humanidade de uma pessoa é definida por meio de sua humanidade para com os outros”.

O ubuntu, afirma Dalene, “é uma expressão viva de uma alternativa ecopolítica” e também “a antítese do materialismo capitalista”. Mas hoje, diz, a industrialização, a urbanização e a globalização crescentes ameaçam corromper esse modo de ser africano tradicional, pois o ubuntu se posiciona “contra essa interpretação ideológica da realidade por meio de uma filosofia nativa espiritual que está em maior consonância com a Terra, suas criaturas e suas formas vivas, e isso diz respeito a toda a humanidade em toda parte”.

Dalene Swanson é professora adjunta da Faculdade de Educação das University of British Columbia, em Vancouver, e de Alberta, em Edmonton, Canadá. Nascida na África do Sul, é membro associada do Centre for Culture, Identity and Education da University of British Columbia. É doutora em Educação pela University of British Columbia, com a pesquisa Voices in the Silence: Narratives of disadvantage, social context and school mathematics in post-apartheid South Africa. Sua tese lhe garantiu diversos prêmios de excelência, dentre eles o Canadian Association of Curriculum Studies Award de 2005; o prêmio Ted T. Aoki, do mesmo ano; e o American Educational Research Association Award de 2006. Dentre outras publicações, é autora do capítulo Where have all the fishes gone?: Living ubuntu as an ethics of research and pedagogical engagement, do livro In the Spirit of ubuntu: Stories of Teaching and Research [No espírito do ubuntu: Histórias de ensino e pesquisa] (Sense Publications, 2009).

Confira a entrevista.




IHU On-Line – Fala-se do ubuntu como uma noção filosófica, um conceito abstrato, um fundamento ético ou uma ideologia nacionalista africana. Afinal, o que é ubuntu?

Dalene Swanson – Ubuntu é um sistema de crenças, uma epistemologia, uma ética coletiva e uma filosofia humanista espiritual do sul da África. Dentre as quatro categorias que você menciona na pergunta, o ubuntu é mais um fundamento ético coletivo (ou um sistema de crenças) do que qualquer outra coisa, embora também seja considerado uma forma de filosofia e epistemologia africanas nativas. É uma forma ética de conhecer e de ser em comunidade. Nesse sentido, é uma forma de humanismo africano. É muito menos um conceito abstrato do que uma expressão coletiva cotidiana de experiências vividas, centradas em uma ética comunitária do que significa ser humano.

Em Swanson (2007) , eu o descrevi da seguinte maneira: “Ubuntu é uma abreviação de um provérbio isiXhosa da África do Sul, proveniente de Umuntu ngumuntu ngabantu: uma pessoa é uma pessoa por meio de seu relacionamento com outros. O ubuntu é reconhecido como a filosofia africana do humanismo, ligando o indivíduo ao coletivo através da ‘fraternidade’ ou da ‘sororidade’. Ele dá uma contribuição fundamental às ‘formas nativas de conhecer e ser’. Com ênfases históricas diversificadas e (re) contextualizações ao longo do tempo e do espaço, é considerado uma forma espiritual de ser no contexto sociopolítico mais amplo do sul da África. Essa abordagem não é apenas uma expressão de uma filosofia espiritual em seu sentido teológico e teórico, mas uma expressão da vivência cotidiana. Isto é, uma forma de conhecimento que fomenta uma jornada rumo a ‘tornar-se humano’ (VANIER, 1998)  ou ‘que nos torna humanos’ (TUTU, 1999) , ou, em seu sentido coletivo, uma maior humanidade que transcende a alteridade de todas as formas” (p. 55).



IHU On-Line – Sendo o ubuntu, portanto, uma filosofia do humanismo africano, qual o significado e o valor do ser humano dentro desse contexto?

Dalene Swanson – Diferentemente da filosofia ocidental derivada do racionalismo iluminista, o ubuntu não coloca o indivíduo no centro de uma concepção de ser humano. Este é todo o sentido do ubuntu e do humanismo africano. A pessoa só é humana por meio de sua pertença a um coletivo humano; a humanidade de uma pessoa é definida por meio de sua humanidade para com os outros; uma pessoa existe por meio da existência dos outros em relação inextricável consigo mesma, mas o valor de sua humanidade está diretamente relacionado à forma como ela apoia ativamente a humanidade e a dignidade dos outros; a humanidade de uma pessoa é definida por seu compromisso ético com sua irmã e seu irmão.



