terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Feliz Ano Novo, em uma versão bem Cearense

Olá amigos!

Nessa época de festas, que ocorre a cada final de ano, vem a vontade de falar de todas as coisas boas que desejamos para todos. Eu recebi essa versão bem cearense de votos de boas festas, e compartilho com todos vocês, desejando que o ano de 2010 traga, além das alegrias individuais, a vontade e fazer deste um mundo melhor para todos!

Abraço forte!

Suely

OBS.: os não "iniciados" na língua "cearenses" podem ter dificuldades em compreender algumas palavras ou expressões, mas o que vale é a intenção! Mas se precisa, é só pedir que traduzo! ;-)

Um ano novo bem arretado pra vocês tudim !!!!

Conselhos de um cearense para um 2010 bem pai d’égua.


Sobre as suas metas para o Ano Novo

Anote os seus querê e pendure num lugar que você enxergue todo dia.

Mesmo que seus objetivos estejam lá prá baixa da égua, vale à pena correr atrás. Não se agonie e nem esmoreça. Peleje.

Se vire num cão chupando manga e mêta o pé na carreira, pois pra gente conseguir o que quer, tem é Zé.

Lembre que pra ficar estribado é preciso trabalhar. Não fique só frescando.

Sobre o amor

Não fique enrolando e arrudiando prá chegar junto de quem você gosta. Tome rumo, avie, se avexe

Dê um desconto prá peste daquela cabrita que só bate fofo com você. Aperreia ela. Vai que dá certo e nasce um bruguelim réi amarelo.

Você é um corralinda. Se você ainda não tem ninguém, não pegue qualquer marmota. Escolha uma corralinda igual a você.

Não bula no que tá quieto. Num seja avexado, pois de tanto coisar com uma, coisar com outra, você acaba mesmo é com um chapéu de touro.

As cabritas num devem se agoniar. O certo é pastorar até encontrar alguém pai d'égua. Num devem se atracar com um cabra peba, malamanhado e fulerage. O segredo é pelejar e não desistir nunca. Num peça pinico e deixe quem quiser mangar. Um dia vai aparecer um machoréi da sua bitola.

Sobre o trabalho

Trabalhe, num se mêta a besta. Quem num dá um prego numa barra de sabão num tem vez não.
Se você vive fumando numa quenga, puto nas calças e não agüenta mais aquele seu chefe réi fulerage, tenha calma, não adianta se ispritar.

Se ele não lhe notou até agora é porque num tá nem aí se você rala o bucho no trabalho. Procure algo melhor e cape o gato assim que puder.

Se a lida não está como você quer, num bote boneco, num se aperreie e nem fique de lundu. Saia com aquele magote de amigos pra tomar uns merol.

Tome umas meiotas e conte uma ruma de piadas que tudo melhora.

Sobre a sua vidinha

Você já é um cagado só por estar vivo. Pense nisso e agradeça a Deus.

Cuide bem dos bruguelos e da mulher. Dê sempre mais que o sustento, pois eles lhe dão o aconchego no fim da lida.

Não fique resmungando e batendo no quengo por besteira. Seje macho e pense positivo.

Num se avexe, num se aperreie e nem se agonie. Num é nas carreira que se esfola um preá.

Arrumação motivacional

No forró da entrada do ano, coma aquela gororoba até encher o bucho. É prá dar sorte, mas cuidado, senão dá gastura.

Tome um burrim e tire o gosto com passarinha ou panelada que é prá num perder a mania.

Prá começar o ano dicunforça:

Reflita sobre as besteiras do ano passado e rebole no mato os maus pensamentos.

Murche as orêia, respire fundo e grite bem alto:

Sai mundiça !!!

Ah, e não esqueça do grito de guerra, que é prá dar mais sorte ainda:

Queima raparigal !!!

Agora é só levantar a cabeça e desimbestar no rumo da venta que vai dar tudo certo em 2010, afinal de contas você é cearense.

E para os que não são da terrinha, mas são doidim prá ser, nosso desejo é que sejam tão felizes quanto nós.

Peeeeennnnse num ano que vai ser muito bom.

Respeite como vai ser pai d’égua esse 2010.


ABRAÇORRÉI ARRETADO A TODOS!

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

E a COP15 vai terminando sem um acordo sério... Nada de tratado legalmente vinculante.

Jornalistas leem um dos últimos esboços de acordo em Copenhague
(AP/Anja Niedringhaus)

18/12/2009 - 18h15
Reunião sobre meta climática termina e acordo fica para 2010

CLAUDIO ANGELO
LUCIANA COELHO
Enviados da Folha de S.Paulo a Copenhague

Atualizado às 18h30.


A última reunião de hoje na qual Brasil, China, Estados Unidos, África do Sul e Índia discutiram as metas climáticas --ou a falta delas-- terminou sem consenso. Uma declaração sobre o encontro, que como previsto terminou sem acordo, será divulgada nas próximas horas.

Segundo informou a delegação brasileira, o conteúdo do documento será feito com vistas a um possível acordo apenas em 2010. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva já se dirige ao aeroporto para retornar ao Brasil.

Estados Unidos e China, os dois maiores emissores de gases de efeito estufa, são os principais criadores de entraves para o acordo climático entre os 193 países participantes da 15ª Conferência do Clima, que ocorre desde 7 de dezembro em Copenhague.

Além da "briga" entre países emergentes e desenvolvidos sobre estabelecer metas obrigatórias de emissões de gases também para as nações mais pobres --o Protocolo de Kyoto obriga apenas os mais ricos a seguir as metas--, existe a polêmica sobre a criação de um fundo verde.

Os EUA propuseram um fundo bilionário para ajudar os países pobres a lidar com a mudança climática, mas condicionaram a contribuição a uma "transparência" dos países envolvidos e uma possível vigilância. Sobre isso, mais cedo, o presidente Lula disse que o fundo não podia ser usado como "desculpa" para intromissão nos países ajudados. A China também rechaçou um possível controle.

Nesta sexta, antes da última reunião sobre as metas, o premiê chinês faltou aos dois encontros improvisados pelos EUA e enviou um emissário --a atitude enfureceu líderes europeus e Barack Obama.

No começo do dia, o presidente Lula, que há dois dias tentava mediar com o francês Nicolas Sarkozy uma saída do impasse, declarou-se "frustrado" em sessão plenária com líderes mundiais. Na plateia estavam Obama, Gordon Brown, Wen Jiabao, Angela Merkel e outros.

Lula fez também uma oferta de doação para um fundo global de combate à mudança climática, como antecipado pela Folha na última quarta-feira.

Em discurso duro, feito de improviso e longamente aplaudido, Lula enumerou as ações do Brasil e disse que o país estaria disposto a contribuir para um fundo se isso salvar a conferência.

Já o americano Barack Obama, que tomou seu lugar no púlpito, criticou os países que não aceitam se submeter à verificação de suas ações --crítica velada à China. Os países desenvolvidos usam esse argumento para justificarem sua inação.

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/folha/ambiente/ult10007u668748.shtml

Lula na COP15

Olá amigos!

Hoje valeu a pena acordar cedo e acompanhar ao vivo o discurso do Presidente Lula na COP15. Ele frisou que a questão não é apenas dinheiro! E não é mesmo!! RESPONSABILIDADE - essa é a palavra e a atitude! Ele lembra que a fome e a miséria ainda é a realidade dos países pobres. Então o que está em discussão não é apenas o clima, mas sim o processo de desenvolvimento, a qualidade de vida das pessoas que vivem nesses países. Um ponto forte foi quando ele afirmou que "O Brasil não veio barganhar"! Ele foi duro, crítico e firme! Eu gostei muito! Mesmo quem não gosta de Lula tem que admitir: ele está cada vez melhor. Sabe do que fala.O Lula foi aplaudido várias vezes durante seu discurso. Enquanto o Obama só foi aplaudido protocolarmente no final... Vejam abaixo as notícias.
Abraço a todos!
Suely


Em novo discurso na Conferência do Clima, em Copenhague, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou na manhã desta sexta-feira (18) o comportamento dos países ricos e em desenvolvimento para se chegar a um acordo sobre as mudanças climáticas. Lula também ofereceu ajuda para fundo climático (Reuters).



18/12/2009 - 09h31

Em Copenhague, Lula critica falta de acordo e oferece ajuda para fundo climático

Do UOL Notícias
Em São Paulo

Em novo discurso na Conferência do Clima, em Copenhague, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou na manhã desta sexta-feira (18) o comportamento dos países ricos e em desenvolvimento para se chegar a um acordo sobre as mudanças climáticas.

O presidente dos EUA, Barack Obama, disse nesta sexta-feira (18) em seu discurso na Conferência do Clima em Copenhague, que todas as nações serão "mais fortes e seguras" com um acordo global sobre as mudanças climáticas. "Os países devem fazer parte de um esforço histórico ou cair em divisões", disse. Obama fez um discurso conciliador em busca de um acordo entre os países que participam da cúpula

Lula também disse que o Brasil está disposto a oferecer ajuda ao fundo global de US$ 100 bilhões para ajuda aos países pobres.

"Estamos dispostos a participar do financiamento se nos colocarmos de acordo aqui em uma proposta final, mas não estamos de acordo que as figuras mais importantes do planeta Terra assinem qualquer documento para dizer que assinamos."

Lula afirmou que esteve em reunião com líderes de Estado até às 2h30 da madrugada desta sexta que ele "sinceramente, não esperava participar". "Era uma reunião com muito chefe de Estado e sinceramente submeter chefe de Estado com determinadas discussões há muito tempo eu não assistia", afirmou. "Me lembrou dos meus tempos de dirigente sindical, quando eu negociava com empresários".

Lula disse que a culpa por tal reunião era não ter trabalhado antes com responsabilidade. "Todos nós poderíamos oferecer um pouco mais se tivéssemos assumido boa vontade no último período. Todos nós sabemos do que é preciso para manter o compromisso das metas e o compromisso dos financiamentos. Temos que manter os princípios adotados no protocolo de Kyoto. Temos reponsabilidades comuns."

Lula afirmou ainda que "gostaria de sair daqui com o documento mais perfeito do mundo, mas se não conseguimos fazer até agora não sei se algum anjo ou algum sábio descerá nesse plenário e colocara na nossa cabeca a inteligência que nos faltou até agora".

O presidente brasileiro criticou o comportamento dos países ricos. "A questão não é apenas dinheiro. Os países em desenvolvimento e os ricos não devem pensar em dinhero como favor, não pensemos que estamos dando esmola, porque o dinheiro que será colocado na mesa é o pagamento pela emissão de gases de efeito estufa feita durante dois séculos por quem teve o privilégio de se industrializar primeiro."

"Não é tarefa fácil", disse. "É necessário mostrar ao mundo de que com meias palavras e com barganhas a gente não encontraria uma solução dessa conferência", alfinetou.

O presidente disse que todos concordaram com o acordo inicial que cita o limite do aumento da temperatura global em 2 graus centígrados, "mas mesmo as metas, que deveriam ser uma coisa mais simples, tem muita gente querendo barganhar".

