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domingo, 21 de agosto de 2011

Feira de Caruaru


mercado livre

Feira de Caruaru tem de tudo

Publicado em 14 de agosto de 2011 
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Milhares de barracas são armadas todas as terças-feiras para receber a feira da Sulanca, onde são comercializadas roupas de todos os tipos para clientes de toda a região nordestina 
CID BARBOSA
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As barracas de lanche são bastante numerosas e concorridas: ficam lotadas quase o dia todo
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A busca por bijuterias é muito grande, já que os preços são dos mais convidativos
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Na Sulanca (comércio de roupa), a procura pelo jeans, para revenda, é um dos principais atrativos 
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A clientela na Feira de Caruaru é formada de pessoas de todas as idades: as crianças preferem o departamento de importados. 
CID BARBOSA
O comércio é um dos mais tradicionais e populares do País e recebe clientela de toda a região nordestina
Caruaru (PE). "A Feira de Caruaru, faz gosto a gente vê. De tudo que há no mundo, nela tem pra vendê". Os versos do compositor caraurense Onildo Almeida são a síntese do que representa para os nordestinos essa autêntica realização popular. Não há qualquer exagero na afirmação de que ali tem de tudo. A música "Feira de Caruaru" foi composta e gravada por Onildo em 1956. No ano seguinte, ganhou repercussão nacional na voz de Luiz Gonzaga, o Rei do Baião.

No século XVIII, boiadeiros, tropeiros e mascates que percorriam o Estado de Pernambuco e pernoitavam na Fazenda Caruaru, impulsionaram o surgimento de um comércio de itens e serviços ligados ao gado, que se transformaria na feira. O comércio tomou tal dimensão que, no seu entorno, nasceu a cidade de Caruaru, a mais populosa do interior pernambucano, distante 130 quilômetros de Recife. A feira é reconhecida pelo Iphan como patrimônio cultural imaterial brasileiro desde 2006.

Localizada no Parque 18 de Maio - data da emancipação política da cidade - ocupa uma área de 43 hectares, sem contar com mais 15 hectares que são destinados para o estacionamento de ônibus, caminhões, vans e veículos particulares, que chegam todos os dias, de várias localidades do Nordeste.

Visitantes

A frequência impressiona. Em dias mais movimentados, chega a superar a faixa de 100 mil pessoas, conforme o diretor de feiras e mercados de Caruaru, Paulo Sérgio da Silva. O local é dividido em departamentos. Dentro do espaço, funcionam comércio de carnes, feijão e farinha, flores, panelas, calçados, roupas, raízes e ervas, lanches, ferro velho, artesanato e importados, um dos mais concorridos.

Além disso, há as feiras de passarinhos e do troca-troca, sem se falar nos dois principais eventos: a famosa Feira da Sulanca e a feira livre, que funciona aos sábados.

Importância

"Sem dúvida alguma, a Feira da Sulanca é mais importante. Ela começou há 80 anos no Centro da cidade. Passou mais de 40 anos na Avenida 15 de Novembro e, posteriormente, foi transferida para perto da rodoviária, de onde foi trazida, há 12 anos, para o Parque 18 de Maio", explica Paulo Sérgio da Silva.

Sulanca é um termo que denomina um tipo de confecção vendida antigamente. "Não era uma roupa de boa qualidade, mas foi se aprimorando com a tecnologia e foi transformando Caruaru num dos principais polos exportadores de moda do Nordeste, com o apoio das universidades, que, seguindo essa tendência, passaram a oferecer cursos de moda, o que qualificou ainda mais a produção feita aqui", destaca.

O Parque 18 de Maio tem 60% da sua área coberta por câmeras que filmam toda a movimentação. O monitoramento, além de auxiliar na segurança, serve para as polícias Civil e Militar e da autarquia de trânsito realizarem levantamentos que são utilizadas pela área de inteligência. "Caruaru é hoje fruto do que foi construído no entorno da Feira da Sulanca, que agrega vários segmentos econômicos da cidade", conclui Paulo Sérgio.