IHU On-Line – Quais são as origens culturais e históricas do ubuntu?

Dalene Swanson – O ubuntu tem sido uma expressão vivida de uma filosofia coletiva ética entre os povos sul-africanos há séculos. Ele também tem expressões linguísticas e vividas em outros povos africanos mais ao norte. Nesse sentido, é uma das normas culturais mais poderosas e universais que vinculam as pessoas em todo o continente e transcende línguas, tribos e locais como uma ética humana coletiva.
Em Swanson (2007), afirmei: “Da forma como cheguei a entender o conceito, o ubuntu nasce da filosofia de que a força da comunidade vem do apoio comunitário e de que a dignidade e a identidade são alcançadas por meio do mutualismo, da empatia, da generosidade e do compromisso comunitário. O adágio de que “é preciso uma aldeia inteira para criar uma criança” está alinhado com o espírito e a intenção do ubuntu. Assim como o apartheid ameaçava corroer esse modo de ser africano tradicional – embora, em alguns casos, ele ironicamente o fortaleceu ao galvanizar o apoio coletivo e ao criar solidariedade entre os oprimidos –, da mesma forma a industrialização, a urbanização e a globalização crescentes ameaçam fazer o mesmo (p. 53-54)”.



IHU On-Line – Quais aspectos o ubuntu pode ajudar a aprofundar na ética ocidental? O que ele pode ensinar a outras tradições e culturas?

Dalene Swanson – Este é um ponto crucial. Vivemos em uma era de globalização econômica neoliberal profundamente perturbadora. Nossas pautas de desenvolvimento foram sequestradas por esse modelo econômico que se apresenta como a forma “certa” ou única de promover o desenvolvimento. Moldado por relações capitalistas de produção, esse modelo é subscrito pelo materialismo, pelo individualismo e pela competição, e normaliza uma elite rica sobre os pobres privados de direitos (em que a raça, a classe, a nacionalidade, o gênero, a etnia e o credo estão, na maioria das vezes, envolvidos diferencialmente). Para maximizar os lucros, pensa-se que algo tem de ser explorado. Em termos geopolíticos, isso assume a forma de uma subclasse humana, mas, em termos ecológicos, também inclui a devastação do meio ambiente em sua esteira. O discurso prevalecente apoiaria isso como um direito e uma exigência necessária da segurança econômica nacional.

Uma ética do ubuntu se pronunciaria contra essa interpretação ideológica da realidade por meio de uma filosofia nativa espiritual que está em maior consonância com a Terra, suas criaturas e suas formas vivas, e isso diz respeito a toda a humanidade em toda parte. Visto que o princípio central do ubuntu é o respeito mútuo, ele está em consonância com a epistemologia africana de modo mais geral, que é circular em sua compreensão e, consequentemente, está mais em harmonia ecológica com a Terra do que a epistemologia do racionalismo ocidental, que é linear, exploradora e insustentável. Portanto, o ubuntu tem uma contribuição crítica a dar não só para uma filosofia nativa interconectada globalmente, mas como uma abordagem contra-hegemônica a uma cosmovisão globalizante que exalta a riqueza material às custas da dignidade humana e da sustentabilidade ecológica. 

Discursivamente, a globalização econômica torna as alternativas não existentes. O ubuntu, como contribuição para uma filosofia nativa, é uma expressão viva de uma alternativa ecopolítica. Em um mundo crescentemente movido a vigilância, o futuro dos direitos humanos (e ecológicos), da dignidade humana e da sobrevivência de nosso planeta em termos amplos dependem de noções filosóficas e ideológicas nativas como o ubuntu.


IHU On-Line – Como a ética do ubuntu se relaciona com a noção africana de comunidade, autonomia e descolonização?

Dalene Swanson – O ubuntu é central para uma noção de comunidade, não em um sentido simplista de “comunitarismo primitivo”, mas comunidade em termos de solidariedade com os estão sendo oprimidos e cuidado e preocupação sinceros pelo próximo, independentemente de classe, casta, credo ou circunstância. Essa é uma ética de responsabilidade pelo “Outro” em termos de ubuntu, e testemunhar ou participar da diminuição da humanidade do outro equivale à diminuição de sua própria humanidade.