Lula foi muito aplaudido durante o discurso e ressaltou que o Brasil se comprometeu em apresentar metas de redução de emissão de gases em até 2020. "Assumimos nossos compromissos e transformamos em lei a redução de 36,1% a 38,9%." Lula citou que foram aprovadas mudanças na agricultura, no sistema siderúrgico, no aprimoramento da matriz energética e na redução do desmatamento da Amazônia em 80%.

Fonte: UOL Ciências
http://noticias.uol.com.br/ultnot/cienciaesaude/ultnot/2009/12/18/ult4477u2173.jhtm

video

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Países em desenvolvimento se opõem a texto dinamarquês de acordo climático

16/12/2009 - 10h48

Países como Brasil, China, Bolívia e Sudão, em representação aos países do G77, atrasaram hoje o início dos discursos dos líderes políticos para protestar contra a nova minuta dinamarquesa de acordo, que consideram que "saiu do nada".

A ex-ministra do Meio Ambiente dinamarquesa e até então presidente da cúpula da ONU sobre mudança climática (COP15), Connie Hedegaard, anunciou que a Presidência dinamarquesa apresentará hoje uma nova minuta que reunirá os resultados das duas vias de negociação.

Os 192 países reunidos na Dinamarca buscam selar um acordo internacional de redução de gases do efeito estufa que substitua o Protocolo de Kioto, que expira em 2012, e que determine o financiamento que os países ricos destinarão à mitigação da mudança climática nas nações em desenvolvimento.

As delegações do Brasil, China, Bolívia e Sudão criticaram que a Presidência dinamarquesa imponha agora um novo texto, depois que 130 países negociaram durante toda a madrugada para alcançar acordos.

"Não assinaremos nenhum texto saído do nada", disse um delegado do Sudão.

O chefe da delegação chinesa, Su Wei, disse que essa medida "ilegítima e injustificada coloca em risco" o sucesso da conferência.

"Todos tínhamos a esperança de que poderíamos seguir trabalhando sobre a base legítima dos textos que tanto nos custou para definir", afirmou.

Da delegação boliviana, afirmaram que o novo texto dinamarquês, ainda à espera de ser apresentado às partes, "não é o resultado de um processo democrático, transparente, participativo e includente".

O primeiro-ministro dinamarquês, Lars Lokke Rasmussen, pediu às delegações que evitassem criticar um texto que ainda não foi apresentado formalmente e disse que a proposta dinamarquesa "reúne os resultados" alcançados pelos dois grupos de trabalho da cúpula.

Fonte; UOL Noticias
http://noticias.uol.com.br/ultnot/cienciaesaude/ultnot/efe/2009/12/16/paises-em-desenvolvimento-se-opoem-a-texto-dinamarques-de-acordo-climatico.jhtm

55 anos de criação da Universidade Federal do Ceará


UFC se articula para Conferência Internacional sobre Semiárido


16-Dec-2009

A Universidade Federal do Ceará é uma das instituições de apoio à realização da II Conferência Internacional: Clima, Sustentabilidade e Desenvolvimento em Regiões Semiáridas, a ICID + 18. O evento acontecerá no Centro de Convenções de Fortaleza de 16 a 20 de agosto de 2010, e será uma contribuição para a Rio + 20, a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento e Meio Ambiente, a se realizar em 2012.

A ICID + 18 é uma iniciativa do Governo do Estado do Ceará e Ministério do Meio Ambiente, organizada pela Secretaria de Ciência, Tecnologia e Educação Superior (Secitece), Coordenação de Combate à Desertificação do Departamento de Desenvolvimento Rural Sustentável, Ministério do Meio Ambiente e Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE).

Em 1992, por ocasião da 1ª ICID, que levou para a ECO 92 questões relativas ao semiárido, a UFC deu contribuição importante com propostas e ações voltadas para o meio ambiente. Agora a Universidade voltou a ser chamada para participar.

Esta semana o Diretor da ICID 2010, Antonio Rocha Magalhães, e o Secretário da Secitece, René Barreira, participaram de reunião na Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação, quando foi instituída a Comissão UFC-ICID. O Coordenador é o Vice-Reitor da UFC, Prof. Henry Campos, e o Vice-Coordenador, o Chefe de Gabinete, Prof. Luiz Antonio Maciel de Paula. A comissão reúne professores e pesquisadores e está aberta à participação de novos membros.

O Prof. Luiz Antonio destaca que a UFC tem tradição de estudos e ações de extensão na área do meio ambiente, com atenção voltada para as vulnerabilidades climáticas, degradação de solos, desertificação nas mais diferentes áreas. Os estudos se dão na Agronomia e Engenharias, mas também na Biologia, Geografia, Sociologia e Economia, "porque a questão envolve todos os aspectos do desenvolvimento humano", observa ele.

Portanto, é interesse da Comissão que representantes de todas as áreas do conhecimento, na UFC, participem da ICID "para compartilhar a compreensão do desenvolvimento sustentável em sua totalidade, de forma sistêmica e não fragmentada", diz Luiz Antonio. Ele entende que a Conferência é um encontro científico, mas também um espaço para manifestações culturais. Espera-se que outras linguagens, como a música e o teatro, que também refletem sobre a temática do encontro, venham agregar-se.

Uma reunião de trabalho está marcada para o dia 7 de janeiro de 2010. Na pauta, haverá apresentação de levantamento da memória da participação da UFC na 1ª ICID, definição de outro levantamento sobre os estudos e ações da Universidade na área do meio ambiente e a discussão sobre a realização de seminário preparatório voltado para os estudantes da UFC.

Os interessados em integrar a Comissão UFC-ICID podem entrar em contato com a Chefia de Gabinete da UFC pelos fones (85) 3366.7306 e 3366.7307.

Sobre a ICID + 18

Para a Conferência em Fortaleza, são aguardados 2000 participantes de mais de 50 países, especialmente daqueles com regiões áridas ou semiáridas, além de representantes de universidades e centros de pesquisa de várias partes do mundo.

Entre os temas do encontro destacam-se: Clima e meio ambiente: Variabilidade e mudanças climáticas nas regiões semi-áridas; Clima e desenvolvimento sustentável: Segurança humana, redução da vulnerabilidade econômica, social e ambiental; Governança e desenvolvimento sustentável: Direitos, equidade e justiça no contexto de variações climáticas nas regiões semiáridas e áridas; Processos políticos e instituições: Formulação, implementação e monitoramento e desempenho de políticas públicas para adaptação a variações climáticas e para o desenvolvimento sustentável.

Para saber mais sobre a ICID + 1, acesse: www.icid18.org e www.mma.gov.br/icid.

Fonte: Prof. Luiz Antonio Maciel de Paula, Vice-Coordenador da Comissão UFC-ICID - (fone: 85 3366 7306 / 3366 7307)

http://www.ufc.br/portal/index.php?option=com_content&task=view&id=9173&Itemid=1

ONU diz que acordo sobre clima pode não incluir ajuda financeira

16/12/2009 - 10h32
da BBC Brasil

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, disse que um acordo final na Conferência sobre mudanças climáticas em Copenhague, pode não incluir a ajuda financeira prometida aos países em desenvolvimento, diz a manchete do jornal britânico "Financial Times" nesta quarta-feira (16).

Segundo o diário, a admissão de Ban Ki-Moon "vai enfurecer as nações mais pobres e potencialmente aniquilar um acordo amplo" em Copenhague.

Em entrevista ao "FT", a apenas três dias antes do fim da conferência, Ban Ki-Moon afirmou que o acordo poderá ser assinado "sem um firme compromisso das nações desenvolvidas a longo prazo para ajudar os países pobres a combater o aquecimento global.

"Podemos começar o próximo ano discutindo este assunto", disse o secretário-geral da ONU ao jornal.

A ajuda financeira dos países ricos aos países em desenvolvimento é vista como um dos quatro elementos essenciais para que seja fechado um acordo em Copenhague, afirma o diário britânico.

Resistências

"Os países em desenvolvimento há muito tempo insistem que qualquer acordo em Copenhague tem que incluir garantias de que eles receberiam ajuda financeira de pelo menos US$ 100 bilhões por ano até 2020, uma exigência a qual resistem alguns dos países mais ricos, inclusive os Estados Unidos", afirma o FT.

Ban Ki-Moon disse ao jornal que não tem certeza se será possível chegar a um acordo sobre o financiamento a longo prazo, e afirmou que o valor desta ajuda não deve ser a única discussão, já que há muitas outras questões importantes.

"Mas Ban também disse que os países desenvolvidos devem começar imediatamente a negociar seu compromisso de longo prazo com os países em desenvolvimento, para alcançar o maior progresso possível em Copenhague", diz o jornal.

"Acho que eles precisam começar a discutir o assunto o mais rapidamente possível", disse Ban ao diário.

"Tendo sido feitos na véspera da chegada da maioria dos esperados 115 líderes nacionais em Copenhague, os comentários de Ban podem provocar mais distúrbios nas negociações, com apenas três dias para que seja concluído um acordo", escreve o FT.

Fonte: Folha on line - BBC Brasil
http://www1.folha.uol.com.br/folha/bbc/ult272u667174.shtml

As negociações se complicam em Copenhague


16/12/2009 - 09h48

Em meio a entraves e protestos, presidente da Conferência de Copenhague renuncia


A presidente da conferência das Nações Unidas para mudanças climáticas em Copenhague, Connie Hedegaard, renunciou ao cargo nesta quarta-feira (16). Hedegaard, que vinha sendo acusada por representantes de países em desenvolvimento de querer beneficiar os países ricos nas negociações, será substituída pelo primeiro-ministro da Dinamarca, Lars Lokke Rasmussen.

As razões da renúncia ainda não estão claras. Hedegaard disse que seria mais apropriado que a conferência fosse presidida pelo primeiro-ministro tendo em vista a presença de tantos chefes de Estado nos estágios decisivos do evento, marcado para terminar na sexta-feira.

As negociações continuam marcadas por divisões, e os protestos nas ruas de Copenhague parecem ter ganhado força nessa reta final da Cop 15. Ministros e representantes de 192 países tentam superar obstáculos que - em alguns casos - vêm travando as negociações há dois anos.Manifestantes protestam contra o pouco progresso nas negociações por um acordo.

Pouco após o início de uma passeata, na manhã desta quarta-feira, a polícia disse ter prendido cerca de cem pessoas, após supostas ameaças de ativistas de que o grupo furaria um bloqueio policial.

No centro de convenções, as discussões parecem estar irremediavelmente paradas em questões como metas para países desenvolvidos e, principalmente, financiamento para redução de emissões de gases do efeito estufa em longo prazo.

Em entrevista ao jornal britânico "Financial Times" publicada nesta quarta-feira, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, afirma até que os países em desenvolvimento deveriam deixar este objetivo de lado para obter um acordo.

Na abertura da fase atual das negociações, entre ministros, Ban Ki-Moon pediu claramente que os líderes fechassem um acordo. "A hora é de fazer concessões", disse o sul-coreano.

Líderes a portas fechadas
Líderes de quase 120 países chegaram nesta quarta-feira a Copenhague, entre eles o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que participa de encontros fechados.