Fernando MaiaRepórter
História
"Sem dúvida, a feira da Sulanca é a mais importante. Ela começou há 80 anos no Centro da cidade"Paulo Sérgio da Silva
Diretor de Feiras e Mercados de Caruaru

FORA DO CENTRO
Prefeitura promete mudança até fim de 2012

Caruaru (PE). "A cidade cresceu bastante, está se verticalizando e não comporta mais um equipamento, como a Feira da Sulanca, praticamente dentro do seu centro comercial. Estudos estão sendo feitos e, tudo indica, ela será transferida para as margens da confluência das duas BRs que cortam o Município, a 232 com a 104. O prefeito José Queiroz promete realizar a troca até o fim da sua gestão", anuncia Paulo Sérgio da Silva, diretor de Feiras e Mercados de Caruaru.

Com a nova área, a feira será realizada durante mais tempo. Há a possibilidade de que possa acontecer, caso haja demanda, todos os dias da semana. Essa, aliás, é uma antiga reivindicação dos "sulanqueiros´. "Se tudo que está sendo prometido acontecer, vai ser muito interessante", afirma Djalma Silva dos Santos, que há 12 anos trabalha na feira. "Atualmente, nós só temos um dia na semana para comercializarmos os nossos produtos. Se a venda não for satisfatória, o jeito é esperar mais sete dias. Se acontecer diariamente, o problema acaba", argumenta o pequeno comerciante.

Expectativa

Dentre os feirantes e os consumidores, a notícia gera expectativa. "Espero que a transferência seja benéfica, que tenhamos mais espaço e tempo para trabalhar", diz Cristiane Alves, que herdou uma barraca do pai.

Para Euládio Pires Sobrinho, que mora em Maceió (AL) e toda semana se desloca a Caruaru para aquisição de roupas para revender, o ideal é que não houvesse a transferência. "A gente vem para a Sulanca e leva outros tipos de mercadoria. Com a mudança, creio que isso não será mais possível".


domingo, 10 de abril de 2011

Tradição - Reza e Plantas Medicinais

A arte e a tradição dos remédios medicinais em Icó

Publicado em 10 de abril de 2011 

Foto: Honório Barbosa
Filho de profeta da chuva, seu Otacílio viu nos ensinamentos do pai sobre o tempo, lua e planetas, forma de ajudar as pessoas com ervas medicinais. Hoje atende no mercado de Icó 
FOTO: HONÓRIO BARBOSA
O raizeiro, rezador e poeta popular, Otacílio Holanda, de Icó, mantém viva a prática e tradição da fitoterapia na região

Icó. As plantas curam. Os indígenas e antigos deixaram para nós um legado de conhecimento popular sobre as propriedades medicinais de ervas, raízes, folhas e caules. Apesar dos avanços da indústria farmacêutica e da modernização dos costumes, o uso da fitoterapia ainda resiste e é praticado em algumas cidades do sertão cearense. Um exemplo é o raizeiro, rezador e poeta popular, Otacílio Holanda, 88 anos, que todas as semanas faz atendimento e venda de seus produtos no mercado central nesta cidade.

O doutor-raiz, Otacílio Holanda, depois de alguns anos morando nesta cidade, resolveu fazer o caminho de volta para a zona rural e encontrar tranquilidade, em uma casa no campo, ao lado de uma farmácia viva que mantém no sítio Alto da Várzea, distante 30km do Centro. Os dias de atendimento foram reduzidos de seis para dois por semana. "Estou precisando de mais sossego", disse. "A idade já pesa um pouco".

Foi no campo, ao lado do pai, o profeta popular, Sebastião Norberto, no Sítio Caranguejo, zona rural de Jaguaribe, que Otacílio Holanda, ainda criança, despertou para a cura de animais e de plantas. Lembra que aos sete anos, fazia um caminhão de talo de milho, e na carroceria do brinquedo, carregava ervas e misturas que colocava nas catingueiras. "Fica verde e folheava mais rápido", conta. "É um dom que a gente nasce com ele e vem de Deus".