Você menciona a palavra “autonomia”. Não creio que este seja um critério crucial do ubuntu. A autonomia sugere uma separação de alguma outra coisa. Se nós respeitamos a humanidade do outro, de qualquer outro, não podemos estar separados de sua humanidade. O ubuntu sugere que nós estamos sempre inextricavelmente conectados com outro ser humano – todos os outros seres humanos, que definem a nossa própria humanidade. Suponho que você considere que a “autonomia” entre em jogo no sentido de sugerir solidariedade. Sim, o ubuntu teve certa importância na solidariedade antiapartheid na África do Sul. Ser solidário com outro ser oprimido, nesse sentido, constituiria um envolvimento com o ubuntu. E, como extrapolação disso, ele tem muito a ver com a descolonização. Dessa forma, sua importância para com a descolonização não tem tanto a ver com a resistência a um poder colonial em uma frente nacional, como tem sido o legado da África, mas agora também a novas formas de colonialismo através da globalização econômica neoliberal e uma agenda de desenvolvimento cuja estrutura ideológica é definida dentro dos moldes político-econômicos dos poderes imperiais.



Creio que é preciso ser cuidadoso para não homogeneizar “a sociedade africana” e falar dela inteiramente em termos de “déficit”. Nem toda a sociedade africana é marcada por “violência e pobreza”. Essa terminologia também sugere que as sociedades não africanas talvez não sejam marcadas por violência e pobreza, ou o sejam menos. Há muita violência na América do Norte, por exemplo. A natureza e a extensão podem ser diferentes, mas o capitalismo pode ser uma ideologia muito violenta. Embora uma parte dessa violência talvez seja simbólica, ela é, não obstante, altamente destrutiva e cúmplice na negação da dignidade e dos direitos de muitos.

A África também tem muito a se orgulhar em termos de sua beleza e presença, mas também da beleza, resiliência, compaixão e humanidade de muitos de seus povos. Além disso, há muitas profundas contribuições e inovações epistemológicas históricas e contemporâneas que vieram e que estão vindo da África. Em muitos casos, ela também ostenta sofisticação e criatividade industrial e tecnológica, embora isso raramente seja reconhecido através das lentes dos poderes dominantes e dos discursos hegemônicos.

Não obstante, voltando à sua pergunta, segue-se o que escrevi em Swanson (2007), a respeito do papel do ubuntu na Comissão de Verdade e Reconciliação na África do Sul pós-apartheid: “O ganhador do prêmio Nobel, o arcebispo Desmond Mpilo Tutu , que, em 1995, tornou-se o presidente da Comissão de Verdade e Reconciliação na África do Sul pós-apartheid, era um vigoroso defensor da filosofia e do poder espiritual do ubuntu na recuperação da ‘verdade’ por meio de narrativas das atrocidades da era do apartheid. Ele também o viu como necessário nos processos mais importantes e subsequentes de perdão, reconciliação, transcendência e cura que surgem por meio do processo catártico de dizer a verdade. Nesse sentido, o alcance das noções de ‘verdade’ com relação ao mandato da Comissão de Verdade e Reconciliação superava uma noção forense de ‘descoberta da verdade’ para incluir três outras noções de busca da verdade que abrangiam a verdade pessoal ou narrativa, a verdade social ou dialógica e a verdade curativa ou restauradora (MARX, 2002, p. 51) . Uma percepção da epistemologia africana ressoa por essas postulações da ‘verdade’ em sua formulação e exposição. Como linha filosófica da epistemologia africana, o ubuntu foca as relações humanas, atentando para a consciência moral e espiritual do que significa ser humano e estar em relação com um Outro. Isso se expressa no anúncio da Comissão de que ele ‘desloca o foco primordial do crime, passando da violação das leis ou infrações contra um Estado sem rosto para uma percepção do crime como violações contra seres humanos, como dano ou mal feito a outra pessoa’ (apud Marx, 2002, p. 51). Mais uma vez, o imperativo da busca da verdade por parte da Comissão é sustentado por uma concepção da epistemologia africana e do ubuntu em sua incorporação da verdade pessoal ou narrativa, da verdade social ou dialógica e da verdade curativa ou restauradora (p. 53)”.




IHU On-Line – A senhora define o ubuntu como “humble togetherness”, intimidade humilde, estar juntos em humildade. Qual o significado dessa definição para a relação entre o indivíduo e a sociedade em geral?