Cerca de 35 mil pessoas se credenciaram para a reunião climática, mas a sede do encontro, o Bella Center, tem capacidade para apenas 15 mil. Diante das pressões, o número foi elevado para 18 mil.

Mesmo assim, após enfrentar filas de até seis horas, milhares de pessoas que vieram à cidade para participar da conferência ficaram do lado de fora, a uma temperatura de 0ºC.

O primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, também já está na cidade e afirmou estar esperançoso sobre um acordo, apesar do atual impasse. "Há uma boa vontade para se chegar a um acordo", disse Brown, admitindo que essa é provavelmente a negociação mais difícil que já houve.

No entanto, as delegações não conseguiram sequer fechar um acordo preliminar para ser discutido pelos ministros. Isso significa que a presidente da conferência, Connie Hedegaard, teve que elaborar um documento, baseado nas propostas já discutidas.

A partir deste documento base, os ministros poderão começar a tentar superar os principais obstáculos:

Metas de redução para países desenvolvidos. Até o momento, não existe consenso sobre um número ou mesmo em que forma essas metas seriam apresentadas - como extensão do Protocolo de Kyoto para os seus signatários (países ricos com exceção dos Estados Unidos) ou em um novo tratado incluindo os americanos.

Financiamento. A proposta mais próxima de ser aceita é de um fundo de US$ 10 bilhões por ano, para os próximos três anos. Mas não está claro de onde sairiam estes recursos e quem faria as contribuições.

Redd (mecanismo que incentiva Redução de Emissões geradas por Desmatamento e Degradação Florestasem Países em Desenvolvimento). Como mencionado acima, faltam pontos fundamentais.

Suspensão temporária
Na segunda-feira, as negociações foram temporariamente suspensas depois que representantes de países africanos se retiraram em protesto contra o que chamaram de "abandono das metas firmadas no acordo de Kyoto".

Esses países criticaram a organização da conferência por, supostamente, se concentrar apenas nas negociações para um novo acordo climático, em vez de trabalhar paralelamente em uma extensão do Protocolo de Kyoto.

Países emergentes insistem que países desenvolvidos que ratificaram o protocolo devem se comprometer com maiores cortes de emissões dos gases que causam o efeito estufa.A conferência das Nações Unidas sobre o clima vai até sexta-feira na capital da Dinamarca.

Fonte: UOL Noticias.
http://noticias.uol.com.br/bbc/2009/12/16/ult5018u252.jhtm

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

CENTRO DE PESQUISA E PÓS-GRADUAÇÃO DO SEMI-ÁRIDO DA UFC É INSTALADO EM BARBALHA

Solar Maria Olimpia - Barbalha - CE

10/12/2009 - 18h20

Os cursos virão a partir de março de 2010



Aconteceu na manhã desta quinta-feira (10), no Solar Maria Olímpia, em Barbalha, a solenidade das instalações administrativas do Centro de Pesquisa e Pós-Graduação do Semi-Árido.

A solenidade contou com as seguintes presenças: do magnífico reitor da Universidade Federal do Ceará, professor Jesualdo Pereira Farias; do diretor do campus da UFC no Cariri, professor Ricardo Luiz Lange Ness; da professora Sueli Chacon, coordenadora do Centro de Pesquisa de Pós- Graduação do Semi Árido – CPPS; e do professor Mauricio Freire Teles. A vice-prefeita Maria Betilde Sampaio Correia esteve representando o prefeito municipal José Leite.

O evento ainda registrou as presenças dos secretários municipais: Polyana Silva Coimbra Cruz, de Meio Ambiente e Recursos Hídricos; e Efigênia Mendes Garcia, de Desenvolvimento Econômico. Houve, também, as presenças de professores e servidores municipais.

Para a secretária de Educação e vice-prefeita, Maria Betilde Sampaio Correia, o Centro de Pesquisa da UFC é um avanço e um apoio grande dentro de Barbalha e, conseqüentemente, na região do Cariri como um todo. “Nós sabemos da credibilidade da Universidade Federal do Ceará, com a vinda dos cursos de especialização para o próximo ano e graduação para 2011, então acreditamos que será um benefício não só para Barbalha, mas para toda a região, e o nosso município sente-se feliz em sediar esses futuros cursos e um centro de pesquisa dessa natureza”.

O professor Jesualdo Farias, Reitor da Universidade Federal do Ceará, disse que “o Centro de Pesquisa e Desenvolvimento Regional Sustentável tem como objetivo trazer os doutores e pesquisadores da universidade em cima de uma temática multidisciplinar, que, naturalmente, vai atender às demandas da região. Existem na região do Cariri diversos profissionais nas áreas de agricultura, economia, administração, saúde, tecnologia e engenharia, além do que já existe em Fortaleza todo um potencial de recursos humanos da U.F.C. em todas as áreas para dar apoio a este grupo.” O reitor Jesualdo Farias afirmou, ainda, que “o BNB é um parceiro em torno desse processo e espera fortalecer, ainda mais, as relações com as prefeituras do Cariri. Em Barbalha, a UFC tem recebido todo o apoio necessário, e, compreendendo a dimensão desse projeto, a UFC já vai iniciar, a partir do mês de março de 2010, dois cursos de especialização, um na gestão pública e outro voltado para a área de paleontologia, que é uma demanda forte na região. Este é um projeto sustentável, que já começa forte, com um grupo de doutores respeitados nacionalmente, e que projeta a UFC do Cariri, não só na formação de graduados, mas também na pós-graduação e na pesquisa”.


Vice-Prefeita de Barbalha e Reitor da UFC

Reunião de pesquisadores da área de Geopaleontologia com o Reitor Jesualdo Farias, Prof. Ricardo Ness e Profa. Suely Chacon

Fonte: Assessoria de Imprensa da Prefeitura de Barbalha
http://barbalha.ce.gov.br/v2/?pg=exibe_noticia&id=117

domingo, 13 de dezembro de 2009

Emergentes têm papel-chave na Conferência Climática


Leticia Freire, do Mercado Ético
13/12/2009 - 09:56:29


Sob forte pressão social, mais de uma centena de chefes de Estado e de governo tem seis dias, os últimos da 15ª Conferência do Clima (COP15) das Nações Unidas para decidir o grau de compromisso da comunidade internacional contra o aquecimento global.

No sábado (12/12), manifestantes tomaram as ruas de Copenhague e deixaram seu recado: “Não há Planeta B”. O tempo passa em Copenhague e restam seis dias para que os líderes globais cheguem a um consenso eficaz, que reflita a urgência da crise climática.

Entre os chefes de estado, nomes como o do presidente Luiz Inácio Lula da Silva tornam-se fundamentais. Antes figurantes, os países emergentes, liderados por China, Índia, Brasil e África do Sul, agora são peças-chave para dois pontos cruciais: o financiamento e o valor jurídico internacional do novo acordo climático.

O peso dessas nações nas negociações ficou claro desde a semana passada, quando diplomatas das nações ricas se esforçam para dividir o grupo dos países “em desenvolvimento”, prometendo recursos para os “mais vulneráveis” e exigindo o que um diplomata europeu chamou de “upgrade” dos emergentes.”Existe uma proposta na mesa que abre a questão sobre a diferenciação entre os países em desenvolvimento”, confirmou um membro da delegação brasileira.

A questão dos emergentes agora é central. Tão central que os Estados Unidos propuseram um acordo de reescrever a Convenção do Clima de 1992 - texto que não está em discussão na COP15 -, atribuindo novas responsabilidades a China, Brasil, Índia, Coreia do Sul, Indonésia, entre outros emergentes. Os chineses, porém, não aceitam o “upgrade” e, sem consenso, não há acordo.

Todd Stern, enviado especial da Casa Branca, deixou a diplomacia de lado e foi taxativo ao descartar a possibilidade de transferir “dólares do contribuinte americano para a China”. Na sexta, Yu Qingtai, diplomata chinês, classificou a declaração de “irresponsável”.

Outra pista sobre o novo status dos emergentes veio após a apresentação do texto de negociação sobre cooperação de longo prazo. O documento diz respeito ao nível de engajamento que será obtido. Duas propostas estão na mesa: a de um tratado “legalmente vinculante” - ou seja, um Protocolo de Copenhague, que comprometeria os signatários a cumprir as diretrizes - ou um acordo “politicamente vinculante”, no qual os chefes de Estado assumiriam o compromisso de discutir um tratado no futuro.
Stern pareceu fechar a porta para um Protocolo de Copenhague. Segundo o enviado especial da Casa Branca, os EUA não aceitarão acordo vinculante que precise ser ratificado no Congresso.

Na outra ponta a União Européia (UE) tensiona mais. O grupo não aceita ficar no Protocolo de Kyoto, que tem caráter legal, se os EUA se limitarem a um compromisso informal. “Se continuarmos com dois acordos (Kyoto e Copenhague), ambos terão de ser juridicamente vinculantes”, diz Artur Metzger-Runge, negociador-chefe da UE.

Uma das saídas está nas mãos de China, Índia, Brasil e África do Sul, uma vez que tudo indica que os EUA só aceitam o acordo legal se as novas potências tiverem o mesmo nível de compromisso.

A resposta estará nas mãos dos 110 líderes que chegam nesta semana em Copenhague. “Considerando o tempo que temos, não será fácil sair com um documento legalmente vinculante, mas, se não conseguirmos aqui, podemos tentar obtê-lo em 6 ou 12 meses”, disse o secretário-geral da convenção, Yvo de Boer.


Material produzido e editado pela Envolverde/Mercado Ético/Carbono Brasil/Rebia/Campanha Tic-Tac/EcoAgência, e distribuído para reprodução livre com o apoio da Fundação Amazonas Sustentável.

Fonte: Mercado Ético
http://mercadoetico.terra.com.br/arquivo/emergentes-tem-papel-chave-na-conferencia-climatica/?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=mercado-etico-hoje

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Brasil, uma economia baixa em carbono

Mario Osava, da IPS
11/12/2009 - 14:52:25

A delegação do Brasil busca manter na 15ª Conferencia das Partes da Convenção Marco das Nações Unidas Sobre a Mudança Climática (COP15), que acontece em Copenhague, o papel de liderança que teve nas negociações sobre meio ambiente desde que recebeu a Cúpula da Terra em 1992, no Rio de Janeiro. O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou recentemente o compromisso nacional voluntário de reduzir entre 36% e 39% os gases causadores do efeito estufa até 2020. Mas, com relação a 1990, como estabelece o Protocolo de Kyoto, significará aumento de quase 21%.

Uma delegação de quase 700 funcionários governamentais, ativistas e empresários está na capital da Dinamarca para a (COP15) representando o Brasil, cuja população é a que, proporcionalmente, mais expressou preocupação pelo aquecimento global. Estudo do Centro de Pesquisas Pew (dos EUA) mostra que 90% dos entrevistados responderam estar muito preocupados com o aumento da temperatura da Terra e 70% deles disseram estar dispostos a sacrificar crescimento econômico a favor do cuidado do meio ambiente.