As brincadeiras dos tempos de criança e adolescente, corre-corre, cavalo de pau, logo ficaram para trás, mas praticadas por outros meninos no sítio. "Meu pai era profeta popular, adivinhava se o inverno seria bom ou não, observando o tempo, a lua e planetas, a cada dia 22 dos últimos meses do ano", recordou. "Eu aprendi muitas coisas com ele, a observação e o respeito à natureza".

Deixando a medicina popular de lado, o raizeiro adverte: "Vênus trouxe carga negativa e o inverno começaria bom, mas iria fraquejar". Otacílio Holanda foi vaqueiro durante vários anos, tangendo e reunindo a boiada no sertão de Jaguaribe. Preferia a lida com o gado. "Plantei pouco, uma rocinha de milho e feijão só para comer verde".

Na atividade de vaqueiro desenvolveu o dom de cura dos animais, usando ervas e rezas. Depois, começou a atender gente. "Crianças com vento caído, diarreia, febre, quebranto, mulher com resguardo quebrado, infecção na urina e até impotência nos homens eu tratei com o uso de plantas", contou.

Otacílio Holanda cansou da vida de vaqueiro e procurou ampliar os conhecimentos sobre as propriedades medicinais das plantas por meio de leituras de revistas e livros especializados. Aprendeu fazer algumas receitas de lambedor e garrafadas e afirma que já tratou e curou muita gente "com inflamação e doenças graves".

Passou a morar em Icó onde formou clientela e montou uma banca de venda das ervas, raízes e produtos naturais, muitos oriundos do Cariri. "Comecei no mercado velho, mas de lá fui tirado por três vezes e agora me emprestaram esse espaço aqui (mercado de frutas e verduras)", contou.

Os vendedores do mercado admiram a resistência e a insistência do rezador, que mesmo aposentado e com idade avançada não pensa em parar. Alguns contam que ficaram curados com o uso de plantas. "Eu tinha uma ferida na perna e fiquei boa com uma mistura que ele preparou", contou a dona de casa, Maria Rodrigues. Maria de Fátima Ferreira, doméstica, disse: "fiquei boa de uma coceira entre os dedos dos pés".


ENQUETE

Medicina Popular

Maria Rodrigues
Dona de casa
Claro que acredito na medicina popular e fiquei boa de uma ferida com o uso de plantas medicinais

Maria de Fátima Ferreira
Doméstica
Estava com uma coceira muito forte nos dedos dos pés e conseguir sarar com uma mistura de plantas

Virlene Nogueira
Feirante
Acho que para algumas coisas funciona e já vi muita gente contar que ficou boa com plantas e raízes


MAIS INFORMAÇÕES 

Secretaria Municipal de Infraestrutura de Icó
Av. Sete de Setembro, S/N - Centro
Telefone: (88) 3561. 1508


Honório Barbosa
Repórter

sábado, 9 de outubro de 2010

Tradição e Fé no Sertão Central

FESTA DE SÃO FRANCISCO

Missa do Vaqueiro renova a tradição

9/10/2010 Clique para Ampliar
Este ano, os vaqueiros saem em cortejo pelas principais ruas da cidade até a igreja de São Pedro. Os organizadores esperam que cerca de 1.500 vaqueiros participem da missa 
FOTO: ALEX COSTA
A missa ocorre desde 1970 em Canindé, único lugar que tem um dia para celebrar um dos símbolos do Nordeste

Canindé. Acontece, hoje, a partir das 10 horas, na Igreja de São Pedro, neste Município, a 40ª edição da tradicional Missa do Vaqueiro. O evento faz parte da programação da romaria em homenagem a São Francisco das Chagas. A festa foi iniciada na última quinta-feira e prossegue até o dia 17 de outubro.

Este ano, a festa em homenagem ao vaqueiro, maior símbolo vivo do sertão nordestino, sai do Parque de Exposição Francisco Diassis Bessa Xavier, às 8 horas. O cortejo percorre a Avenida São Francisco, ruas Joaquim Magalhães, Romeu Martins, Joaquim Custodio, José Veloso Jucá, Travessa J. Pinto até chegar na Igreja de São Pedro, totalizando um percurso de cinco quilômetros.