Dalene Swanson – Cunhei o termo “humble togetherness” para exemplificar como o ubuntu atua não através de relações de poder, em que uma pessoa é superior a outra e mostra compaixão ou oferece ajuda de forma patriarcal ou paternalista, mas através do ato de se tornar humilde diante de outra pessoa, de ver o outro como uma pessoa igual, que contribui e é digna, que tem uma presença na qual nossa própria humanidade se reflete. 

Trata-se de uma conexidade abnegada, voltada para fora, para o bem-estar de outra pessoa e o seu reconhecimento como pessoa. É uma forma de mutualismo em que o orgulho de si mesmo depende inteiramente de se sustentar a dignidade do outro ou da comunidade. Falei sobre como o ubuntu sustenta uma metodologia de pesquisa mais reflexiva por meio de um conceito de “estar juntos em humildade” e sobre como ela contribui para uma pedagogia e prática da educação e da vida em alguns de meus artigos e capítulos de livros, particularmente em Swanson (2007), (2009a)  e (2009b) .


IHU On-Line – Em que aspectos o ubuntu ajudou a forjar a sociedade, a política e a economia sul-africanas? Onde ainda é preciso melhorar?

Dalene Swanson – Toquei em algumas dessas questões ao fazer referência à Comissão de Verdade e Reconciliação. O ubuntu também tem sido usado em nível de governo para incentivar a formação da nação, curar as cicatrizes do apartheid e a desconfiança entre as raças que aquele regime engendrou. Embora isso tenha sido até certo ponto bem-sucedido em uma frente, o problema é que foi implementado de cima para baixo, não sendo uma abordagem organizacional crescente que parte das bases. Os limites dessa abordagem podem ser vistos nas poucas semanas de violência xenófoba do ano passado contra refugiados e imigrantes de outros países africanos que vivem e trabalham na África do Sul.

Nesse contexto, o ubuntu parecia se aplicar apenas aos companheiros “sul-africanos” dentro da “nação do arco-íris” e não aos “estrangeiros” – um sinal de uma formação de nação que deu muito errado. Pode-se sustentar que, no primeiro caso, há uma discordância entre as bases filosóficas do ubuntu que promovem a fraternidade e a sororidade universais, extensivas a toda a humanidade, e o conceito de uma “nação” que invoca fronteiras e diferencia as pessoas (e sua humanidade) de acordo com a cidadania, garantindo direitos a alguns e não a outros. Eu discuto esse problema com maior profundidade em Swanson (2007).
Outro aspecto que pode ser destacado é que o ubuntu assinala a antítese do materialismo capitalista. Com o advento contínuo da globalização econômica e mediante a adesão a um modelo de desenvolvimento moldado pelo capitalismo, a África do Sul vem se tornando cada vez mais materialista, de tal modo que o abismo que separa “os que têm” e “os que não têm” aumentou consideravelmente, mesmo que as configurações raciais dessa hierarquia tenham mudado até certo ponto. Isso representa uma ameaça para o ubuntu. Poder-se-ia sustentar que é somente por meio da força do ubuntu e de um conjunto coletivo de valores e de responsabilidades que honrem a humanidade, a dignidade e os direitos igualitários dos outros que o status quo poderia ser superado – talvez uma nova luta pela libertação.



IHU On-Line – Qual a relação entre o ubuntu e a transcendência, em sentido teológico?

Dalene Swanson – Acho que se pode ver isso na forma como o arcebispo Desmond Tutu deu ao ubuntu uma interpretação especificamente teológica quando presidiu a Comissão de Verdade e Reconciliação . Empregado como um fórum espiritual para a recuperação da verdade e para fomentar as condições para o arrependimento e o perdão, o ubuntu foi mesclado com o cristianismo (com o qual estaria estreitamente aliado em termos dos princípios cristãos autossacrificadores do “ama teu próximo como a ti mesmo”) para levar a efeito um ethos para a reconciliação e a transcendência.

Isso não era incomum, pois, em boa parte do contexto africano, a filosofia espiritual africana está integrada ou é compatibilizada com a ética cristã. No fim das contas, entretanto, lealdades e alianças são uma questão de interpretação. O ubuntu continua sendo essencialmente uma filosofia viva que é praticada nas vidas de pessoas comuns em uma miríade de contextos em todo o continente, mostrando ‘humanitariedade’, solidariedade, compaixão e uma sabedoria espiritual coletiva que oferece dignidade, respeito e humanidade em sua expressão.