O Brasil pode ser considerado uma “sociedade com baixo nível de carbono”, disse José Miguez, coordenador da Comissão Interministerial de Mudança Climática, em entrevista à IPS desde Copenhague, ao explicar a posição do Brasil nas negociações.

IPS - Além das metas voluntárias em emissões de gases-estufa, que outras contribuições o Brasil levou a Copenhague para justificar sua liderança?

José Miguez - A liderança brasileira vem desde a assinatura da Convenção sobre Mudança Climática no Rio de Janeiro em 1992. Alguns exemplos comprovam isso. São brasileiras a proposta adotada em 1997 em Kyoto, como o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), a negociação duas vertentes, a Convenção e o Protocolo adotados em 2007 em Bali, o mecanismo de Redução de Emissões Resultantes do Desmatamento e da Degradação Florestal (REDD) em 2006.

Também é recente a proposta, no âmbito da Convenção, de Ações de Mitigação Adequadas ao Contexto Nacional para países em desenvolvimento (NAMA), que buscam destravar as negociações em Copenhague. Em junho, o Brasil liderou em Bonn a proposta oficial, que congregou outros 36 países em desenvolvimento, por uma redução de 40% nas emissões de gás-estufa pelas nações desenvolvidas até 2020, em relação aos níveis de1990.

Além disso, o Brasil tem uma matriz energética limpa, por substancial geração hidrelétrica, uso de biocombustíveis nos transportes e de carvão vegetal proveniente do reflorestamento na siderurgia, e fez um grande esforço de redução do desmatamento. Adicionando aos mais de 400 projetos MDL que reduziram em 7% as emissões brasileiras não-florestais, o esforço já chega a 30% de redução em relação a 1990. Nenhum país industrializado fez um esforço comparável de mitigação. Os projetos MDL praticamente eliminaram todas as emissões de óxido nitroso do setor industrial e 55% das de metano em aterros sanitários registradas em 1990.

IPS - Em quais áreas prevê maiores dificuldades para cumprir a meta de 2020?

JM - É importante esclarecer que os compromissos quantificados de redução das emissões, as chamadas metas, correspondem pelo Protocolo de Kyoto aos países industriais. As ações NAMA se inserem no âmbito da Conversação e no Plano de Ação de Bali, como meio de fortalecer as ações das nações em desenvolvimento, e não no contexto do Protocolo, que tem efeitos vinculantes. Representam desvios substanciais nas emissões no cenário, diferentes das metas dos países ricos. Daí o objetivo voluntário anunciado pelo governo brasileiro, de redução entre 36% e 39% até 2020.

Suas ações dependerão do que for acordado em Copenhague sobre NAMA. Será necessário um amplo debate com a sociedade brasileira, principalmente após ter sua regulamentação negociada internacionalmente. Seguramente, conter o desmatamento será a principal contribuição do Brasil para mitigar a mudança climática.

IPS - Mas a economia de baixo carbono que se busca não contradiz a política oficial de crescimento econômico, concebida em termos tradicionais, com ocupação amazônica, expansão de estradas, indústria automobilística e consumo de energia?

JM - O importante é que o crescimento ocorra com mudanças resultantes de menor intensidade de emissões por unidade do produto interno bruto. Pode-se crescer muito aumentando a produtividade e a eficiência energética. No Brasil há muita terra degradada e pastagens de baixa produtividade. Alem disso, dependendo do conceito usado, se pode afirmar que este País já tem uma economia de baixo carbono.

Historicamente possui uma indústria de baixas emissões de gases-estufa e condições para manter, ou mesmo ampliar, a participação de fontes renováveis na matriz energética, que em 2008 era de 45,4% do total, em comparação com 13% de média mundial e de apenas 7% de média entre os países da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico. A expansão do transporte rodoviário não aumenta necessariamente as emissões, já que se faz maior uso de biocombustíveis.

IPS - A Cúpula Amazônica de 26 de novembro, que buscou concertar posições para Copenhague, apenas contou com presidentes do Brasil, Guiana e França. Este pais se afastou da America Latina na questão climática?

JM - Na conferência sobre mudança climática, os países em desenvolvimento negociam como bloco no Grupo dos 77 mais China, que reúne 134 países (no âmbito da ONU). Não há posição separada da América Latina.

(Envolverde/IPS)

Fonte: Mercado Ético
http://mercadoetico.terra.com.br/arquivo/brasil-uma-economia-baixa-em-carbono/?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=mercado-etico-hoje

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

COP15 já apresenta absurdos dos batidores!

Caros Amigos,
A Reunião sobre as Mudanças Climáticas, conhecida como COP15, que ocorre nesse momento em Copenhague-Dinamarca, já começa a mostrar o quanto é preocupante a falta de real compromisso dos países ricos. Vejam a notícia abaixo.
Fiquemos atentos!
Abraço a todos!
Suely

09/12/2009 - 10h28
Texto vazado em Copenhague gera críticas de países pobres e em desenvolvimento

Paula Laboissière e Roberto Maltchik
Da Agência Brasil e da TV Brasil
Em Brasília e Copenhague

O vazamento de um suposto documento final no segundo dia da 15ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP-15) revoltou líderes de países pobres e em desenvolvimento que participam do encontro em Copenhague, na Dinamarca.

O texto - que teria sido elaborado pela própria Dinamarca com o apoio de líderes americanos e britânicos - revela a intenção de separar o Brasil, a China e a Índia dos países pobres, além de introduzir metas de emissões obrigatórias para nações em desenvolvimento. Várias das propostas indicam um afastamento dos princípios que norteiam o Protocolo de Quioto.

O presidente do G77 (grupo de países pobres e em desenvolvimento do qual participa o Brasil), Lumumba Stanislaus Di-Aping, afirmou ontem (8) que os US$ 10 milhões anuais propostos pelos países ricos para financiar projetos de redução de emissões "não compram sequer caixões suficientes para os que irão morrer" em decorrência das alterações climáticas. Ele disse ainda que só não abandonou a conferência pela urgência do problema.

Após o vazamento do documento, o governo chinês convocou uma entrevista para exigir que os países ricos assumam a responsabilidade pelo histórico de emissões de gases de efeito estufa. Representantes da Aliança Pan-Africana pela Justiça Climática chegaram a provocar um tumulto na sede da conferência em protesto contra o documento.

De acordo com a BBC Brasil, o embaixador extraordinário para Mudanças Climáticas do Itamaraty, Sérgio Serra, afirmou que o rascunho do texto foi apresentado na reunião preparatória há uma semana, também em Copenhague. Ao fim do encontro - do qual participaram apenas representantes dos países mais influentes nas negociações - o documento teria sido recolhido pelos próprios dinamarqueses.

O secretário executivo da COP-15, Yvo de Boer, lembrou que o Protocolo de Quioto prevê metas específicas para países ricos e que os mais pobres devem ser priorizados.

Fonte: http://noticias.uol.com.br/ultnot/cienciaesaude/especial/2009/conferencia-clima/ultimas-noticias/2009/12/09/texto-vazado-em-copenhague-gera-criticas-de-paises-pobres-e-em-desenvolvimento.jhtm

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Campanha arrecada livros em Fortaleza

07 Dez 2009 - 21h48min

São aceitos quaisquer tipos de livros, exceto os didáticos. O lançamento da campanha ocorre nesta terça-feira, 8.

A Secretaria de Cultura de Fortaleza (Secultfor) e da Secretaria de Direitos Humanos (SDH), e entidades da sociedade civil realizam neste mês a campanha “Doe um livro no Natal”. As doações irão compor uma biblioteca volante que irá percorrer os bairros de menor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de Fortaleza. O lançamento será realizado nesta terça-feira, 8, no Passeio Público, às 15 horas.

São aceitos quaisquer tipos de livros, exceto os didáticos. Durante a campanha serão instalados postos de coleta de doações em sete pontos de Fortaleza. São eles: Parque da Liberdade (Cidade da Criança), Vila das Artes, Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia (IFCE), Biblioteca da Universidade Federal do Ceará (UFC), Cuca Che Guevara, Tribunal Regional do Trabalho (TRT) e Associação dos Jovens Empresários (AJE).

Serviço: Campanha “Doe um livro no Natal”

Postos de coleta de doações:

1) Parque da Liberdade (Cidade da Criança)
Rua Pedro I, s/n – Centro

2) Vila das Artes
Rua 24 de maio, 1221 – Centro

3) Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia
Av. Treze de Maio, 2081 – Benfica

4) Bibliotecas da UFC

5) Cuca Che Guevara
Av. Presidente Castelo Branco, 6417 – Barra do Ceará

6) TRT 7ª Região
Av. Santos Dumont, 3384 – Aldeota

7) AJE
Av. Dom Luís, 880 – Aldeota

Fonte: Jornal O Povo on line, 07-12-09
http://opovo.uol.com.br/cidades/935139.html

domingo, 6 de dezembro de 2009

Co2penhague

Professor da Sciences Po, em Paris, o filósofo Dominique Bourg vê com ceticismo a cúpula que começa amanhã e alerta que o risco de crises climática e energética ameaça as democracias

MARCOS FLAMÍNIO PERES
EDITOR DO MAIS!

O risco real de aquecimento global e o esgotamento das reservas de petróleo podem colocar em risco a existência das democracias tal como as entendemos hoje, defende o professor do Instituto de Ciências Políticas de Paris -Sciences Po- e da Universidade de Lausanne (Suíça) Dominique Bourg.

Para ele, a democracia ocidental foi construída sobre a perspectiva enganosa de que os recursos naturais não se esgotariam. Isso é cada vez menos verdade, à medida que a produção de petróleo chega perto do seu ápice, e as energias alternativas são pouco mais do que uma promessa. Bourg defende uma estratégia efetiva e de alcance imediato, como a mudança de estilos de vida -basicamente, menos consumo. Caso contrário, alerta, não haverá mais espaço para deliberações -apenas para medidas autoritárias. Como lembra o pesquisador, regimes autoritários "estão mais aptos" a lidar com atitudes drásticas, ainda que necessárias. Pessimista, vê com preocupação a cúpula de Copenhague sobre o clima, que começa amanhã na capital dinamarquesa. Bourg avalia que as reuniões preparatórias para o encontro não funcionaram, e que os graves problemas de fundo permanecem intactos.


FOLHA - Em entrevista ao semanário francês "Le Nouvel Observateur", o sr. disse que a crise ecológica pode levar a um novo "paradigma democrático" e que corremos o risco de viver em "ecogulags". Que relação há entre ecologia e fascismo?

DOMINIQUE BOURG - Não há, em si, relação entre ecologia e fascismo, mas uma provável deriva autoritária dos atuais regimes democráticos, caso não consigam lidar com as grandes dificuldades atuais e futuras.

Penso, em primeiro lugar, na mudança climática, em relação à qual já ultrapassamos o limite do perigo. E, em segundo, no pico da produção de petróleo, que estamos prestes a atingir.

Nos dois casos, há contradição entre o curso atual das democracias, fundadas sobre o consumo crescente de recursos naturais (e isso vai muito além da energia) e as consequências daqueles dois fenômenos.

De fato, não é possível reduzir em 40% as emissões de CO2 [dióxido de carbono] até 2020 (meta defendida pelo Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática) só por meio do avanço tecnológico.