Histórico

A celebração começou a integrar o calendário da festa em 1970, por intermédio do poeta popular Raimundo Marreiro, já falecido, do executivo Juarez Coutinho e da vaqueira (hoje Mestra da Cultura do Ceará) Dina Maria Martins. A ideia é manter viva uma tradição entre vaqueiros e a fé.

De acordo com Dina Martins, a primeira missa foi celebrada em 1º de outubro daquele ano, pelo então vigário da Paróquia de São Francisco, frei Lucas Dolle. Em 1976, devido ao grande sucesso da festa, a missa e a cavalgada da fé contaram com a presença do inesquecível "Rei do Baião", Luiz Gonzaga, grande divulgador dos temas e tradições do sertão.

Os festejos são coordenados pela Associação dos Vaqueiros de Canindé, com o apoio da Cavalaria Montada da Policia Militar, Guarda Municipal e batedores da Polícia Militar. A quarta edição da Missa dos Vaqueiros terá a participação do pároco e reitor do santuário de São Francisco, frei João Amilton dos santos. Para Dina Martins, a missa é uma forma de render homenagens a um dos santos mais populares do Nordeste e valorizar a tradição do ofício de vaqueiro.

"Estamos realizando mais uma missa na maior romaria franciscana das Américas, e esperamos contar com a participação de 1.500 vaqueiros de vários Municípios do Ceará. A missa é uma forma de agradecimento a São Francisco por tudo de bom que ele nos proporciona durante o ano, principalmente na proteção divina, quando estamos na luta diária entre cavalo e gado", ressalta a integrante da Associação.

Homenagem

Canindé é o único Município do Ceará que tem uma data especial para celebrar a coragem e determinação do vaqueiro. "Nossa categoria comemora uma data especial, no dia 22 de agosto, Dia do Folclore, conforme a lei Municipal 2.051, de 29 de abril de 2008", afirma a vaqueira Dina Martins.

Hoje, o Diário do Nordeste será homenageado pelos vaqueiros. É uma forma de reconhecimento ao trabalho de cobertura da Festa de São Francisco, feito pelo jornal todos os anos. A comenda será entregue após a celebração eucarística.

A romaria entra hoje no seu terceiro dia de celebração. Ontem, na primeira novena, o tema foi: "São Francisco espelho da solidariedade para com a pobreza", em que o Estado do Ceará foi homenageado. O pregador da novena foi dom José Hering, bispo da Diocese de Limoeiro do Norte, e os responsáveis pela celebração foram membros da Pastoral da Educação, Escolas do Município, Estaduais e Particulares.

Hoje, no terceiro dia da festa, a novena será de responsabilidade da Pastoral Catequética e Pastoral do Batismo. A pregação será de padre Cláudio Kramer, de Piripiri no Piauí. O tema é: "São Francisco espelho da solidariedade para com as necessidades da Igreja". O Estado homenageado será o Piauí, de onde centenas de romeiros vêm para pagar promessas e renovar a devoção ao santo.

Quem passou ontem pela cidade foi o governador reeleito Cid Gomes, que veio cumprir sua devoção a São Francisco e visitar os amigos franciscanos. Ele assistiu à missa, participou das homenagens pelos 120 anos do painel do santo e depois foi recebido pelos freis João Amilton dos Santos e Jean de Sousa. Cid Gomes disse à reportagem que sua vinda a Canindé foi uma visita espiritual. "Vim pedir forças a São Francisco para continuar nessa luta para melhorar o Ceará", disse Cid Gomes, que foi reeleito para mais quatro anos de governo.

A devoção a São Francisco das Chagas de Canindé já acontece há 252 anos.

Participação

1500 vaqueiros de diversas regiões do Ceará devem seguir para Canindé a fim de participar da Missa do Vaqueiro, que ressalta a religiosidade popular e as tradições do sertão

MAIS INFORMAÇÕES 

Santuário de São Francisco das Chagas, Praça da Basílica
(85) 3343.0774
Canindé-CE

ANTÔNIO CARLOS ALVES
COLABORADOR