OUTROS TEXTOS DA MESMA REVISTA SOBRE O TEMA:

Ser por meio dos outros: o ubuntu como cuidado e partilha

Para o ethos do ubuntu, uma pessoa não só é uma pessoa por meio de outras pessoas, mas também por meio de todos os seres do universo. Cuidar “do outro”, portanto, também implica o cuidado para com a natureza (o meio ambiente) e os seres não humanos, afirma o filósofo e psicólogo sul-africano Dirk Louw

Por: Por Moisés Sbardelotto | Tradução Luís Marcos Sander


A importância vital do “Nós”

Segundo o filósofo sul-africano Mogobe Ramose, para a filosofia ubuntu, “a comunidade é lógica e historicamente anterior ao indivíduo” e por isso tem a primazia sobre este. Essa comunidade, explica, é uma “entidade dinâmica” entre três esferas: a dos vivos, a dos mortos-vivos e a dos ainda não nascidos

Por: Por Moisés Sbardelotto | Tradução Luís Marcos Sander


“O ubuntu é ‘liberdade indivisível’”

Para me envolver com o Outro como sujeito, como indivíduo livre como eu mesmo, como outro ser humano, eu também tenho de me tornar sujeito, reconhecendo nossa sujeição comum à história, à contingência e ao destino, explica o teólogo norte-americano Charles Haws

Por: Por Moisés Sbardelotto | Tradução Luís Marcos Sander


“Eu só existo porque nós existimos”: a ética Ubuntu

Para o teólogo congolês e doutor em sociologia Bas’Ilele Malomalo, toda existência é sagrada para os africanos, ou seja, há um pouco do divino em tudo o que existe. Por isso, “o Ubuntu retrata a cosmovisão do mundo negro-africano”


As relações entre o “eu” e o “outro”: o ubuntu como prática ética da singularidade

No ubuntu, fazer justiça a alguém tem a ver com cuidar da sua singularidade como uma pessoa única, explica a filósofa e advogada norte-americana Drucilla Cornell. Por isso, o ubuntu pode ser extremamente útil para as feministas ou demais grupos de direitos humanos

Por: Por Moisés Sbardelotto | Tradução Luís Marcos Sander


domingo, 19 de fevereiro de 2012

Ecofeminismo


Ecofeminismo é colocar a vida no centro da organização social, política e econômica, afirma Vandana Shiva