Também será preciso modificar nossos modos de vida, tanto em termos de consumo quanto de transporte.

Em outros termos, ou as democracias mudam, reintroduzindo o primado do coletivo diante de um hiperindividualismo consumista, ou elas tenderão a se apagar diante dos regimes autoritários.

Pois esses governos estão mais aptos a resistir à penúria, à violência e às mudanças abruptas de todo tipo.

FOLHA - Qual é sua expectativa quanto à cúpula de Copenhague?

BOURG - Estou muito preocupado, porque não se alinhavou nenhuma possibilidade real de acordo durante as reuniões preparatórias.

De resto, os problemas de fundo são sérios: as dificuldades que têm os antigos países industrializados de reduzir a dependência de suas populações dos combustíveis fósseis; a necessidade, para os países ricos, de pagarem a conta da adaptação dos países pobres; a impossibilidade de um acordo homogêneo etc.

A proposta dos EUA para 2020 é ridícula, pois lida com dados de 1990 e defende uma redução [na emissão de gases] de 3%! Já a proposta da China de reduzi-la em 45% para cada ponto percentual do PIB é muito construtiva.

No entanto somente medidas rápidas e importantes de redução na emissão de gases podem garantir um mínimo de segurança à humanidade.

FOLHA - O sr. alerta para o efeito "rebond", que pode ser definido como o aumento de consumo devido à redução dos efeitos nocivos graças ao uso de uma nova tecnologia...

BOURG - Chamo de efeito "rebond" o mecanismo que, por meio de ganho de produtividade industrial, promove uma baixa de preços de determinado produto e, por consequência, um aumento do consumo. Desse modo, um carro "econômico" permite que se rode mais pagando-se o mesmo preço. Um computador consome hoje menos energia do que há cinco anos, mas a potência necessária, os diferentes tipos de utilização e o número de usuários não param ce crescer. Logo, o consumo global de energia também cresce: segundo a Agência Internacional de Energia, ele triplicará em 2030. Mesmo não podendo consumir mais do que um tipo de produto (não irá haver mais mortes só porque o preço dos caixões baixou!), a quantidade de capital liberada pelos ganhos de produtividade permitirá financiar outros tipos de consumo.

Uma tecnologia nunca tem valor em si, mas em razão do contexto e da relação que se estabelece com ela. As tecnologias nunca constituem soluções puras e simples -a não ser nos manuais de economia.

FOLHA - Meios alternativos de energia, como a eólica, estão longe de serem viáveis em larga escala. O que se pode fazer a esse respeito?

BOURG - Você tem razão, mas isso não deve se constituir em obstáculo para seu desenvolvimento no interior de um "mix" energético. Vários países investem na criação desse tipo de tecnologia, garantindo a compra da eletricidade produzida a um preço mais alto que o do mercado.

Além disso, o preço do petróleo deverá subir cada vez mais.

FOLHA - A Europa tem um discurso ecologicamente responsável e toma várias iniciativas nesse sentido. Porém, é responsável por boa parte das emissões de CO2 e pelo aquecimento global, que tem nos países pobres suas maiores vítimas. Como superar esse paradoxo?

BOURG - A constatação é de fato justa, e isso vale especialmente para os antigos países industriais. Mas, nessa insanidade, são os EUA que foram mais longe. Um norte-americano emite em seu território 20 toneladas de CO2 por ano e 29 toneladas se considerarmos as emissões ligadas às importações. A média para um europeu é de, respectivamente, 8 e 15 toneladas. Esse é o dilema moral dos povos ocidentais, explicitado pelo filósofo Jean-Pierre Dupuy: ou preservamos, como valor supremo, a igualdade entre os homens -mas então esse valor não poderá ser respeitado, já que a universalização de nosso modo de vida não é materialmente suportável pelo planeta.
Ou, então, decidimos seguir com nosso modo de vida atual -mas então deveremos renunciar à igualdade universal entre todos os homens.

FOLHA - Na recente visita ao Brasil do líder iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, o presidente Lula defendeu o uso de energia nuclear para fins pacíficos...

BOURG - O caso da energia nuclear é muito complexo.

Do lado negativo, seu uso permanece perigoso, e a questão dos resíduos radioativos, que têm vida longa, não encontrou solução satisfatória em lugar nenhum. A isso tem que se acrescentar o risco do uso da energia nuclear para fins bélicos e terrorismo. Mas, ao mesmo tempo, permanece a única forma de produzir eletricidade pobre em carbono. É possível que uma nova geração de reatores possa funcionar com outros combustíveis e, assim, eliminar os dois maiores obstáculos, que são o risco de acidente e a questão dos resíduos.

Mas para países muito envolvidos com a produção elétrica nuclear, como a França, é impossível abandoná-la sem levar às alturas a emissão de CO2.

FOLHA - O Brasil está em via de se tornar uma potência energética, por conta do petróleo e do biodiesel. No futuro, que papel exercerá?

BOURG - O pico da produção de petróleo encorajará, sem dúvida, a produção de etanol a partir da cana-de-açúcar, mas também irá colocar novos problemas, como o desmatamento.

Contudo o Brasil é conhecido na Europa por uma política ambiental interessante, e espera-se muita inventividade dos grandes países emergentes.


Fonte: Jornal Folha de São Paulo. Caderno Mais.São Paulo, domingo, 06 de dezembro de 2009.
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mais/fs0612200915.htm

Um Ceará perdido no tempo

COMISSÃO CIENTÍFICA - 150 ANOS


6/12/2009

A partir do legado da Comissão, pode-se identificar debates sobre a degradação ambiental em curso no século XIX

Fortaleza - A beleza singela das aquarelas de José dos Reis Carvalho ao retratar as paisagens cearenses contrasta com um processo de devastação em pleno curso na então província imperial, assim como nas demais regiões do Brasil. Desflorestamento, erosão, mudanças climáticas e exaustão de recursos tidos como inesgotáveis são preocupações que se percebem nos escritos do botânico Francisco Freire Alemão e outros membros da Comissão Científica de Exploração, um projeto que levou os principais intelectuais brasileiros do período a registrar aspectos geológicos, naturais e sociais do Ceará, viagem cujo início completou 150 anos em 2009.

No relatório da Sessão Botânica feita após a expedição, Freire Alemão lamenta "o nosso modo bárbaro de cultivar a terra" e o fato de não restar "senão a lembrança" das florestas da Serra Grande. Muito antes do que se imagina, intelectuais brasileiros se debruçaram na questão ambiental e nos efeitos da devastação já no século XIX, apesar dessa discussão não ter chegado a frear a perda de boa parte da fauna e flora nativas do Brasil.

"A Comissão Científica acontece num momento histórico de focalização de debates sobre os efeitos da ação humana no ambiente, discussões que intelectuais como Freire Alemão e Guilherme Capanema já vinham fazendo anteriormente", coloca José Augusto Pádua, professor do Departamento de História da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Interlocução

O historiador destaca também os escritos de dois cearenses. O primeiro teve uma profunda interlocução com os "científicos": Tomás Pompeu de Sousa Brasil, o Senador Pompeu. "O Tomás Pompeu é quem promove a discussão com esses viajantes no Ceará, recebe-os em casa, então é possível imaginar que eles tenham discutido questões relacionadas à degradação ambiental", comenta. O segundo, já no século XX, é o agrônomo e professor da Universidade Federal do Ceará (UFC), Renato Braga, que produziu o primeiro grande trabalho sobre a Comissão Científica. "O Renato Braga conseguiu acesso a uma documentação ainda hoje de difícil acesso e o livro é uma leitura saborosa. Ele dá uma ideia do que foi a Comissão e das preocupações que norteavam a viagem exploratória".

Apesar de ter na prática da monocultura e da pecuária extensiva a principal fonte de devastação dos recursos naturais existentes no Brasil desde a Colônia, José Augusto Pádua identifica, no século XIX, preocupações ambientais distintas de acordo com a ecologia de cada região. "Na Bahia, por exemplo, percebe-se uma preocupação com a indústria madeireira e o combate às queimadas. Na Amazônia, é a questão do extrativismo vegetal e animal de espécies como a copaíba e o peixe boi. Já no Ceará, a discussão será centrada na relação entre a perda de florestas naturais e as mudanças no clima decorrentes dessa intervenção do elemento humano, algo extremamente atual em nossos dias. Inclusive, o Senador Pompeu escreve sobre a influência da ação do homem sobre o clima falando que a atmosfera é um ´campo suscetível de cultura´", destaca o historiador.

Discurso x prática

Mas, mesmo a existência de um pensamento sólido no Brasil oitocentista em relação a questões ambientais não foi suficiente para conter o avanço de práticas predatórias e de alterações do meio. "Naquele período, não havia uma sociedade civil organizada nem canais de difusão, como acontece hoje. Então esse debate fica num plano intelectual, desses cientistas se dirigindo ao Estado. Mas da mesma forma tínhamos um Estado limitado em termos de capacidade de ação. Eles também tentavam dialogar com os próprios fazendeiros, mas estes tinham práticas arraigadas, numa visão de curto prazo e ganho imediato que não é difícil encontrar em nossos dias".

Na visão do especialista em história e política ambiental, a experiência e o legado da Comissão Científica são relevantes para pensar numa discussão ambiental que ajuda a pensar o próprio Brasil. "É importante frisar que os debates que esses intelectuais promoveram não tratavam o ambiente como algo a parte, um apêndice, mas fazem uma relação importante com os problemas econômicos e sociais do período, mostrando que o desflorestamento pode levar a processos de desertificação, alterações no clima, inutilização das terras".


Karoline Viana
Repórter

Fonte: Jornal Diário do Nordeste. Caderno Regional. Fortaleza, 6 de dezembro de 2009.
http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=701729



Olhar nativo e estrangeiro

Pesquisadora trabalha a partir da História da Arte aspectos do Ceará registrados pelo pintor oficial da expedição


Fortaleza - As cores aguadas e cálidas da aquarela retratam um Ceará sob a ótica do olhar do outro, quase estrangeiro, numa perspectiva de devassar o sertão ainda pouco conhecido pelo Império brasileiro. Na falta de fotografias, perdidas juntamente com anotações e outros equipamentos por conta do naufrágio da embarcação Palpite, que ia de Granja à Fortaleza, as aquarelas e desenhos produzidos por José dos Reis Carvalho são o principal registro visual da passagem da Comissão Científica de Exploração pelo Ceará ao longo de dois anos e cinco meses de pesquisas.

Mas a variedade das obras deixadas por Reis Carvalho contrasta com as poucas informações que se tem sobre a vida do desenhista oficial da Comissão. Mesmo indicações mais simples, como locais e datas de nascimento e morte, são fontes de divergência entre os estudiosos.

Esta é a principal dificuldade encontrada pela historiadora fluminense Rachel Jaccoud Ribeiro Amaro. A pesquisadora busca estudar as obras de Reis Carvalho por meio de um diálogo com a História da Arte, num trabalho de pesquisa que realiza de forma independente da academia. Foi por conta de um trabalho para a faculdade que ela entrou pela primeira vez em contato com os desenhos e aquarelas do artista.