17-02-2012





Vandana Shiva é uma mulher multifacetada: física, filósofa, pacifista e feminista. É uma das pioneiras do movimento ecofeminista e diretora da Fundação para a Pesquisa em Ciência, Tecnologia e Ecologia (Research Foundation for Science, Technology and Ecology, em inglês) em Nova Déli. Em 1993, recebeu o Prêmio Nobel Alternativo. É uma das vozes mais críticas contra a globalização e os alimentos manipulados geneticamente. A reportagem é de Mercé Rivas Torres, publicada no sítio Periodismo Humano, 17-02-2012. A tradução é do Cepat.
Para Vandana, “o ecofeminismo é colocar a vida no centro da organização social, política e econômica. As mulheres já a fazem porque é deixada para elas a tarefa do cuidado e da manutenção da vida.”. “O ecofeminismo, como seu nome indica, é a convergência da ecologia e do feminismo, explica didaticamente Vandana Shiva, que ficou famosa, nos anos 1970, ao impedir em seu país o corte indiscriminado das florestas, abraçando as árvores como milhares de mulheres, criando o movimento chipko.
Detentora de uma grande força vital e intelectual, Vandana explica a importância da ecologia e do feminismo para garantir a sobrevivência e a igualdade entre homens e mulheres que formam parte da mesma espécie. Essa mulher otimista foi capaz de mobilizar cinco milhões de camponeses da Índia contra a União Geral de Tarifas do Comércio e de colocar-se na liderança da grande mobilização contra a globalização na cúpula realizada pela Organização Mundial do Comércio (OMC), em Seattle, no final de 1999.
“Penso que a ação e a reflexão devem caminhar juntas. Não existe uma ideologia perfeita, é simplesmente uma política de responsabilidade. A diversidade não é o problema, é a solução para as crises políticas da intolerância, as crises ecológicas da não sustentabilidade e as econômicas da exclusão e da injustiça”, segue afirmando com uma grande convicção.
Vandana acredita que o capitalismo tem sido apresentado como um modo de crescimento “mas na realidade é um modo de pobreza e de alguma forma a globalização é o clímax do capitalismo”, reflete Vandana em voz alta.
Grande comunicadora, sempre sorridente, ela afirma que vem de uma região do norte da Índia, aos pés do Himalaia, local em que há muitas coisas para os que não necessitam de dinheiro, só de amor mútuo. “Portanto, as relações são a alternativa ao capital. Criar relações é a alternativa para a pobreza que causa o capital”, conclui.
Autora de numerosos livros, e muito crítica com a consideração de seu país é uma potência emergente: “O modelo econômico da Índia é uma catástrofe porque só funciona para um punhado de pessoas, enquanto são milhões os que comem pouco e possuem pouca água”. E, frente à admiração pelo crescimento da economia indiana, que no ano passado foi de 9%, denuncia: “O que muitos consideram um milagre econômico é um desastre, sobretudo porque virou-se as costas para a natureza, aos seus processos ecológicos e aos ecossistemas vitais”.
Por trás de um colorido sári, que diz não pensar em renunciar nunca, já que para ela é um sinal de identidade, e “muito mais propício que um jeans”, Vandana Shiva é um furacão que sacode as consciências por onde passa. É capaz de enfrentar as grandes corporações internacionais, que ela acusa por criminalizar a agricultura, apropriar-se dos recursos básicos e espoliar a terra.
Mulher vital, valente, incansável em suas denúncias, é uma firme defensora da agricultura orgânica como a verdadeira solução para a mudança climática e acredita na necessidade urgente de se reflorestar o planeta.
Fica indignada ao falar de milhares de pessoas que comem pouco e que possuem pouca água para beber, “muitas comunidades se veem obrigadas a abandonarem suas terras para que outra fábrica possa instalar-se e milhares de agricultores estão lutando nos arredores de Nova Déli contra os projetos de conversão de suas terras de cultivo em áreas urbanas, destaca.
Vandana denuncia que a economia não leva em conta os números-chave, “como o número de crianças que sofrem desnutrição ou os quilômetros que uma mulher tem que andar para conseguir água”. Sente-se muito identificada com o líder Mahatma Gandhi quando afirmava que os recursos naturais devem ser de domínio público, razão pela qual a água não pode ser privatizada nem a terra monopolizada.
Esta filósofa, reconhecida mundialmente, considera que “a igualdade pode significar dois tipos de coisas, por um lado o parecer-se, ser similar, ou pode significar diversidade sem discriminação. Eu acredito nesta última definição. Quero ter a possibilidade de ser hindu, não quero converter-me numa europeia. Eu quero ser e quero espaço para ser hindu. Eu quero ser mulher, não quero tornar-me um homem, não quero poder ser violenta, como minha segunda natureza, não quero ser irresponsável, não quero assumir que outra pessoa tenha que arrumar a desordem que deixo, eu tenho que arrumar a desordem que creio”. Portanto, resume com firmeza, “eu quero a liberdade para ser diferente, mas não quero ser castigada por isso. Para mim isso é a igualdade”.
Lúcida, revolucionária, enérgica e carismática, é consciente das críticas e rejeição que suas opiniões despertam. Afirma que “o patriarcado capitalista dominante é uma ideologia baseada no medo e na insegurança. Medo de tudo o que está vivo, já que qualquer liberdade e autonomia são ameaçadoras para eles”. Por isso, defende com unhas e dentes seu ecofeminismo, “que é a filosofia da segurança, da paz, da confiança”.
Talvez um de seus posicionamentos mais duros seja contra o Banco Mundial, porque ele forçou o Governo da Índia a reduzir subsídios que possibilitavam o funcionamento na distribuição de alimentos. “Eles chamam de subsídios, mas na realidade eram suportes. É necessário gastar para manter os direitos fundamentais de nossa gente. E o Banco Mundial disse: ‘Não se pode gastar esse dinheiro para alimentar as pessoas’. E aí a crise alimentar”.
Em consequência dessa política, “as pessoas deixaram de comprar comida e começaram a morrer de fome. Estão a ponto de morrer de fome 50 milhões de pessoas, enquanto 60 milhões de toneladas de alimentos apodrecem nos celeiros. Entretanto, as 60 milhões de toneladas não são excedentes, eu as chamo de pseudo-excedentes e atualmente estão sendo exportados para o mercado mundial, dizendo que Índia possui tanto alimento que pode exportar. O que eles não dizem é que nós temos esse tanto de alimento porque as pessoas estão morrendo de fome”, explana com indignação.
Ela assegura que os hindus veem o que está acontecendo e protestam muito, seguem sonhando com uma biodiversidade livre, que pertença aos camponeses, em que a água seja acessível, como também a comida. “É muito simples criar o sistema”, considera de forma otimista Vandana, “mas está sendo impedido pelas políticas que nos governam em nível internacional e este é o motivo pelo qual, cada dia de minha vida, insisto que temos que parar de cooperar com essas políticas”.
Com o rosto nostálgico recorda-se de Gandhi, quando caminhou até a praia para buscar sal enquanto os britânicos diziam que eles eram os únicos que podiam fazer sal, “para assim terem mais dinheiro para financiar maiores exércitos para disparar-nos”, conclui com um sorriso irônico.
http://www.ihu.unisinos.br/noticias/506679-ecofeminismo-e-colocar-a-vida-no-centro-da-organizacao-social-politica-e-economica-afirma-vandana-shiva

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Lançado livro "A questão da água no Nordeste", com a participação de alunos, professores, pesquisadores e parceiros do PRODER e do LEADERS (Campus da UFC no Cariri)

Olá Amigos,

Com alegria eu compartilho o lançamento do livro "A questão da água no Nordeste", edição coordenada pela Agência Nacional de Águas (ANA) e o Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE).

Eu, nossos alunos do Mestrado em Desenvolvimento Regional Sustentável, Yarley Brito e Édio Callou, nossa pesquisadora do LEADERS, Cristine Viana, e nosso parceiro da UnB, Prof. Marcel Bursztyn, assinamos o capítulo 8 do livro, "Recuperação ambiental e revitalização de bacias".

O livro está sendo traduzido para o inglês e será lançado em março na França, por ocasião do dia mundial da água.

Foi uma experiência importante para nosso grupo de pesquisa, o LEADERS, e para o PRODER. Tivemos a oportunidade de discutir com vários pesquisadores e autoridades que lidam com o assunto no Brasil. E a troca de ideias, além de muito produtiva, mostrou-nos que nós também temos muito a oferecer com nossa experiência.

Grande abraço,
Suely


A questão da água no Nordeste

CGEE | 2012

Este livro é fruto de trabalho colaborativo entre a Agência Nacional de Água (ANA) e o Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE), e visa colocar à disposição da sociedade brasileira uma série de informações sobre a dinâmica dos recursos hídricos no Nordeste, seus avanços, fragilidades e desafios, de forma a subsidiar análises e processos decisórios pertinentes. O livro destina-se a todos aqueles que têm interesse na questão da água no Semiárido e no desenvolvimento regional nordestino.

O trabalho teve início com uma série de debates em 2008 sobre "A Questão da Água no Nordeste", e contou com a participação de especialistas, técnicos de governos, tanto federal como estaduais, e também representantes de organizações da sociedade civil (os resultados encontram-se publicados em CD-Rom, e disponíveis em www.cgee.org.br e www.ana.gov.br). Numa segunda fase, com base nessas discussões, um grupo de especialistas elaborou Notas Técnicas sobre os principais temas considerados estratégicos - tais como clima, balanço hídrico, qualidade da água, gestão integrada de recursos hídricos e integração de bacias hidrográficas - que agora subsidiam os capítulos seguintes desta publicação.

A gestão das águas no Nordeste representa um desafio a ser enfrentado. É preciso que, tratando-se de fator escasso na Região, a água seja administrada de forma eficiente e eficaz. Assegurar que a água esteja disponível para as diferentes formas de consumo implica viabilizar investimentos de distintas naturezas e, sobretudo, gerenciar cuidadosamente sua oferta e o uso. Isso se torna mais complexo diante da realidade climática da Região e dos vários interesses que envolvem desde as instâncias de governo até as diversas categorias de usuários.

O desenvolvimento sustentável do Semiárido é uma questão estratégica para o país. Como elemento imprescindível ao desenvolvimento, a água precisa ser administrada de forma a permitir que os diversos usos ligados ao bem-estar da população e ao crescimento econômico sejam adequadamente atendidos.