"Fui em busca de material no Museu Histórico Nacional (MHN) e me deparei com as 32 aquarelas e desenhos que o museu possui do Reis Carvalho. Foi aí que comecei, na condição de estagiária do MHN, a pesquisar e buscar obras e informações sobre ele em outras instituições, como o Museu Dom João VI da Escola de Belas Artes. Mas as informações sobre ele muitas vezes são pontuais e divergentes, sua trajetória não é tão bem documentada como a dos demais membros da Comissão. Alguns autores (Down Ades, por exemplo) propõem que o nascimento de Reis Carvalho teria acontecido em 1800. Bruno Pedrosa, entretanto, afirma que o ano seria 1798. Heitor de Assis Júnior lembra que podemos encontrar obras do pintor datadas de 1882 e que em 1891 ele ainda figura como professor honorário da Academia. A estimativa mais ampla, portanto, ficaria entre os anos de 1798-1892. Ao certo, podemos afirmar apenas que Reis Carvalho teve uma longa vida produtiva, de 1824 a 1882, aproximadamente".

"Pintor de flores"

Uma das poucas informações seguras é que o pintor fez parte da primeira turma da Academia Imperial de Belas Artes, hoje denominada de Escola Nacional de Belas Artes, no Rio de Janeiro. Tenente da Marinha, Reis Carvalho deu aulas de desenho na Escola Imperial da Marinha até ser chamado a compor a Comissão Científica, que chegou ao Ceará em 1859 e permaneceu até meados de 1961.

Para a pesquisadora, o insucesso da Comissão Científica, ou pelo menos a não continuidade do projeto pode ajudar a explicar o esquecimento e as lacunas em relação ao pintor. O projeto inicial da expedição fomentada pelo Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB), patrocinada pelo imperador Dom Pedro II, contemplaria a exploração de todas as províncias do Norte, mas acabou sendo questionada por críticas severas e inviabilizada por falta de verbas

Reis Carvalho foi aluno do pintor francês Jean Baptiste Debret, artista de formação neoclássica que veio a convite do monarca português Dom João VI, cuja dinastia governava a partir de Rio de Janeiro desde a transferência da Corte para o Brasil, em 1808. No livro "Viagem Pitoresca ao Brasil", Debret se refere ao discípulo como "pintor de flores e decorador, professor de Desenho da Escola Imperial de Marinha na vaga de José de Cristo, falecido".

Segundo Rachel Amaro, Reis Carvalho de fato era conhecido pela fidelidade com que pintava seus temas, inclusive tendo ganho vários prêmios por conta disso. Este traçado fidedigno deve ter pesado na escolha de Reis Carvalho para compor uma comissão que privilegiava os rigores da investigação científica na catalogação dos mais diversos aspectos da província imperial.
Paisagens e tipos

Provavelmente foi com o mestre francês que Reis Carvalho aprendeu a valorizar e fazer uso da técnica da aquarela para captar cenas cotidianas e que deveriam ser executadas de forma rápida e ao mesmo tempo vivaz. Numa viagem feita em lombo de jumento (ainda não havia estradas de ferro na província) e com uma série de dificuldades encontradas tanto no deslocamento quanto nas condições de pouso pelos sertões cearenses, a agilidade aliada à precisão eram essenciais para executar este tipo de trabalho.

Ao longo do período em que a Comissão permaneceu no Ceará, as pinturas e desenhos de Reis Carvalho registram aspectos da arquitetura (igrejas, casebres, vistas de cidades, interiores de residências, moinho de vento), paisagens (serras, vegetação, locais ermos), atividades da comunidades sertanejas (pesca de piranha, o trabalho artesanal das rendeiras, vendedores de azeite) e até fenômenos naturais, como redemoinhos.

A pesquisadora busca trabalhar o cotidiano, os tipos humanos, os usos e costumes do Ceará registrados a partir do olhar do pintor, em que se percebe o confronto entre os modelos herdados de uma tradição europeia e um ambiente e costumes completamente diversos do que havia na Corte.

"É possível perceber que a pintura de Reis Carvalho é um registro romântico, por mais que ele procurasse uma representação fiel ao que ele via. Há uma referência ao trabalho já realizado pelo Debret, em que se busca mostrar o diferente, mas nem sempre se consegue evidenciar o que está ali", opina a historiadora.

RENATO BRAGA Cearense ainda é referência no tema

Professor de Agronomia na UFC, Renato Braga fez extensa pesquisa sobre legado da Comissão

Fortaleza Passados 150 anos da viagem exploratória à província do Ceará, a primeira e, ainda hoje, grande obra de referência sobre a Comissão Científica de Exploração é de um cearense. Professor na Faculdade de Agronomia, quando a UFC ainda era denominada Universidade do Ceará, Renato Braga lançou, em 1962, o livro "História da Comissão Científica de Exploração". O livro é fruto de uma extensa pesquisa em arquivos e instituições do Ceará e do Rio de Janeiro, patrocinada pelo então reitor da instituição, Antônio Martins Filho, como forma de marcar o centenário da viagem exploratória, que ocorreria sete anos depois.

Renato Braga coloca logo na introdução o grande estranhamento que tinha pela falta de pesquisas, dentro e fora do Ceará, sobre a vinda dos chamados "científicos" para analisar as potencialidades das províncias do Norte, começando pelo Ceará. A obra traça a trajetória e o esforço de homens que abrem mão dos confortos e da vida "civilizada" da Corte para adentrar num ambiente que, apesar de se encontrar no mesmo país, apresenta ambiente, usos e costumes bastante diversos. Ainda hoje, livros e trabalhos sobre o tema ainda são de circulação restrita, apesar de atualmente haver um esforço para discutir e analisar o legado deixado pela Comissão Científica.

Em 16 de agosto de 2009, o Diário do Nordeste publicou, com exclusividade, série de reportagem que buscou reavaliar a experiência dos representantes da elite intelectual do Império brasileiro em terras cearenses. Dentro do espírito das grandes viagens exploratórias realizadas desde a descoberta do Novo Mundo, a Comissão preconizada pelo IHGB defendia a realização de uma pesquisa das províncias do Norte apenas com cientistas brasileiros. Uma tentativa de sair da posição de fornecedor de exemplares a serem pesquisados para a de produtor de conhecimento, cujo legado ainda pode ser explorado.

Karoline Viana
Repórter


Igreja de Nossa Senhora da Conceição em Jaguaribe Mirim. Pintor registrava arquitetura e aspectos humanos do Ceará. Foto: MHN

Fotografia de Reis Carvalho, desenhista oficial da Comissão

Igreja de Nossa Senhora dos Prazeres, em Aracati. Comissão Científica buscou explorar um Brasil dentro do Brasil

Fonte: Jornal Diário do Nordeste. Caderno Regional. Fortaleza, 6 de dezembro de 2009.
http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=701736

Economia da Mudança do Clima no Brasil


O Brasil corre o risco de ter uma perda na economia de R$ 719 bilhões a R$ 3,6 trilhões em 2050, caso nada seja feito para reverter os impactos das mudanças climáticas. As regiões mais vulneráveis à mudança do clima no Brasil são a Amazônia e o Nordeste, com possiveis perdas expressivas para a agricultura em quase todos os estados. Além disso, a previsão é de uma menor a confiabilidade no sistema de geração de energia hidrelétrica, com redução de 31,5% a 29,3% da energia firme. Estes são alguns dos resultados do estudo Economia das Mudanças do Clima no Brasil (EMCB), que analisa e quantifica o impacto da mudança do clima na agenda de desenvolvimento do país.

Lançado dia 30 de novembro em Brasília e no Rio, o estudo teve a coordenação geral do professor da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA/USP), Jacques Marcovitch, e a coordenação técnica de Sérgio Margulis e Carolina Dubeux.

O estudo foi conduzido por um consórcio formado pelas seguintes instituições: Universidade de São Paulo (USP), Universidade de Campinas (Unicamp), Embrapa, INPE,COPPE/UFRJ, Fiocruz, FBDS, Cedeplar/UFMG, IPAM, IPEA e FIPE.

Outros resultados e dados sobre o estudo estão disponíveis no site www.economiadoclima.org.br, aonde podem ser acessadas informações detalhadas sobre essa iniciativa.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

I Colóquio de Geografia Agrária do Cariri Cearense

Tema: Sociedade, Natureza e as relações de produção no Campo

27 a 30 de Janeiro de 2010

Introdução

O I Colóquio de Geografia Agrária é uma promoção do Grupo de Estudos e Pesquisas em Geografia Agrária – GEA, que desde 2001 reflete sobre o espaço agrário, com enfoque nos debates sobre território Espaço e movimentos sociais, bem como, diversas temáticas referentes á questão agrária. O GEA é composto por pesquisadores e discentes do Departamento de Geociências da Universidade Regional do Cariri e desenvolve desde sua criação atividades de leituras sistematizadas, pesquisas e atividades de extensão. Tendo como linhas de pesquisa, sociedade, ensino, gênero e reforma agrária.

O encontro visa promover um espaço de debates e reflexões sobre: A questão Agrária, resistência e exploração; Relações Campo-Cidade; Educação no/do Campo; teorias e métodos da Geografia Agrária; Cultura, Gênero; sexualidade e Impactos Ambientais no Campo.

O tema proposto abrange as diversas pesquisas em Geografia executadas no campo, sejam relacionadas à natureza ou às relações sociais. E tem por objetivo principal, instigar o debate entre a comunidade acadêmica e os atores que atuam no espaço agrário e demais interessados. Visa também, estimular e divulgar o diálogo entre as produções acadêmicas que têm sido realizadas por pesquisadores, assim como, outros projetos que vem sendo executados.

Justificativa

O I Colóquio de Geografia Agrária do Cariri Cearense, vem somar esforços no intuito de abordar temas pertinentes à dinâmica agrária, através do seu eixo principal: SOCIEDADE, NATUREZA E RELAÇÕES DE PRODUÇÃO NO CAMPO, possibilitando-nos apresentar discussões e reflexões que podem contribuir na ampliação à condução da militância rural e ao mesmo tempo em que busca oportunidade de divulgar atividades desenvolvidas, no âmbito científico, social e econômico,sobre a questão agrária.

O tema proposto entra com o enfoque da relação de produção no campo e sua interação perante a sociedade e a natureza; um tema generalizado que necessita de análises aprofundada e específica, sobretudo, quando se trata do Cariri Cearense, que nos dá como exemplo, os vários modelos de transformação da agricultura, concomitantes às transformações sociais e naturais.

Dessa forma o I Colóquio de Geografia Agrária do Cariri Cearense será o ponto de partida para reflexão dos novos pensamentos sobre o espaço rural, apoiado nas mais diversas experiências e estudos, que nos fará ter um olhar mais fundamentado e questionador sobre o modelo agrário vigente, abrindo espaço para uma nova ideologia, capaz de gerar militâncias, em busca da luta pela transformação desse espaço.

Programação:

27/01/2009 – quarta-feira:

Manhã – Credenciamento.
Local – LEG – Laboratório de Ensino de Geografia
Horário: 8h00min. às 12h 00min.