Nesse quadro abrangente da questão dos recursos hídricos no Nordeste, os progressos realizados nos últimos anos em matéria de infraestrutura e de gestão integrada foram positivos, mas ainda há muito o que se fazer para aperfeiçoar o sistema de gestão e para enfrentar as ameaças advindas das mudanças climáticas.

Vicente Andreu Guillo
Presidente da ANA
Mariano Francisco Laplane
Presidente do CGEE



quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Bons ensinamentos para a sustentabilidade

7 coisas verdes que nossos avós faziam
Andrea Mieko
06/02/12


Observando como nossos avós e bisavós viviam, encontramos várias coisas verdes que nos inspiram a ter uma vida mais sustentável.  E sim, é claro que hoje os avanços tecnológicos e culturais já fazem parte do nosso dia a dia. Mas não custa nada retomar alguns hábitos simples que sempre fizeram uma grande diferença para o planeta.
Assim, com base no artigo publicado no Mother Nature Network, listamos abaixo sete lições que podemos aprender com os nossos antepassados que são fáceis de implementar mesmo no nosso estilo de vida moderno.

1. Nada de garrafas plásticas

É provável que seus avós não entendam o motivo pelo qual as pessoas compram água engarrafada se podem pegar direto da torneira. E eles devem ter razão. Segundo a Bottle Water Blues, 90% do custo da água em garrafa está na fabricação do rótulo, tampa e garrafa, que usam recursos derivados do petróleo. Mas se você precisa de mais argumentos pra abrir mão da sua garrafinha de água, veja o vídeo “A História da Água Engarrafada”, e descubra que nem sempre a água em garrafa tem melhor qualidade em relação à que chega filtrada na sua casa.

2. Ponha para secar no varal

Antes de inventarem a secadora de roupas, nossas avós simplesmente aproveitavam um dia ensolarado para pendurar as roupas no varal. Sem custo, sem manutenção, sem emissão de carbono. Mesmo que as secadoras tenham ficado mais eficientes ao longo dos anos, elas são responsáveis pela emissão de, em média, de 2 kg de carbono a cada lavagem.

3. Tenha sua própria horta

Hoje em dia é possível encontrar uma variedade de frutas, legumes e verduras em qualquer mercado da cidade. Mas, tempos atrás, era comum ter uma mini plantação em casa, para consumo próprio. Os benefícios de ter sua própria horta são muitos, mas se você optar por comprar apenas de produtores locais já vai ajudar a reduzir sua pegada de carbono relativa ao transporte de cargas.

4. Chove chuva

Aqui vai outra lição muito importante para aprender com nossos avós: chuva é de graça. E nós pagamos para usar água. Por que não coletar água da chuva e com isso economizar na conta de água? Já pensou que a água que você usa para lavar a varanda ou para o vaso sanitário passou por diversos processos de filtragem antes de chegar à sua casa? Depois que você começar a ver a água como um bem precioso, vai querer coletar cada gota de chuva que cai do céu!

5. Leve o almoço de casa

Comer fora era um evento ocasional para as gerações antigas, reservados para aniversários e comemorações. Hoje em dia, sair para almoçar e jantar ou pedir delivery se tornou um hábito frequente e não muito sustentável. Isso porque inevitavelmente consumimos embalagens que acabam indo para o lixo, sem falar no desperdício de comida, que não é raro. Por isso, sempre que for possível, procure levar o próprio almoço de casa para o trabalho. E, claro, em um recipiente reutilizável.

6. Hora da diversão

Quando nossos avós eram mais novos, jogos de carta e de tabuleiro eram uma forma popular de diversão. Comparado aos videogames de última geração, temos que admitir que eles se divertiam na mesma proporção, mas sem agredir ao meio ambiente ou comprometer o orçamento.

7. Compre menos

Toda vez que compra alguma coisa, você e o meio ambiente estão pagando mais do que apenas o custo real daquele produto. Há o custo da produção, da propaganda, do transporte, da manutenção e, inevitavelmente, o custo para mantê-lo à venda. A quantidade de coisas que nossos avós compraram não se compara ao que já compramos. Então, pense duas vezes antes de tirar a carteira do bolso para pagar alguma coisa. Aquilo é realmente necessário ou você já consegue vê-lo encostado em um canto ou no fundo do armário?