Tarde – Apresentações de Trabalhos.
Local: Salas da Geografia.
Horário: a partir das 14h 00min.

Noite - Conferência de Abertura.
Tema: Sociedade, Natureza e Relações de Produção no Campo.
Horário: 19h00min.

28/01/2010 - quinta-feira:

Manhã – Painel 01: Experiências Agroecológicas do Cariri Cearense.
Local: Salão de Atos – URCA.
Horário: 7h30min.
Tarde – Mini-cursos e Oficinas.
Local: Salas da Geografia.
Horário: a partir das 14h 00min.
Noite – Painel 02: A Questão Agrária: Expropriação e Exploração dos (das) Trabalhadores (as) Rurais.
Local: Salão de Atos
Horário: a partir das 19h 00min.

29/01/2010 - sexta-feira:

Manhã – Painel 03: Educação no/do Campo.
Local: Salão de Atos
Horário: a partir das 7h 30min.

Tarde – Oficinas e Mini-cursos
Local: Salas de aulas da Geografia
Horário: a partir das 14h 00min.

Noite – Painel 04: Modernização da Agricultura Cearense.
Local: Salão de Atos
Horário: a partir das 19h 00min.

Inscrições

As inscrições para o I Colóquio de Geografia Agrária do Cariri Cearense poderão ser feitas através da internet. O (A) participante deverá preencher a ficha de inscrição e efetuar o pagamento no banco ou casa lotérica na conta com informações a baixo:

Anderson Camargo Rodrigues Brito
Conta: 6074-0
Agência: 032
Caixa Econômica Federal

Valor das inscrições:
Estudante: R$ 10,00
Estudante com Apresentação de Trabalho: R$ 15,00
Profissional: R$ 20,00

Fonte: http://www.urca.br/coloquiogea/?content=apresentacao

O que esperar de Copenhague

Foto: Leticia Freire

04/12/2009 - 17:16:55
Henrique Andrade Camargo, Mercado Ético


Nações apresentarão suas metas, mas propostas podem não ser o suficiente

É sempre bom reforçar que um pouco de meta é muito melhor do que não ter meta nenhuma. Claro que isso não quer dizer que esse pouco seja suficiente. Imagino que as negociações climáticas da COP15, que começam na segunda-feira (7/12), em Copenhague, vão seguir esse roteiro.

As principais nações do mundo já apresentaram publicamente o que vão (ou não) colocar nas mesas de negociações. O Brasil surpreendeu, sendo o primeiro entre os BRICs a anunciar que tipo de medidas planeja para contribuir com a mitigação das mudanças climáticas. Apesar de ser uma proposta controversa, com diversos pontos dúbios e obscuros, como a previsão de emissões de CO2 pelo país em 2020 e como serão financiadas as medidas para diminuir essas emissões, o governo brasileiro não tinha nenhuma obrigação legal (mas, sim, dever moral) de propor metas. O país, ao contrário das nações mais desenvolvidas, não tem culpa da maior parte do carbono já concentrado na atmosfera.

O fato é que a iniciativa brasileira pressionou outros governantes que evitavam o assunto. Não demorou muito e os EUA, a China e a Índia, três dos grandes poluidores do planeta, também disseram o que vão levar a Copenhague.

Mas de acordo com o Fórum Humanitário Global, organização dirigida pelo ex-secretário geral das Nações Unidas, Kofi Annan, as metas até então apresentadas não são suficientes para evitar um grande desastre. Para a entidade, ainda é preciso um pouco mais de esforço das nações mais ricas para que o planeta siga na rota da sustentabilidade de maneira mais consistente.

As metas divulgadas até agora, se cumpridas, podem significar um aumento de 5% na concentração de gases de efeito estufa na atmosfera. Esse volume causaria uma elevação da temperatura média da superfície terrestre acima dos 2°C, considerada a marca segura para se evitar os piores cenários. Como lembra Annan, as mudanças climáticas já são altamente perigosas mesmo com um aquecimento global médio inferior a 1°C.

Mas se o ex-diretor-geral da ONU acha que um pouco mais de esforço bastaria para chegar a um acordo desejável, James Hansen, cientista climático que dirige o Instituto Goddard de Estudos Espaciais da NASA, acredita que o acordo como vem sendo desenhado será um completo desastre. Para ele, seria melhor que se começasse a fazer um outro, novinho em folha.

A verdade é que as nações desenvolvidas são resistentes em assumir suas responsabilidades na concentração de carbono na atmosfera. Um exemplo pouco (ou nada) divulgado, foi uma declaração do presidente da República Tcheca, Václav Klaus, que esteve na semana passada no Brasil. Em reunião com o prefeito de Manaus, Amazonino Mendes, Klaus queria saber o motivo da empolgação do brasileiro em ir para a COP15. Mendes disse que aquela poderia ser uma oportunidade para garantir recursos dos países ricos para a preservação da floresta. O tcheco, incrédulo, disse que não podia acreditar em seus ouvidos.

Outro ponto que causa agonia é a derrota pré-anunciada da conferência. A última delas foi feita nesta quinta-feira (3/12), pelo presidente Lula e pela chanceler alemã, Angela Merkel. Eles disseram que não vai ser desta vez que um acordo ideal sairá do papel. Apesar disso, a chanceler considera que haverá avanço em Copenhague.
Mas soa suficientemente bem um avanço que não garanta a segurança de centenas de milhões de pessoas que vivem nos países mais pobres? Mesmo não sendo eles os culpados pelo caos climático, serão os que mais vão sofrer com o aquecimento global.

Isso não parece justo para mim. E para você?

(Mercado Ético)

FONTE: http://mercadoetico.terra.com.br/arquivo/o-que-esperar-de-copenhague/?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=mercado-etico-hoje

Chegou a hora de decidir quem paga a conta

Fabiano Ávila, do CarbonoBrasil
03/12/2009 - 16:16:03


Ainda não há estimativas exatas de quanto dinheiro será necessário para a adaptação das pessoas às mudanças climáticas. Foto: Oxfam

Mudanças climáticas, aquecimento global e gases do efeito estufa são conceitos que já entraram para o vocabulário das pessoas. Apesar disso, não é fácil explicar para quem não acompanha atentamente o desenrolar das negociações porque será tão complicado alcançar um acordo climático em Copenhague se todos os países reconhecem que estes são problemas sérios. A explicação mais simples recai sobre um tema que todos nós entendemos: dinheiro. Afinal, quem paga a conta das mudanças climáticas?

Desde a Eco-92, há quase 20 anos no Rio de Janeiro, as nações mais ricas aceitaram que possuem uma maior responsabilidade sobre o clima, já que foi a industrialização do Hemisfério Norte a principal causa da emissão excessiva de gases do efeito estufa no decorrer dos últimos 150 anos.

Agora, os países em desenvolvimento, entre eles Brasil e China, também aparecem como grandes emissores, e está sendo exigido deles que optem por um progresso menos agressivo ao meio ambiente; um desenvolvimento que siga um caminho diferente do feito pelas nações ricas. Essa mudança de rumo custará dinheiro e alguém terá que pagar por ela, mas quem?

Além disso, diversos países pobres são os que mais estão sofrendo com as mudanças no clima. Tuvalu e Maldivas, pequenos Estados insulares, correm literalmente o risco de desaparecer com a subida do nível dos oceanos, sendo que as suas emissões sempre foram insignificantes. Alguém terá que ajudar esses países a se adaptarem à sua nova realidade e novamente vem a questão: quem vai pagar pelas obras de infra-estrutura e pela ajuda que serão necessárias para aliviar o sofrimento desses povos?

Essas perguntas são alguns dos principais imbróglios da COP-15, que começa na próxima segunda-feira (7) em Copenhague. Aliás, é muito provável que se não sair um acordo global nessa conferência, a culpa não seja de debates sobre metas de emissões e sim, simplesmente, por uma questão de dinheiro.

Custos

O volume de recursos que os países estão dispostos a pagar para a adaptação e mitigação é uma incógnita que parece estar ligada de forma inversamente proporcional à responsabilidade histórica de emissões de cada nação. De uma maneira geral, pobres querem receber mais e os ricos pagar menos.

Um grupo formado por 77 países mais a China, conhecido como G77, propõe que as nações ricas repassem entre 0,5% a 1% de seu Produto Interno Bruto (PIB) anual para o combate às mudanças climáticas. Dessa forma, o valor poderia ser ainda maior que os US$ 170 bilhões recomendados pela ONU por ano, enquanto alguns países europeus e os Estados Unidos sinalizam que podem oferecer bem menos, algo como US$ 20 bilhões.
Através de estudos do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), a ONU afirma que em 2030 deveriam estar sendo destinados de 0,3% a 0,5% do PIB global para as mudanças climáticas além de 1,1% a 1,7% de todos os investimentos mundiais.

Segundo a porta-voz da Organização Mundial pela Migração (IOM, na sigla em inglês), Jemini Pandya, ainda não há como saber quanto custará adaptar o mundo porque não existem pesquisas suficientes sobre o assunto. “A própria migração que será necessária devido às mudanças climáticas já é algo muito difícil de lidar. Não temos dados exatos do motivo pelo qual as pessoas mudam, por muitas vezes nem elas sabem dizer exatamente qual a razão”, afirma.

Para ela, o tema ainda não recebe a atenção devida. “O foco está sendo mais nas conseqüências do aquecimento global e eu consigo entender isso, já que por muito tempo houve um grande ceticismo sobre as emissões de gases do efeito estufa estarem causando o aumento das temperaturas”, diz.

Já para Tim Nuthall, da Fundação Climática Européia, um valor de 0,13% do PIB já seria próximo do ideal. “De acordo com a reunião de Bali, em 2007, a questão do financiamento para mudanças climáticas seria baseada em dois princípios: condições de pagar e responsabilidades históricas pelas emissões. Eu avalio que o volume de recursos necessários para a adaptação global seja de uma média de 100 bilhões de euros anuais.”

Propostas

Existem diversas idéias de como esse dinheiro deveria ser levantado e administrado; da criação de um novo organismo internacional para este fim, como quer o Brasil, a uma combinação de mecanismos de mercado, financiamentos públicos e impostos sobre setores como transporte e energia.

Identificar novas formas de financiamento será um dos pontos chave em Copenhague. Existe uma grande pressão para que os países ricos aumentem seu comprometimento e o volume de recursos que destinam para as mudanças climáticas. Porém, a União Européia e os Estados Unidos ainda buscam saídas no setor privado, principalmente nos mercados de limite e comércio de emissões (‘cap-and-trade’), como uma possibilidade para levantar recursos.

A Convenção Quadro das Nações Unidas para as Mudanças Climáticas (UNFCCC) sugeriu uma série de propostas para serem discutidas em Copenhague: uma taxa global sobre emissões de CO2, impostos sobre transportes marítimos e aéreos, e expandir os procedimentos de Mecanismos de Desenvolvimento Limpo (MDL) para a Implementação Conjunta (IC) e o comércio de emissões.

A lógica do “paga o poluidor e quem tem condições” parece ser uma tendência a ser seguida em Copenhague. “O dinheiro deverá vir de uma combinação de mecanismos de mercado e de fundos públicos. Existe uma grande pressão nos países ricos para que abram os bolsos, tão grande quanto a para que adotem metas. O fato é que ainda não foi feito o suficiente para evitarmos as piores conseqüências das mudanças climáticas. Os países ricos devem agir e agir rápido”, explicou Nuthall.

Os líderes mundiais terão 15 dias para avaliar todas essas propostas e concordar em um modelo que seja ao mesmo tempo justo e eficiente. Como se percebe, não será nada fácil fazer isso, o que nos faz mais uma vez lastimar que as reuniões anteriores à Copenhague pouco avançaram em decidir quem irá se responsabilizar por bancar os custos das mudanças climáticas.

(CarbonoBrasil)

Fonte: http://mercadoetico.terra.com.br/arquivo/chegou-a-hora-de-decidir-quem-paga-a-conta/?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=mercado-etico-hoje

Pesquisa comprova que plantio direto diminui emissão de carbono pelo solo

Uma pesquisa de manejo de solo conduzida, por 20 anos, pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e pela Universidade Federal Fluminense (UFF) confirma a eficácia do sistema de plantio direto como prática de conservação do carbono no solo e na diminuição das emissões de carbono.

O estudo mostra que o plantio convencional acumula cerca de duas vezes menos carbono orgânico no solo do que o plantio direto: sistema que preconiza a semeadura sem revolvimento do solo e cujos restos culturais da lavoura anterior permanecem sobre o solo como palhada de cobertura.

Mais que benefícios na conservação do solo, durante a 15ª Conferência do Clima das Nações Unidas (COP-15), este mês, em Copenhague, na Dinamarca, pretende-se discutir o papel do plantio direto no cenário de mudanças climáticas globais como importante mecanismo para sequestrar carbono no solo.

"Existe a necessidade de se gerar conhecimento para balizar a mensuração da emissão de gases de efeito estufa pela agricultura na região tropical e, inclusive, utilizar esses dados como subsídio para a elaboração de relatórios sobre mudanças climáticas", afirmam os pesquisadores que conduziram a pesquisa: Beata Madari e Pedro Machado, da Embrapa Arroz e Feijão; Eleno Torres e Julio Franchini, da Embrapa Soja, e Renata Barreto, Adriana Costa e John Maddock, da Universidade Federal Fluminense.

O grupo pesquisou a correlação entre a emissão de gás carbônico para a atmosfera pelo solo e a presença de carbono acumulado pela matéria orgânica em macroagregados - conjunto de partículas que apresentam diferentes formas, graus de estabilidade e classificação de tamanho.

Para conduzir a pesquisa foram coletadas amostras de latossolo vermelho em 16 pontos, sob plantio direto e plantio convencional, do campo experimental da Embrapa Soja, em Londrina (PR). Nesta área, por 20 anos, houve sucessão de soja no verão e trigo no inverno. Nos últimos 12 anos, foi realizada rotação de cultivo de milho, no verão, e tremoço e aveia preta, como plantas de cobertura do solo, no período de inverno.

O experimento conclui que o solo, sob plantio direto contínuo, evita que 79,4 quilos de carbono hectare/hora sejam emitidos para a atmosfera. No solo sob plantio convencional, o desempenho foi 63,3% menor. A pesquisa mediu também amostras de solo do ambiente de floresta, como sistema de referência. O balanço do acúmulo de carbono pela matéria orgânica no solo alcançou saldo positivo de 875,1 quilos de carbono hectare/hora. "Apesar das áreas agrícolas emitirem gases de efeito estufa, os sistemas conservacionistas, como o plantio direto, são os que mais se aproximam do ambiente natural de floresta", explicam os pesquisadores.

Crédito: Rodrigo Peixoto

Embrapa Soja
Lebna Landgraf - Jornalista
Telefone: (43) 3371-6061

Embrapa Arroz e Feijão
Rodrigo P. Barros - Jornalista
Telefone: (62) 3533-2108

FONTE: http://www.agrosoft.org.br/agropag/212637.htm

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Comissão Interministerial definirá metas para Copenhague

Nielmar de Oliveira e Luana Lourenço , da Agência Brasil
26/11/2009 - 15:24:18

O ministro do Meio ambiente, Carlos Minc, disse que a Comissão Interministerial para o Clima, criada há cerca de três anos pelo governo federal para elaborar o Plano Brasileiro de Mudanças Climáticas, é que vai definir as metas - entre 36% e 39% - de redução das emissões de gás carbônico no país. O Projeto CO2 está atualmente no Senado para ser votado, de modo que as mudanças possam ser incorporadas à Lei Brasileira de Mudanças Climáticas.

A informação foi dada pelo ministro, nesta quarta-feira (25/11), na sede do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), durante a apresentação ao presidente da instituição, Luciano Coutinho, do estudo Economia da Mudança do Clima no Brasil: Custos e Oportunidades, lançado em Brasília.

Coordenado pela pesquisadora da Coordenação dos Programas de Pós-Graduação em Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe/UFRJ), Carolina Dubeux, o estudo mostra as consequências macroeconômicas da mudança do clima, que não se restringem aos debates científicos e ambientais.

Segundo o documento, as mudanças climáticas no Brasil podem acarretar perdas econômicas que podem chegar a R$ 3,6 trilhões até 2050. Inspirado no Relatório Stern, estudo britânico que em 2006 calculou o custo da mudança climática em 20% do Produto Interno Bruto (PIB) global, a pesquisa brasileira parte de cenários do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês) para calcular o impacto do aquecimento global nas contas do país.

“Pela primeira vez, um estudo sério quantifica setores da economia e regiões do país que serão mais impactadas pelas mudanças climáticas. É bom que se diga que, mesmo que todos os países façam o dever de casa - o que não é nada óbvio - algumas mudanças serão inevitáveis e algumas regiões do país vão sofrer muito”.

O ministro citou como exemplo o Nordeste, a parte leste da Amazônia, no Pará, e a parte sul. Segundo o ministro as áreas de baixada, como a Baixada Fluminense, no Rio de Janeiro, que já sofre com as inundações, terão situação pior com o aumento do nível do mar, previsto para 40 centímetros daqui a 30 anos.

Minc defendeu a necessidade de lutar para alertar o mundo da necessidade de impedir que a concentração de gás carbônico na atmosfera passe de 450 partes por milhão (ppm), e que o aumento da temperatura passe de 2 graus centígrados. Mas é preciso, ao mesmo tempo, começar a fazer mais obras de adaptação e estudos de vulnerabilidade”, lembrou.

Minc adiantou que o Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas, lançado na terça (24/11) por ele e pelo ministro de Ciência e Tecnologia, Sergio Rezende, começará a avaliar, a partir do estudo, os impactos de vulnerabilidade tanto econômicas quanto sociais dessas mudanças.

Na opinião do ministro, as pesquisas agronômicas do país terão que estar direcionadas para culturas como a do milho, do feijão e do café, mais vulneráveis ao aquecimento global do que, por exemplo, a cana-de-açúcar - que deverá se beneficiar do processo.

“O alerta é no sentido de que as mudanças climáticas virão para valer, vão ter grande impacto na economia das regiões, em culturas como o milho, o café e o feijão; e que nós brasileiros, além de fazermos a nossa parte - regulando motor, utilizando a energia solar e fazendo a coleta seletiva de lixo, entre outras medidas.”

Minc afirmou que também é necessário pressionar as autoridades, a área da ciência e da tecnologia para que os estudos criem condições para que o país esteja preparado para essas mudanças. “Porque elas virão e irão afetar a vida das futuras gerações”.
Para Minc, clima de naufrágio já passou.

Na avaliação do ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, o clima negativo que pairava sobre a reunião de mudanças climáticas que acontecerá em Copenhague (Dinamarca), em dezembro, já passou. Para o ele, o Brasil desempenhou um papel importante para que isto fosse possível - não só por apresentar a maior meta de redução de emissão de gás carbônico entre os países em desenvolvimento - de 36% a 39% até 2020 - , mas também ao mostrar dados que apontam para o menor desmatamento da história na Amazônia.

“Estou mais otimista hoje do que há um mês, quando havia um clima de naufrágio. Acho que o Brasil desempenhou um papel importante neste processo, porque uma coisa é escrever no papel e a outra é fazer o dever de casa. Logo depois que o Brasil tomou esta posição [de anunciar a redução de gás carbônico], a Coreia e a Indonésia anunciaram metas importantes - um pouco menos forte que as brasileiras, mas no mesmo sentido”.

Depois de lembrar que a gestão George W. Bush era “um grande desastre do ponto de vista ecológico e não queria nem ouvir falar sobre clima”, Minc elogiou a postura recente do governo de Barack Obama que decidiu, antes mesmo da votação do Senado norte-americano, levar para Copenhague a decisão de propor um corte de 17% na emissão de gás carbônico até 2020, sobre dados de 2005.

“O presidente Obama teve o bom-senso de olhar mais para o mundo, e para o planeta, do que para o Senado norte-americano. Agora o Senado, se tiver juízo, que referende a posição do presidente Obama”.

O ministro lembrou o fato de que também a China já deu sinais de que “a coisa não é bem assim e que vai levar para o encontro do próximo mês também alguns números [de redução de gás carbônico]”.

Senado aprova política nacional e fundo para mudanças climáticas

O plenário do Senado aprovou na noite de quarta-feira (25/11) a Política Nacional sobre Mudança no Clima (PMNC) e a criação do Fundo Nacional sobre Mudança do Clima. A PMNC estabelece princípios, objetivos e diretrizes para a redução de emissões de gases de efeito estufa. O texto inclui a previsão de redução das emissões entre 36,1% e 38,9% até 2020, compromisso voluntário apresentado recentemente pelo governo federal.

A senadora Marina Silva (PT-AC), relatora do texto na Comissão de Meio Ambiente, tentou incluir emendas para garantir que as metas brasileiras tivessem como base o ano de 2005 e não o crescimento tendencial até 2020. Marina também defendia a retirada do termo “voluntário” para garantir que as reduções tivessem força de lei se tornassem obrigatórias.

No entanto, o plenário rejeitou as emendas e preferiu manter o texto do senador Renato Casagrande (PSB-ES), que relatou a proposta na Comissão de Assuntos Econômicos. De acordo com o líder do governo, senador Romero Jucá (PMDB-RR), o texto de Casagrande era “mais flexível”.

Como sofreu modificações no Senado, o texto da PMNC voltará a ser analisado pela Câmara dos Deputados. Já o Fundo Nacional sobre Mudança do Clima segue direto para sanção presidencial. Vinculado ao Ministério do Meio Ambiente, o fundo pretende garantir recursos para ações de redução de emissões de gases de efeito estufa e iniciativas de adaptação às mudanças climáticas.

O governo tinha pressa em aprovar as duas propostas para apresentar as iniciativas durante a 15° Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP-15), no início de dezembro em Copenhague (Dinamarca).
(Agência Brasil)

Fonte: http://mercadoetico.terra.com.br/arquivo/comissao-interministerial-definira-metas-para-copenhague/?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=mercado-etico-hoje